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domingo, 7 de novembro de 2010

Dom Eugenio Sales e as CEBs

Senado prestará homenagem ao cardeal Dom Eugênio Sales



O Senado vai homenagear, no período do expediente que antecede a sessão plenária desta terça-feira (9), às 14h, o cardeal Dom Eugênio Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, pelos seus 90 anos de vida. O requerimento solicitando a homenagem é do senador João Faustino (PSDB-RN).

Idealizador das comunidades eclesiais de base e da Campanha da Fraternidade, Dom Eugênio também ficou conhecido por ajudar perseguidos políticos durante o regime militar.

O senador João Faustino diz, no requerimento da homenagem, que o cardeal é uma das figuras mais proeminentes da Igreja Católica e "tem relevantes serviços prestados ao povo brasileiro". O parlamentar destaca, entre as atividades de Dom Eugênio, a criação do Movimento de Educação de Base e, com ele, as escolas radiofônicas; a criação dos primeiros sindicatos rurais; a defesa de refugiados políticos; a criação de centros de atendimentos a portadores de AIDS e a criação da pastoral carcerária.

Dom Eugênio nasceu na Fazenda Catuana, em Acari (RN), no dia 8 de novembro de 1920. De família muito católica, realizou seus primeiros estudos em Natal (RN), indo, posteriormente, para Fortaleza (CE), onde cursou filosofia e teologia. Foi ordenado sacerdote em 1943 em Natal.

Ordenado bispo ainda muito jovem, aos 33 anos, assumiu como bispo auxiliar de Natal em 1954, e em 1962 tornou-se administrador apostólico dessa mesma arquidiocese. Em 1964 tomou posse como administrador apostólico de Salvador, sendo elevado a arcebispo dessa sede em 1968, tornando-se, assim, primaz do Brasil (isto é, arcebispo da diocese mais antiga do país).

Em 1969, Dom Eugênio Sales foi feito cardeal pelo papa Paulo VI. Em 1971 tornou-se arcebispo do Rio de Janeiro, função em que permaneceu até 2001, quando se aposentou. Desde então é arcebispo emérito. Entre 1972 e 2001 acumulou também a função de bispo dos fiéis de Rito Oriental do Brasil. Foi também membro de 11 congregações na Cúria Romana.

Sua vida apostólica foi marcada pela defesa da ortodoxia católica e pela oposição à Teologia da Libertação. Ficou conhecido também pelo engajamento político, a partir da criação das comunidades eclesiais de base.

Esse engajamento incluiu, no período compreendido entre 1976 e 1982, a defesa de refugiados políticos não só do Brasil, mas também dos regimes militares latino-americanos. Dom Eugênio montou, nessa época, uma rede de apoio a esses refugiados, abrigando-os, primeiramente, na sede episcopal (Palácio São Joaquim) e depois em apartamentos alugados com essa finalidade. Contou com apoio da Cáritas brasileira e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados para financiar essa estadia, até conseguir asilo político a essas pessoas em países europeus.

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