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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Comunidades Eclesiais de Base da Diocese de Macapá

Reunidos com o nosso Bispo Dom Pedro e nossos párocos, no vigésimo oitavo encontro diocesano das Comunidades Eclesiais de Base, em 25/11/12, nós cristãos e cristãs, chamados a ser testemunhas do Cristo Rei da paz e da verdade, queremos levar ao conhecimento de todos e de todas os clamores de sofrimento que saem da vida de nossas comunidades.
Milhares de famílias dos municípios de Vitória do Jarí, de Laranjal do Jarí e de Almeirim estão sofrendo pela próxima perda de seus empregos por causa da empresa Jarí Celulose que pretende suspender, por longo tempo, as atividades da fábrica de celulose. Circula, inclusive, a informação da venda da empresa para a International Paper que, em caso afirmativo, deveria ser chamada para dizer quais as suas intenções. Esta violência vai provocar efeitos negativos em quase todas as comunidades do lugar, atingindo também os milhares de empregos indiretos que estão ligados a este empreendimento. Grande é, também, a preocupação com as conseqüências sociais e ambientais da construção da barragem Santo Antônio.
As comunidades das Ilhas de Afuá e de Gurupá, assistidas pela nossa diocese, estão clamando pela violência que vem se alastrando na região, sem que o Estado faça o mínimo necessário para detê-la. São desmatamentos ilegais em projetos de assentamento, assassinatos, assaltos, tráfico de drogas e de pessoas, exploração sexual de menores que vêm se multiplicando nestas terras que parecem ser terras de ninguém. Criminosos e foragidos do Amapá se escondem com facilidade nesta região, provocando mais insegurança e muita dor. O Amapá não tem jurisdição, o Pará está longe demais e neste vácuo de poder, a criminalidade cresce.
Em seis município do Amapá, dezenas de famílias de posseiros estão sendo despejadas de suas terras por ações judiciais promovidas pela AMCEL, depois que a mesma passou a ser de propriedade das empresas japonesas Marubeni Corporation e Nippon Paper que desrespeitaram os acordos firmados com as comunidades pelas administrações anteriores e se valendo, em vários casos, de matrículas irregulares, quando não claramente ilegais. Muitas famílias estavam nas terras, antes delas serem da AMCEL.
As comunidades dos municípios de Pedra Branca do Amapari e de Serra do Navio estão sentindo a dor provocada pelas atividades e os interesses das mineradoras que, além das agressões ao meio ambiente, estão atrasando os repasses das compensações estabelecidas, deixando as comunidades desprotegidas, vítimas do aumento descontrolado da população e de todos os seus efeitos negativos na saúde, na educação e na segurança pública.
A mesma situação vive a população dos municípios de Ferreira Gomes e de Porto Grande, cujas comunidades já encaminharam aos órgãos públicos um abaixo assinado manifestando sua preocupação por causa da construção das várias barragens previstas no Rio Araguari. As comunidades do Baixo Araguari estão sofrendo por causa de uma descontrolada criação de búfalos que está provocando o assoreamento do rio e a salinização de vastas áreas.
As comunidades de Oiapoque sofrem os efeitos negativos provocados pelo tráfico internacional de pessoas, de drogas e de armas. A violência e a insegurança reinam na cidade e nas comunidades próximas.
As comunidades das cidades de Macapá e de Santana clamam por causa do crescente desemprego, pela precariedade na saúde e pelo abandono de grandes áreas das periferias e das baixadas, onde as famílias vivem na insegurança e no medo que prejudica a vida das pessoas e até as atividades religiosas das comunidades.
Em nome de Cristo, único e verdadeiro Rei da paz e da justiça, nós Comunidades Eclesiais de Base da Diocese de Macapá, afirmamos nossa solidariedade fraterna às vítimas desta violência e nos comprometemos a denunciar e a lutar com coragem e firmeza, contra todas as formas de injustiça, sobretudo, contra a inoperância, a omissão e, em alguns casos, até a conivência dos poderes públicos. Que o exemplo do profeta Elias, que meditamos neste encontro, nos inspire e fortaleça.
Que o Espírito Santo difunda sobre nós os seus dons para que possamos dar conta deste compromisso.
Os participantes do 28º encontro diocesano das Comunidades Eclesiais de Base.

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