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sábado, 31 de dezembro de 2011

Campina Grande sediará Encontro Estadual das CEBs - Paraiba

As coordenações diocesanas das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs, da província da Paraíba, estarão reunidas em Campina Grande para aprofundamento do tema da Campanha da Fraternidade de 2012: “Fraternidade e Saúde Pública”. O encontro será no Centro Diocesano do Tambor nos dias 03, 04 e 05 de fevereiro.

Para assessorar e conduzir os momentos de formação, foi convidado o Dr. Erinaldo Guimarães, que é professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Equipe Diocesana das Campanhas na Diocese de Campina Grande.

Os organizadores do encontro informam que cada pessoa deve contribuir com a quantia de R$ 40,00 para despesas com alimentação e hospedagem. Pedem também que o participante leve seu próprio copo, toalha e lençóis. Para os momentos de oração, será utilizado o Ofício Divino.

As pessoas devem confirmar presença no Encontro Estadual das CEBs até o dia 27 de janeiro através do email ecampanhascg@hotmail.comEste endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou através dos telefones (83) 3321 4199 (de seg a sexta das 8h às 12h) e (83) 8701 6681, Maria José - coordenadora das Campanhas na Diocese de Campina Grande.

Para um Natal novo e feliz

Neste Natal, a casa da humanidade está pouco preparada. Uma grave crise de civilização assola o mundo. Em todos os continentes, a pobreza e a injustiça aumentaram

O próprio termo Natal significa nascimento e, portanto, vida nova. O comércio faz das festas natalinas uma incessante repetição das mesmas músicas, mesmos tipos de ornamentação e até os mesmos artigos de consumo. Ao contrário, a festa cristã do Natal não deve ser apenas a repetição de outros natais que já vivemos, e sim celebração de uma nova e atual visita divina à humanidade. O Natal não é o aniversário do nascimento de Jesus, visto que ninguém sabe o dia exato em que ele nasceu. Os cristãos antigos transformaram a festa do solstício do inverno na festa do nascimento de Jesus para testemunhar que, através de Jesus, o próprio Deus veio assumir nossa história e trazer ao mundo o seu projeto de paz, justiça e amor.

Atualmente, o Natal tomou uma dimensão maior do que a celebração cristã. Mesmo entre pessoas não religiosas ou de outras tradições, o Natal se tornou ocasião de confraternização e unidade. Uma vez, em Caracas, na porta de uma mesquita, vi um cartaz, através do qual os muçulmanos desejavam a todos que passassem por ali um feliz Natal. Nessa época, é comum as famílias se encontrarem. Mesmo irmãos que moram longe uns dos outros viajam à casa dos pais para passar o Natal outra vez juntos. As mães e pais têm alegria de preparar a casa para receber os filhos que nesses dias voltam ao aconchego familiar. No âmbito da fé, a celebração do Natal tem este mesmo espírito: preparar a casa e o coração para acolhermos o mistério de amor (que as religiões chamam de Deus) e que se oferece ao nosso alcance.

Neste Natal, a casa da humanidade está pouco preparada. Uma grave crise de civilização assola o mundo. Em todos os continentes, a pobreza e a injustiça aumentaram. Nas casas, as pessoas enfeitam salas e armam presépios, mas Jesus continua a dizer: “É quando vocês socorrem um pequenino que acolhem a mim” (Mt 25, 31 ss).

Na América Latina, há muitos sinais de mudanças. Vários países aprovaram novas constituições políticas. Pela primeira vez na história, os mais pobres estão sendo sujeitos ativos de um processo de transformação social e política que não se limita a fi guras importantes como o presidente da República ou tal chefe político. O processo envolve grupos e comunidades de pessoas pobres, índios, lavradores e gente de periferia urbana. Em vários países, dificilmente isso teria ocorrido se não tivesse sido preparado pela participação de cristãos nos grupos e movimentos sociais. Apesar de muitos sofrimentos e de contradições inerentes a todo processo deste tipo, para muitos latino-americanos, neste ano, isso significa poder celebrar um Natal novo e renovador.

Muitos se negam a crer em qualquer novidade e outros torcem o nariz procurando defeitos e erros nestes processos sociais e políticos. O profeta João escreveu: “nós somos as pessoas que acreditam no amor” (1 Jo 3). Este Natal vem como uma interpelação para que cada pessoa se reveja e responda: “Como você está de utopia?”

O Natal nos chama para revigorarmos em nós a capacidade de crer, esperar e preparar a realização do projeto divino nesse mundo. Esta é a proposta de Jesus. Quando o evangelho nos diz “a palavra se fez carne” (Jo 1, 14), está nos convidando a sermos cada vez mais humanos, como ele, Jesus. Carlos Drummond de Andrade interpretava isso ao dizer que, no Natal, imaginava o verbo outrar, que precisaria ser inventado na língua portuguesa. No Natal, uma das músicas cantadas pelas comunidades eclesiais de base no Centro-oeste foi composta por um lavrador do Pará. Tem como refrão: “Dentro da noite escura, da terra dura do povo meu, nasce uma luz radiante, no peito errante, já amanheceu”.

Marcelo Barros

monge beneditino e autor de 26 livros, entre os quais O Espírito vem pelas Águas. Ed. Rede-Loyola, 2003.

As companheiras e companheiros das CEBs e a todo o povo de Deus




As companheiras e companheiros das CEBs e a todo o povo de Deus

As inúmeras formas de manifestação religiosa se estendem aos mais humildes lares, plantando a semente da fé que desabrochou na frondosa árvore do cristianismo, dando sombra e frutos aos pobres e excluídos da sociedade.

A fome por justiça desses nossos irmãos e irmãs eleva o calor da terra vindo do esforço e da luta por dignidade, onde Deus revela sua sabedoria aos humildes. “Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho”. Pois, na fraqueza de ser humano se manifesta o poder de Deus. Esta convicção está presente no plano da caminhada das Cebs do Regional Sul 1 para 2012, caminhando com os olhos fixos em Deus e na opção preferencial pelos pobres.

Acolhemos com muita alegria a mensagem dos nossos Bispos ao povo de Deus sobre as Cebs, doc 92 da CNBB, reafirmando que as Cebs são sinais de vitalidade da Igreja, onde os seus membros se reúnem para a escuta da Palavra de Deus, a busca de relações mais fraternas, celebração dos mistérios cristãos em sua vida e assumem o compromisso de transformação da sociedade.

Quero aproveitar-me neste final de 2011 de um poema de Drummond (Mãos dadas) “o presente é tão grande, não nos afastemos. Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas. Providencial 2012 é novo tempo. Tempo de energia para continuar a caminhada e a construção de uma vida melhor para todos. È tempo de ampliar a comunicação como direito público e, portanto, de todo cidadão e cidadã. È tempo de sagrar conquistas, superar as pedras que volta e meia tentam nos impedir de prosseguir.

Há muito por fazer, quanto para conquistar. Caminho seguro é que juntos estamos mais forte para vencer embates e avançar, livre de preconceitos e de todo tipo de opressão. Queremos uma sociedade mais feliz, plural e justa.

