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sábado, 3 de setembro de 2011

A caminho do Intereclesial de CEBs

Cada vez mais pessoas da base participam, configurando um Encontro realmente popular. Traduz em experiências pontuais o sonho de um novo jeito de ser Igreja, em que as diferenças não se marcam pelo poder hierárquico, mas pela beleza do serviço e carisma sobre a base fundamental comum do batismo. A categoria "importância" desaparece, cedendo o lugar para a única realidade que deveras caracteriza a Igreja de Jesus: o amor mútuo.

Há visível deslocamento da presença macrogeográfica e microcultural do Cristianismo no mundo. Um olhar sobre o mapa-múndi constata que a mancha religiosa cristã ocupa os países do 3º Mundo, especialmente os da América Latina. De um bilhão e 50 milhões de católicos batizados, só 26,7% estão na Europa e 7,1% na América do Norte. O Catolicismo já não é uma religião dos países ricos e brancos. A América Latina tem 42,3%, a África 12,4%, a Ásia 10,7% e a Oceania somente 0,8%. Fora da Europa e América do Norte estão, portanto, 66,2% dos cristãos.


Numa análise já mais detalhada, nos países do Sul são as massas pobres que sustentam a Igreja com sua presença e participação. É verdade que os mais pobres dos pobres andam por outros caminhos ou do abandono ou visitados pelas igrejas pentecostais e neopentecostais.


E que tem a ver isso com as CEBs? Uma conclusão imediata e primeira aponta para a cegueira teológica e pastoral do descuido das CEBs, pensando que a salvação vem do lado dos surtos carismáticos e dos recursos midiáticos. É a tentação do pináculo do Templo.


Cegueira teológica, porque a Igreja não se constitui de arroubos momentâneos espiritualistas, mas de comunidades permanentes de fiéis que vivem a fé e a comunhão em torno do mistério de Jesus, celebrado, de modo especial, na Palavra e na Eucaristia. Massas que enchem esporadicamente estádios ou grandes templos em cenas isoladas, que começam e terminam nelas mesmas, não são Igreja. São torcidas religiosas. São como ônibus circular: sempre cheio mas com pessoas diferentes. Entram e saem, tocadas pelo sentimento e por um instinto de piedade. Isso pode ser um começo e mesmo um primeiro passo. Mas ainda não formam a comunidade de fé.


Cegueira pastoral, porque a vitalidade do evangelho frutifica onde há corações abertos. Em outros momentos, a Igreja privilegiou as classes médias, porque as julgava mais em sintonia com sua pregação. Hoje essas classes sofreram diferentes desgastes. Demograficamente diminuíram substancialmente pela falta de filhos, pela migração para as classes altas ou pelo empobrecimento. Ideologicamente distanciaram-se muito dos valores evangélicos, influenciadas por uma cultura hedonista, materialista atrás de enriquecimento fácil, rápido. E quando elas se encantam com cenários carismáticos, subjaz a suspeita da busca de consolos e confortos antes terapêuticos que evangélicos.


A alma popular representa a imensa reserva espiritual da Igreja. Aí medram as CEBs do lado católico e se processa avassaladora invasão de igrejas fundamentalistas neopentecostais. Se a Igreja católica descuidar as CEBs, ver-se-á vazia dos mais simples e pobres, perdendo a sua própria alma, que são os pobres. Verá passar por ela ondas espiritualistas, sem consistência nem perseverança, mendigando consolos esporádicos na esteira da exterioridade midiática.


J. B.Libanio

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