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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Retiro das CEBs - Povoado Joazeiro - RN


Acontecera no Povoado Joazeiro, RN,  de 31 de agosto a 2 de setembro, tendo o tema: Justiça e profecia a serviço da vida no nordeste, o Retiro das Comunidades Eclesiais de Base(CEBs), para esse evento estão sendo convidados as comunidades rurais, setores missionários e movimento sociais (cooperativa e associações), o retiro também será em preparação para o Grito dos Excluídos que acontecera no dia 7 de setembro em Parelhas/RN.
 

Programação completa no Blog: Povoado Joazeiro

http://povoadojoazeirorn.blogspot.com.br/2012/08/evento-povoado-joazeiro-sediara-retiro.html

SEMEAR


Quem planta árvores, colhe alimento.
Quem semeia flores, colhe perfume.
Quem semeia o trigo, colhe o pão.
Quem planta amor, colhe amizade.
Quem semeia alegria, colhe felicidade.
Quem planta a vida, colhe milagres.
Quem semeia a verdade, colhe confiança.
Quem planta fé, colhe a certeza.
Quem semeia carinho, colhe gratidão.
No entanto, há quem prefira semear tristeza e colher desconsolo.
Plantar discórdia e colher solidão.
Semear vento e colher tempestade.
Plantar ira e colher desafeto.
Semear descaso e colher um adeus.
Plantar injustiça e colher abandono.
Somos semeadores conscientes, espalhamos diariamente milhões de sementes ao nosso redor. Que possamos escolher sempre as melhores, para que, ao recebermos a dádiva da colheita farta, tenhamos apenas motivos para agradecer.

CEBs Transamazônica

22º Encontro das CEBs da Transamazônica e BR 163 - Miritituba, Itaituba -
Pará 
Encontro de 16 a 19 de agosto

Todas fotos:  http://www.flickr.com/photos/wsantin/ 
no album de Wilmar Santin

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Participação social, a Copa, a cidade: como ficamos?


A prefeitura de Belo Horizonte pretende “desconcentrar” a cidade, através da permissão de verticalização em outras áreas, criando opções de comércio e serviços. Em tese, a criação ou reforço de novas centralidades é alternativa recomendável. No entanto, a população teme que as alterações propostas sirvam, mais uma vez, à especulação imobiliária e consequente adensamento dessas regiões, intensificando os problemas de tráfego e a demanda por serviços públicos, hoje insuficientes.

Em 2010, após décadas de verticalização e adensamento resultantes de permissiva legislação urbanística, a revisão do Plano Diretor – lei 9.959/2010 – de Belo Horizonte estabeleceu coeficientes de aproveitamento mais restritivos, num esforço para controlar o crescimento da cidade. Carente de um sistema de transporte público eficiente e de equipamentos públicos de saúde e lazer em escala compatível, o município se ressente da excessiva dependência em relação à região do centro tradicional, área correspondente ao projeto original de Aarão Reis para a cidade fundada em 1897. Dotada da melhor infraestrutura urbana do município e bem servida de equipamentos sociais, não é por acaso que a região centro-sul, articulada em torno do hipercentro, seja ainda tão atrativa aos investimentos imobiliários, resultando na paisagem verticalizada dos nossos dias.

Agora, a administração pública pretende “desconcentrar” a região, através da permissão de verticalização em outras áreas da cidade, criando opções de comércio e serviços. Em tese, a criação ou reforço de novas centralidades é alternativa recomendável, visando ao equilíbrio das funções e atividades urbanas. Devemos nos perguntar, porém, se as condições básicas para essa descentralização ou “desconcentração”, como quer a prefeitura, estão sendo observadas.

Durante as reuniões públicas dos planos diretores regionalizados  – cuja falta de ampla divulgação recebeu duras críticas da sociedade – os representantes das associações de bairros e entidades deixaram claro o desejo de conhecer e participar do processo de discussão e projeto das áreas destinadas às operações urbanas consorciadas, definidas ao longo dos principais corredores de transporte desde a última revisão do plano diretor. E foram explícitos quanto às demandas de cada bairro, priorizando serviços e equipamentos sociais, apesar de os técnicos da prefeitura sempre repetirem que aquelas reuniões não se destinavam a reconhecer esse tipo de demanda, mas apenas onde se poderia adensar e preservar. Com segurança, praticamente toda a população presente às reuniões manifestou-se contrária a novos adensamentos em suas regionais, por razões já conhecidas: falta de transporte adequado e mobilidade, serviços e equipamentos sociais insuficientes ou inexistentes, e compromisso quanto à identificação e proteção do patrimônio ambiental e cultural local.

Na Audiência Pública realizada em 28 de junho deste ano, foi apresentado pela secretária municipal adjunta de Planejamento Urbano, Gina Rende, um sumário da metodologia e a relação das reuniões realizadas nas regionais, sendo omitidos os resultados – diagnósticos e proposições, que receberam significativas contribuições da sociedade.

Importante ressaltar que a proposta do Executivo apenas abre a possibilidade de “junto a grandes edifícios residenciais, construírem-se opções de comércio e serviços em geral” (Estado de Minas. Prefeitura quer mais arranha-céus na capital. 23/07/2012). Quem garante que os diversos serviços e equipamentos reclamados pelos bairros e regionais serão implementados? Ao que se sabe, não foi manifestado pela administração, em nenhum momento, a intenção de construir hospitais, escolas, praças (apenas no Barreiro está sendo construído um centro hospitalar); fala-se apenas em centros de compras, o comércio comum que normalmente se encontra associado aos usos mistos. A população teme que as alterações propostas sirvam, mais uma vez, à especulação imobiliária e consequente adensamento dessas regiões, intensificando os problemas de tráfego e a demanda por serviços públicos, hoje insuficientes.

Tem razão o temor da sociedade. Sob o pretexto da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, em 2011 o Executivo conseguiu aprovar uma “flexibilização” da lei de uso e ocupação do solo, aumentando o coeficiente de aproveitamento para até 5, sem deixar claros os limites para sua aplicação. Embora (sob a pressão da sociedade) recuando do texto original, o Executivo tem aprovado, em repetidas condições de excepcionalidade, diversos projetos em áreas de proteção ambiental e em ADEs [Áreas de Diretrizes Especiais], cujos parâmetros mais restritivos não permitem a construção de edificações verticalizadas.

Além disso, a questão da mobilidade continua a ser tratada de forma paliativa – como a proposta dos BRTs [Bus Rapid Transit] nos corredores que dão acesso à região da Pampulha e ao estádio do Mineirão –, apesar das pesquisas apontarem que mais de 70% da população é usuária do transporte coletivo. Pedestres, coletivos e uma frota de 1,5 milhão de veículos particulares em circulação disputam diariamente o espaço de ruas e avenidas. A sempre reclamada expansão do metrô – que atende cerca de 200 mil passageiros/dia, embora já com recursos assegurados pelo governo federal, arrasta-se há quase 30 anos. Falta de interesse da municipalidade ou interesses contrariados de alguns setores?

