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sábado, 24 de novembro de 2012

CEBs - Carta do III Oestão - Dourados - MS



    

   CARTA DAS CEBS AO POVO DE DEUS
                                                          III OESTÃO, DOURADOS (MS)

                                           “CEBs: JUSTIÇA E PROFECIA A SERVIÇO DA VIDA”

“Não são os grandes planos que dão certos, mas os pequenos detalhes” (Pe. Cícero)

  Nós, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), num total de 347 ( trezentos e quarenta e sete) pessoas, entre elas leigas, leigos, religiosas, religiosos e alguns padres, pessoas vindas dos estados: Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estivemos reunidas/os no III Oestão em Dourados-MS nos dias 15 a 18 de novembro de 2012.
O encontro foi enriquecido com a presença de índias/os, afro-descendentes, trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade, juventude e crianças. Partilhamos nossas lutas, sonhos e esperanças.
              No  primeiro dia tivemos a presença do bispo de Dourados, Dom Redovino, que confirmou e valorizou nossa vocação de Igreja viva presente na sociedade. Assim, ele reafirmou o nosso compromisso de comunidades cristãs a serviço das pessoas excluídas da sociedade, algo  que já celebramos na mística de abertura, cheia de unção e alegria. Em seguida, Pe. Adriano fez uma breve memória histórica dos encontros chamados o “Oestão” que ajudaram reviver momentos fortes de recordações em preparação aos Intereclesiais das CEBs.
No segundo dia, na metodologia das CEBs, aprofundamos o VER da nossa realidade. Depois de uma rica celebração orante,  agradecendo os 25 anos de CEBs no Mato Grosso, Pe. Benedito Ferraro, nosso assessor, resgatou a identidade das CEBs na nossa história e nos Intereclesiais. Seguidamente Flávio Vicente Machado do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) abordou os vários tipos de realidades e violações dos direitos indígenas. Vivenciar estes fatos foi um dos pontos altos do encontro, que nos ofereceu um maior conhecimento da questão indígena no Brasil e principalmente no Mato Grosso do Sul.  A presença dos índios Kaiowá Guarani e Terenas com seus depoimentos confirmou  em nós uma atitude de indignação contra o capitalismo que fortalece o agronegócio e a injustiça, ceifando muitas vidas.
À tarde tivemos um rico painel que nos convidou a uma reflexão sobre a ligação fé e vida nos temas indígenas, quilombolas, economia solidaria, ecologia, terra, política, juventude e mulher.
Na continuação aprofundamos em 20 grupos e cinco mini-plenárias os assuntos: JUSTIÇA, PROFECIA, SERVIÇO, VIDA E ROMARIA. Concluímos com uma grande plenária e uma síntese de nosso assessor que nos indicou a leitura do Documento de Aparecida nos números 365 a 367 para refletir sobre nossa conversão pessoal e no número 385 sobre nossa conversão social.
O início do terceiro dia foi marcado pela celebração da Paz como suplica a Deus para nossos povos, pais e mães do Brasil e para o mundo todo. Aprofundamos nosso JULGAR a partir do Documento da 5ª Semana Social Brasileira, ressaltando os valores da Sociedade do Bem Viver e Pertencimento, enriquecido pelos depoimentos dos nossos irmãos índios, o cacique Valério Vera Gonçalves e Oriel Benites e o negro Pedro Batista Nery.  Partilhamos ainda a reflexão teológica sobre o “Reino de Deus”, conduzida pelo Pe. Gabriel e sobre os Direitos Humanos com a assessoria do professor Robson Santos, membro da Igreja Batista, que nos levaram a discutir,  nos grupos, pistas concretas de AGIR nas diversas áreas: luta sindical, economia solidária, política, ecologia, organização das CEBs, indígenas, mulher e juventude.
À tarde, depois da partilha das nossas reações na fila do povo e  diante da riqueza destes dias,  fomos novamente aos grupos para sinalizar dois compromissos a partir de diversos assuntos refletidos.
Na Romaria dos Mártires rumo a Paróquia Santa Terezinha, assumimos nosso compromisso com a VIDA, como supremo valor da nossa fé. Lembramos e fizemos memória de nossas/os mártires que derramaram seu sangue por amor ao Reino de Deus. Celebramos a Eucaristia, irmanadas/os na fé e na luta por um mundo novo. A partilha do alimento e a festa confirmaram nosso compromisso com o amor e a vida.
No ultimo dia, a nossa celebração e a síntese do vivido e refletido neste encontro, nos deram forças para voltar às nossas famílias e comunidades, cheias/os de entusiasmo de continuar a caminhada das CEBs, este nosso jeito de ser Igreja. Finalmente, o Pe. Vileci, coordenador do 13º grande Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base do Brasil, a ser realizado em janeiro de 2014 em Juazeiro do Norte-CE, fez uma bela reflexão sobre a mística da/o romeira/o.
Saímos do nosso encontro, ungidas/as com o óleo e fortalecidas/os pela palavra “Faço de você uma luz para as nações!”. Fazemos nossas as palavras de nossas/os irmãs/ãos da Amazônia:
As CEBs constituem-se em família das famílias, onde todos se conhecem e querem bem, mas são também centro de oração e meditação da Palavra de Deus, para nutrir a mística profunda da vivência na proximidade de Deus” (Igreja na Amazônia – Memória e compromisso – Conclusões do encontro de Santarém 2012 – página 31).

                Este é nosso compromisso de vida como CEBs!
 
              Amém, Axé, Awere, Aleluia.

                                                                                                   Participantes do III Oestão
      
                                                                                                   Dourados-MS, 18 de novembro de 2012

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