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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

40 Anos da Páscoa de dom Giocondo Grotti



Queda de avião, três dias depois do aniversário de 74 anos de fundação da cidade, matou 33 pessoas, entre as quais o Bispo Dom Giocondo Maria Grotti.

Foi no dia 28 de setembro de 1971 que Sena Madureira registrou o maior acidente aéreo de sua história. Minutos após ter feito a decolagem, o avião DC3, da empresa Cruzeiro do Sul, que viajava com destino a Rio Branco, apresentou problemas no motor, bateu em uma árvore e caiu em um matagal na comunidade Boca do Caeté.


Para Lhé, dom Giocondo era um “bispo vermelho”

Centenas de pessoas participaram da missa ontem na Catedral Nossa Senhora de Nazaré para lembrar o acidente de avião DC-3 que tirou a vida do bispo dom Giocondo Grotti e mais 32 pessoas na zona rural de Sena Madureira. A tragédia completa 40 anos e até hoje emociona muitos acreanos.

Assim como seu sucessor (Moacyr Grecchi), o jovem italiano Giocondo ficou conhecido por ter envolvimento político forte e por demonstrar preocupação social quanto à realidade com que se deparava na região. Na época, conseguia toneladas de alimentos da Itália para serem distribuídas aos pobres de Rio Branco. O bispo estudou direito na Universidade Federal do Acre (Ufac) e dizia fazê-lo para defender os deserdados. Foi ele quem construiu a Colônia Souza Araújo e o Hospital Santa Juliana. Teve ainda papel fundamental para a criação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) no Estado e foi um dos principais críticos do regime militar que se instalou no país.

Um dos fundadores do PT e amigo de Giocondo, Abrahim Farhat, o “Lhé”, chama-o de “bispo vermelho”, pois parecia acolher as ideias progressistas que se disseminavam dentro da Igreja Católica, buscando conciliar marxismo com cristianismo. “Tive a satisfação de conhecer um bispo que tinha opção política pelos pobres”, afirmou Abrahim, que, mesmo não sendo católico, era uma das pessoas mais queridas e solicitadas pelo religioso. “Nos respeitávamos na diferença.”

Abrahim compara o bispo a dom Hélder Câmara, dom Pedro Casaldáliga, dom Paulo Evaristo Arns e dom Oscar Romero, religiosos que se empenharam ativamente contra os regimes militares da América Latina. Os bispos seguiam à risca a Conferência de Puebla, a qual assumira amplamente o tema da evangelização libertadora. “A morte de Giocondo foi uma grande perda para os movimentos sociais”, lamentou.

As comunidades de base fundadas por Giocondo não eram somente lugares de oração, mas também espaços políticos, em que os fiéis aprendiam sobre política, questionavam os problemas e procuravam solucioná-los. São dessa época a ex-vereadora Francisca Marinheiro, Rita Batista, Kléber Barros, Manoel Pacífico, padre Pedro Martinello e outras lideranças. “Começava a nascer um católico politizado, que não se conformava em viver na pobreza”, diz Abrahim.

Giocondo, ao dar a bênção na inauguração do jornal O Rio Branco, do empresário Assis Chateaubriand, quase foi agredido por um militar por ter falado de liberdades democráticas na cerimônia. “Esse bispo causava inquietação ao governo local”, revelou outro amigo dele, o ativista dos direitos humanos Eudo Lustosa, criado pelo religioso desde criança.

Abrahim, que combateu ferozmente a ditadura, é um dos que desconfiam dos relatos oficiais de que o avião tenha caído por falhas mecânicas. Segundo ele, na época ocorria a Operação Condor, uma aliança político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul para reprimir e eliminar líderes de esquerda, com apoio dos Estados Unidos. Já era de conhecimento também dos militares que o líder revolucionário Che Guevara percorria a Amazônia. “O bispo era visto como um perigo, principalmente pelo comportamento dele, ainda mais com a presença de Che Guevara por aqui”, sustentou.