O que o ser humano precisa para a verdadeira felicidade?

Ele precisa de um relacionamento com Deus através de Jesus Cristo. Por essa razão o salmista diz: "Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo.” (Sl 16.2) Chamar a Jesus Cristo de meu Senhor, nisso reside à felicidade permanente. Por isso o salmista continua confessando: "Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente" (v. 11).

O caminho para uma vida plena de felicidade e alegria se chama Jesus Cristo e consiste naquilo que Ele realizou na cruz por nós, que é o perdão dos pecados. Outra passagem da Bíblia diz: "Bem-aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniqüidade" (Sl 32.1-2a). Exatamente para isto Jesus veio a este mundo, morreu na cruz, foi sepultado e ressuscitou dos mortos, para nos colocar outra vez em comunhão com Deus pelo perdão dos pecados. Existe um hino que exprime isso de maneira muito acertada: "Vivo feliz, pois sou de Jesus..."

Aproveito o ensejo deste artigo para desejar às todas as Cebs do Brasil um fecundo 2012, na graça do Deus da vida que nos fortalece na nossa caminhada

Edmundo Alves Monteiro - CEBs Regional Sul 1 CNBB

CEBs - Feliz 2012


Que tenhais o suficiente!!!
Sumak Kawsay
Bem viver – Bem Conviver
2012 Transformador
Com Jesus Libertador!
Maria Matsutacke - CEBs


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Relembrando o Cristo em Saramago

Que estranhos desígnios inspiraram o L'Osservatore Romano a atacar, em editorial, o escritor José Saramago, quando ele faleceu, há quase dois anos? Chamá-lo de populista extremista, que se referia “com comodidade a um Deus no qual jamais acreditou por considerar-se todo-poderoso e onisciente”, não revela apenas uma atitude fria e inflexível com um humanista ateu. Vai além. Reforça apreensões em relação aos objetivos políticos do Vaticano e suas consequências éticas.

Se a eleição do cardeal Ratzinger como supremo pontífice da Igreja Católica constituiu um acontecimento cuja gravidade poucos subestimaram, a superação integrista das contradições do Concílio Vaticano II já se delineava claramente no pontificado de seu antecessor, João Paulo II, quando as bases sociais da Teologia da Libertação foram firmemente atacadas.

Em 1983, ao visitar a América Central, suas homilias mantiveram fina sintonia com o projeto do governo Reagan para a região. Em Manágua, o papa não apenas não correspondeu às expectativas do povo nicaraguense de condenação clara às agressões incentivadas pelo imperialismo estadunidense como também deu ênfase ao que mais dividia o governo sandinista e a hierarquia eclesiástica, à época: o da fidelidade dos sacerdotes e religiosas à Igreja e à exigência de não participarem na responsabilidade da gestão governamental. Uma declaração de guerra aos partidários de um cristianismo progressista. Reafirmação classista de uma instituição multissecular.

Na Guatemala, um dos países em que a repressão dos governos militares fez mais vítimas entre os religiosos, João Paulo II não só visitou o presidente Ríos Montt, conhecido por ordenar massacres contra a oposição, como permitiu que o general lhe pedisse o afastamento de sacerdotes da política. Nos discursos papais não houve qualquer protesto contra fuzilamentos sistemáticos; apenas menções genéricas a direitos humanos. O Cristo do Vaticano, ao contrário do de Saramago, não deu ouvidos a comunidades indígenas e camponesas tratadas como estrangeiras em seus próprios países.

Embora saiba muito bem que estão implícitas, na violência que se expande, a questão do poder, dos interesses econômicos nacionais e internacionais, além das considerações geopolíticas, o Jesus do L'Osservatoreignora que a promessa anunciada só se efetivará provocando uma transformação radical da condição social do homem. No livro de Saramago, Jesus, filho de José e amante de Madalena, vive a Paixão dos novos sujeitos. Seu sacrifício é a labuta das populações negras, o sofrimento das índias e o sangue camponês que jorra nos latifúndios.

A coexistência de um papado ultrarreacionário com governos de extrema-direita, como foi o de Bush, implica uma luta mundial de ideias que, não duvidem, será muito intensa. A crítica a uma religião de mercado, que exige o sacrifício de vidas humanas e o aniquilamento de natureza é a batalha da esquerda de nosso tempo. Nessa guerra, ao contrário do que afirma o Vaticano, o Cristo de Saramago é aliado fundamental. Nas páginas do Evangelho segundo Jesus Cristo, a grande heresia não está no fato de o personagem pedir perdão pelos pecados de Deus. O que o Vaticano não pode perdoar é a denúncia corajosa de um cristianismo imperial e colonialista. Um sistema de crenças que, para validar a opressão, necessita de uma metafísica negativa sobre os homens e sua história.

Saramago provocou a ira da cúpula da Igreja Católica ao reafirmar a modernidade e os valores de igualdade e liberdade. Foi isso que seu Cristo Marxista proclamou. Não de maneira idílica mas de forma dialética, como reafirmação de vidas que devem transcender a si mesmas, eliminando práticas e relações que geram opressão e miséria.

Gilson Caroni Filho - sociólogo

Jornal do Brasil

Natal solidário das CEBs - Lavras-MG


NO DIA 18 DE DEZEMBRO, DOMINGO, OCORREU O NATAL SOLIDÁRIO DAS COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE, CEBs. O EVENTO OCORREU NA MAIS NOVA COMUNIDADE DA PARÓQUIA, A COMUNIDADE DE SÃO PAULO, QUE CORRESPONDE AOS BAIRROS: AVEPE 1 E AVEPE 2.

HOUVE UMA GRANDE PARTICIPAÇÃO DE TODAS AS PESSOAS QUE PARTICIPAM DAS CEBs, CRIANÇAS E MORADORES DA COMUNIDADE SÃO PAULO.

O SEMINARISTA BRUNO, ESTEVE PRESENTE, E FEZ UMA DINÂMICA COM TODOS , SOBRE A CHEGADA DO MENINO JESUS.

FORAM DISTRÍBUIDOS PRESENTES PARA AS CRIANÇAS, BALAS, CACHORRO - QUENTE, BOLO E REFRIGERANTE.

PARABÉNS A TODOS DAS COMUNIDADES DE BASE, PELO BELO NATAL SOLIDÁRIO!!!. DEVEMOS IR SEMPRE AO ENCONTRO DOS MAIS PEQUENINOS, POIS COMO DISSE JESUS: DELES É O REINO DO CÉU!!!.

QUE O MENINO JESUS ABENÇÕE A TODAS AS PESSOAS DA COMUNIDADE SÃO PAULO, AMÉM!!!.


Paroquia Nossa Senhora Aparecida - Lavras - MG

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Balanço do ano velho e perspectivas para 2012 - MST



O ano termina e, mais uma vez, temos o sentimento de dever cumprido por todas as nossas lutas, atividades e alianças que conseguimos construir e aprofundar com diversos setores da classe trabalhadora. Em mais um ano muito duro, tivemos que travar grandes lutas contra o latifúndio do agronegócio, que continua a sua ofensiva sobre as nossas terras, recursos naturais e investimentos públicos.