Mais ainda: o Executivo aprovou um projeto de ocupação da Granja Werneck – área de relevante importância ambiental, com mais de 200 nascentes e 64 córregos –, onde serão construídas cerca de 70 mil habitações. A Mata do Planalto, situada na região Norte, também tem sido alvo de reiteradas tentativas de mudança de legislação e ocupação pelo setor imobiliário e da construção civil, sob os protestos da população local. São estes – a Granja e a Mata – os últimos remanescentes de vegetação nativa ainda existentes no município, e que deveriam permanecer como áreas de proteção ambiental.

Paralelamente, o diário oficial do município e matérias veiculadas em blogues trazem notícias sobre licitações para contratação de estudos de viabilidade e de impactos para as áreas de Operação Urbana Consorciada (OUC) Barreiro, Antônio Carlos, Pedro I e Andradas. Contrariamente às solicitações feitas durante as reuniões públicas do plano diretor regionalizado, a população em geral não tem conhecimento desses desdobramentos, muito menos do conteúdo dos estudos. O que se sabe, de fato, é da pressa que o poder público tem buscado imprimir a esses processos. E participar não é, simplesmente, anuir ao que vem pronto, muito menos quando não atende às expectativas da população.

Jurema Rugani

Fonte: Carta Maior


Hidrelétricas: quando a discórdia vira tragédia


A recente decisão do TRF, de Brasília, anulando o decreto legislativo que autorizou a construção da usina de Belo Monte, no Xingu, traz de volta a discussão sobre a construção de hidrelétricas no país e a necessidade de ter 30% da energia produzida no Brasil proveniente de hidrelétricas da região Amazônica. Antes de encerrar o caso Belo Monte, o governo se prepara para entrar em nova arapuca – a construção da usina São Luiz do Tapajós, dentro da floresta amazônica.

A recente decisão do Tribunal Regional Federal, de Brasília, anulando o decreto legislativo 788, que autorizou a construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, traz de volta a discussão sobre a construção de hidrelétricas no país. Não somente isso. A necessidade de ter 30% da energia produzida no Brasil proveniente de hidrelétricas da região Amazônica. Mais que isso, levarão adiante um modelo autoritário de construção, herança da ditadura, onde ao invés de consultas sobre a aceitação ou não das obras são realizados comunicados técnicos, a linguagem preferida dos burocratas do setor elétrico.

O desembargar do TRF1, Antônio Prudente, resumiu bem a questão na sentença da 5ª Turma:

- A consulta às comunidades indígenas tem que ser prévia, não póstuma. “Além disso, o Congresso Nacional não pode delegar o direito de ouvir as comunidades ao IBAMA ou a FUNAI”.

A Norte Energia, que reúne muitos sócios, entre empresas estatais de energia, a Vale e a Neoenergia, do grupo espanhol Iberdrola, considerou a decisão da justiça” inadmissível”. Considera que já cumpriu todas as etapas de consultas, diz que os índios são favoráveis as obras – três grupos atingidos diretamente são Arara, Juruna e Xicrin. A pressa faz parte do modelo autoritário de grandes obras na Amazônia. As construtoras, como Camargo Corrêa, responsável por Jirau, no rio Madeira (com uma percentagem de 4,9%), Odebrecht, da usina Santo Antônio, também no Madeira, ou Andrade Gutierrez, que lidera em Belo Monte, nunca se acostumaram a cumprir regras democráticas.

Quando aconteceu o motim em Jirau, no ano passado, e os trabalhadores destruíram parte dos alojamentos, o presidente do consórcio liderado pela Camargo Corrêa, Victor Paranhos disse que o “nosso pessoal” está cuidando disso, junto com a Polícia Militar:

- Precisamos cortar o mal pela raiz, completou ele, na época.

O nosso pessoal é como eles chamam a segurança privada, normalmente comandada por militares ou ex-militares. No final da década de 1970, em uma visita sem autorização ao projeto do então bilionário Daniel Ludwig no Projeto Jari, na divisa entre o Amapá e o Pará, conheci o método das construtoras. Quando aconteceu um tumulto desse tipo, baixou em Monte Dourado, a capital do Jari, um pelotão do Exército, de Boeing, pois a empresa mantinha uma linha aérea Monte Dourado-Belém-Miami. Na época a única coisa do Estado brasileiro dentro dos três milhões de hectares que o americano dizia possuir, era um posto do Ministério do Trabalho. Isso aconteceu em 1979.

O mundo das grandes obras na Amazônia não mudou, principalmente no setor elétrico. Antes de encerrar o caso Belo Monte, o governo federal se prepara para entrar em nova arapuca – a construção da usina São Luiz do Tapajós, dentro da floresta amazônica, uma área cercada de parques e áreas de conservação. A primeira decisão foi dada: a “desafetação” de uma parte do Parque Nacional da Amazônia. Durante quatro anos, um grupo de pesquisadores levantou dados sobre a biodiversidade da região, um estudo para mostrar a importância das áreas de conservação. Aí decretam a “desafetação”, que vira lei no Congresso Nacional.

Sem consulta a ninguém. Desafetação é redução, enfim, comeram uma área do parque para realizar os estudos de impacto ambiental e depois liberar a construção da usina São Luiz do Tapajós. Essa é a terminologia do capitalismo esclerosado. Queimada é foco de calor, descontinuar é quando fecham uma fábrica e mandam os operários embora.

O caso é muito mais grave. Além da anulação da obra de Belo Monte, também a usina do Teles Pires, na região de Alta Floresta, na fronteira entre o Mato Grosso e o Pará também foi atingida. O Plano Decenal de Energia, da Empresa de Pesquisa Energética, ligada ao ministério de Minas e Energia, relaciona 11 usinas para a região Amazônica e que deverão funcionar até 2019. O Plano define o potencial de cada bacia. Por exemplo, o rio Amazonas tem potencial de 106 mil MW( mega watts), o rio Tapajós 10 mil MW, o Tocantins 12 mil MW, o Teles Pires 6 mil MW.

Os tecnocratas do setor elétrico botaram na cabeça que a Amazônia vai ser a grande fonte de energia do país nos próximos anos. Não interessa quem estiver no caminho. Ou se o Brasil é signatário da convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho que obriga a consulta prévia às comunidades indígenas, em caso de obras que atinjam suas áreas. Na primeira etapa entraram as usinas do rio Madeira, com quase 7 mil MW, somando Jirau e Santo Antônio, a segunda já começou a gerar energia com duas turbinas. Jirau atrasou por causa do motim. As empresas proprietárias vendem 15% da energia gerada no mercado livre, portanto, quanto mais cedo iniciarem a operação, mais faturam.

Na segunda etapa Belo Monte, considerada a terceira maior usina do mundo depois de Três Gargantas na China (22 mil MW ou 18 mil MW, conforme a fonte), e Itaipu, com 14 mil MW, contando a parte do Paraguai, que o Brasil importa. Belo Monte terá capacidade de 11 mil MW, embora a tecnocracia elétrica relate que usará apenas 4.500 MW. As usinas do rio Madeira, mesmo antes de concluídas as obras, aumentaram em quatro turbinas a potência do empreendimento, significou pouco mais de 200 MW de geração a mais. No caso de Jirau dizem que custa R$1 bilhão, além dos 15 previstos. Quem vai gastar em ferro, aço, turbinas, concreto, logística – compraram 700 máquinas pesadas e 540 caminhões de grande porte para a obra-, 20 mil trabalhadores, e usar menos da metade da potência?

