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sexta-feira, 13 de julho de 2012

A vida missionária das CEBs


Em diversos aspectos, o Brasil está “bem na foto”. Porém,
em outros há quadros e cenários preocupantes, marcados por
profundas crises e contradições. Somos um país rico, mas ainda
muito injusto, desigual, depredador e doente. Relatório da ONU,
divulgado em julho de 2010, aponta o nosso país como o 3º pior
índice de desigualdade no mundo. Aqui os 10% mais ricos concentram
50,6% da renda e os 10% mais pobres ficam com apenas
0,8% da riqueza nacional.

No campo e na cidade, as encarnações da pobreza e da miséria
se associam à violência, à insegurança, às doenças e a diversos
outros riscos e vulnerabilidades. Já a materialização da riqueza
alia-se ao consumismo, ao individualismo, à destruição do meio
ambiente etc. Por conta dessa lógica de comportamento, em
2008 conquistamos o triste título de campeões mundiais no uso
de agrotóxicos. E o que é pior: A poluição e o envenenamento
dos corpos, das mentes, dos corações, dos sonhos e das utopias
quase sempre são apresentados como sinônimos de modernidade
e desenvolvimento.

Nesse contexto, as CEBs enfrentam desafios cada vez mais
complexos. Sua trajetória testemunha um jeito de ser Igreja como
ambiente de fé cristã e instrumento de luta em favor da justiça e da
dignidade humana.

O 13º encontro – em nível nacional – a ser realizado
em janeiro de 2014, em Crato/CE reafirma esse compromisso
ao debater o tema Justiça e profecia a serviço da vida.

O Documento de Aparecida (nº 178) ressalta que as CEBs “têm ajudado a formar
cristãos comprometidos com sua fé, discípulos e missionários do
Senhor, como o testemunha a entrega generosa, até derramar o
sangue, de muitos de seus membros. Elas abraçam a experiência
das primeiras comunidades, como estão descritas nos Atos dos
Apóstolos (At 2, 42-47).”

As Comunidades Eclesiais de Base são desafiadas a assumirem
com todo o fervor sua vocação missionária. Significa dizer que
necessitam fortalecer sua espiritualidade libertadora, solidária e
profética, sabedoras de que o segredo da libertação é a partilha
e a vivência comunitária.

As CEBs precisam ser cada vez mais comunidades
eclesias baseadas na democracia, na valorização das
diferenças e na luta pela igualdade de direitos. Não basta afirmar
que “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e
direitos” (art. 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos).
Cabe empenharem-se a fim de garantir condições reais para que
a igualdade, a justiça e a equidade se estabeleçam.

Em seu desejo de serem verdadeiramente missionárias, as CEBs
precisam aprimorar ainda mais a organização dos pobres e excluídos
em comunidades, grupos, associações, redes... Segue válido
o princípio de que a força aparece quando a fraqueza se organiza.

A articulação da fé viva com a vida de fé nesses tempos de muitos
contratempos deverá fazer com que as comunidades eclesias se
transformem também em comunidades ecológicas e democráticas
de base. Comunidades que praticam o ecumenismo e o diálogo
interreligioso, que valorizam a mulher, que vivem o amor fraterno e
que buscam superar todas as formas de exclusão.

 Enquanto houver desigualdades, injustiças, agressão à dignidade humana e à natureza,
as CEBs permanecerão atuais, necessárias e indispensáveis na
sua missão fundamental de defender e promover a vida!

Pe. Dirceu Benincá – Diocese de Erechim

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