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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Diocese de Picos - Comunidades Eclesiais de Base

Pe. João


Estamos vivenciando um novo alvorecer da Igreja, onde o tema das Comunidades Eclesiais de Base, CEBs, volta a entrar em pauta nos Documentos e Planos Pastorais da Igreja no Brasil e na América Latina. Na Conferência de Aparecida, elas foram reconhecidas como "escolas que têm ajudado a formar cristãos comprometidos com sua fé, discípulos e missionários do Senhor, como testemunha a entrega generosa, até derramar o sangue, de muitos de seus membros" (Aparecida, n. 178).


Há muitos, porém, talvez por falta de uma melhor atenção aos sinais dos tempos, que levantam a voz para dizer que o fervor inicial das CEBs passou. Pode ser que não seja algo do passado esse "jeito novo de ser Igreja", mas fator que se renova, adaptando-se aos desafios atuais. A final de contas vivencia-se hoje uma verdadeira mudança de época. O certo é que o tema das CEBs está em pauta e precisa ser bem acolhido e compreendido para que as Comunidades Eclesiais de Base sejam fortalecidas na sua organização e ação.


A Diocese de Picos, em sua última Assembléia Diocesana Pastoral, que definiu as prioridades pastorais para o biênio 2011/2012, escolheu como uma das prioridades, "priorizar, em nossa ação evangelizadora, a organização e o fortalecimento das Comunidades Eclesiais de Base", manifestando com isso que elas precisam ser organizadas, conforme as estratégias apresentadas; reorganizadas e fortalecidas, isso se entende mais no sentido de que sejam renovadas, pois fala-se de formar conselho comunitário em cada comunidade; de resgatar o valores da família, entre outros.


Isto tudo é indiscutível porque a Igreja nasce e se manifesta na base, em cada comunidade. Por isso, as CEBs não são mais um movimento eclesial que nasce, mas o jeito da Igreja ser. Neste sentido, "mantendo-se em comunhão com seu bispo e inserindo-se no projeto de pastoral diocesana, as CEBs se convertem em sinal de vitalidade na Igreja particular" (Aparecida, n. 179). Sinal de vitalidade; sinal de que a Igreja está viva, pois é lá que ela vive!


É nas Comunidades Eclesiais de Base que os leigos, em comunhão com seus pastores e com toda a Igreja, são chamados pelo dom do batismo e pela força do crisma, a exercerem seu apostolado, atuando, de acordo com seu carisma nos mais diversos ministérios, pastorais e serviços. Assim, "uma vez que, como todos os fiéis, os leigos são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, eles têm a obrigação e gozam do direito, individualmente ou agrupados em associação, de trabalhar para que a mensagem divina de salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra" (Catecismo da Igreja Católica, n. 900).


Mas vale lembrar aqui que a missão do cristão leigo, isto é, de "todos os cristãos, exceto os membros das Sagradas Ordens ou do estado religioso reconhecido na Igreja", não se limita aos parâmetros da própria comunidade eclesial organizada, mas prioritariamente no mundo secular, nas realidades temporais. É aí onde o cristão leigo é chamado a dar testemunho de comunidade, pois, "é específico dos leigos, por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus" (Lumen Gentium, n. 31).


Com isso podemos dizer que os fiéis cristãos, sem distinção e, mais ainda, os membros atuantes das Comunidades Eclesiais de Base, têm o grave dever de ser fermento do Evangelho, estendendo a vida das comunidades às realidades temporais, tais como: o mundo da política, da comunicação, da economia, a começar pela família, base de toda organização, a fim de que os sinais de morte como o aborto, a violência, a corrupção, entre tantos outros, sejam combatidos com entusiasmo e sem medo pela palavra e o testemunho de uma vida vivida incondicionalmente de acordo com a fé cristã.


Picos(PI), 02 de maio de 2011.
Pe. João Pereira de Sousa
Vigário Judicial da Diocese de Picos
Contato:
padrejoaopereira@hotmail.com




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