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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Semiárido e as eleições

Roberto Malvezzi (Gogó)

A convivência com o semiárido não esteve pautada nessas eleições. Incrível, exatamente aquelas pequenas medidas que agora evitam as migrações em massa, as frentes de emergência, tanta fome e sede, não estiveram na ordem do dia.

A região só esteve no debate quando Serra e Dilma disputaram ferozmente a paternidade da Transposição e Transnordestina. Serra chegou falar na criação de uma “Secretaria para o Semiárido”. Vai saber o que havia por detrás dessas palavras! Nem mesmo Marina, no primeiro turno, pautou essa temática. Só Plínio, com seu sarcasmo demolidor, foi crítico da Transposição.

A reeleição de vários governadores da região tende a dar continuidade no trabalho de convivência que a ASA já vem fazendo: Wagner, Cid Gomes, Deda, Eduardo Campo, Wilson Martins, não deverão romper com a lógica de tratamento do Semiárido dado até agora.

Quanto ao governo federal, agora temos uma incógnita. Lula é um paulista que nasceu no Nordeste, mas sua sensibilidade social, além de sua história pessoal, faz com que ele tenha devotado uma atenção especial à região, ainda que a seu modo. Dilma é uma mineira, criada politicamente no Rio Grande do Sul, que não revelou nenhuma afinidade com essa região. A visão que ela tem de desenvolvimento daqui está vinculada à Transposição e à Transnordestina, além da irrigação. Mas, é provável também que não rompa com o apoio a esse trabalho. Afinal, mesmo não acreditando que a convivência seja o novo conceito de desenvolvimento para a região, pode continuar apoiando ao menos como uma compensação social.

Assim como já acontece há mais de trinta anos, o comando do Ministério da Integração Nacional deve estar sob controle de um nome político do Ceará, nesse caso, Ciro. Se fosse Serra estaria com Tasso Gereissati. É por esse Ministério que tem passado a proposta de fazer de Fortaleza um pólo de exportação para o mundo inteiro. É com essa lógica que se constrói a Transnordestina e necessita-se de água para garantir a produção, caso da Transposição.

Portanto, para os lutadores do semiárido, temos algumas certezas pela frente e algumas interrogações. Seja como for, temos o dever de continuar.

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