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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CEBs depois de Aparecida


1. O NOVO MODELO ECLESIAL

Quando os cristãos, iluminados pelo Vaticano II e, em última instância, pela Palavra de Deus, se convenceram de que a referência do ministério de Jesus era o Reinado de Deus; e de que a fé deve transformar o mundo; e que os pobres, segregados, humilhados, oprimidos...- são prioritários para o cuidado e o serviço da comunidade cristã, sentiram que não era possível fazê-lo sem conhecer criticamente a realidade. Descobriram então situações de injustiça institucionalizadas, corrupções opressoras, estruturas de pecado, diante das quais não podiam estar indiferentes. A ação pastoral passou de uma ação assistência, a promocional e mesmo libertadora...e consequentemente teve que enfrentar estruturas injustiças e campanhas de acusações e desprestígio em revistas e jornais de grande importância.

A atitude profética de denunciar, se completou pelo anúncio e pela convocação para agir. Não se tratava apenas de sanar os efeitos negativos das situações negativas, mas era necessário ir às suas causas, debelar os aliciamentos (atrações) do mal, os sujeitos mediadores daquela situação, as estruturas, sistemas e ideologias que sustentavam aquele mundo de pecado... Era como encontrar-se com as 7 cabeças do dragão da maldade que pisa forte e devora!

As situações passaram a ser conhecidas não pelas estatísticas, mas pelos casos concretos: gente com nome e sobrenome, com cara e ferimentos: Zézinho, filho de um pescador, que vai buscar na lama da maré os caranguejos... a Julinha, linda menina de 14 anos, que vende seu corpo por uma pedra de crack... Esse estado de coisas concentrou as CEBs em ações e campanhas públicas, passeatas e cartazes, deixando nos cidadãos ingênuos ou coniventes a surpresa (para eles) de que “se estava usando” a religião para fazer política...

Nem sempre se pode discernir claramente o momento em que esse compromisso urgente e necessário pudesse já ser assumido por organizações oficias ou Ongs. Quando alguém está se afogando, a ação salvadora não pode esperar que chegue os bombeiros. Não há tempo para analisar as causas do acidente e para estabelecer linhas de correção para o futuro...

O compromisso até heroico das CEBs acabou desgastando-as ou limitando o desenvolvimento dos demais aspectos da vida comunitária, como a formação sistemática, o aprofundamento da Palavra de Deus, a celebração da fé em forma organizada e mais prolongada.

Na medida em que aumentou a liberdade democrática em vários países, cresceu também a participação política dos cidadãos. As CEBs puderam revisar melhor suas prioridades e explicitar dimensiones que não estiveram suficientemente trabalhadas. Pero, para algumas autoridades hierárquicas e parte da população, já era tarde... já haviam rotulado que as CEBs já não tinham lugar significativo na vida eclesial. Outras organizações e grupos começaram a assumir o nome e o “imaginado” papel religioso das CEBs.

+ Há crescimento do ateísmo e do agnosticismo.
Esvaziamento dos símbolos religiosos pela manipulação comercial que usa o religioso para incentivar o consumo: natal, páscoa, etc.

+ As grandes explicações já não interessam ao povo, que prefere discursos de cunho emocional e uma teologia do sucesso, com soluções imediatas, espécie de cartão de crédito do sobrenatural e do milagre.
A religião do medo e das ameaças (desgraças, pestes) já não causa muito efeito. O abuso da demoniología de grupos evangélicos, socializou o demônio para todos as dificuldades e ajudou a criar irresponsabilidades sociais.
O protagonismo dos movimentos sem consciência crítica, sem profetismo, sem compromisso (Pode ajudar a sair da droga, mas não muda a sociedade... responde aos efeito e deixa as causas intactas. O urgente substitui o essencial.
A meta da luta social fica sendo conseguir mais lugares dentro do esquema dominante do consumo. Um lugar na sociedade.
Cf. Apêndice I - As características do novo modelo eclesial, nas CEBs).

2. NO DINAMISMO DA IGREJA APOSTÓLICA (Apêndice II)
Cruzando a fronteira do judaísmo, entrando pelo mundo de cultura greco-romana...Judia com os judeus, romana com os romanos, grega com os gregos
Os missionários saíram como equipe formando comunidades; Pedro, para ir a Cesaréa, leva consigo outros membros da Igreja de Jafna. Felipe, em Samaria, é apoiado por Pedro e João que vão trabalhar com ele, em nome da Igreja mãe de Jerusalém... Paulo na primeira viagem vai com Barnabé e João Marcos, depois com Silas, Timóteo (possivelmente Lucas)
o A Corinto foi com Áquila e Priscila, em Roma chegou como prisioneiro, acompanhado de membros da Igreja de Cesaréa Marítima.

Multiplica ministérios: bispos, presbíteros, diáconos... profetas, apóstolos, catequistas...
As novas comunidades precisam de autonomia, vivida em comunhão com as demais comunidades
Há sempre uma coordenação e animadora do apóstolo (Pedro,Paulo, e seus representantes como Tiago em Jerusalém......)

Protagonismo da mulher: Cencreas,Phoebe-diaconiza; Corinto: Priscila, também ela em Efeso e outras que Paulo cita no fim da carta aos romanos, maria que se dedicou a vocês, (v.6), Trifena e Trifosa (v.12), Persis (v.12), Mãe de Rufo (v.13), Julia (v.15), a la hermana de Nereo (v.15), Lidia em Filipos...Maria mãe de João Marcos, Madalena, Marta, Maria irmã de Lázaro, as filhas do diácono Felipe em Cesarea Marítima, Talita...