O agronegócio, que é formado pela aliança dos fazendeiros capitalistas com empresas transnacionais e o capital financeiro, controla a nossa agricultura e tenta aprofundar a sua dominação, lançando mão de iniciativas em várias frentes.

Uma das prioridades do agronegócio foi a flexibilização do Código Florestal. A legislação ambiental brasileira, que é avançada no sentido da preservação do meio ambiente, da produção sustentável e da geração de renda, é uma barreira para o avanço do capital na agricultura. Os conceitos de Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente são obstáculos para que as empresas transnacionais avancem sobre as nossas terras para implementar a produção de monoculturas para a exportação, baseada na expulsão das famílias do campo e na utilização sem limites de agrotóxicos.

O projeto do senador Luiz Henrique, aprovado no Senado Federal, herdeiro do texto do deputado federal Aldo Rebelo, anistia os fazendeiros que desmataram e desobriga a recomposição de grande parte dessas áreas, cria a possibilidade de que, por meio de uma auto-declaração, qualquer um seja desobrigado de recuperar a área de Reserva Legal e não tem mecanismos para impedir mais desmatamentos.

Fizemos parte de uma grande articulação, que reúne os movimentos do campo, a agricultura familiar, o movimento sindical, as entidades de defesa do meio ambiente, cientistas, artistas e setores da Igreja Católica, das entidades de advogados e do Poder Judiciário para enfrentar o ofensiva do capital na agricultura e seus representantes, a bancada ruralista. No entanto, não tivemos força para tirar esse projeto da pauta e pressionar para que o governo tivesse uma posição firme para cumprir os compromissos de campanha da presidenta Dilma Rousseff.

Está prevista a votação do projeto na Câmara dos Deputados para o começo de março. Nesse período, temos a tarefa de fazer uma grande jornada de lutas, com a participação de todos os setores articulados na defesa das florestas, para impedir a aprovação do texto e pressionar para que a presidenta vete as mudanças que criem condições para ampliar o desmatamento e a controle do capital sobre a nossa agricultura.

Agrotóxicos

A sociedade brasileira está a cada dia mais atenta com os problemas causados com a má alimentação e problemas na saúde, especialmente com a contaminação pelos agrotóxicos. Os venenos são um dos eixos de sustentação do modelo de produção do agronegócio, como o latifúndio, a monocultura e a expulsão das famílias campo, para uma produção voltada para o exterior.

O Brasil ocupa desde 2008 o primeiro lugar no ranking mundial da utilização de agrotóxicos. Mais de 1 bilhão de litros são jogados nas lavouras. Em 2010, foi construída a campanha nacional contra os agrotóxicos, com a participação de entidades importantes como o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fiocruz e a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Especialistas têm apontado a relação dos agrotóxicos com o câncer. Nos próximos dois anos, mais de 1 milhão de brasileiros receberão o diagnóstico de câncer, de acordo com o Inca. Apenas 60% dos afetados conseguirão se recuperar. As contradições causadas na saúde de toda a população pelo uso sem limites de agrotóxicos levará a sociedade a questionar o modelo do agronegócio, que além de impor a concentração das terras, a devastação do meio ambiente e a expulsão das famílias do campo, contamina o organismo de toda a população.

Reforma Agrária

A ofensiva das forças do capital e a falta de iniciativa política do governo federal fizeram de 2011 mais um ano ruim para a Reforma Agrária. Apenas 35 áreas foram transformadas em assentamentos, beneficiando apenas 6 mil famílias. Os números correspondem a 20% do que o ex-presidente Lula realizou em seu primeiro ano de mandato, quando 135 assentamentos foram criados, assentando 9.195 famílias.

Ao mesmo tempo, 90 processos de desapropriação de terras amarelam nas mesas da Casa Civil e da Presidência da República. Para que estes processos, tecnicamente concluídos, transformem-se em assentamentos basta a assinatura da presidenta Dilma.

Durante todo o ano, realizamos mobilizações para denunciar a lentidão da Reforma Agrária, a inoperância do Incra e os crimes do agronegócio. No mês de abril, foram mais de 70 ocupações de latifúndios, além de marchas e acampamentos em 19 estados. Em agosto, os movimentos organizados pela a Via Campesina realizaram um acampamento com 4 mil trabalhadores rurais em Brasília, somado a mobilização de 50 mil agricultores em 20 estados. Essa jornada arrancou compromissos importantes do governo federal, que ainda não saíra do papel, e conquistou a suplementação de R$ 400 milhões para o orçamento da obtenção de terras.

Perspectivas

Com o avanço do capital na agricultura, a realização da Reforma Agrária depende tanto da luta dos trabalhadores rurais, com as nossas ocupações, marchas e protestos, como também de uma grande mobilização da sociedade brasileira por reformas estruturais, que serão impulsionadas a partir da organização e luta do povo brasileiro em torno de um projeto popular para o Brasil.

Por isso, temos acompanhado com bons olhos o aumento da quantidade de greves e mobilizações de diversas categorias por aumento de salários e melhores condições de trabalho, assim como os protestos dos estudantes nas universidades públicas.

As grandes empresas têm lucrado muito no último período, com o crescimento da economia, o que cria melhores condições de luta para os trabalhadores. Embora essas greves tenham na sua maioria um caráter economicista, demonstram que a classe trabalhadora está em movimento, abrindo um horizonte para intensificar as lutas e criando perspectivas de um debate político com a sociedade brasileira sobre a necessidade de transformações profundas no nosso país.

As políticas implementadas pelo governo desde 2003 conseguiram melhorar as condições de vida da população, mas não foram realizadas mudanças estruturais que transformassem o nosso país. Para enfrentar essas questões, as organizações da classe trabalhadora têm construído um programa político, tendo como pontos principais a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução salarial, medidas para garantir melhores condições de trabalho e menor rotatividade, a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para educação, a realização da Reforma Agrária e a proibição de agrotóxicos, uma Reforma Urbana que garanta moradia, reorganização do sistema de transporte e melhores condições de vida nas grandes metrópoles, uma Reforma Tributária Progressiva para taxar aqueles que concentram a renda, a riqueza e o lucro e a democratização dos meios de comunicação de massa.

O desafio é construir a partir das lutas de todos os setores que defendem essas bandeiras um grande movimento de massas, que tenha organização e força para enfrentar a ofensiva do capital e garantir conquistas para o povo brasileiro. No próximo período, vamos participar dessas lutas e cobrar esses compromissos assumidos pelo governo, com muitas lutas, ocupações, marchas e mobilizações. Temos também a tarefa de avançar na organização dos nossos assentamentos para serem referência de produção de alimentos de qualidade e sem venenos para a população brasileira, organizar os pobres em novos acampamentos e ocupações e realizar alianças ainda mais fortes com a classe trabalhadora em todos os espaços. Os compromissos assumidos só se converterão em conquistas concretas com pressão social e unidade no programa e na luta com outros setores da classe trabalhadora.