Edinaldo Gomes

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

1º Sulão das CEBs - Memória

1º Sulão das CEBs

Realizado nos dias 11 a 13 de julho de 2003

Local: RegistroSP.


Assessor: Leonardo Boff

Da sub de Aparecida, do Sul 1, participaram pela Diocese de São José dos Campos-SP, Luiz Mario Marinho da Silva ( na época tinha a missão de coordenador diocesano e representante da sub região), Maria de Fatima Silva , José Hamilton Fernandes e Nadir; pela Diocese de Taubaté Sandro Luis e Pe. Zezinho.


Luiz Mario Marinho da Silva e Maria de Fatima Silva, estarão participando do II Sulão das CEBs.


Fonte: também com informações por email de Lucimar Bueno

MOVIMENTO POPULAR-CAMPO PODE SE TORNAR ENTIDADE DE UTILIDADE PÚBLICA



Foi aprovado, em primeira discussão, nesta terça-feira (18/03) o projeto de lei do ex-deputado estadual Chico Alencar (PT), que torna de utilidade pública, o Centro de Assessoria ao Movimento Popular (CAMPO).

A entidade, sem fim lucrativo, visa à melhoria da qualidade de vida das comunidades carentes e à construção de uma cidadania ampla, a exemplo do trabalho desenvolvido pelas comunidades eclesiais de base.

"Cultivando o lema A cidadania tem de ser de alguma forma conquistada, o CAMPO assessora, atualmente, em torno de 50 grupos, abrangendo educação infantil e escolar, capacitação profissional, geração de trabalho e renda, administração de convênios e educação ambiental, justificou o parlamentar. O projeto retorna ao plenário em segunda discussão.

Homenagem aos 90 anos de Paulo Freire




Há exatamente 90 anos nascia em Recife (PE) o homem que iria se tornar um dos pensadores mais importantes da história da pedagogia em todo o mundo: Paulo Freire (1921-1997). Ele disse que gostaria de ser lembrado como "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida". Foi reconhecido internacionalmente pela autoria de uma pedagogia crítica, dialógica e transformadora que assume compromisso com a libertação dos oprimidos.

Embora seja mais conhecido pela criação de um método de alfabetização de adultos, Paulo Freire construiu uma teoria do conhecimento que continua inspirando pesquisadores dedicados aos estudos de filosofia, comunicação, arte, física, matemática, biologia, geografia, história, literatura, economia, medicina, entre outros campos de atuação. Segundo a diretora de Gestão do Conhecimento do Instituto Paulo Freire, Ângela Antunes, o reconhecimento dele, fora do campo da pedagogia, demonstra que o seu pensamento também é transdisciplinar e transversal. "A pedagogia é essencialmente uma ciência transversal. Desde seus primeiros escritos, Paulo Freire considerou a escola muito mais do que as quatro paredes da sala de aula. Ele criou o círculo de cultura como expressão dessa nova pedagogia que não se reduzia à noção simplista de aula", observa.

O presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, enfatiza que não se pode entender o pensamento de Paulo Freire descolado de um projeto social e político. "A força da obra de Paulo Freire também reside na ideia de que é possível, urgente e necessário mudar a ordem das coisas". Segundo Gadotti, as teorias e práticas de Paulo Freire também encantavam pessoas de várias partes do mundo porque "despertavam a capacidade de sonhar com uma realidade 'mais humana, menos feia e mais justa', como o próprio Paulo costumava dizer".

Ditadura militar

Considerado subversivo, Paulo Freire foi preso em 1964 e passou 75 dias em uma cadeia do quartel de Olinda (PE). Ao saber que ele era professor, um dos oficiais responsáveis pelo quartel, solicitou que alfabetizasse alguns recrutas. "Paulo explicou que havia sido preso justamente porque queria alfabetizar!", lembra Gadotti.

Em 1980, depois de 16 anos de exílio, Paulo retornou ao Brasil para "reaprender" seu país, como afirmou na época. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo.