Junto com Belo Monte, duas usinas no Teles Pires. Elas estão com obras em andamento. Belo Monte conta com nove mil trabalhadores. Seguindo o planejamento, as usinas do Tapajós que ainda não foram licitadas e nem fizeram estudo de impacto ambiental. Para licitar tem que haver liberação da licença ambiental. De repente começam a despencar nas vilas ribeirinhas, como Vila Pimentel, com 760 pessoas, no rio Tapajós equipes das construtoras, no caso a Camargo Corrêa e a Eletrobras, levantando dados da região. Os moradores expulsaram os indivíduos, que nunca respondem as perguntas que os habitantes da região querem saber.

O que interessa é o seguinte: quantos pontos de movimentação e de encrenca, ao mesmo tempo na Amazônia. Altamira, no rio Xingu, vai inundar 1/3 dos quase 100 mil habitantes, maior parte na zona rural. Mas as áreas afetadas das comunidades indígenas Arara, Juruna e Xicrin. Muitas comunidades ribeirinhas preservavam a floresta, plantaram em conjunto com a mata nativa 70 milhões de pés de cacau. Era um projeto de agricultura sustentável. Altamira não tem 20% de água tratada, joga os resíduos num lixão, e em 2010 teve uma epidemia de dengue.

Porto Velho, já está encerrando o ciclo das usinas, de pico de emprego e circulação de dinheiro; a população aumentou de 296 para 464 mil, de 2006 para cá. O número de carros de 60 mil para 186 mil. Construíram cinco viadutos na BR-364 prevendo possíveis engarrafamentos. Estão incompletos. O TCU interditou as obras de saneamento de R$120 milhões por superfaturamento. O que vai ficar?

Houve um erro de cálculo no lago da usina, e 117 casas de um bairro da capital foram inundadas. Em algumas regiões, como em Jacy Paraná, área de Jirau, o lençol freático está subindo. Sobre erros e incompetência do setor elétrico comentarei a seguir.

No mesmo Plano Decenal da EPE está relatado o seguinte:

-“Os estudos de expansão de geração apontam a necessidade da entrada em operação de um conjunto de 33 usinas, no período 2015-19 que, somadas aos empreendimentos em construção (19) ou já licitados, porém com obra não iniciadas (9), totalizam 61 usinas com potência na ordem de 43 mil MW.”

A implantação dos 61 projetos está no Plano, destaca-se a necessidade de uma área de 7.687km², referente aos reservatórios das usinas, representando uma relação de 0,18km² por MW. A média das usinas existentes é de 0,49km²/MW. E uma área de floresta afetada de 4.892km². Desse universo 18 projetos interferem em unidades de conservação, 15 diretamente, 3 indiretamente por atingirem ou atravessarem a zona de amortecimento das unidades.

“Estima-se que serão afetadas 108.646 habitantes, 29.655 na área urbana e 78.991 em área rural. Quatro projetos interferem diretamente em terras indígenas, nove próximos a TI, ou interferem em algum recurso utilizado nas relações entre grupos indígenas. Por outro lado serão gerados 166.432 empregos diretos no pico das obras e estima-se em torno de R$614 milhões em compensações ambientais”, detalha a EPE.

Fiz um cálculo das áreas afetadas pela média atual e a antiga – é 0,31km² por MW. Numa usina de 1000 MW de potência são 310km² de área a mais, quase o lago de Belo Monte. Tucuruí, no rio Tocantins, construída em 1984, tem quase 2,5 mil quilômetros quadrados de área inundada. Com floresta apodrecendo e liberando metano.

Resumindo: nos próximos sete anos teremos construções nos rios Tapajós, Jamanxim (afluente), Apiakás, Teles Pires, Tocantins, além do Xingu. Nossa capacidade instalada vai dar um salto de 103 GW (mil mega watts) para 167 GW. Pouco interessa o rastro de tragédias que as hidrelétricas vão deixar para trás. E aqui a discórdia vai virar tragédia.

O Brasil tem 608 terras indígenas demarcadas, são 109 milhões de hectares (13% do território), 98% na Amazônia Legal, Segundo o último levantamento do IBGE a população indígena cresceu 11%, a partir de 2000, e agora é de 817 mil pessoas, sendo 42% vivendo fora das aldeias. No Brasil a elite econômica e do agronegócio, sem contar as mineradoras, consideram que as áreas indígenas são desproporcionais pelo tamanho da população. Não consideram a história, o modo de vida, a cultura, ou a simples necessidade de sobrevivência de um povo, não de uma região, um município, ou um bairro. É fácil mudar ou planejar uma nova cidade. Como vai transferir um povo e sua história?

Esse mesmo tipo de gente não considera que os atingidos reagirão, lutarão contra a invasão ou a inundação ou a exploração de suas terras.
Lembrei da Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro, onde cerca de 1300 indígenas estiveram presentes. Discutiram muito sobre a convenção 169, da OIT, e sobre reação. Numa pequena banca, na verdade uma mesa improvisada, um índio, pintado com jenipapo no rosto, de óculos, sempre com um laptop ligado. Na mesa apenas uma faixa: precisamos de guerreiros. E uma sigla – MRI, Movimento Revolucionário Indígena. O índio é da tribo Potiguara, da Paraíba, mora na Lagoa do Mato, na reserva da tribo, onde vivem 10 mil pessoas. O nome dele é Turié, é o único índio exilado político no Brasil. Foi para o Canadá em 1990, um ano depois teve seu asilo político aceito pelo governo. Ficou cerca de 20 anos fora. Tinha sido preso e torturado no Brasil, caso que está registrado com um pedido de anistia no Ministério da Justiça.

Além de lutar para retomar os 30 mil hectares que roubaram da reserva dos Potiguaras, em função de uma mina de titânio, Tuié quer a investigação dos atos da ditadura contra as tribos indígenas no Brasil. Muitas atrocidades, como o caso dos waimiri-atroaris, dos araras, dos suruís, que precisam ser investigadas pela Comissão da Verdade. Ou a história dos indígenas não faz parte da história do país. Tuié me disse:

“- Nós temos que partir para ações concretas, diretas, contra o que está acontecendo. Ainda vai morrer muito índio no Brasil.”

Poucos dias atrás, três engenheiros da Norte Energia ficaram retidos na aldeia Paquiçamba, dos araras, durante uma semana. Não souberam explicar aos índios como eles navegariam com suas canoas no rio Xingu barrado, quer dizer, interditado por ensecadeiras, barreiras provisórias, usadas na construção do vertedouro da usina. Como será o acesso? Mais: a Norte Energia usou uma estratégia hipócrita para tocar as obras, enquanto acelerava o ritmo. Pagou uma “mesada” de R$30 mil por aldeia em bens e utensílios usados pelos índios durante alguns meses. Cortaram no mês de julho. Comentou-se muito sobre o pedido dos índios de camionetes com tração nas quatro rodas. Tudo isso para aproveitar a seca e barrar o Xingu. Se não for agora, e começar a chover (a partir de outubro), lascou-se o trabalho realizado.

