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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Haverá 12 de setembro para os Guarani Kaiowá?

"Pelas 8 horas chegaram novamente os pistoleiros atirando sobre o nosso acampamento. Eu corri para avisar vocês e as autoridades, para evitar o massacre do nosso pessoal", falou uma liderança de Mbaraka'i e Pyelito Kue, denunciando mais um covarde ataque contra sua comunidade. É o quarto ataque em um mês.

Fomos visitar um acampamento próximo à Terra Indígena de Dourados. O que já foi considerado por uma procuradora do Ministério Público Federal, como a pior situação indígena em termos mundiais hoje, vai se transformando num espaço de luta por direitos. Mesmo que sejam pequenos pedaços de terra, mas eles vão sendo reconquistados. "Já faz 13 anos que estamos lutando por essa terra" afirma a liderança. O grupo Guarani dos "índios sem terra".

No dia 11 de setembro de 2009, a comunidade Kaiowá Guarani de Laranjeira Nhanderu, foi expulsa de seu tekohá, para a beira da BR 163. Depois de mais de um ano e meio na beira da rodovia, tendo três de seus membros sido mortos por atropelamento, e não mais aguentaram, retornaram ao seu tekohá em maio deste ano. Agora pesa sobre eles nova expulsão, estando em curso um pedido de reintegração de posse, previsto para o dia 21 deste mês. Será que mais uma vez os direitos dessa comunidade serão violados e eles expulsos de sua terra tradicional. Até quando continuaremos tendo esse tipo de 11 ou 21 de setembro?

Ao lembraram o 11 de setembro, como um dia de luta pelos seus direitos, as lideranças de se perguntam porque continuam submetidos a essa situação de sofrimento, insegurança e mortes! Na iminência de sofrerem novo despejo, eles lançam ao mundo esse novo clamor para que o governo brasileiro e a justiça não permitam que se perpetre mais essa violência genocida contra uma comunidade Kaiowá Guarani.

Quando a CIA afirmou em documentos, que talvez seu maior inimigo, no século 21, seriam os povos indígenas, apenas estava reconhecendo que o sistema de vida desses povos, dando primazia ao coletivo sobre o individual e à propriedade privada, estava atingindo o coração do sistema capitalista e da lógica da dominação do império.

Premio à sabedoria, espiritualidade e compromisso

Os cabelos brancos de um quase octogenário guerreiro das causas indígenas, especialmente da causa Guarani, mereceram destaque nesses dias. Nosso querido e aguerrido Meliá recebeu o merecido premio "Bartolomeu de Las Casas". Recordo as inúmeras reuniões e encontros que tivemos para construir coletivamente o caderno e mapa "Guarani Retã". A sabedoria de Meliá era fundamental para que o processo avançasse, juntamente com a obstinação de consolidar essa ferramenta, por parte de Grunberg. Lembro dos momentos sublimes de partilha da sabedoria e espiritualidade alimentada na fonte Guarani, com que Meliá, nos brindou em suas falas e reflexões sobre a Terra Sem Males. Crítico e profundo conhecedor, ele levou os participantes a um mergulho profundo na vida e espiritualidade desse povo, com os quais partilhou grande parte de sua vida.

Ao receber o premio, tenho a certeza que o terá recebido de maneira especial em nome dos Guarani, reassumindo o compromisso que tem com esse povo, que luta e perambula nesse continente sul americano, tendo suas terras e direitos negados.

Que se multipliquem os Bartolomeus nesse continente! Que ressurjam Bartolomeus, na luta pela vida, pela descolonização, pela liberdade, pela diversidade, pela pluralidade de povos e culturas no planeta Terra!

Incansável, Meliá se faz presente, na academia, na aldeia, nos grandes fóruns e encontros, continente afora. Levou importante contribuição nas reflexões sobre, "terra, território e autonomia", no III Encontro Continental Guarani (foto).

Que o 12 de setembro seja um mundo sem impérios e guerras, um mundo de paz e justiça, um mundo digno para todos os povos da terra.

Que a memória de Allende (38 anos do assassinato), salve e alente o heroico povo chileno, dos Mapuche e tantos outros, em luta pela justiça, pela dignidade e direito de todos os povos, pelo socialismo!

Povo Guarani Grande Povo
Cimi Dourados, 12 de setembro de 2011.


Egon Dionísio Heck
Assessor do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) Mato Grosso do Sul

Fonte: Adital

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