Paulo Freire é autor de muitas obras: Pedagogia do oprimido (1968), Extensão ou comunicação? (1971), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992), À sombra desta mangueira (1995), entre outras.

Dentre as homenagens recebidas, Paulo foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa em 39 universidades no Brasil e no mundo. Dezenas de instituições o elegeram como "Presidente de Honra" e uma escultura de pedra com a sua imagem foi esculpida em 1972, em Estocolmo, onde ele é representado na companhia de Mao Tsé Tung, Pablo Neruda, Ângela Davis, Sara Lidman e outras pessoas que lutaram contra a opressão. Ao receber prêmios, medalhas e títulos, ele costumava dizer que essas homenagens o desafiavam a continuar trabalhando.

Em 1996, lançou seu último livro, intitulado "Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa". No ano seguinte, em 2 de maio de 1997, Paulo Freire morreu de um infarto agudo do miocárdio. A anistia aconteceu 12 anos depois, em 2009, e comoveu as 3 mil pessoas que estavam presentes na cerimônia, realizada em Brasília.

No contexto dos 90 anos do educador Paulo Freire, celebrado dia 19 de setembro de 2011, estão sendo realizadas homenagens e comemorações em todo o mundo. As ações mostram que Paulo Freire continua vivo por meio do trabalho de mulheres e homens que reinventam o seu legado e "amam o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida".

Angélica Ramacciotti

Fonte: Instituto Paulo Freire

***

Paulo Reglus Neves Freire, pernambucano, nasceu em Recife, no dia 19 de setembro de 1921. Uma das motivações para a sua elaboração pedagógica partiu de seus estudos sobre a linguagem do povo. Paulo Freire participou do Movimento de Cultura Popular (MCP) do Recife; do Serviço de Extensão Cultural da Universidade do Recife, sendo um dos seus fundadores e primeiro diretor. Destaca-se, principalmente, o trabalho realizado em Angicos, no Rio Grande do Norte, em 1962, onde começaram as primeiras experiências de alfabetização – o Método Paulo Freire. Em 1963, é chamado a Brasília para coordenar, no MEC, a criação do Programa Nacional de Educação.

O golpe militar de 1964 reprimiu todos os trabalhos de mobilização popular. Paulo Freire foi acusado de subverter a ordem ao utilizar suas campanhas de alfabetização, sendo preso e exilado por mais de 15 anos. Esteve em países como Chile, Bolívia, Suíça, Tanzânia e Guiné-Bissau. Participou de consultorias educacionais e desenvolveu programas de alfabetização. Em 1980, voltou ao Brasil e assumiu cargos de docência na PUC – SP e na Unicamp. Entre 1989 e 1991, na gestão de Luiza Erundina (PT), trabalhou como secretário da Educação da Prefeitura de São Paulo.

É autor de uma vasta obra traduzida em várias línguas. Dentre os livros mais conhecidos estão a Educação como Prática da Liberdade e a Pedagogia do Oprimido.

Paulo Freire morreu em 2 de maio de 1997, em São Paulo, vítima de um infarto agudo do miocárdio

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Lançamento Agenda Latino Americana 2012 em Goiânia

A Agenda Latino-americana Mundial, com a edição de 2012, faz 21 anos. Desde seu primeiro número, "esta obra tem assumido o desafio de contribuir, modestamente, mas com muita paixão, na análise e no compromisso das grandes causas de nossa América. Mas, alargando horizontes veio a assumir uma perspectiva latino-americana mundial. As grandes causas são inevitavelmente mundiais, sobretudo agora em tempos de globalização. E são causas grandes porque abraçam nossas vidas, a Sociedade, o Planeta, o Universo... As nossas causas ‘valem’ mais que a nossa vida, porque são elas as que à vida dão sentido. Somos o que amamos, o que fazemos, o que sonhamos” (Pedro Casaldáliga. Latino-americana 2012, p. 10).