Todos tem pressa. Mas o Brasil não cresce 5%, como está no Plano Decenal. Ao contrário, ficou em 3,2 no ano passado e talvez não chegue a 3% este ano. O professor do Instituto de Economia (UFRJ), Adilson de Oliveira, fez esse cálculo no ano passado. Se o Brasil crescesse na média de 4% e o consumo de energia idem até 2015, haveria uma sobra de energia de 6,6mil MW médios, contra os 2.500 de hoje em dia. Como consequência a margem de sobra aumentaria muito, ao invés de 5 a 7% atualmente, para algo em torno de 11,2%, no cenário de menor crescimento da economia. Isso representa uma mudança de cenário deveria gerar uma reavaliação profunda do plano de investimento nacional de energia, destacou o professor, e o governo federal deveria repensar os investimentos no parque hidráulico na Amazônia. A geração atual de energia das hidrelétricas é de 58 mil MW médios e a geração com o que está projetado chegaria a 71,5 mil MW médios.

Existem muitos outros parâmetros que podem ser abordados sobre eficiência energética. O Banco Interamericano de Desenvolvimento diz que cada US$1 investido em eficiência são US$3 poupados em geração. Isso no acumulado dos anos, resulta em bilhões podem ser investidos em outras áreas. O próprio Procel, programa oficial de eficiência energética criado em 1985 e que poupou 28,5 milhões de MWh, o equivalente ao consumo de 16,3 milhões de residências, ou uma hidrelétrica de 6.841 MW, superior as duas do rio Madeira. Também podemos citar o projeto implantado pela Confederação Nacional das Indústrias envolvendo os setores que mais consomem energia como ferro gusa e aço, bebidas e alimentos, metais, papel e celulose. Eram 217 projetos em 13 setores, aplicados R$161 milhões e uma demanda evitada de 87MW. A troca de caldeiras, compressores, motores para ar comprimido, lâmpadas e máquinas de refrigeração acabam com o gasto excessivo, e com o desperdício.

Os dados de desperdício de energia da Agência Internacional de Energia giram em torno de 10%. No Brasil o número chega a 17,5%, sendo 4,2% na distribuição e 13,3% no consumo, seja por problemas de perdas nos equipamentos ou roubo. Na verdade o Brasil vai entrar na era do “smart grid”, ou medidores inteligentes nos próximos anos. Teremos que trocar 63 milhões de medidores, para que os consumidores saibam os aparelhos que consomem mais, o custo da energia nos picos, ou o que é mais eficiente. São R$36 bilhões em investimentos até 2020. Primeiro vamos construir hidrelétricas , desterrar algumas comunidades indígenas e de povos tradicionais, abalar um dos maiores sistemas de atuação climática do Planeta, que é a Amazônia, e finalmente instalaremos medidores inteligentes.

Existem alguns fatos que me fizeram desacreditar na eficiência do sistema tecnocrático e autoritário elétrico brasileiro. No apagão de novembro de 2009, atingiu 18 estados, deixou São Paulo quatro horas sem luz, houve um problema na subestação de Itaberá (SP), que funciona como um entroncamento. Recebe energia de Itaipu e também do sul do país. Na época foram perdidos mais de 28 mil MW. A causa foi uma tempestade que caiu à noite. Muitos raios sobre a subestação. Depois um relatório da Aneel comprovou com fotos o estado dos para-raios – com fissuras, desgastados, equipamentos obsoletos, com mais de 25 anos de uso. A responsável pelo subestação (Furnas) já tinha sido avisada e não fez a troca. O mais impressionante era o pluviômetro da subestação: um garrafão de vidro com um funil, para medir a quantidade de chuva. No caso citado, mediram pela manhã, apenas 0,3mm. No outro dia – medição só uma vez por dia- apontaram 36mm, o que é um toró.

Pior que isso só o leilão das térmicas de 2008, onde o Bertin, grupo de frigorífico na época, com algumas concessões de rodovias, estava querendo entrar na área de infraestrutura. Os leilões de energia no Brasil são realizados a cada 3 e 5 anos, sempre com antecedência para prever a demanda futura. A empresa ganhadora se compromete a gerar determinada quantidade de energia. O Bertin assumiu sete usinas térmicas, movidas a óleo diesel e óleo combustível. Não finalizou nenhuma.
Ainda tinha comprado outras três no nordeste, além de se comprometer com uma usina no porto de Pecém, no Ceará, com a Petrobrás – nesse caso, movida a gás. Resumo da ópera: está inadimplente em mais de R$ 400 milhões na Câmara de Compensações de Energia Elétrica. Quer devolver quatro usinas que nunca saíram do papel. Vendeu duas para o Eike Batista. E deixou a Petrobras com um mico na mão, quer dizer, no papel.

Para finalizar temos o caso esclarecedor do Pará, que almeja ser um polo da indústria de alumínio – tem quatro projetos no estado. O da Albras, em Barcarena é o mais antigo. Faz parte de um grupo de empresas japonesas que compram 49% da produção. Os 51% restante da empresa era da Vale, vendeu para o grupo norueguês Norsk Hydro, mais a Mineração Rio do Norte (bauxita em Oriximiná), Alcoa em Juriti (bauxita), Hydro Paragominas(bauxita) e a Votorantim Metais, em Rondon do Pará( bauxita e produção de alumina). São indústrias que consomem muita energia. A Albras tem contrato com Tucuruí até 2024, a um custo de US$72MW. O preço internacional, dizem as mineradoras é de US$40. Uma empresa como a Anglo American está construindo uma fábrica de níquel na fronteira com Minas e Rio de Janeiro. O consumo de energia da fábrica é o equivalente a 10% do consumo da cidade do Rio de Janeiro.

Quem distribui a energia no Pará é a Celpa, do grupo Rede Energia, do empresário Jorge Queiroz Júnior, que entrou em falência em março desse ano, depois conseguiu o pedido de recuperação judicial. Nas notas explicativas do balanço dessa empresa no ano passado constava uma verba de R$7,5 milhões aplicados em títulos de capitalização – não está especificado se era raspadinha ou tele sena. A Celpa é a recordista em cortes de luz no Brasil, deve R$600 milhões a Eletrobras e R$1 bilhão a bancos.

E o governo do Pará quer implantar um polo industrial de alumínio, quem sabe com fábricas em Altamira, com a energia de Belo Monte e do Tapajós. Nas décadas de 1970 e 80, os militares que queriam a transformação da Amazônia, primeiro como os projetos de colonização do INCRA, levando famílias de colonos do Sul, sem a mínima experiência ou conhecimento da região. Implantaram a Transamazônica, que é uma arremedo de estrada, só para integrar a região ao resto do país. O outro era transformar bauxita em alumínio e ser um polo industrial. Previa-se o consumo triplicado de alumínio. A hipótese nunca se confirmou. As empresas exportam alumina, que é a matéria-prima do alumínio, ou os produtos manufaturados. O Brasil consome pouco mais de 1,4 milhão de toneladas. Agora com a crise econômica nos países ricos, as empresas estão pensando no mercado interno.