Se o lema desse governo é "País rico é país sem pobreza”, temos que abrir os olhos da população brasileira que o modelo de desenvolvimento do agronegócio, baseado no latifúndio, na exportação, na exclusão social, no envenenamento da natureza e na destruição das florestas não poderá acabar com a pobreza no campo, pois é a própria raiz da pobreza. Com nossos lutas e campanhas, vamos avançar nas conquistas e a sociedade compreenderá que combater a pobreza no campo é fazer a Reforma Agrária. O ano novo será feliz com a força e mobilização do povo.

Secretaria Nacional do MST

O conceito de Bem Viver


O universo tem seu ritmo, no qual se inscreve o movimento dos astros em geral e do planeta terra em particular; a natureza tem seu ritmo, onde o tempo se mede em estações, a fauna e flora se criam e recriam; o corpo humano tem seu ritmo, que é simultaneamente físico, emocional, psíquico e espiritual; até mesmo a cultura dos povos e nações adquire um ritmo próprio, que se diferencia de acordo com o clima, os inventos, o patrimônio material e imaterial, além de muitas outras circunstâncias. Equilíbrio e harmonia são as marcas registradas desse ritmo natural.

Nos tempos modernos (ou pós-modernos), a existência humana sobre a terra se acelerou de tal modo que contrasta frontalmente com o ritmo do universo e da natureza. Uma série de transformações que culminam na Revolução Industrial, acompanhada de outras revoluções como a dos transportes, a das telecomunicações e a da informática, a da medicina, imprimiu à história um ritmo alucinado e sem precedentes. Modificou-se para sempre a concepção de espaço e de tempo, como se uma segunda natureza viesse sobrepor-se à ordem natural. Também o corpo adquire uma segunda natureza, forçada pela transformação do camponês em "soldado do trabalho”, além da tirania da moda, do padrão de beleza e da proliferação de academias.

O sol e a lua, o plantio e a colheita, a primavera e o inverso, o dia e a noite... Não mais ditam o ritmo da vida. Tampouco a geografia se mede pelo caminhar ritmado do homem ou do animal. O relógio, o horário do trem, o transporta aéreo, a TV e a Internet, a simultaneidade da notícia, praticamente aboliram as distâncias e as balizas do tempo. A eletricidade, por sua vez, aboliu a noite. O ser humano não mais é despertado pelo canto do galo ou pela luz da aurora, mas pelo despertador ou telefone celular. Conectados, navegamos "on line”, sem necessidade das estrelas para nos guiar, onipresentes nos quatro cantos do mundo. Este, por fim, se transformou literalmente numa aldeia.

Nesse ritmo vertiginoso, perdemos a capacidade de nos espantar ou de nos extasiarmos. Os pais raramente se surpreendem com a primeira palavra, os primeiros passos ou a primeira queda da criança, pois a pressa de seus compromissos os atropelam. Os turistas pouco se entusiasmam com a beleza da cachoeira, da montanha ou da paisagem, pois já dispõem das imagens de tudo isso via Internet. Pode até ocorrer o contrário: desilusão entre a imagem virtual e a real. Também os transeuntes não se apercebem do canto dos pássaros ou da festa dos escolares no recreio, pois tudo isso é encoberto pelo ruído dos carros e aviões. Uma visita, esperada ou inesperada, é incapaz de nos despertar curiosidade, uma vez que a televisão é a rainha única das novidades. A técnica deslocou o "novo” dos encontros, sentimentos e emoções, para concentrá-lo nos modismos das mercadorias.

Substituímos o bem viver pelo viver bem. O conceito de viver bem está relacionado à vontade de adquirir coisas, objetos, bens de todo tipo, acompanhar as últimas inovações da moda. Tem a ver com a capacidade de ter, possuir, consumir, aparentar... Viver bem é sinônimo de apossar-se de conhecimento, riqueza, acúmulo, conforto, com a finalidade consciente ou inconsciente de dominar o outro, o tempo e a natureza. Pouco importa que esta seja agredida e degradada, devastada e poluída. O importante é buscar o máximo de prazer para mim e para os nossos, ficando excluídos os outros. Estabelece-se uma fronteira rígida e intransponível entre os de dentro e os de fora. Individualismo, corporativismo e hedonismo se mesclam como irmãos siameses de outros "ismos”. O resultado está no desequilíbrio entre a ânsia humana de possessão e os recursos na natureza.

O conceito de bem viver, ao contrário, leva em conta a relação com a mãe terra e seu ritmo natural. Trata de proteger, cultivar e cuidar de um ambiente onde a vida tem suas leis e sua cadência próprias. Mais do que violentar essa cadência para o bem estar individual, prevalece a preocupação de conviver pacificamente com outras formas de vida. No horizonte mais amplo encontram duas visões indissociáveis: por um lado, a noção de biodiversidade, isto é, o respeito pela vida em todas as suas manifestações; por outro, o termo hoje bem disseminado de sustentabilidade, seja em termos socioeconômicos e políticos, seja em termos culturais e ecológicos. Numa palavra, coexistência pacífica com o ritmo da natureza, acompanhada de justiça e solidariedade frente à população pobre e excluída.

Retorno à cultura dos ancestrais, aos povos primordiais, aos indígenas? Sim e não! Mais do que retorno, devemos falar em revisita. Revisitar sua forma de conviver com o ritmo da natureza, sem cair num saudosismo mórbido e doentio. Recriar seu espírito e sua sabedoria nos desafios do mundo contemporâneo, simbolizados em expressões como Sumak kawsay, de origem quéchua, que revela um paradigma civilizatório de equilíbrio com o ciclo da Pachamama, nossa Mãe Terra. Não se trata, portanto, de imitá-los. Imitar pode ser a pior forma de seguimento: é a via mais fácil e curta. Em vez disso, o que está em jogo é a via longa de resgatar o cuidado e a proteção da biodiversidade, em função de uma civilização justa, solidária e sustentável. O grande desafio é voltar ao berço e às fontes, onde o leite é mais sadio e a água mais cristalina, mas com a perspectiva de avançar para a fronteira. Recuo estratégico para qualificar e fortalecer um passo à frente. Fidelidade a uma sabedoria que ensina a preservar a vida em todas as suas expressções.

Neste ponto, não podemos confundir civilização alternativa com formais artesanais de vida. As alternativas à sociedade neoliberal, ao mercado e ao consumo exacerbado podem contar com as inovações tecnológicas de ponta. Isso exige repensar o uso da tecnologia, de tal forma que esta esteja a serviço da qualidade da vida humana e de todas as formas de vida. Buscar alternativas não é voltar atrás. Antes, é dar uma olhada no retrovisor do tempo, para poder acelerar em outra direção. A partir de uma encruzilhada, a história ganha novas bifurcações. Bifurcação rima com a necessidade de escolha e de opção. Ou destruímos a natureza e nos afundamos com ela, ou nos salvamos através de uma nova forma de relações em que a Vida, com letra maiúscula e no plural, está em primeiro lugar.

