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sexta-feira, 8 de junho de 2012

A "Internet" - Os cristãos e o mundo alem do proprio nariz - parte 1


 
 
 
 
 
 
 
 
O mundo virtual está presente dentro de nossas casas, nas palmas de nossas mãos e tem o nome de “Internet”. Trata-se de um novo e abrangente espaço de relacionamentos da vida contemporânea, um riquíssimo instrumento da modernização frequentado principalmente pelos jovens, que a cada dia tornam-se mais assíduos e dinâmicos, organizando-se nos grupos virtuais para discutirem os mais variados tipos de assuntos, caracterizados como “a vida inteligente” da grande rede(...) Os incontáveis aspectos da vida moderna são tratados com particularidade pelos internautas. Neste sentido, a religião é, sem dúvidas, um dos assuntos que se destaca entre católicos, evangélicos e ateus. Mas, o que se percebe? Quais as grandes lições captadas deste modelo virtual de relacionamentos no tocante ao anúncio da mensagem do Cristo, Filho de Deus?

As constantes discussões concernentes às religiões na Internet tem revelado que existem leigos bem preparados em alguns grupos, munidos de argumentos sociológicos e teológicos atualizados, contextualizados e ecumênicos. Por outro lado, percebe-se a existência significante de cristãos leigos despreparados, incapazes de estabelecer um diálogo maduro e sadio com pessoas que não comungam do mesmo credo religioso. No embate ideológico, quando faltam argumentos para os “insanos encapuzados, institucionalizados de grupos pastorais e de Igrejas várias”, é por certo que, eles soprem a tradicional e costumeira tempestuosa nuvem, carregada de raios sagrados, para que pairem sobre as cabeças dos contestadores, banhando-os com as incríveis e criativas injúrias de condenações ao imensurável fogo eterno que, ouso considerar, estar aceso apenas na mediocridade da fé destes piedosos, blindados e incontestáveis santos de carteirinha.

Não é normal nos dias de hoje que o cristianismo seja reduzido à insignificância dos muitos descrentes, como também não é justo que ele seja mal defendido e que os seus prediletos defensores desconheçam a mensagem atualizada da fé, tendo que recorrer a mentalidade medieval que absolutamente desconhecia as outras possibilidades de crenças e cultos ao divino. As redes sociais virtuais estão aí, e os que se dispôem a participar de discussões sobre religiões não devem fazer de forma despreparada, preconceituosa ou arrogante. Estas práticas apenas desqualificam o debate, além de contribuir generosamente com o descrédito e com a estigmatização de uma crença milenar que teve muitos acertos e muitos erros no percurso de toda história (e continua não sendo diferente!).

O contato dos jovens cristãos com a vida imensa além do próprio nariz não deve ser discutida pelo viés da infantilidade, pois o que se revela no complexo mundo virtual contrapõe absolutamente as verdades de fé, de forma madura e adulta, salvos os exageros que também surgem, e mesmo estes, muitas vezes , conseguem ser mais convincentes que o ‘troca- troca de versinhos’, tipo:

“Jesus é amor, por isso convertam-se!

“Quem não tem religião não se salva!”, outro vem e diz:

“Ele é o dono da minha vida!” - um terceiro completa:

“Que bom é ter Jesus na nossa vida!” e aí o outro vem e fecha o troca-troca de figurinhas virtuais:

“Oh Glória, irmãos! Aleluia!”, é a famosa fé abobalhada em ação, que não serve pra nada, não defende nada, não evangeliza ninguém, apenas serve para engrossar o rol das inúmeras ironias e piadas, e mostrar o que existe de mais fraco nas religiões que é a alienação, o fanatismo e uma certa radicalidade sem razão, desequilibrada e abestalhada.

Existem ricos materiais de formação que estão disponíveis aos cristãos, inclusive os doutrinais, no entanto, o conceito de formação em algumas mídias religiosas trata de monopolizar e apresentar o conteúdo mais fraco na matéria de fé, e sendo assim, justifica-se as asneiras dos cristãos no mundo dos descrentes. A fé que os cristãos têm em Deus não deve ser sujeitada a hostilização dos que não acreditam, e isso só se torna possível quando as práticas e as palavras dos crentes são desconexas e ultrapassadas, quando falta coerência na vivência cristã, e quando sobra prepotência e soberba nas relações com o mundo diferente do que criamos de forma egoísta para vivermos.

Definitivamente, o mundo está além dos nossos narizes ideológicos, está impregnado de conhecimentos e verdades alheias às nossas. É obrigação dos cristãos e não-cristãos, entenderem os fatos e estabelecerem um relacionamento de qualidade que seja ecumênico, produtivo e construtivo.

Portanto, saibamos apresentar a nossa fé nas redes sociais com mansidão e humildade, porém, com a prudência de uma serpente , sem, contudo, agirmos como tolos.

Por Carlos Jardel dos Santos - CEBs - Diocese de Tianguá/CE

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