A "Agenda Latino-americana Mundial” foi e continua sendo: "Sinal de comunhão continental e mundial entre as pessoas e as comunidades que vibram e se comprometem com as grandes causas da Pátria Grande, como resposta aos desafios da Pátria Maior. Um anuário da esperança dos pobres do mundo a partir da perspectiva latino-americana. Um manual companheiro para ir criando a‘outra mundialidade’. Uma síntese da memória histórica da militância e do martírio da Nossa América. Uma antologia de solidariedade e criatividade. Uma ferramenta pedagógica para a educação, a comunicação, a ação social ou a pastoral popular” (Latino-americana 2012, 1ª página).

A "Latino-americana 2012” dedica suas páginas à utopia indígena do Bem Viver (em quéchua: Sumak Kawsay). "Não se trata de um tema realmente novo, mas sim de uma riqueza de sabedoria que só nos últimos anos os povos indígenas estão trazendo à luz e oferecendo-a ao mundo como sua contribuição à aventura humana. Ouvir esta proposta, acolhê-la, levá-la a conhecer no nosso Continente e fora dele, meditá-la, é o que queremos fazer nesta Agenda, somando-nos na reflexão coletiva que está se realizando dentro e fora do Continente sobre este Bem Viver” (José Maria Vigil. Ib., p. 8).

A palavra libertadora, o Bem Viver, "nos sai ao encontro como um evangelho de vida possível, digna e para todas as pessoas e todos os povos. Boa nova do Bem Viver frente ao mau viver da imensa maioria e contra ‘a boa vida’, insultante, blasfema, de uma minoria que pretende ser e estar ela sozinha na casa comum da Humanidade” (Pedro Casaldáliga. Ib.).

O Bem Viver é, pois, o Bem Conviver e o Bem Conviver é o Bem viver. Não há uma boa vida humana que não seja uma boa convivência humana e vice-versa. "Somos relação, sociabilidade, comunhão, amor. Já se subentenderia que uma boa vida pessoal tem que ser também comunitária; mas é melhor destacar isso explicitamente para não cairmos em subentendidos que ignoram o que se deve entender e assumir, vitalmente, radicalmente. Eu sou eu e a Humanidade inteira. Dois são os problemas e duas as soluções: as demais pessoas e eu. Isto não se pode ‘subentender’ apenas; deve-se gritar” (Ib., p. 11).

O Bem Viver - Bem Conviver é o "Sonho Real”, que era o nome da ex-Ocupação do Parque Oeste Industrial em Goiânia (cujos moradores foram barbaramente despejados por causa da ganância dos donos das imobiliárias e da conivência criminosa do Poder Público, Estadual e Municipal).

Jesus de Nazaré, profeta do maior Sonho Real ou "profeta da maior Utopia (‘que sejamos bons como Deus é bom, que nos amemos como Ele nos amou, que demos a vida pelas pessoas que amamos’) promulgou, com sua vida e sua morte e sua vitória sobre a morte, o Bem Viver do Reino de Deus. Ele é pessoalmente um paradigma, perene e universal, do Bem Viver, do Bem Conviver”(Ib., p. 11).

Nós da Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil - empenhados em lançamentos da obra país afora - queremos espalhar a Agenda e sua causa. Como diz Pedro Casaldáliga, queremos aumentar a "Tribo dos lançadores da Agenda” (Cf. Ib., página inicial). Contamos com você. Venha participar do lançamento da "Agenda Latino-americana Mundial 2012”, no dia 28 de setembro de 2011, às 19:30h, no Centro Cultural Cara Video, rua 83, n. 361, Setor Sul, em Goiânia. Sua presença nos fará muito felizes!


Fr. Marcos Sassatelli, Frade dominicano
Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção - SP)
Prof. de Filosofia da UFG (aposentado)
Prof. na Pós-Graduação em Direitos Humanos
(Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil / PUC-GO)
Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arquidiocese de Goiânia
Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Terra
E-mail: mpsassatelli@uol.com.br
Goiânia 24 de setembro de 2011