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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Carta da 3ª ampliada nacional às CEBs do Brasil






Carta da 3ª ampliada nacional às CEBs do Brasil

“De tuas altas moradas irrigas os montes, com os frutos das tuas obras sacias a terra. Fazes colocar o feno para o gado e a erva útil ao ser humano, para que tire da terra o seu pão.” (Salmo 104)

A Arquidiocese de Porto Velho – RO tornou-se, mais uma vez, o berço de acolhida da 3ª Ampliada das CEBs, em preparação para o 12º Intereclesial, nos dias 18 a 20 de janeiro. Viemos dos 17 regionais de todo o Brasil, trazendo em nossa bagagem as dores, as preocupações, os sonhos e as esperanças dos pobres deste país que constroem, através da resistência e da teimosia, a sociedade ecologicamente sustentável.
Muito nos alegrou a calorosa acolhida no CAP (Centro Arquidiocesano de Pastoral), no qual saboreamos as delícias dos frutos desta terra e a farta alimentação preparada com muito carinho. Foram ricos dias de fraterna convivência e criativas celebrações vividas com o Secretariado do 12º Intereclesial, os assessores, as equipes de serviços, leigos e leigas, religiosas, padres, diácono e os bispos presentes na reunião (D. Moacyr Grechi – Arcebispo de Porto Velho – RO; D. Mosé Pontelo – Bispo de Cruzeiro do Sul – AC; D. José Vieira de Lima – Bispo de Cárceres – MT; D. Adriano Ciocca Vasino – Bispo referencial das CEBs pelo Setor Leigos da CNBB; D. Antonio Possamai – Bispo emérito e vice presidente da Comissão para Amazônia).
À luz do tema do 12º Intereclesial, CEBs, Ecologia e Missão e o lema Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia, o professor Ramon Cujuí apresentou-nos a realidade amazônica. Refletimos sobre os projetos de ocupação da Amazônia, desde o ciclo da borracha até a implantação dos grandes projetos, como o agronegócio, a criação de gado, a plantação de soja e cana-de-açúcar até a construção das duas grandes usinas hidrelétricas no Rio Madeira, as usinas de Jirau e Santo Antônio. A Amazônia sempre foi vista como área de fronteira, apresentada ideologicamente como “uma terra sem homens para homens sem terra.” Constatamos que quem sofre os impactos negativos destes modelos econômicos são os indígenas, os ribeirinhos, os seringueiros que se encontram entre os mais pobres dentre os filhos desta terra. Fomos também desafiados e interpelados pelas populações amazônidas que convivem de forma harmoniosa e sustentável com a mais rica biodiversidade do planeta.
Com D. Moacyr Grechi, cheio de vida e de bom humor, tivemos o privilégio de celebrar seus 72 anos de vida, e dele recebemos o testemunho de sua participação na V Conferência do CELAM, em Aparecida. Em sua exposição sobre as CEBs no documento de Aparecida, D. Moacyr afirmou que “finalmente a Igreja da América Latina recuperou o seu rosto”. “As Comunidades Eclesiais de Base demonstram seu compromisso evangelizador e missionário entre os mais simples e afastados, e são expressão visível da opção preferencial pelos pobres. São fonte e semente de variados serviços e ministérios a favor da vida na sociedade e na Igreja.” (DA 179)
Com Aparecida reafirmamos que a paixão pela pessoa de Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, nos mobiliza na luta a favor da vida humana, da natureza, do Planeta e do Universo. A mística evangélica nos convida a contemplar toda a Criação como obra divina.
É oportuno para as CEBs que se preparam para o 12º Intereclesial na região amazônica, perceber a sensibilidade dos nossos bispos ao afirmarem a necessidade de se “criar nas Américas consciência sobre a importância da Amazônia para toda a humanidade. Estabelecer entre as Igrejas locais de diversos países sul-americanos, que estão na bacia amazônica, uma pastoral de conjunto com prioridades, para criar um modelo de desenvolvimento que privilegie os pobres e sirva o bem comum.” (DA 415)
Em nossos trabalhos aprimoramos a preparação do 12º Intereclesial, quanto à sua organização, metodologia e conteúdos e ficamos ainda mais entusiasmados/as com a expectativa de sua realização. Também tratamos da nossa participação no 8º encontro latino-americano de CEBs, a ser realizado em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, em julho deste ano, bem como no 2º encontro do Cone Sul das CEBs, em fevereiro próximo, em Buenos Aires, Argentina.
Com as comunidades de Porto Velho e as famílias acolhedoras das delegações de nossos regionais, estabelecemos os primeiros contatos de profunda convivência que nos permitiu desfrutar, de forma antecipada, o calor humano de nossa hospedagem.
Nesse tempo em que todos e todas somos convocados a nos fazermos discípulos e discípulas, missionários e missionárias de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida, reafirmamos nossa convicção de que as CEBs continuam sendo o lugar indispensável e privilegiado para a vivência desse projeto.
Com a Igreja de Porto Velho, acreditamos que “Jesus ouviu o clamor do seu povo e armou sua tenda na Amazônia.”

Porto Velho - RO, 20 de janeiro de 2008.

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