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terça-feira, 19 de junho de 2012

IX Encontro de CEBs Latino-americano e Caribenho




Iniciou dia 16 em San Pedro Sula, Honduras, o 9º encontro de CEBs latino-americano e caribenho. No primeiro momento, houve uma análise da realidade da América Centra. Destacaram-se alguns pontos em comum entre os países Centro América: desigualdade social, concentração de riqueza, drogas e armas são situações que contribuem para a violência organizada que desemborca em guerras civil. América Central é considerada o corredor da migração das Américas e Honduras o país de maior concentração de armas na região por terem sido base militar dos Estados Unidos. Isso contribuiu para uma delinquência armada geradora de empobrecimento, conflitos sociais e um modelo político autoritário e concentrador, tendo como consequência controle territorial por parte do crime organizado, aumento do fenômeno da migração, aumento da vulnerabilidade, deterioração ambiental e exploração dos recursos naturais; mas também se enfoca no atual período promover investigação na busca de modelos alternativos, destacando a pressão dos movimentos sociais por demandas de poder, debates, buscas e construção de propostas alternativas. Luta-se por uma institucionalidade política e jurídica que ajude a recuperar os espaços públicos e uma sociedade do bem viver com estratégia de não violência.
Frente a esta situação que desafia a nossa América se destacou os seguintes elementos relevantes que marcam este encontro: o Espírito de Jesus que nos guia e nos acompanha nas CEBs, as dificuldades de nossas fronteiras, a diversidade como riqueza, a defesa da vida ameaçada, a complexidade do mundo em que vivemos, perguntas pelas raízes da violência, dois modelos de Igreja, o trabalho com os jovens na opção política. Sete grupos de estudo ajudaram a dar um panorama da realidade da América Latina na dimensão político, econômico, social, educação, ecologia, pluralismo religioso e eclesial. Frente aos aspectos relevantes apresentados destacou-se que devemos está atento ao sistema ECOBIOPOLÍTICO como fluxo de vida donde se define o alimento com a presença de três elementos necessários agua, ar e energia.
O pão de cada dia é resultado da relação corpo e terra que dimensiona a presença de uma população e um território gerando trabalho que por sua vez dar sentido a uma comunidade. Isto nos proporciona uma sintonia muito forte com a eucaristia e nos faz compreender que se não há pão não há comunidade e sem território não somos nada. Portanto, a luta ecológica se iguala a economia que tem o mesmo significado de cuidar da casa. Esta desatenção ecológica tem gerado crises nos diversos setores políticos, econômicos, ecológico e social. E que na América Latina fez gerar novos processos políticos no Brasil, Chile, Equador, Bolívia, Paraguai, Argentina e Venezuela. Observam-se, neste novo processo político, que os países mais impactados pelas crises são os da América Central, próximos aos Estados Unidos e os menos impactados são os da América do Sul.
Frente a estas questões são ameaças para as CEBs do continente a perca da identidade e a indiferença da Igreja hierárquica a estas causas. Resta às comunidades reafirmar-se no modelo de Jesus a partir da experiência das primeiras comunidades cristãs, se articularem com outras religiões, culturas e movimentos populares na defesa dos direitos da terra, direitos sociais e ecológicos. Mas, também, não se pode duvidar da mensagem dos bispos que se sentem unidos as CEBs e entendermos a ecologia como um grito da terra que expressa o grito dos pobres; e que o homem é uma expressão da crise ecológica e civilizatória; que a água é um recurso vital, valor simbólico que expressa a nossa sede de justiça, amor e paz. O desafio maior para as comunidades é resgatar a eucaristia da cultura do pão, devido está em jogo o atual modelo econômico e excludente. Mas ainda resta a esperança de que outro mundo é possível, outra Igreja é possível. Pois, as raízes de uma nova eclesiologia que brota do Vaticano II aponta para um novo kairós, um novo paradigma de uma Igreja apostólica, servidora, profética e missionária do Reino.
A assembleia frisou bem as conclusões do relançamento das CEBs na América Latina que, nestes quatros anos, fortaleceu a formação, a articulação, a missão, a presença dos jovens, os movimentos sociais e a luta pela questão ecológica que nos últimos anos tem sido causa de martírio nesta América sofrida. No Brasil, foram lembrados os mártires da ecologia: Chico Mendes, Irmã Dourath, o casal José Claudio e Maria do Pará, Zé Maria do Ceará. A assembleia prossegue até o dia 21 na busca de afirmação de compromisso frente às diferentes lutas iluminada pela reflexão bíblico-teológica. Estão presentes na assembleia cerca de 200 delegados vindos das seguintes regiões: Brasil; Cone Sul – Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai; Andina – Equador, Colômbia e Bolívia; Caribe – Venezuela, República Dominicana e Haiti; Centro América – Panamá, Nicarágua, Guatemala, El Salvador e Honduras; Norte – México e Estados Unidos; e uma representante das Filipinas. Destacamos que o relançamento no Brasil se deu com o documento 92 da CNBB que veio ajudar na revitalização e fortalecimento das CEBs através dos encontros das grandes regiões, encontros regionais e diocesanos, rumo ao 13º Intereclesial. Assembleia em Honduras está sendo uma riqueza pela sua diversidade cultural, a presença de representantes das comunidades indígenas e afro americanas. Destacamos a festa da noite cultural do dia 18, como um momento de partilhar e nutrir nossas raízes e identidade latino-americana.
Pe. Vileci Basílio Vidal – Coord. 13º Intereclesial

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