A Igreja que se reúne na casa
A corresponsabilidade entre as Igrejas, Agabo provoca uma coleta em Antioquia, que é enviada a Jerusalen por meio do Paulo e do Barnabe.
Inculturação: aereópago em Atenas, Cabirius em Tessalonica, festas judaicas, tradições judaicas, o dia do sábado até o século IV (quando Constantino muda para o domingo), linguagem romana para diocese, basílica, paroquia... roupa romana

Representantes das comunidades que vão a Jerusalém com Paulo para ajudar e conviver...(Inter eclesial)
As cartas do Apóstolo para as comunidades e visitas às mesmas
Martirio
O processo de crescimento do cristianismo no está ligado a edifícios, mas a comunidades, dominantemente urbanas
As comunidades cristãs fazem uma releitura das Escrituras hebraicas tomando como clave de interpretação ao Senhor Ressuscitado.

3. DOCUMENTOS DO MAGISTERIO
As CEBs são citadas em 5 encíclicas papais , em 4 das 5 assembleias gerais do episcopado latino americano e do caribe e em 6 documentos post sinodais.
(cf. Apêndice III)

4. PEQUENAS COMUNIDADES ECLESIAIS E CEBS (Doc.Aparecida – discernimento)
O Documento da Aparecida não faz diferença entre CEBs e outras estruturas de comunhão. Deixa a falsa impressão de que o denominador comum é o fato de uma comunidade ser pequena.
Por isso, no que se refere às cEBs, o documento de Aparecida é ambíguo ao trata-las como Pequenas comunidades eclesiais, sem maiores especificações (Apêndice IV - Pequenas comunidades eclesiais – Aparecida.)

As CEBs, na A.Lat e Caribe, sem dúvidas cometeram erros estratégicos e fizeram poucas auto-críticas (avaliações), particularmente em torno a) à “paroquialização”, b) ao risco de transformar-se em ONGs, c) e ao fato de não ser atrativa aos mais pobres, aos da religiosidade popular católica.

As CEBs foram aceitas nas paroquias, quando se alinharam com as diferentes associações existentes, terminando por comprometer sua identidade de ser célula de surgimento da Igreja num ambiente o lugar.

Outras CEBs, ao não contar com nenhum apoio das paróquias, ao contrário, sendo constantemente hostilizadas por elas, se refugiaram numa categoria de ONGs mais de tipo sócio, educacional ou ecológica. Sacrificou-se a sua especificidade de ser primeira célula de estruturação eclesial (Med 15,10) e mesmo sua identidade católica.

O povo mais pobre optou pelos grupos neo-pentecostais, mais atrativos por sua insistência na experiência direta de contato com o Espírito de Deus, abundancia de fenômenos religiosos especiais, promessa de recompensa econômica, social... visão lúdica e prazerosa da vida, imersão em imaginários esperançadores, auto estima por deixar vícios, provocar “milagres” e pouca estrutura religiosa sistemática. (Apêndice V – CEB e Grupos)

Sofreram sempre e agora ainda mais, diversas crises, particularmente a de uma crescente resistência da hierarquia e do povo católico. Desilusão com os movimentos sociais alimentados pela Teologia da Libertação. Queda do socialismo real. Novo surto religioso e subjetividade. Novos paradigmas científicos.

Correções de Roma, embora não sejam condenações, foram interpretadas como tal, pelos inimigos da TL e das CEBs. Armou-se o silogismo: As CEBs se identificam com a TL. Ora esta foi condenada ou pelo menos é suspeita por Roma. Logo...

Volta atrás conciliar: Missa São Pio V, colegiado, “sensus fidelium”, Igreja local, ecumenismo, liturgia, a Igreja católica é a única verdadeira, portanto a única que salva...

O XIII inter eclesial será a grande oportunidade de relançamento das CEBs no Brasil, aproximando-se da religiosidade popular católica e numa linha decididamente missionaria
O XIII inter eclesial vai ser um divisor de aguas na Igreja do Brasil. Será a grande oportunidade para o relançamento das CEBs, porque não se trata de um evento, sino de todo um processo de revisar o sentido das CEBs, etc.

- Como acontecimento profético sente a necessidade de desfazer uma ambiguidade que paira sobre as cEBs, por frases de Aparecida, que se desviam do texto originante de Medellin 15,10 e da apresentação da Igreja em Puebla, assim como outras afirmações do mesmo documento de Aparecida.

- O doc. Aparecida desvela a dimensão missionaria das cEBS, que não surgem para afirmar a paroquia, mas para fazer a Igreja acontecer como evento missionário onde a estrutura pastoral não chega, e coloca a perspectiva da missão como de fato o é, elemento essencial da Igreja (comunidade missionaria e missão comunitária). A Igreja acontece lá onde estruturalmente não chega. Surge outro modelo de Igreja

- As CEBs valorizam a religiosidade popular, como liberação de todo elitismo, como experiência popular de identificação do catolicismo orante, submisso a Deus, chamado a expressões de Povo de Deus em caminho aos pequenos Jerusalem da realidade disponível. Pedindo integridade humana (saúde, trabalho), sanação, e integridade humana familiar, social, política. Na perspectiva do pobre desvalido, perdido, agarrado ao divino como tábua salvadora, oceano de desgarres pessoais, sociais, ecológicos.

- Igreja das minorias desprezadas desproporcionada.

Apêndice IV

Equipe Pe. Marins

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