A história não se detém. Mas o ritmo de crescimento pode ser revisto. Atualmente ele está subordinado ao lucro e à acumulação de capital. Tudo devora, tudo devasta, tudo contamina para garantir maior riqueza. Daí a panacéia do crescimento como remédio para todos os males, o que se contrapõe à defesa e proteção do meio ambiente. O conceito de bem viver, diferentemente do viver bem,procura ajustar o ritmo da civilização humana ao ritmo do universo e da natureza. O acento recai não sobre o progresso e o crescimento, e sim sobre a partilha e a equidade. A ciência e a tecnologia trabalham para que os benefícios dos inventos e do trabalho cheguem a todos os povos, nações e pessoas.


Pe. Alfredo J. Gonçalves
Assessor das Pastorais Sociais

Fonte:Adital

Luta por direitos das mulheres ainda percorrerá longo caminho, mesmo com avanços

América Latina e Caribe, hoje, têm população feminina estimada em mais de 302 milhões de pessoas, número superior aos 294.596 homens, segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). Apesar de ser maioria numérica, as mulheres continuam fazendo parte da minoria política e social. Por que motivos? Como os movimentos feministas da região atuam para superar este quadro? Que desafios enfrentam e quais conquistas estão colhendo?

Feminicídio, violência doméstica, negação de direitos sexuais e reprodutivos e de participação nos espaços de poder constituem o panorama dos principais desafios enfrentados pelas latino-americanas. Por outro lado, com muita criatividade e tenacidade, os movimentos feministas resistem desde muitas décadas, e colhem alguns louros dessa luta.

Para a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil, Nalu Faria, há muitas conquistas a ser comemoradas. "Consolidação de um marco que reconhece vários direitos das mulheres, igualdade de gênero, efetivação de alguns direitos, fortalecimento do protagonismo, de espaços de empoderamento das mulheres, compartilhados por organizações civis e Estado. A gente tem a consolidação de um sujeito político mulheres”, enumera.

Entre os desafios, Nalu também inclui muitos pontos, como a dificuldade de inserir as agendas feministas no debate da sociedade e dos governos, assim como os limites organizativos do próprio movimento. "Os movimentos de mulheres têm pauta ampla e enfrentam certa dispersão. Temos o desafio de uma articulação mais ampla, aproveitando oportunidades para realizar disputa não só por novas políticas, mas por novos valores na sociedade”, pontua.

Contudo, como principal obstáculo a ativista cita a garantia ampla de direitos, que, enfatiza: só virá com mudanças estruturais. "A gente consegue direitos, mas eles não chegam para todas ou o sistema modifica o caráter. Por exemplo, direito a trabalho e renda, inserção das mulheres no mercado de trabalho. Isso acontece à custa de uma sobrecarga de trabalho doméstico, em nenhum momento são repassadas obrigações ao Estado, é uma vitória parcial”, afirma.

No Equador, a presidenta da Frente de Mulheres Defensoras da Pachamama, Rosí Pérez Arévalo, avalia que 2011 foi um ano de visibilização do papel das mulheres, principalmente na defesa dos direitos humanos e, no contexto do país, na luta contra os megraprojetos de mineração, que afetam fortemente a província de Azuay, no sul da região Andina do Equador.

Para 2012, as mulheres pretendem fortalecer seu papel nos movimentos sociais, assim como a União Latino-americana das Mulheres (ULAM). Também está na pauta fazer frente ao governo, que, segundo Rosí, está "alinhado aos interesses das grandes corporações estrangeiras, como as mineradoras”, perseguindo a Frente de Mulheres com uma campanha de desprestígio.

Violência

El Salvador, Guatemala, Colômbia, Honduras, República Dominicana, Bolívia, Paraguai, Panamá e México estão entre as 11 primeiras posições nas taxas de feminicídios por milhão de mulheres, segundo estudo realizado em 43 países.

No Peru, o projeto de lei que incorporava o feminicídio no Código Penal foi arquivado. Entre 2009 e 2010, 283 mulheres foram vítimas de feminicídio. Até julho deste ano, o crime já havia interrompido a vida de mais 48 mulheres no país, considerado um dos três países da América Latina com maior índice de feminicídio. Na República Dominicana, o mesmo: entre 2005 e agosto de 2009, foram registrados 867 feminicídios.

E o que dizer do México? O Observatório Cidadão Nacional do Feminicídio registrou, entre 2009 e junho de 2010, 1.728 feminicídios em 18 dos 31 estados do México. Em Ciudad Juárez, na fronteira norte, a situação é tão grave que ganhou atenção internacional: de 117 feminicídios em 2009, os crimes passaram a 306 em 2010, ou seja, quase triplicaram.

Na Guatemala, 695 mulheres foram assassinadas de forma violenta em 2010. Contabilizando as mortes desde 2004, o número se eleva a quase 4.400 vítimas de feminicídio. A militante da Convergência Cívico Política de Mulheres, Carmen López, afirma que o país tomou a dianteira na experiência de leis específicas contra o feminicídio e criou três tribunais especializados. Contudo, ela não espera que a violência seja reduzida.

"Existem vários fatores, muitos deles históricos, que limitam o avanço até esta mudança (na cultura patriarcal e machista) de paradigmas sociais, especialmente a violência em geral que não tem sido possível reduzir e que agora também é mantida pelo crime organizado”, sustenta.

No mesmo sentido, Carmen não se mostra otimista com relação a políticas públicas mais eficazes e aplicáveis para a questão da violência. Isso porque, na opinião dela, as prioridades do novo governo serão outras. Por outro lado, espera que haja continuidade de algumas ações que vêm sendo realizadas, aumentando o acesso das mulheres à justiça.

No Brasil, cinco mulheres são gravemente mal tratadas por homens a cada dois minutos. Segundo dados do Ministério da Saúde, 10 morrem diariamente nas mãos de companheiros ou ex-companheiros.

Contra a violência doméstica, o país conta com a Lei Maria da Penha, considerada um dos instrumentos mais avançados do mundo. Infelizmente, a perfeição da lei esbarra na falta de políticas públicas à altura, de todo um aparato necessário para a sua aplicação. De acordo com a consultora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFêmea), Ana Cláudia Pereira, a norma trouxe muitos resultados positivos, principalmente por gerar discussão na sociedade, contribuindo para a educação de novas e antigas gerações.

"Fez com que a afirmação ‘em briga de marido e mulher ninguém mete a colher’ se tornasse controversa. Porém, falta que o atendimento se traduza de fato na melhoria de vida das mulheres, que não tem encaminhamento adequado, vão pro Judiciário e muitas vezes encontram funcionários preconceituosos, despreparados, que culpabilizam a vítima”, explica.

Direitos sexuais e reprodutivos

Nesta temática, os movimentos feministas parecem encontrar cada vez mais resistência. Para Nalu Faria, a América Latina vive um movimento de fortalecimento da direita desde meados da década de 1990 que impede um debate amplo, no marco de um estado laico, sobre as questões, em especial a legalização do aborto.

