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sábado, 30 de julho de 2011

A importância das vocações para a vida da Igreja


A vida da igreja acontece de forma participativa, dinâmica e transformadora graças à atuação das lideranças cristãs sob escuta da Palavra de Deus e orientação das diretrizes e metas do plano pastoral, comunitário, paroquial e diocesano. O Espírito Santo suscita diferentes modalidades evangelizadoras tendo como primeiro exemplo a vida das primeiras comunidades cristãs. O Celebrar, o ter tudo em comum, assumir os serviços com alegria, cultivar a vida de oração e atuar comunitariamente requer pessoas que se disponham a isso e que forme lideranças para uma feliz continuidade.


Tudo na igreja acontece porque Deus chama e prepara as pessoas e se faz presente no exercício da missão. É o dedicar de cada um na vida da comunidade, nos conselhos da comunidade, o entendimento de cidadania como interação fé e vida que vão dando identidade e sentido enquanto discípulos missionários de Jesus, afim de que todos os povos tenham vida. Tudo depende de como se assume a vida batismal se vive a missão no serviço pelo Reino de Deus. O seguimento de Jesus Cristo é um caminho que todo batizado que cresce na vivencia comunitária deseja percorrer. Quando um/a jovem se sente chamado para atuar no serviço à vida, ele/a se apresenta cheio de vigor, criatividade e desejo de servir.


No momento, nem percebe tanto os desafios da missão. O jovem acolhe o chamado como uma proposta que dá sentido à sua vida. Na verdade o jovem se engaja no compromisso e responde positivamente ao chamado vocacional no intuito de ser feliz. Ao longo do processo de acompanhamento e das experiências na vida da comunidade, a maturidade vai sendo formada e o/a vocacionado/a, discípulo/a de Jesus, vai percebendo que levar a sério a vocação é preparar-se para sofrer, ou seja participar da experiência de Jesus em seu destino final (Jo 12,24-28).


A Vida Comunitária e Eclesial cumpre seu papel também, quando acolhe os jovens e os oportuniza formação e engajamento, afim de que, ao longo da caminhada as responsabilidades e desafios vão sendo assumidos com maturidade, liberdade e alegria. A dinâmica da Teologia da Libertação, a Metodologia do Cebi e as Diretrizes das Comunidades Eclesiais de Base formam o tripé necessário para que a futura geração de discípulos Missionários de Jesus não perca de vista o ponto inicial e em cada mudança de época consiga refundar e refontizar a animação da vida eclesial.


Os jovens que se tornam vocacionados ao serviço eclesial, compreendem que Deus se torna próximo através da proposta de Jesus – Caminho Verdade e Vida e percebem que Jesus vê como Deus vê e, por isso, se aproxima, se faz gente do povo que sofre, este povo que constantemente é vítima do sistema que gera vida para poucos. O primeiro domingo de agosto se reza pela vocação sacerdotal, todos possuem o dom do sacerdócio pelo batismo, porém, o padre exerce um serviço ordenado. As vocações nascem nas famílias e são cultivadas na vivência da comunidade e amadurecidos na dinâmica do serviço, na vida de oração, na gratuidade, na conversão constante e na paixão pelo seguimento.


O Evangelho para o dia do padre, nos diz: “Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. Mas quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me”! Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro e lhe disse:” Homem fraco na fé, por que duvidaste?” Há muitas simbologias no texto, por exemplo o sair da barca.
A barca era o instrumento de trabalho de Pedro, seu sustento, seu mundo, sua segurança, sua história. Saiu de tudo que era seu porque escutou o chamado de Jesus: “Vem” (Mt 14,29). Andar sobre a água, que coisa impossível aos nossos olhos! O seguimento, o profetismo, a cruz, o anúncio, o testemunho de comunhão que um/a vocacionado/a, um padre, uma Religiosa Consagrada, um cristão deve externar, é um verdadeiro andar sobre a água.


O vento fez Pedro sentir medo e afundar. Quais os ventos podem amedrontar um seguidor de Jesus? O afundar não precisa explicar tanto, pois é o que pode acontecer com facilidade, porém afunda-se porquê? O tráfico de pessoas, de drogas, de armas, a corrupção em escala pequena ou grande, a acumulação exagerada de capital por parte de uma minoria de cidadãos, a situação do planeta, da água e das florestas… são ventos fortes que querem emudecer e afundar o/a vocacionado/a de Jesus que atua querendo ser expressão de vida, de luta e de fé. Pedro teve coragem de recorrer a Jesus: “Senhor salva-me” (Mt 14,30). Jesus ao invés de dar um abraço, consolar e sentir pena de Pedro, dá uma bronca…”por que duvidaste”? ( Mt, 31) Tu estás certo, continue firme. Subiram de volta no barco e o vento se acalmou, ou seja, retoma a missão de anunciar a vida de Jesus na vida da gente e assim, a transformação vai acontecendo na vida das pessoas e na sociedade, pois só Ele tem poder de abater a força contrária.


Por isso, há muitas iniciativas que alegram e refazem a esperança dos cristãos: parcerias, alternativas de sustentabilidade, novas formas de consumo por um nova economia que não seja a de mercado existente e diversas iniciativas no cuidado para com a casa comum. O mês vocacional é propício para refletir sobre a vocação de todos os/as batizados/as. Uns se descobriram seguidores de Jesus pela vida matrimonial, outros pela Vida Religiosa Consagrada, outros pela dedicação do Laicato enquanto ministros, catequistas, liturgia, cuidados com a igreja/capela no lavar, limpar, preservar, outros pelo Sacerdócio Ordenado e assim, a vida da Igreja usufrui de uma grande bênção de Carismas. Uma vida vivida em mutirão, todas com alegria e coragem porque Jesus chama e acompanha seus seguidores dando a força e a direção necessárias pela Palavra e a Eucaristia.

Irmã Maria Lucelene de Vasconcelos (CICAF), assessora diocesana do SAV, professora na Escola Sagrado Coração de Jesus


Fonte: A Tribuna - Mato Grosso

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