 Najar Tubino

Fonte: Carta Maior

domingo, 26 de agosto de 2012

CEBs Sul1 - agosto de 2012



Neste mês de agosto de 2012, a Colegiada das CEBs do Regional Sul1 esteve reunida na cidade de Registro, sub-região de Sorocaba.  Estiveram presentes representantes das oito sub-regiões do Estado de São Paulo. Foram momentos de partilha, compromisso, reflexão e oração. Dom José Luiz Bertanha nos apresentou o caminhar da sub-região de Sorocaba e Pe. Jorge Corsini partilhou oração e reflexão sobre o Evangelho de Marcos nas realidades das CEBs hoje.  
Liz Marques partilhou sobre o IX encontro Latino Americano e Caribenho das CEBs, As Comunidades Eclesiais de Base a serviço da Justiça e da Paz, que aconteceu de 16 a 21 de junho, em Honduras, com a participação de dezessete brasileiros, encontro no qual as CEBs assumem compromissos com índios, jovens, imigrante, raças e etnias, apoiando-os e denunciando os atropelos a que estão expostos, “Elas,  CEBs, como a água, são discretas, não aparecem, mas estão presentes, acumulam força e purificam”.
Em nossas avaliações dos encontros, II Paulistão das CEBs, “CEBs: a vida na cidade em busca da Sociedade do Bem Viver e Bem Conviver”, 30 de junho em Santo André, que reuniu cerca de 1525 pessoas  e o X  Encontro dos Consagrados, com o tema “Espiritualidade das CEBs e os desafios no mundo do trabalho”, que aconteceu em Franca de 17 a 19 de julho, utilizamos a Metodologia: Oportunidade – Fortalezas – Debilidades e Transformar as debilidades em oportunidades.
Elaboramos o calendário para a caminhada de 2013 nas Comunidades de Base do Estado de São Paulo. Discutimos muitos assuntos, refletimos como otimizar e articular o trabalho da colegiada. Agendamos o encontro dos delegados e delegadas  para o XIII Intereclesial, “Justiça e profecia a serviço da vida”, lema: “CEBs, romeiras do Reino no campo e na cidade”, para 21/22 de setembro de 2013.
Finalizado a nossa reunião com partilha dos sub-regionais, informes e encaminhamento da próxima reunião e agradecimentos finais.
Agradecemos a Comunidade da Catedral São Francisco Xavier que nos acolheu com muito carinho, excelente espaço e alimentação.
Seguimos em nossa missão, sob proteção de Nossa Senhora da Assunção, de São Francisco Xavier e de Padre Cícero. Amém, Axé, Auerê, Aleluia, Uai.

                                    Comunicação da Colegiada Sul1
                                                   
              Registro, 19 de agosto de 2012.                 

CEBs de Nicaragua

Festival Ecológico Pastoral Juvenil CEBs de Nicaragua. Caminemos con Jesús nuestro Guía, al rescate de la Ecología


Finalmente el día esperado ha llegado, los jóvenes corren desesperados ultimando detalles tratando de no olvidar nada; los trajes folklóricos, el maquillaje, las pancartas, las mantas, el Ofertorio para la Eucaristía, el Pronunciamiento que será leído en el transcurso de la marcha, en fin son muchos los pormenores que no se deben ni se pueden olvidar. Todos y todas hemos trabajado arduamente durante varios meses para que todo salga lo mejor posible.
Con alegría y entusiasmo, motivados por el espíritu de Monseñor Romero, Monseñor Gerardi, Monseñor Sergio Méndez Arceo y el apasionamiento de seguir los pasos de Jesús, muchos de los y las jóvenes de las diferentes regiones donde estamos presentes como CEB, partimos optimistas y entusiasmados a este lugar de encuentro con las diferentes regiones y que servirá para sensibilizar, anunciar y denunciar con nuestra voz profética como verdaderos cristianos comprometidos que somos, todos aquellos abusos que se están cometiendo en contra de nuestra Madre Tierra, la Naturaleza y toda la Creación heredada por el Dios de la vida y también para anunciar todos aquellos signos de esperanza que en muchos lugares de nuestro país están haciendo personas, organizaciones y autoridades en pro de preservar la tierra, las fuentes de agua, los arboles, los animales y todo lo creado por Dios y que nos ha sido encomendado.
Cada región se preparó concienzudamente para este gran momento. Desde muchos meses atrás se comenzó el proceso de preparación. Los chavalos y chavalas empezaron haciendo una campaña de recaudación de fondos para contribuir con el transporte que los trasladaría hasta el lugar del festival; realizaron rifas, pijamadas, fiestas, ventas de bisuterías y manualidades, contribuciones voluntarias en efectivo tanto de los jóvenes como de las personas adultas que acompañan a la comunidad y en algunas regiones se solicitó el apoyo de organizaciones amigas y de las municipalidades quienes brindaron su apoyo y contribución.
A la par de esto cada región tenía la responsabilidad de documentarse sobre un tema determinado: La primera región el tema de la Deforestación, la tercera región el tema del Agua, la cuarta región el tema de la Basura y la sexta región el tema de la Tierra. Para esto cada región buscó a personas expertas o hizo la investigación necesaria para capacitarse y estar preparados, mejor informados y más conscientes. Y esta preparación les sirvió para poder informar y motivar a otros sobre el tema que les correspondía.
Después de largas horas de viaje llegamos a nuestro punto de reunión, a la siempre heroica Masaya, a la cuna del folklore nacional donde nos esperaban nuestros amigos y hermanos de la cuarta región. La marcha dio inicio de forma organizada, iban adelante la Policía Nacional y la Cruz Roja Nicaragüense, instituciones que muy gentilmente apoyaron nuestra iniciativa; después estaban organizadas las distintas regiones que visitaban Masaya y los colegios que con sus bandas de guerra animaban y motivaban nuestra marcha.
La caminata salió del sector Lomas de Sandino en el Barrio Monimbó hasta llegar al Malecón de la Laguna de Masaya, fueron casi tres horas de caminata, éramos más de seiscientas personas las que hacíamos un llamado a la población en general a que tuvieran conciencia del daño que se está causando al planeta.
La dedicación y esmero se vio reflejado en cada momento de la marcha, de la eucaristía y del acto cultural, pancartas con mensajes e información sobre los temas del festival, diferentes mantas con lemas sugestivos que hacían un llamado a la población, disfraces hechos de basura, trajes hechos de plástico reciclado, etc. Hubo todo un derroche de creatividad departe de los y las jóvenes.
Al llegar al Malecón de la Laguna de Masaya continuamos con nuestra Eucaristía que era una parte muy importante de nuestro festival ecológico. Cada región tenía preparado los diferentes momentos de la Misa. Los y las jóvenes de la cuarta región dieron la bienvenida muy cordial y gentilmente a cada una de las delegaciones presentes y posteriormente arrancamos con el canto de entrada, el padre Arnaldo y el padre Paco concelebraron con nosotros y nosotras este bello momento celebrativo de Denuncia y Anuncio Profético, de reflexión y análisis y de Acción de Gracias.
Animados por el grupo de música de la pastoral juvenil de la CEB de la 14 de Septiembre de Managua fuimos cantando diferentes cantos de la Misa Campesina Nicaragüense, del Dúo Guarda Barranco y otros autores Nicaragüenses que se inspiraron en nuestras bellezas naturales.
Paso a paso nuestra Eucaristía se fue celebrando de manera creativa y participativa hasta finalizar con la comunión y el canto de la Paz el cual aprovechamos para hacer una gran cadena humana, un gran círculo que reflejaba nuestra unidad y compromiso por trabajar por la preservación de nuestros recursos naturales. Porque creemos en el Dios de la Vida, juntos Luchamos por la Vida. Salvémonos, salvando al Planeta (Don Pedro Casaldáliga)
Después de compartir este momento tan importante de nuestro festival, pasamos a compartir el almuerzo el cual había sido preparado con dedicación y esmero por las CEBs de Masaya, un rico Indio Viejo que además de su preparación contó con el aporte de muchas personas sobre todo de los y las jóvenes que se entregaron por entero para que todos y todas pudiesen degustar de estos alimentos. Y así compartimos el pan de la Vida, el pan de los Pobres y el pan de la Esperanza.

