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quinta-feira, 12 de abril de 2012

“O Giro do Divino” traduz fé e devoção

Em São Felix do Araguaia, existem giros, folias e rezas das mais diversas, que são realizadas no decorrer de todo o ano. O Giro do imperador Antônio Ribeiro Arruda acontece anualmente no período de Pentecostes, que pode cair entre maio e junho. Essa festividade veio para Mato Grosso há cerca de sessenta anos, quando a família de Seu Antônio, que já realizava o festejo em Goiás, se mudou para o Estado.

São oito dias de giro nos quais a comunidade reforça seus laços de comunhão, devoção e espiritualidade. Todos se encontram para almoçar, rezar, jantar, dançar na casa de um e de outro. É um ponto de encontro dos jovens, é uma renovação de fé para todos. “Quando chegamos a São Félix do Araguaia – em maio de 2009 – vindos de São Paulo, eu e o Alexandre Lemos percebemos um movimento diferente na cidade. Um rufar de tambores cruzava as ruas e as casas se abriam para receber a bandeira”, relembrou a produtora Maíra Ribeiro.

Foi assim que ambos conheceram o Giro do Divino Espírito Santo. “Conhecemos, acompanhamos, almoçamos,

nos abençoamos e tivemos o desejo de fazer um registro à altura desta manifestação”, afirma a produtora. E assim nasceu o documentário “O Giro do Divino”, fruto da festividade na qual “os foliões contam e cantam sua devoção, mantendo viva uma das mais antigas tradições brasileiras com sua fé e sabedoria”.

O lançamento do documentário acontece em Cuiabá no próximo sábado (14), às 20 h, no Salão Social do Sesc Arsenal, localizado na Rua 13 de Junho, sem número. Vale lembrar que a entrada é gratuita. Em São Félix do Araguaia o lançamento aconteceu no dia sete de abril, na Câmara Municipal.

Interessante observar que ao contrário do que ocorre em outros lugares, aqui o Giro possui o respeito da Igreja Católica local, conhecida pela linha de teologia da libertação, representada principalmente pelo Bispo Emérito Dom Pedro Casaldáliga. Toda organização e decisão do evento são feitas pelos próprios devotos e foliões. É a fé expressa do povo para o povo.

O objetivo do documentário é registrar e divulgar esta manifestação popular de religiosidade, uma entre as tantas existentes no Estado de uma riqueza cultural inestimável. Para sua realização, o projeto contou com apoio da Secretaria de Estado de Cultura através do edital do Programa de Apoio à Cultura de 2011. Com esse apoio conseguiram finalizar o documentário e prensar 500 cópias do DVD que foram distribuídos entre as escolas públicas estaduais.

SOBRE OS REALIZADORES:

Maíra Taquiguthi Ribeiro é bióloga, flautista, indigenista e produtora cultural. Paulistana, formou-se em biologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) em 2005, trabalhando nas áreas de agroecologia e desenvolvimento rural sustentável. Atualmente é indigenista na Funai de Nova Xavantina, Mato Grosso. Foi integrante do grupo de pífanos Flautins Matuá de2004 a 2008, onde desenvolveu trabalho de pesquisa em expressão corporal, danças brasileiras, música espontânea, aprofundando-se na cultura popular brasileira.

Em Mato Grosso desde 2009, conheceu a cultura do vale do Araguaia. Enveredou-se na produção cultural, realizando projetos em diferentes áreas culturais, como produção de CD, exposição fotográfica, concepção de cineclube. O registro do giro do Divino Espírito Santo é sua primeira incursão na área do audiovisual. Forma com Alexandre Lemos o grupo Malê, de pesquisa e produção de cultura popular. A dupla lançou recentemente o CD de música instrumental “Malê”.

Alexandre Oliveira Lemos é músico, arte-educador, artista plástico e produtor cultural. Cursou bateria e percussão popular na Universidade Livre de Música Tom Jobim (ULM), em São Paulo, de 2000 a 2004. Complementou sua formação com cursos de percussão afro na Casa de Cultura Tainã; flamenca na Escola Tablau; e em pesquisas independentes com grupos de cultura popular pelo Brasil. Atuou como baterista e percussionista nos grupos Trombada-Auê (Vinhedo), Trio Mucama(São Paulo), Orquestra Jovem da PUC (Campinas), Flautins Matuá (Campinas) e atualmente no grupo Malê (Nova Xavantina).

Realizou trabalhos com trilha sonora de peças teatrais com o Grupo Peleja e o Teatro de Tábuas. Em Mato Grosso, atuou como arte-educador em São Felix do Araguaia e Nova Xavantina. Atualmente, trabalha com a valorização das manifestações culturais xavantes. Forma com Maíra Ribeiro o grupo Malê, de pesquisa e produção de cultura popular. A dupla lançou recentemente o CD de música instrumental “Malê”.

Ariane Laura

Fonte: Diario de Cuiabá

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