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quarta-feira, 20 de julho de 2011

5ª Romaria dos Martires da Caminhada - II




Nos dias 16 e 17 de julho, cerca de 80 pessoas de nossa diocese, São José dos Campos-SP, participaram da 5ª Romaria dos Mártires, que aconteceu em Ribeirão Cascalheira, Prelazia de São Félix do Araguaia (MT).

A Romaria dos Mártires, cujo tema foi “Testemunhas do Reino”, realizada a cada cinco anos, reuniu cerca de 5 mil pessoas do Brasil e exterior e celebrou os 40 anos da Prelazia de São Félix do Araguaia.

Entre ida e volta percorremos cerca de 3200km, sendo umas 54horas de viagem e passamos por quatro estados para participarmos umas poucas horas lá.

Não houve quem não foi tocado por algum sentimento! É uma peregrinação que todos/as da base deveriam fazer ao menos uma vez na vida... Uma mística simples, mas tão forte que nos transforma! Não há como não ser tocado pela experiência!

Muito já foi escrito sobre a V Romaria dos Mártires, queremos registrar aqui, que nós da Irmandade dos Martires da Caminhada LatinoAmericana de Jacareí, vivemos uma imensa experiencia de amor, a jornada nos levou a nos conhecermos melhor, a fortalecer os laços de amizade, levou aos participantes assumirem compromisso com a Agenda Latino Americana, pois nem todos/as pertencem a Irmandade, poderão vir a pertencer!


Transcrição livre da mensagem de dom Pedro Casaldáliga ao final da celebração de 17 de julho de 2011, na Romaria dos Mártires da Caminhada, cidade de Ribeirão Cascalheira, MT, Prelazia de São Félix do Araguaia.

"Possivelmente seja essa, para mim, a última romaria pé no chão. A outra já seria contando estrelas no seio do Pai. De todo modo, seja a última seja a penúltima, eu quero dar uns conselhos. Velho caduco tem direito de dar conselhos...

E a memória dos mártires, o sangue dos mártires, mais do que um conselho, [é] compromisso que conjuntamente assumimos, ou reassumimos. São Paulo, depois de tantos dogmas que anuncia, tantas brigas teológicas, tantas intrigas por cultura, dá um conselho único: 'o que eu peço de vocês [é] que não esqueçam dos pobres; o que eu peço de vocês [é] que não esqueçam a opção pelos pobres, essencial ao Evangelho, à Igreja de Jesus'. A opção pelos pobres. E esses pobres se concretizam nos povos indígenas, no povo negro, na mulher marginalizada, nos sem-terra, nos prisioneiros..., nos muitos filhos e filhas de Deus proibidos de viver com dignidade e com liberdade.

Eu peço também para vocês que não esqueçam do sangue dos mártires. Tem gente, na própria Igreja, que acha que chega de falar de mártires. O dia que chegar de falar de mártires deveríamos apagar o Novo Testamento, fechar o rosto de Jesus.

Assumam a Romaria dos Mártires, multipliquem a Romaria dos Mártires, sempre, recordemos bem, assumindo as causas dos mártires. Pelas causas pelas quais morreram, nós vamos dedicar, vamos doar, e se for preciso morrer, a nossa própria vida também...

E ainda uma palavra: há muita amargura, há muita decepção, há muito cansaço... Isso é heresia! Isso é pecado! Nós somos o povo da esperança, o povo da Páscoa. O outro mundo possível somos nós! A outra Igreja possível somos nós! Devemos fazer questão de vivermos todos cutucando, agitando, comprometendo. Como se cada um de nós fosse uma célula-mãe espalhando vida, provocando vida.

A Igreja da libertação está viva ressuscitada porque é a Igreja de Jesus. A teologia da libertação, a espiritualidade da libertação, a liturgia da libertação, a vida eclesial da libertação não é nada de fora, é algo mui de dentro, do próprio mistério pascal, que é o mistério da vida de Jesus, que é o mistério das nossas vidas.

Para todos vocês, todas vocês, um abraço imenso, de muito carinho, de muita ternura, de um grito de esperança, esse cantar viva a esperança que seja uma razão... Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança. Vamos repetir: 'Podem nos tirar tudo, menos a via da esperança!'.

Um grande abraço para vocês, para as suas comunidades, e a caminhada continua! Amém, Axé, Awere, Saúde, Aleluia!"


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