Integrante da Universidade Livre Feminista, no Brasil, Guacira César de Oliveira é taxativa. "Houve recrudescimento importante nessa área”. Ela explica que a Frente Nacional contra Criminalização das Mulheres pela Legalização do Aborto faz a defesa desse direito e informa que durante a III Conferência Nacional de Política para as Mulheres foi aprovada recomendação de que o Brasil revise a legislação que pune o aborto, caminhando para assegurar a legalização. "Reivindicamos do Estado que nenhuma mulher seja punida, humilhada ou mal tratada por decidir fazer aborto ou sofrer aborto espontâneo”, esclarece.

Já Ana Cláudia denúncia que há uma grande deficiência no respeito às condições de aborto legalizadas no país – gravidez em decorrência de violência sexual ou que represente risco para a vida da mãe. "Se o governo já desrespeita a lei, esse debate se torna muito complicado. Muitas mulheres estão morrendo, e isso não está na pauta do governo”, alerta.

Participação política

Atualmente, América Latina e Caribe contam com cinco presidentas – Dilma Rousseff (Brasil); Laura Chinchilla (Costa Rica), Kamla Persad-Bissessar (Trinidad e Tobago) e Cristina Kirchner (Argentina) – e entre 2006 e 2010 Michelle Bachelet comandou o Chile. Mas essa conjuntura impactou de fato a condição social das mulheres? Há maior acesso feminino aos espaços de poder?

Na opinião de Nalu Faria, quando presidente, Bachelet adotou várias políticas direcionadas às mulheres, assim como estaria fazendo Dilma, no Brasil. "Mas não é uma intervenção com discurso feminista e libertário. Há contradições: são presidentas, mas enfrentam reação machista e misógina. Nós não temos um lugar onde não está colocada a disputa, e essas disputas passam por questões de gênero e de classe”, argumenta.

A despeito da atuação das presidentas, a participação das mulheres na política ainda é considerada aquém do ideal. A socióloga e coordenadora do Observatório de Gênero e Equidade, Teresa Valdés, considera que o Chile sofreu retrocesso neste quesito durante o governo do atual presidente, Sebastián Piñera.

"Se no ano de 2006 se alcançou a paridade numérica (50%) no gabinete de ministros, paridade relativa que se manteve até 2010 (40-60%), o atual governo conta somente com 18% de mulheres nesses cargos. O mesmo ocorre em todas as categorias nomeadas pelo presidente”, informa. Além disso, o projeto de lei que assegura a representação equilibrada de mulheres e homens no Parlamento, enviado por Bachelet ainda em 2007, não foi posto em pauta. O governo chegou a enviar um projeto sobre cotas, mas sofreu o rechaço de um partido da base aliada.
Para o ano que vem, a socióloga espera uma maior participação das mulheres, mas teme que isso dê nos marcos de políticas populistas – que incluem centralmente as mulheres, designando muitos recursos orçamentários a elas – sem uma real participação, mesmo com o aumento do ativismo social experimentado pelo Chile em 2011.

"Em síntese, a participação das mulheres pode aumentar consideravelmente em nível de autoridades locais, mas pode se dar em um contexto de clientelismo que não se traduza em mudanças culturais rumo à igualdade, senão como foi a política do governo do presidente Piñera, de manter e reforçar os papéis tradicionais de gênero”, analisa

Camila Queiroz

Adital

Consumir prejudica gravemente sua saúde... e a do planeta

"A mulher, desesperada em obter as melhores ofertas na loja Wal-Mart, jogou spray de pimenta nas pessoas que esperavam, com a intenção de afastá-las da mercadoria que ela queria”. Essa poderia ser uma cena de um filme de Pedro Almodóvar, se não fizesse parte da realidade, e tal relato foi publicado no jornal Los Angeles Times, edição de 25/11/2011.

Diante disso, poderíamos sugerir que na frente de grandes centros comerciais, e mais ainda nas épocas de descontos, fossem colocados grandes painéis advertindo "consumir prejudica gravemente sua saúde”, no mais puro estilo das autoridades sanitárias, pois o consumismo irracional, supérfluo e desnecessário, promovido pelo sistema capitalista, não somente pode afetar de maneira inesperada e contundente nossa saúde via "ataque de spray pimenta”, mas, sobretudo, pode afetar a "saúde” do planeta.

Um exemplo: se todo mundo consumisse como um estadunidense médio consome seriam necessários 5 planetas Terra para atender à nossa voracidade. Porém, o planeta Terra é só um... Nos acostumamos a viver sem levar em consideração que habitamos um mundo finito e o capitalismo encarregou-se muito bem disso. Progresso é associado a sociedade de consumo; porém, teríamos que perguntar: progresso para quê e para quem e à custa do que e de quem.

Os cantos de sereia da modernidade nos dizem que consumir nos tornará mais felizes; porém, tal felicidade nunca chega por mais que compremos. "Afoga tuas penas com uma boa compra” parece o slogan do capitalismo de hoje; porém, nossa insatisfação nunca é satisfeita. A felicidade não chega por conta do talão de cheques.

Nos dizem que compremos óculos Channel, um ursinho Tous ou calças compridas Mango para sentir-nos Claudia Schiffer, Jennifer López ou Gerard Piqué. A época de vender um produto passou para a história. Agora, como ensinam as boas escolas de marketing, nos vendem o famoso de turno junto à promessa de "saúde, dinheiro, amor”. E nós, encantados, pagamos o preço de nossos sonhos.

Nos vendem o anedótico como imprescindível e o banal como necessário e criam em nós uma serie de necessidades artificiais. Trocar o guarda-roupa a cada temporada, um automóvel de última geração, uma televisão de plasma etc. etc. Com o monte de resíduos tecnológicos, de vestir, eletrônicos... que descartamos e que passam a engrossar as pilhas de lixo nos países do Sul, contaminando as águas, a terra, e ameaçando a saúde de suas comunidades.

Ou o sistema contra-ataca com sua obsolescência programada..., planejando a data de caducidade de tudo aquilo que compramos para que ao cabo de um tempo X se estrague e tenhas que adquirir um novo. Para que uma lâmpada que nunca se apaga, umas meias sem fio puxado ou uma máquina que não funciona? Mal negócio. Aqui, só ganha quem vende.

Talvez seja hora de propormos que podemos "viver melhor com menos”. E ser conscientes de como nos querem tornar cúmplices de um sistema que nos impuseram e que somente beneficia aos mesmos de sempre. Nos dizem que existe sociedade de consumo porque queremos consumir; porém, além de nossa responsabilidade individual, que eu saiba, ninguém escolheu essa sociedade onde temos que viver, ou pelo menos ninguém me perguntou se estou de acordo. Desde que nascemos até a terceira idade nos bombardeiam com o "comprar, comprar, comprar”. Agora nos dizem que sairemos dessa crise "consumindo”. Eu me pergunto se "consumindo” ou "consumindo-nos”.

