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quinta-feira, 10 de maio de 2012

“Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?”

Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? (Eclesiastes 1, 2-3)
Vivemos momentos difíceis para a classe trabalhadora. A aparente abundância com que a mídia, o governo e o empresariado em geral pregam, esconde a real situação em que vive a classe trabalhadora. Se por um lado temos uma diminuição do índice de desemprego, este ainda está alto, 10,5%, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sociais e Econômicos (Dieese), em números são em torno de 10,5 milhões de trabalhadores.
O índice de trabalhadores informais também é alto, 44%, ou seja, 44,5 milhões de trabalhadores. Isto quer dizer que cerca de 55 milhões de trabalhadores no Brasil estão sem acesso aos direitos trabalhistas. O índice de desemprego cresce ainda mais quando falamos das juventudes, chega a 22,9%.
Outro fator que joga contra a classe trabalhadora é a alta rotatividade no emprego no Brasil: é a mais alta do mundo. Se em 2011 foram criados 20 milhões de empregos, porém, foram 18 milhões demitidos. Com esta arma, o empresariado diminui os direitos trabalhistas e a capacidade de organização dos trabalhadores (hoje os trabalhadores ficam no máximo dois anos numa empresa).
 
O salário-mínimo é ainda um forte referencial para os trabalhadores (47 milhões deles recebem este valor). Apesar dos aumentos conquistados nos últimos anos, ele ainda está muito longe do que prevê a Constituição Federal. Seu valor atual é de R$ 622, enquanto o Dieese prevê o valor de R$ 2.323,21, ou seja, quatro vezes menor do que deveria ser.
Outro agravante é a retirada lenta e sistemática dos direitos trabalhistas. Ressaltamos aqui o veto da presidente Dilma ao aumento dos trabalhadores aposentados. Estes pagam por 30 anos ou mais para ter seus direitos desrespeitados no fim da vida.
As taxas de juros são um caso a parte. Mesmo estando em crise econômica a Comunidade Europeia, paga de 1% a 6% de juros ao ano. No Brasil, a taxa está em 9,75%. Se for taxa bancária, chega a 230% ao ano. Isto dificulta a vida da classe trabalhadora aumentando o preço das mercadorias essenciais. Para as grandes empresas e para microempreendedor individual, há créditos subsidiados, para os trabalhadores e associações de trabalhadores não.
Outro fator são os acidentes de trabalho. As taxas no Brasil ultrapassam os 500 mil acidentados anuais, chegando a 2.500 mortos, uma verdadeira calamidade pública. Além disso, a quantidade de doenças ocupacionais continuam aumentando no país, fruto do excesso e precarização do trabalho.
Mas nem tudo é desalento, percebemos um avanço na organização da classe trabalhadora, frente a toda esta situação. Vemos um aumento das greves e outras formas de organização exigindo melhores condições de salários e trabalho.
Os movimentos sociais aos poucos começam a se agruparem e buscam pontos em comum em suas lutas. O nível de conscientização aumenta dia a dia, ainda que de forma lenta. Estas ações ligadas a outras que já se fazem vivas, nos dá a certeza que no horizonte a luta pela vida ainda está forte.
Assim, nós, da Pastoral Operária, chamamos a todas e todos os trabalhadores formais e informais, desempregados, aposentados e da economia popular solidária a somarmos força no sentido de termos uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, sinal da presença do Reino de Deus aqui na terra, onde a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras esteja acima do lucro de uns poucos.
Vamos trabalhar para viver em vez de viver para trabalhar!
VIVA A CLASSE TRABALHADORA!
 
Fonte: Pastoral Operaria

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