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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Diferenciando subúrbio de periferia

Há vários termos que expressam conceitos sobre os
espaços das cidades, mas que muitas vezes são usados de
forma incorreta. É o caso da palavra subúrbio que,
etimologicamente, significa o espaço que cerca uma
cidade, mas esse sentido tem sido deturpado, em especial
no Rio de Janeiro, onde passou a designar a periferia.

É o que diz Nelson Nóbrega Fernandes, professor do
Departamento de Geografia da Universidade Federal
Fluminense: “A palavra subúrbio, no Rio, é muito mal
resolvida e ganhou uma conotação muito forte de classe,
até meio pejorativa”.

Outra característica dos subúrbios é a baixa densidade de
ocupação dessas áreas que, por essa razão, podem
abrigar pequenas propriedades agrícolas, condomínios de
luxo, estádios, parques, ou outro tipo de empreendimento
que busque mais espaço. Com a industrialização, por
exemplo, formaram-se subúrbios industriais e operários. A
palavra traduz uma situação intermediária entre cidade e
campo e não uma condição sócio-econômica.

Mas, segundo Fernandes, com o crescimento das cidades,
o que antes era suburbano, vira urbano. Conforme a
mancha urbana vai se ampliando, áreas que antes se
enquadravam nesses critérios, com uma intensa ocupação
e urbanização, passam a se caracterizar como bairros,
mas nem por isso deixam de ser chamadas de subúrbios.

Além disso, até o início do século XX, o termo era
utilizado para todas as áreas periféricas da cidade,
independente do uso do espaço. Com as reformas
urbanas, a partir das primeiras décadas do século
passado, a palavra subúrbio passa a ser usada para
designar áreas servidas pela ferrovia.

No Rio, o setor Norte-Oeste fez com que se considerasse
subúrbio um lugar onde há um serviço de transporte
urbano — o trem — e onde supostamente morariam as
classes sociais menos abastadas, perdendo assim o seu
caráter geográfico. Já em São Paulo, subúrbios são os
municípios formados a partir da construção da linha
férrea que ligava a capital ao interior.

No contexto brasileiro, a palavra periferia é algo típico do
processo de metropolização dos anos 1960-70. O termo
tem sido usado para designar loteamentos clandestinos, ou
favelas localizadas em áreas mais centrais, onde vive uma
população de baixa renda.

Para Manoel Lemes da Silva, professor de planejamento
urbano e regional, da Faculdade São Marcos, de São Paulo,
o termo periferia carrega consigo um sentido político,
econômico e social que o subúrbio em princípio, não tem.
“Não dá para pensar em periferia sem pensar em centro. É
um par dialético que faz parte dos fundamentos da teoria
do desenvolvimento econômico”, diz o professor.

Em termos mundiais, o conceito de periferia foi reforçado
após as duas grandes guerras e acirrado com a Guerra
Fria, destinando o status de centro àqueles países de
maior poder econômico e militar, e de periférico aos mais
pobres, dependentes, com problemas de infra-estrutura,
segundo Silva.

Nas cidades, o conceito se aplica ao espaço
onde está o centro econômico de poder. Do lado oposto,
estaria a periferia. Silva afirma que o conceito surgiu na
tentativa de tornar toleráveis a manutenção de cidades ao
Estado. Mas o que se tem na verdade, é uma perpetuação
das desigualdades sociais e econômicas.

Simone Pallone

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