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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

47ª Caravana da Anistia rememora perseguição à igreja durante ditadura


Na foto: Os 70 anos de Pe.Comblin, comerado com Dom Helder

Na próxima sexta-feira (26), São Paulo receberá a 47ª edição da Caravana da Anistia. A iniciativa, surgida em 2008 para dar mais transparência à análise dos processos de anistiados políticos perseguidos durante a ditadura brasileira, elegeu para esta edição apreciar o requerimento de anistia do padre Joseph Comblin.

A caravana, que será realizada a partir das 14 horas, no auditório do Instituto Sedes Sapientiae, será realizada também com o intuito de prestar homenagens ao Cardeal Emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, e à fundadora do Instituto Sedes Sapientiae, Madre Cristina. Ambos marcaram a história por sua postura de luta e liderança religiosa antes, durante e depois da ditadura no Brasil.

De acordo com Sueli Bellato, secretária-geral adjunta da Comissão Brasileira de Justiça e Paz/CNBB, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça julga pedidos de anistia política em Brasília (DF), contudo, para tentar dialogar com os jovens, foi criada em 2008 a Caravana da Anistia, que julga os processos nos locais onde os direitos foram violados.

Até o momento, uma média de 15 a 17 mil processos já foram julgados durante as Caravanas realizadas em 18 estados brasileiros. Apenas em Brasília, cerca de 50 mil já foram julgados.

"Entre os processos recebidos, alguns que possam gerar debate são escolhidos para que possamos conversar com a juventude durante a Caravana da Anistia, que tem uma importância pedagógica. Nesta 47ª edição falaremos sobre como a igreja foi perseguida por defender os direitos humanos. Para isto, foram escolhidas duas figuras emblemáticas, que são Dom Paulo Evaristo Arns e Madre Cristina", disse.

Bellato também destacou a importância da apreciação do requerimento de anistia do padre Joseph Comblin. "O que acontece durante a Caravana da Anistia é um resgate da verdade. No caso de Comblin, o religioso foi tido como nocivo e banido do Brasil sem qualquer explicação. Devemos muito a ele".

Durante esta Caravana será feito o julgamento do processo do padre. Caso haja o reconhecimento de que houve perseguição, o Estado brasileiro precisará apresentar desculpas públicas ao religioso. No caso de ser comprovado também vínculo laboral do padre Comblin no Brasil, o sacerdote poderá receber uma reparação econômica por seu afastamento compulsório do país.

A Caravana é uma iniciativa do Ministério da Justiça em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) e apoiada por organizações como o Instituto Sedes Sapientiae, Comissão de Justiça e Paz, Grupo Tortura Nunca Mais/SP, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana/SP, Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Memorial da Resistência de São Paulo, Núcleo de Preservação da Memória Política, entre outros.

Resgate histórico

Em 1970, os confrontos entre igreja e Estado começaram a se acirrar. Prova disso foi que, em março de 1972, durante a Semana Santa, o padre Joseph Comblin, à época assistente de Dom Helder Camara, foi impedido de desembarcar em Recife e obrigado a seguir viagem até o Rio de Janeiro, onde passou um dia inteiro e em seguida foi embarcado para Bruxelas. Antes da partida forçosa, Comblin foi avisado sobre um Decreto que o impedia de desembarcar em qualquer parte do território nacional.

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