El último momento de nuestra actividad llegó, el acto cultural; el derroche de energía y entusiasmo que por tantos días habían preparado los jóvenes no nos defraudó: bailes folklóricos con mucha calidad, cantos que tenían un mensaje y un llamado a cuidar nuestro planeta y obras de teatro con un penetrante llamado a decir basta ya, no más contaminación, no más agrotóxicos, no más basura, cuidemos el agua, los bosques, los animales y sobre todo la vida.
De esta manera terminamos nuestro festival ecológico e iniciamos nuestro regreso a cada una de nuestras regiones satisfechos de la labor realizada, confiados en Jesús de que nuestro mensaje tendrá eco en las personas, las organizaciones, compañías, empresas y autoridades de que todos y todas somos los responsables de heredar a nuestros hijos e hijas un planeta lleno de vida, donde todos y todas podamos vivir en armonía y con justicia.
Agradecemos al Dios de la Vida, a Jesús nuestro hermano, compañero y amigo que sabemos que camina junto a nosotros y nosotras, a las organizaciones amigas y aliadas, a Alboan, a las autoridades municipales de las distintas regiones, a los Medios de Comunicación que dieron cobertura al Festival, a la Policía Nacional, a la Cruz Roja Nicaragüense, a las personas que apoyaron y trabajaron arduamente para que esto se hiciera realidad y sobre todo a cada uno y cada una de los jóvenes que pusieron su empeño, dedicación y compromiso para llevar adelante este importante evento; Gracias a todos y todas.

José Luis Cortez de la Mesa de Participación Ciudadana CEB-CNP
LEMAS EN LA MARCHA FESTIVAL. Como un complemento a esta Memoria que ya trae fotos de algunos Lemas y Mensajes, adjuntamos otros Lemas y pensamientos que expresaron los jóvenes en Mantas y Pancartas. En ellos expresan su modo de pensar y su compromiso, y estos mismos mensajes los fue viendo toda la gente de Masaya que abría sus puertas y ventanas ante el alboroto que iba haciendo tanta juventud-acompañada de un grupo de Adultos de las CEBs.
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CAMINEMOS CON JESUS, NUESTRO GUIA // AL RESCATE DE LA ECOLOGIA.
LAS CEB APASIONADAS POR JESUS Y POR EL REINO,
ELEVAMOS NUESTRA VOZ PROFETICA EN DEFENSA DE LA TIERRA
NO MÁS CONTAMINACION A NUESTRO PLANETA// SALVEMOSLO PARA TENER MÁS VIDA.
BIENENIDAS-OS EN EL BUEN VIVIR Y CONVIVIR EN ARMONÍA CON NUESTRA MADRE TIERRA
SEMBRANDO ARBOLES, SEMBRAMOS VIDA. NO MÁS DEFORESTACION.
NO BOTEMOS MÁS BASURA A LOS CAUSES, SALVEMOS NUESTRO LAGO DE MANAGUA.
QUEREMOS VIDA PARA NUESTRO MUNDO, NO SIGAMOS CAUSANDO MÁS DESTRUCCIÓN.
LA BASURA Y EL CONSUMISMO VAN DE LA MANO,
MIENTRAS EL MEDIO AMBIENTE VAMOS DAÑANDO.
ANTE EL MERCADO DE LA TIERRA, CUIDEMOS LA NATURALEZA CON AMOR Y RESPETO
QUEREMOS UN PLANETA SIN BASURA// LOGRARLO ESTA EN NUESTRAS MANOS.
FRENTE AL DETERIORO ECOLOGICO, EXIGIMOS A LAS AUTORIDADES Y A LOS
GRANDES PODERES ECONOMICOS //QUE ASUMAN SU RESPONSABILIDAD
Y NO SIGAN DAÑANDO NUESTRA TIERRA.
LAS EMPRESAS TRANSNACIONALES EXPLOTAN LOS MANTOS ACUIFEROS
PARA VENDER AGUA Y GASEOSAS ENBOTELLADAS
Y EN POCOS AÑOS EL AGUA ESTARÁ EN MANOS PRIVADAS.
JUVENTUD URBANA Y RURAL UN MOVIMIENTO ALTERNATIVO Y EMPRENDEDOR
DANDO SU APORTE A LA RENOVACION ECLESIAL Y CUIDO DE LA MADRE TIERRA.
CAMINANDO CON JESUS AGUA VIVA, CUIDAMOS LA CREACIÓN.

Como decía Don Pedro Casaldáliga: SALVEMOSNOS SALVANDO AL PLANETA.
Y como decía Mons. Romero: DIOS NOS CONFIÓ SER ADMINISTRADORES DE LA CREACIÓN, Y NOS HEMOS VUELTO DESTRUCTORES DE LA CREACIÓN.

Arnaldo Zenteno de la Mesa de Pastoral Juvenil CEB, Nicaragua

A Terra redimida pela ecoteologia.

Teologia Pública é destaque de revista teológica

"Não basta um discurso teológico para o mundo, é preciso um diálogo teológico com o mundo", afirma o editorial da revista Perspectiva Teológica, no. 122/2012, intitulado "Teologia Pública". Segundo o editorial, "paradigmático é, neste sentido, o caminho que fez o Concílio Vaticano II, da Sacrosanctum Concilium e Lumen gentium, por um lado, até a Gaudium et spes, por outro. E neste percurso surge também o decreto Ad gentes, retomado na exortação Evangelii nuntiandi do papa Paulo VI: a meta não é a conversão à religião cristã, mas o anúncio do Evangelho ao mundo. Paulo não quis converter os gálatas a uma religião (no caso, a judaica), mas anunciar-lhes o evangelho de Jesus Cristo, outro fora do qual não há". Clarividente, o editorial conclui: "A teologia pública é a teologia que sai do gueto, e seu paradigma é a parresia de Jesus e dos Apóstolos".

