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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Guardião do "transitus Domini" - trabalhou tb na Reabilitação Histórico-Eclesial do Padre Cícero, da Diocese do Crato, CE.

A comunidade católica de Natal foi surpreendida, na manhã de 13.12.2011, portanto, há um mês, com a notícia da morte do Monsenhor FRANCISCO DE ASSIS PEREIRA, aos 76 anos.

Natural de Santa Cruz, RN, Monsenhor Assis nasceu em 12.4.1935. Foi ordenado sacerdote em 13.4.1958; recebeu o Título de Monsenhor, Capelão do Santo Padre, concedido pelo Papa João Paulo II, em 1991. Em 1.6.1994 a Santa Sé o confirmou Postulador, junto à Congregação das Causas dos Santos, no Vaticano. Além de Vigário, Capelão e estreito colaborador do Arcebispado de Natal em diversas e significativas funções eclesiais, foi professor, pesquisador, escritor, arquivista e compositor sacro. Um Sacerdote que rezou, estudou, advertiu, confessou, perdoou, provocou confrontos, pediu perdão - como costumava dizer: tenho o pavio muito curto. Contudo, um Mestre de gerações.

Entregou sua vida a serviço da Igreja e da tutela daquilo que ela produziu em sua missão. Era cuidadoso em conservar a memória da ação pastoral da Arquidiocese de Natal. Tinha sempre presente que na mens da Igreja os arquivos são lugares da memória das comunidades cristãs e promotores de cultura para a nova evangelização (Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja, A Função Pastoral dos Arquivos Eclesiásticos, Vaticano, 2.2.1997, p. 5). Se algumas características de sua fisionomia nos surpreendem, temos de pensar em seu caráter profundamente religioso e dedicado ao resgate histórico do transitus Domini (passagem do Senhor na expressão de Paulo VI) em Terras Potiguares. Quem se dedica a ter o culto dos pedaços de papéis, dos documentos, dos arquivos, dos testemunhos de vidas, quer dizer, por repercussão, ter o culto de Cristo e o sentido da Igreja. ( Alocução aos Arquivistas Eclesiásticos, 26.9.1963).

Assim, Monsenhor Assis, compreendia e tratava as fontes históricas, como laços que ligam a Igreja numa ininterrupta continuidade. Enfim são partes da mensagem de Jesus, que passa pelos escritos da primeira comunidade apostólica e de todas as comunidades eclesiais, chegando até nós num proliferar de imagens que documentam o processo de evangelização de cada Igreja Particular e de toda a Igreja (A Função Pastoral dos Arquivos Eclesiásticos, Vaticano, 2.2.1997, p. 6).

Seu ministério foi fecundo, tornou-se uma figura das mais preparadas e solicitadas que a Arquidiocese de Natal já conheceu. No Seminário São Pedro além de Professor foi também Vice-Reitor (1962-1964). Na UFRN participou da implantação do Curso de Filosofia, do qual foi Coordenador (1982-1984) e Professor. Como Postulador trabalhou no Processo de Beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçú da Arquidiocese de Natal, de D. Frei Vital e de Dom Francisco Expedito, da Arquidiocese de Olinda e Recife, do Padre Ibiapina, da Diocese de Guarabira, do Padre João Maria e do Cônego Monte, ambos da Arquidiocese de Natal, e na Reabilitação Histórico-Eclesial do Padre Cícero, da Diocese do Crato, CE.

Sua trajetória culmina como Sócio Efetivo da Academia Brasileira de Hagiologia e do Instituto Histórico e Geográfico do RN. Sua abnegação transparecia especialmente no modo como cumpria seus deveres, carregando em seu coração os sinais históricos das gerações que nos precederam no sinal da única fé. Eis o Guardião do "transitus Domini" em Terras Potiguares.

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