Esther Vivas
Militante de Izquierda Anticapitalista. Miembro de la Red de Consumo Solidario y de la Campaña ‘No te comas el mundo’.Miembro de Revolta Global-Esquerra Anticapitalista y del Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales (CEMS) de la UPF.

Fonte: Adital


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Vem aí, o 6º Nordestão das CEBs!

Neste Natal, quero uma internet que entenda ironia

Acordei querendo – além de uma outra dose de Sidra – ganhar um presente neste Natal.

Para quem endereço a solicitação tardia? Se tivesse que escolher um bom velhinho para recebê-la e encaminhá-la certeira ao Todo Poderoso, certamente não seria um cara de vermelho e cabelo branco. Ou melhor, seria.

Lembro quando Bento 16 defendeu a solidariedade em uma carta a bispos brasileiros. A que sentimento ele se referia? Se foi do tipo “caridade” – que consola mais a alma daquele que doa do que o corpo daquele que recebe – estava pregando a continuidade de uma igreja que ainda não consegue entender as palavras revolucionárias que estão no alicerce de sua própria fundação.

Mas há também a solidariedade de reconhecer no outro um semelhante e caminhar junto a ele pela redenção da alma e do corpo de ambos. Se ele falou dessa, referiu-se à Teologia da Libertação. Seria bonito, mas irônico, ver o Vaticano pregando algo que tenta soterrar há tempos. Algo tocado adiante por pessoas como Pedro Casaldáliga, Tomás Balduíno, Henri des Roziers e Xavier Plassat, que estão junto ao povo, defendendo o direito à terra e à liberdade e acolhendo camponeses, quilombolas, indígenas e demais excluídos da sociedade.

Conversando com um jornalista amigo, ele disse que perguntou a dois ícones da Teologia da Libertação se faziam o que fazem por ética ou por fé. Não deram resposta. Até porque duvido que haja uma. Afinal de contas, quem tem mais fé? O que acredita piamente na humanidade a ponto de dedicar sua vida a ela ou aquele que espera que a Verdade seja revelada de fora para dentro?

Enfim, postei todo esse arrazoado de coisas e quase ia me esquecendo o que queria pedir neste Natal: que a ironia, como figura de linguagem, mas também as grandes ironias da vida, sejam plenamente compreendidas na internet brasileira em 2012. Sem necessidade de legenda ou tecla SAP.


Leonardo Sakamoto

Dom Eugenio recebe Comenda do Senado Federal



Seis brasileiros foram distinguidos pelo Senado com a comenda Dom Helder Câmara, em reconhecimento pela contribuição que deram à luta em prol dos direitos humanos no Brasil. Dom Eugenio foi um dos agraciados e esteve representado por Mons. Sérgio Costa Couto. A condecoração foi entregue em solenidade realizada ao meio dia desta terça-feira 13/12, no Plenário da Casa.

Comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara
concedida ao Cardeal Dom Eugenio de Araujo Sales

Agradecimento
Mons. Sérgio Costa Couto
Senado Federal, 13 de dezembro de 2011

É uma imensa alegria para nós da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, em nome de nosso Arcebispo Emérito, receber esta comenda que une dois “cidadãos cariocas” dos quais muito nos orgulhamos. Cariocas, sim, não só pelos direitos dos títulos outorgados a esses dois nordestinos, mas, pela longa atuação em nossa cidade: Dom Helder ali viveu 28 anos (1936—1964), dos quais 12 como bispo-auxiliar, até ser nomeado Arcebispo de Olinda e Recife; Dom Eugenio Sales, lá está desde 1971. Dois homens unidos por uma profunda amizade de meio século; estilos pessoais e métodos diferentes, mas objetivos comuns. Eventuais divergências de opinião e voto, em alguma instância, nunca abalou minimamente tal fraternidade. Certa vez, referindo-se ao perigo que corria durante o período autoritário, Dom Helder disse: «eu não poderia ser quem eu sou, se Dom Eugenio não fosse quem ele é; um homem forte e respeitado…». Todos sabiam que tocar em Dom Helder, seria tocar em Dom Eugenio. Falando sobre aquele período, eu, pessoalmente, ouvi do Cardeal que “se Dom Helder fosse ameaçado, pegaria o primeiro voo para Recife”.

Neste ato, representando igualmente o atual Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, O.Cist., e por sua expressa orientação, declaramos nossa profunda gratidão por várias iniciativas sociais de Dom Helder no Rio, tais como A Feira e o Banco da Providência, a Cruzada e o Mercado São Sebastião; apenas para citar as que mais se destacaram e duram até hoje.

Estas iniciativas do então bispo-auxiliar do Rio de Janeiro, realizadas com o apoio do Cardeal Jayme de Barros Câmara, foram fortalecidas, quando do início do Governo Pastoral de Dom Eugenio de Araujo Sales, que trazia para o Rio de Janeiro a experiência do Rio Grande do Norte e da Bahia. É conhecido que algumas ideias do jovem bispo potiguar, tais como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e a Campanha da Fraternidade, tomaram vulto nacional.

Muitas ações de Dom Eugenio foram consideradas fundamentais na vida da cidade do Rio, como foi o caso da Favela do Vidigal, cujos moradores não foram removidos graças à sua intervenção através da Pastoral das Favelas; a Pastoral do Menor, ambulatórios e abrigos para carentes, aidéticos… segundo a necessidade se apresentava. Enfim, uma ampla e silenciosa rede de assistência aos mais pobres que foi idealizada, levada a efeito e protegida por Dom Eugenio em seu longo governo de 30 anos em nossa Arquidiocese. Sem hostilizar os ricos, na ação social priorizava os mais pobres, tanto na assistência imediata, quanto na promoção social; não esquecendo de, serenamente, refletir sobre as causas da pobreza:

«O egoísmo dominante nos indivíduos e países impede uma justa distribuição dos recursos naturais. Cada um pensa em si e em sua nação, sem atender ao bem comum. Aqui se coloca o empobrecimento do Terceiro Mundo, em benefício dos mais ricos. E, no Brasil, a concentração de riquezas é crescente. Busca-se, em vez de justiça social, a diminuição dos que deveriam igualmente participar desses dons que Deus criou para todos os seus filhos". (Jornal do Brasil, 13/08/1994)


O Cardeal Sales, silenciosamente, como ele mesmo gosta de dizer, protegeu os presos políticos, ajudou-os materialmente e foi a sua voz junto às autoridades de então, e sempre foi ouvido pelo respeito de suas posições claras, não se comprometendo nem com os detentores do poder e nem com a luta armada (cf. D. Orani João Tempesta, Dom Eugenio — 90 anos, artigo em 06/11/2010). Muitos conhecemos histórias, vimos fotos da proteção e asilo dadas a perseguidos não só a nacionais, mas também dos países vizinhos E, lembro eu, nosso homenageado socorreu, protegeu pessoas cujas posições ideológicas estavam, por vezes, em nítido contraste com a fé católica, mas nossa mesma fé nos diz que o combate deve dar-se no campo das idéias e com Graça de Deus que tudo transforma e a todos convence. Ao contrário, a vitória pelas armas pode ser falsa, temporária e aviltante, também para quem delas injustamente lança mão.

