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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Carta do 3º Seminário Estadual de Assessores/as das CEBs - Regional Sul1


“As Comunidades Eclesiais de Base diante dos desafios contemporâneos”

17 e 18 de setembro de 2011

Local: bairro Silvânia, cidade de Matão, Comunidade São João Batista, Paróquia São Sebastião

Diocese de São Carlos – SP

“Que sabedoria é essa, que vem do meu povo,

é o Espírito Santo, agindo de novo”.

Embalados e embaladas pela brisa noturna de Matão, fomos chegando aos poucos, de todo o canto do nosso Regional Sul I e carinhosamente também das terras encantadoras do Rio de Janeiro.

O vilarejo simples e acolhedor, deu o toque de todo o encontro, refletindo o jeito simples de ser das CEBs. Fomos despertados(as) logo cedo, pelo apito do trem, que nos remeteu lembranças da infância, do interior, do trem das CEBs que leva as expectativas e esperanças das nossas Comunidades Eclesiais de Base.

Sobre a bandeira de luta, deixamos os nossos símbolos: vela, bíblia, flores amarelas, o pão e a cana, doce e amarga, doce por ser o fruto da terra e do trabalho do homem e da mulher e amarga por representar nesta realidade local, a exploração, o acúmulo do capital e a degradação da natureza. Guiados(as) pelo Evangelho de São Lucas 8, 4-15, refletimos que a semente precisará de terra boa e muita perseverança, para que os frutos sejam colhidos. O momento é de semear, irrigar e adubar a terra.

Assessorados(as) pela companheira socióloga Solange S. Rodrigues, fomos chamados(as) a refletir sobre os desafios contemporâneos nas dimensões cultural, religiosa e sociopolítica que tem que ser enfrentados por nós, Comunidades Eclesiais de Base.

No campo cultural e religioso é preciso considerar uma série de elementos que influenciam diretamente o caminhar das comunidades: o pluralismo, a diversidade de gênero, étnico-racial e de gerações. Já no campo sociopolítico, estamos enfrentando muitas crises: econômica, energética, ecológica, política e democrática. Todas essas, trazem uma crise muito mais ampla, que é a civilizacional.

Tivemos alguns trabalho em grupo, no qual pudemos refletir sobre esses desafios que perpassam por cada sub-região aqui representada.

Fizemos memória dos(as) mártires da caminhada e sob as palavras proféticas de Dom Pedro Casaldáliga: “ Uma igreja que esquece seus mártires, não merece sobreviver”, fomos instigados(as) a construir uma ética do cuidado e da esperança, onde o sangue dos(as) mártires, não nos deixe dormir em paz.

E com muita alegria, celebramos mais um caminho que percorremos juntos(as).

Todo esse momento de estudo e aprofundamento, também foi permeado pelo resgate de momentos lúdicos, oriundos de práticas populares e de um acolhimento mais que especial da Comunidade São João Batista, que foi repleto de música, alegria e simplicidade.

Após o nosso despertar de Domingo, em um trecho da linha férrea que corta todo esse Brasil, trouxemos os nossos pedidos e agradecimentos. Celebramos a vida na Eucaristia, partilhando a Palavra e o Pão.

Após o café, a assessora Solange retomou em sua reflexão, as discussões do dia anterior. Relembramos aspectos importantes do Concílio Vaticano II que fomentaram as Comunidades e que continuamente, precisam ser reafirmados: igreja povo de Deus; reforma litúrgica; leitura encarnada da Palavra e relacionamento com o mundo, como parte do que é também sagrado.

Segundo Medellin 15,10 e Documento de Aparecida 178, vimos que as CEBs são “estrutura da igreja”; Igreja “na base”; “célula inicial de estruturação eclesial” porque existem nelas, elementos essenciais que contribuem para que uma comunidade seja considerada igreja: fé, anúncio, celebração, comunhão e missão, definindo a identidade e diversidade das CEBs.

Fomos instigados(as) a apresentar em grupos, pistas que caracterizam o Ministério da Assessoria. Reconhecemos que esse ministério é um serviço para as Comunidades e um desafio muito grande para os(as) assessores(as) , pois exige uma prática pautada na humildade, no irmanar-se e no encarnar-se na vida do povo, conhecendo a realidade em que se vive e o chão que se pisa.

Como direcionamento final, vimos que as marcas do testemunho estão na lucidez crítica, na contemplação da caminhada, na liberdade dos(as) pobres, na solidariedade fraterna, no assumir a cruz e acreditar na teimosa esperança pascal.

Avaliamos o encontro e nos despedimos na alegria do reencontro.

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