Eis o editorial.
Ouve-se, nos anos recentes, no Brasil, a expressão "teologia pública". A alguns, tal termo parece pleonasmo: se a teologia como discurso sobre Deus não for pública, articulada no âmbito aberto deste mundo e dirigida a toda pessoa humana disposta ao diálogo, ela não corresponde ao que deveria ser. Vista assim, a teologia ou é pública, ou não é teologia. Contudo, é preciso levar em consideração o contexto histórico que deu origem a esse modo de falar: o contexto de uma teologia meramente eclesial, magisterial até, que não se dirigia às pessoas fora da Igreja e, muitas vezes, nem mesmo aos fiéis leigos, pelo menos não em termos de diálogo, pois eram meros destinatários de doutrinas, não parceiros de diálogo.
Voltando às origens, devemos lembrar que a primeira teologia cristã era pública, tanto no Areópago como nos escritos de Justino ou na Carta a Diogneto. Explicava o evento Cristo e o fato cristão aos outros, ao mundo. Apologética no sentido original era apresentar aos não cristãos "as razões de nossa esperança" (cf. 1Pedro 3,15), supondo-se que o outro parceiro do diálogo expressasse também a sua convicção ou suas dúvidas, em pé de igualdade. O que nada tinha a ver com passiva submissão ao magistério, como sugere certa interpretação errônea da "oboedientia fidei", que na realidade significa o dar ouvido à Palavra que é (o evangelho de) Jesus, o Cristo. O diálogo genuinamente teológico, porém, não se limita ao anúncio de Jesus, mas implica todos os aspectos da vida humana, refletidos em conjunto também com o não cristão, para mostrar, precisamente, a nova iluminação a partir de Jesus e seu evangelho.
Com o surgimento da Cristandade, quando os cristãos assumiram o papel majoritário e dominante na sociedade, a ponto de a sociedade se identificar com a Igreja Católica, desenvolveu-se um processo dialético. A fé cristã (entendida como dogma, sacramentos e mandamentos de Deus e da Igreja), deixou de ser convicção privada e tornou-se pressuposto público. As brigas teológicas dos grandes concílios no início da era constantiniana levavam as multidões à rua, e as discussões teológicas medievais eram travadas em público. Porém, na virada das eras medieval e moderna, fez-se sentir uma inversão. A teologia confinou-se nos temas para o ensino do clero e pelo clero, enquanto o povo foi deixado no ambiente leigo, com uma teologia reduzida a um prato feito de dogma e moral, servido por alguma instância hierárquica.
Hoje, a Igreja percebe que o discurso da fé deve atingir o mundo como tal. Com a emancipação de um mundo leigo no espaço da antiga Cristandade, sobretudo a partir da Aufklärung e da Revolução Francesa, as coisas mudaram. Já antes do Concílio Vaticano II vivia-se a preocupação com uma teologia do mundo, teologia da realidade terrestre - em cuja esteira se desenvolveu, no Terceiro Mundo, a teologia da libertação. Paradigmático é, neste sentido, o caminho que fez o Concílio Vaticano II, da Sacrosanctum Concilium e Lumen gentium, por um lado, até a Gaudium et spes, por outro. E neste percurso surge também o decreto Ad gentes, retomado na exortação Evangelii nuntiandi do papa Paulo VI: a meta não é a conversão à religião cristã, mas o anúncio do Evangelho ao mundo. Paulo não quis converter os gálatas a uma religião (no caso, a judaica), mas anunciar-lhes o evangelho de Jesus Cristo, outro fora do qual não há.
A emancipação moderna em relação à Cristandade medieval privatizou a religião católica, que até então era pública. A fé tornou-se coisa privada, correndo, com isso,  o risco de não mais falar ao mundo - mundo não só "leigo", mas "laicizado", "secular", alheio ao âmbito confessional cristão. O pressuposto cristão sumiu. Visto contra esse pano de fundo histórico, o mister teológico hoje necessita, conforme a palavra de J. B. Metz, de "Entprivatisierung", sair do âmbito privado intraeclesial (ou meramente magisterial) para ir ao encontro do mundo. Mas isso não é suficiente para se ter uma teologia pública. Não basta uma palavra dirigida pelos cristãos ao mundo. Necessita-se de um diálogo sobre Deus e sobre a dimensão transcendente na existência humana em sociedade, participado em pé de igualdade por todos aqueles que a buscam de coração sincero. Não basta um discurso teológico para o mundo, é preciso um diálogo teológico com o mundo.
Essa sensibilidade, expressa por J. B. Metz, D. Tracy, J. Moltmann e muitos outros, reveste-se de atualidade especial no Brasil e na América Latina. Nos últimos decênios, sob o efeito de múltiplos fatores históricos, culturais, políticos e sociais, nossas regiões estão saindo rapidamente da configuração da Cristandade. No momento em que compomos este texto, o estado talvez mais secularizado do Brasil, o Rio Grande do Sul, decreta a retirada dos símbolos religiosos dos espaços da Magistratura Jurídica. Por outro lado, a atual Constituição da República prevê o Ensino Religioso nas escolas públicas, mas entende - apesar das discussões em sentido contrário levantadas por determinados ambientes - que tal ensino esteja acima da divisão confessional e tenha característica laica. E as Faculdades de Teologia ganham reconhecimento, não só da parte de seus competentes órgãos confessionais, mas da parte da instituição pública que é o Estado. Percebe-se também a urgente necessidade de um diálogo aberto que una, no mesmo foro, a Teologia e as outras ciências, razão pela qual a "cientificidade" da Teologia se torna um assunto constante no debate acadêmico-científico.
Também para a teologia latino-americana, e nomeadamente para a corrente que se expressa na teologia da libertação, surge a pergunta se se está falando somente para os quadros cristãos e as comunidades de fé ou para todo ser humano, de modo secular, como se percebe naqueles setores da teologia que focalizam a questão ecológica, a questão do gênero etc. A teologia ética social não pode confinar-se num discurso intraeclesial, pois o que ela diz vale para a sociedade como tal. O mesmo deverá ser reconhecido quanto a outros campos da ética e, finalmente, quanto à teologia como tal, especialmente a teologia fundamental.
A teologia pública torna-se uma realidade na América Latina e, especificamente, no Brasil. Acontece nos congressos da SOTER (Sociedade de Teologia e de Ciências da Religião) e da ANPTECRE (Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Teologia e Ciências de Religião), em jornadas de estudo de Faculdades de Teologia ou de Ciências da Religião, em iniciativas como o Instituto Humanitas (IHU) da Unisinos-São Leopoldo, em contribuições pessoais e colunas jornalísticas de teólogos, como "O olhar do Teólogo" de nosso colega João Batista Libanio e semelhantes. Por vários meios são assim trazidos ao debate as grandes questões da humanidade e de nosso povo que interessam ao fazer teológico.
Qual seria, então, o conteúdo de uma teologia pública? Moltmann responde: Deus. A teologia é lógos theou, reflexão-discurso sobre a autocomunicação de Deus e que leva Deus à fala. E deste assunto primeiro derivam-se os assuntos específicos, hoje, talvez em primeiro lugar, de ordem ética, política, ecológica, o outro mundo possível. Ou também de ordem comportamental, o sentido da vida etc. O específico da teologia pública não está no seu assunto, que é o da teologia como tal - o humano-divino -, mas no seu modo e, sobretudo, no seu fórum, o Areópago, o "Pátio dos Gentios'... Empreendimento perigoso. Por um lado existe o perigo da inautenticidade, quando se vai ao pátio dos gentios convencido de que se tem toda a verdade. Pretende-se simplesmente "driblar" o gentio. Isso seria inautêntico. A autenticidade exige que o interlocutor seja visto como parceiro e ouvido com seriedade, isto é, como quem procura falar a verdade, mesmo se sua fala questiona nossa proposição. No fórum da teologia pública, o teólogo não tem razão de antemão, como quem se apresenta com uma seleção de textos da Bíblia ou do Magistério debaixo do braço. É diálogo de verdade, segundo a orientação do filósofo Martin Buber: a verdade do diálogo nasce no meio entre o Eu e o Tu. Eis o desafio da teologia pública. Por outro lado, observe-se também a conhecida lei da comunicação: o meio determina a mensagem. O que se fala no Areópago pode aprisionar a mensagem. Por isso, é preciso conhecer bem o Areópago, sem perder o fogo do Espírito.
Ora, mesmo sendo o assunto da teologia pública o de toda teologia, há certos assuntos que lhe são mais conaturais: os que envolvem o bem público, que diz respeito tanto aos que creem em Cristo quanto aos que não se chamam com o nome cristão. E precisamente nestes assuntos o diálogo sincero e sem presunção é fundamental. Situam-se aqui a teologia política, que diz respeito à pólis de todos; a teologia voltada para a ecologia, o gênero, o bem-estar e a justiça social, o diálogo inter-religioso e, sobretudo, na sociedade que não está mais sendo orientada nem pela Igreja nem pelo Estado, a busca de uma ética acima das nações e confissões, uma ética mundial.
Resta ver, agora, como será interpretada a frase do recente documento da Comissão Teológica Internacional "Teologia hoje: perspectivas, princípios e critérios", afirmando que a teologia é um serviço prestado à Igreja e à Sociedade e que o texto em pauta quer prestar um serviço aos colegas teólogos "e também àqueles com quem os teólogos católicos entram em diálogo" (n. 100). Tudo depende de o diálogo ser diálogo mesmo.
A teologia pública é a teologia que sai do gueto, e seu paradigma é a parresia de Jesus e dos Apóstolos. "Eu falei abertamente ao mundo. Eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas." (João 18,20).