Por fim, quero encerrar com a Palavra de Deus, um texto que, resumidamente, Dom Eugenio tem como lema episcopal: Impendam et Superimpendam, tirado de São Paulo (2Cor 12,15).

Ego autem libentissime impendam et superimpendar ipse pro animabus vestris. Si plus vos diligo, minus diligar?

Quanto a mim, de bom grado despenderei, e me despenderei todo inteiro, em vosso favor. Será que, dedicando-vos mais amor, serei, por isto, menos amado?





Um olhar atento sobre a Pastoral Atual


Padre Valdery (Foto: Reprodução do Blog Totó Rios)Estar em dia com a Igreja supõe não estar por fora das etapas de sua história recente. Também quanto à história local. Dentre as propostas e decisões pastorais de nossa Diocese destaca-se o espírito e as atividades ligadas às Santas Missões Populares.

O método adotado é o do padre Mosconi, escolhido na época para vir a Sobral na fase de sua implantação, há cinco anos.

As Missões Populares estão aí animando as celebrações ligadas à preparação do 1º Centenário de criação da Diocese.

Tentando contribuir na reflexão, Em Dia Com a Igreja traz um comentário do mesmo padre Mosconi, fazendo um balanço do que aconteceu na pastoral da Igreja no Brasil, especialmente no aspecto da Catequese e da leitura da Bíblia, nos últimos 40 anos.

Assim, no caso é preciso estar atento não só aos pontos positivos, mas também às falhas, porque o uso da Bíblia está diretamente ligado à visão de pastoral e a maneira de realizá-la.

Com este olhar de quem quer acertar, assim comenta padre Mosconi: “São inegáveis os avanços da pastoral no Brasil nos últimos 50 anos. Na década de 50, no século passado, com a chegada dos ideais da Ação Católica (graças, sobretudo, ao incentivo de D. Hélder Câmara), ventos novos começaram a soprar na Igreja.

Foi nessa época que surgiu a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), uma das primeiras experiências em nível nacional no mundo católico. Depois veio o Concílio Vaticano II (1962-65), que assumiu rosto latino-americano na Assembléia Episcopal de Medellín (1968) de Puebla (1979). A partir desses momentos históricos, inúmeras paróquias e dioceses do continente latino-americano abriram-se para novos caminhos pastorais.

Dezenas de milhares de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) cresceram nas décadas de 70 e 80, despertando energias novas para a transformação da dura realidade sociopolítica do continente. Na década de 90 foi a vez dos Movimentos Eclesiais espalharem-se rapidamente por todo o continente.

Pe. Mosconi fala de coisas que num passado mais remoto não aconteciam. Hoje, já se pode participar de celebrações animadas. Há agentes de pastoral dedicados e capacitados. Há esforço significativo para realizar uma pastoral orgânica e de conjunto.

Mas, pergunta ele, está tudo cem por cento? E responde: Não, também há falhas. Das muitas elencadas por ele, Em Dia com a Igreja destaca 10 (de a a j) de cada um dos dois blocos em que ele divide seu trabalho:

01. FATOS DA PASTORAL ATUAL: Ao longo de sua análise, lembra que há separação entre atividade pastoral e vida das pessoas, as quais têm anseios, buscas, dificuldades e sonhos; que há pessoas que se sentem na pastoral mais objeto do que sujeito; que há pouca pastoral social, separada da pastoral de conjunto, atendo-se apenas a situações de emergência.

Falhas:
Fragmentariedade e ativismo. Há paróquias com muitas atividades pastorais, mas sem projeto pastoral claro e cativante, capaz de articular e orientar todo o trabalho. Faz-se aqui uma pastoral imediatista, fragmentária, ¨tapa buracos¨. Quando há projeto, frequentemente não está na linha transformadora do Evangelho.

Repetitividade. Muitas agendas pastorais estão sobrecarregadas desde o início do ano (Campanha da Fraternidade, Quaresma, mês de maio, mês vocacional, mês bíblico, mês missionário, Advento, novenas, festas, reuniões). Há aqui muito de repetitivo, de falta de criatividade.

De tudo um pouco. Certas paróquias parecem supermercados, onde se pode encontrar todo tipo de produtos religiosos. Corre-se o risco de consumismo religioso.

Agitação e superficialidade. Cria-se ambiente de permanente corre-corre, em que há muito barulho e pouca escuta – também nas celebrações.

Legalismo. Em certos ambientes pastorais há clima frio, sem vida, com tudo sob o controle de alguns, tendo-se normas para tudo.

Caminhos contraditórios. Paróquias vizinhas – e, em alguns casos, até a mesma – com opções pastorais opostas, provocando tensões e conflitos.

Uniformidade. Adota-se mais a uniformidade do que o pluralismo, mais a dispersão do que a comunhão, mais o autoritarismo do que a participação, mais pessoas ¨tarefeiras¨ do que criativas.

Pouco discernimento. Nas reuniões e assembléias há pouco espaço para o diálogo sereno, o discernimento, a meditação e a oração silenciosa.

Devocionismo. Promovem-se orações e devoções, com promessas para alcançar prosperidade – quando há muitos pedidos e pouca gratuidade.

Pouca profecia. Há pastorais ingênuas, sem envolvimento consciente com os grandes desafios atuais, tanto no campo eclesial quanto sociopolítico.

02. USO DA BÍBLIA NA PASTORAL ATUAL – Aqui, padre Mosconi tenta constatar como a Bíblia é acolhida, lida e atualizada. Fala que o interesse sobre a Bíblia e os estudos bíblicos avançaram muito. As escolas bíblicas multiplicam-se. A Bíblia está mais presente nas pastorais, nas celebrações, nos grupos de reflexão, nos círculos bíblicos, nas comunidades e nos movimentos.

Falhas:
-Para muitos, a Bíblia continua sendo desconhecida.

-Há tendência de ¨forçar¨ a Bíblia, obrigando-a a dizer o que se quer que diga.

-Ao redor da Bíblia há muita gritaria e pouco silêncio ou escuta.

-Na maior parte das atividades pastorais, a Bíblia é incluída quando sobra tempo, não como critério de discernimento.

-O estudo e a meditação, em continuidade ao Evangelho ao longo do ano litúrgico, não são suficientemente valorizados.

-As leituras bíblicas frequentemente são apressadas, com atualizações ambíguas.

-Lê-se a Bíblia ao pé da letra, sem fazer as distinções entre linguagem e mensagem.

-Às vezes, a Bíblia é usada para dividir e reprimir aspirações, outras vezes para justificar posturas contrárias ao Evangelho.

-Às vezes a Bíblia é apresentada como conjunto de normas e leis, levando a uma leitura legalista e moralista.

-Há o risco da idolatria da Bíblia quando se dá mais importância ao livro do que ao rosto de Deus que a Bíblia revela.


Pe. Valdery
Professor do Instituto de Teologia e Pastoral (ISTEP) e Pároco de Cruz.