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sábado, 17 de março de 2012

"Estado tem a bandeira da morte" Arcebispo de Vitória cobra das autoridades ações para diminuir os índices de violência

O arcebispo de Vitória, dom Luiz Mancilha Vilela, comentou ontem os últimos casos de violência no Espírito Santo e afirmou que o Estado exibe uma "bandeira da morte". Ele cobrou ações das autoridades e vontade política para diminuir a criminalidade.

Sua indignação é um reflexo dos três casos de assaltos em que pessoas foram baleadas, duas delas mortas, em menos de uma semana na Grande Vitória, entre outros crimes.

"Eu tenho um grande receio que isso vire uma cultura, a cultura da violência, a cultura da morte. Que vergonha! Um Estado chamado Espírito Santo em vez de ter uma bandeira da paz tem uma bandeira da morte. Isso é uma vergonha para todos nós e requer das autoridades uma política e vontade política para proteger o nosso povo", criticou, em entrevista à CBN Vitória.

Dom Luiz também frisou a importância das famílias para conter a violência. "Nossas famílias não estão ensinando valores. Esses que estão batendo, que estão matando, saem de alguma família. Isso é motivo de preocupação para a igreja e para nós como cidadãos. Sou solidário às famílias sofredoras. Que esses imprudentes possam, com o sofrimento, criar vergonha, se arrepender e começar uma nova vida de respeito ao ser humano".
foto: Edson Chagas
Dom Luiz mancilha (centro), arcebispo de VitÃ?ria, entre seus os futuros bispos auxiliares Joaquim Wladimir Lopes (sem Ã?culos) e Rubens Sevilha (com Ã?culos) - Editoria: Cidade - Foto: Edson Chagas
Dom Luiz (centro) apresentou os bispos auxiliares dom Sevilha e dom Wladimir

Novos bispos

As declarações de Dom Luiz Mancilha aconteceram durante a apresentação dos dois novos bispos auxiliares da Arquidiocese de Vitória. Há cerca de um ano o arcebispo atuava sozinho, mas agora ganhou reforço. Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias e o Monsenhor Rubens Sevilha foram nomeados bispos pelo papa Bento XVI, em dezembro do ano passado. Eles passarão a atuar em Vitória a partir da próxima segunda-feira.

"Nós somos 1,8 milhão de habitantes na Arquidiocese de Vitória, que está dividida em seis áreas pastorais. São 1.024 comunidades eclesiais de base. Cada bispo ficará responsável por uma área com cerca de 800 mil habitantes, a maioria católica. Para um bispo só, é muito pesado", explica dom Luiz.

Dom Wladimir já foi sagrado bispo em Jundiaí, onde atuava anteriormente. Já a sagração de dom Sevilha será realizada em Vitória no próximo domingo. Uma celebração como essa não é realizada em Vitória desde 1984, quando Dom Geraldo Lyrio Rocha foi sagrado bispo.

Mudanças


Dom Sevilha está preparado para uma mudança de vida. "Sou um frade carmelita descalço há 40 anos no Carmelo. Todo esse tempo em um regime de vida interno e agora muda tudo, a maneira de trabalhar e o local de viver".

Contente com a nova missão, dom Wladimir já se sente acolhido. "Chego com o coração aberto para acolher todos os padres, que são os primeiros colaboradores dos bispos, os leigos e todos nas comunidades eclesiais de base".

Os dois bispos serão apresentados aos fiéis em uma cerimônia, às 8h15 de amanhã, na Catedral Metropolitana de Vitória, na Cidade Alta.

Secretário de Segurança concorda com crítica de D. Luiz

O secretário de Segurança, Henrique Herkenhoff, disse ontem que "concorda plenamente" com o que disse arcebispo dom Luiz Mancilha à Rádio CBN Vitória. Para ele, a questão da Segurança Pública passa pelo fortalecimento da família e pela valorização da vida.

"O Estado tem investido no fortalecimento das instituições de segurança com várias ações como o Programa Estado Presente, que representa o resgate da dignidade de milhares de famílias, levando mais infraestrutura, ampliando o acesso a serviços básicos e também oferecendo atividades de cultura, esporte e lazer", diz Herkenhoff, para quem a declaração de dom Luiz Mancilha está alinhada com o discurso e a prática do atual governo.

E o secretário aproveitou para fazer um apelo às famílias para que olhem para seus filhos. "Dediquem atenção, dialoguem e construam uma relação de confiança com eles, assim como o Estado tem procurado fazer desde o início da gestão do governador Renato Casagrande". (Claudia Feliz)

Fonte: Gazeta online

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