Fonte: IHU

Encontro das CEBs: Profetismo e Caridade - Ba



Caríssimos irmãos de caminhada


Está chegando o Encontro Diocesano das CEBs, será 31 de agosto, 1 e 2 de setembro de 2012.


você está convidado a participar conosco três pessoas por Paróquia.


o tema será; PROFETISMO E CARIDADE.


Em breve enviamos a programação completa.



Abraço fraterno


Coordenação Diocesana das CEBs Diocese de Caetité-Ba

Encontro da CEBs em Campina das Missões - RS


Campina das Missões vai sediar nos dias 27 e 28 de outubro a 29º edição do Encontro Diocesano de CEBs.
A iniciativa, que visa reunir católicos para debater assuntos relacionados a Comunidade Eclesial de Base, deverá mobilizar as mais de 1 mil comunidades que integram as 40 paróquias que compõe a Diocese de Santo Ângelo.
O tema deste ano é a “Comunidade a serviço da vida”, tendo como lema central a “CEBs na vivência do Jubileu”.
O encontro integra a ampla programação vivida pela diocese angelopolitana, para marcas seu cinqüentenário.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Menina eternizada em foto de Sebastião Salgado ainda é sem-terra


À esquerda, foto feita por Sebastião Salgado em 1996; à direita, Joceli hoje, no acampamento Fazenda Rio Grande, do MST
À esquerda, foto feita por Sebastião Salgado em 1996; à direita, Joceli hoje, em acampamento do MST


Aos cinco anos de idade, Joceli Borges foi retratada pela famosa câmera de Sebastião Salgado ao lado dos pais, que peregrinavam pelo interior do Paraná em busca de um lote de terra.
Aquele rosto sujo de olhar provocativo virou capa de livro e ganhou espaço na mídia, em museus e em galerias do Brasil e do exterior.
Passados 16 anos, a jovem de 21 anos continua uma trabalhadora rural sem terra.


Vive com o marido e a filha em um acampamento do MST e diz ter dois sonhos: um lote e dois exemplares do livro que espalhou sua imagem mundo afora. "Um pra mim e outro pro meu pai."
O livro "Terra", com o rosto de Joceli na capa, foi lançado em abril de 1997. Além de uma centena de fotos em preto e branco do meio rural brasileiro, o trabalho traz texto de José Saramago e vem acompanhado de um CD com músicas de Chico Buarque.
À época, os sem-terra marchavam pelo país para lembrar o primeiro aniversário do massacre de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás (PA), invadiam propriedades aos montes e colocavam a reforma agrária em destaque.
Hoje o tema sumiu da agenda do governo federal, e, muito por conta da consolidação do Bolsa Família, os sem-terra não têm mais aquele exército de militantes.

TERRA PEQUENA
Após o clique de Salgado, Joceli viu seus pais conquistarem a posse definitiva de um terreno. Era o fim de um drama: meses debaixo de barracos de lona, em um acampamento com alimentação escassa e sem água, saneamento e assistência médica.
A família cresceu, ela se casou, teve uma filha, e decidiu se mudar para um acampamento do MST, mesmo sem a certeza de que um dia terá a sorte de seus pais.
A fazenda está invadida há cinco anos --os donos tentam a reintegração na Justiça.
"Não vi ele me fotografando. Parece que estou olhando para a foto, mas não lembro de ver alguém me fotografando. Nem minha família lembra o local exato onde foi. Fiquei sentida por sair toda desarrumada. Mas fico feliz pelo meu pai e minha mãe ter conquistado a sua terra."
A imagem foi captada na margem da rodovia que liga Laranjeiras do Sul a Chopinzinho (oeste do Paraná).
Até conseguir a entrevista, a reportagem teve três encontros com Joceli. No primeiro, ela não quis falar. Disse que ainda estava abalada pela morte da mãe com um tiro na cabeça em um acampamento de sem-terra, em 2009.
Joceli, então com 17 anos, presenciou os disparos e, para se proteger, correu para o meio de um milharal. O alvo era um amigo de sua mãe, que sobreviveu mesmo atingido por dois tiros.
Na segunda tentativa, ela afirmou que escreveria a sua trajetória (veja nesta página).
Só na terceira oportunidade aceitou falar, mas com a condição de que antes das fotos pudesse ajeitar o visual. "Um dos meus maiores sentimentos e do meu pai foi eu sair na foto do livro toda desarrumada", afirma.
Joceli vive com o marido, Adair, e a filha, Joslaine, em acampamento a 15 km do centro de Quedas do Iguaçu.
No dia a dia, planta o que chama de "miudezas": mandioca, batata doce, milho, feijão, melancia e verduras para vender na cidade.
SONHOS
Pai de Joceli, Alípio Borges vive em Rio Bonito do Iguaçu, a 85 km de Quedas.
"Eu não conheço o homem que retratou minha filha. (...) Já recebi propostas de pessoas para entrar na Justiça e buscar direitos [pelo uso da foto], mas conheço muito da luta. Deixo isso nas mãos de Deus", afirma.
O fotógrafo cedeu os direitos autorais do livro "Terra" ao MST. Joceli e Alípio dizem que nunca conversaram com Sebastião Salgado. Anos atrás, diz ela, um instituto criado pelo fotógrafo lhe ofereceu oportunidade de estudo em São Paulo. Para não ficar longe da família, recusou.
E se encontrasse hoje com Sebastião Salgado? "Nem saberia o que falar. Quero é conquistar meu pedaço de terra. Acho que estudar não é mais importante para mim."

Fonte: Folha de São Paulo