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terça-feira, 22 de maio de 2012

Padres avançam o sinal vermelho

Considerada terreno perigoso, a política, desde o Papa João Paulo II, é coisa dos homens, enquanto o clero cuida das almas. Desde a Teologia da Libertação, entrar no campo político equivale a avançar o sinal vermelho e "trombar feio" com a Doutrina da Fé. Acontece que os tempos modernos estão formando homens ávidos por dinheiro, que relativizam todos os valores morais e avançam para a corrupção certos da impunidade.
A classe política é o maior exemplo do descasamento entre a vontade e as necessidades da maioria da população e os interesses mesquinhos dos ditos representantes do povo. Representando a si próprios, os políticos transformaram a política em um negócio de altíssimo retorno no presente e gordas aposentadorias no futuro. Pior que isso, transformaram a política em profissão.
É a única profissão do mundo em que os profissionais determinam seus próprios ganhos e debitam o prejuízo na conta dos cidadãos contribuintes. Não representam mais a ninguém e seus salários e atitudes constituem uma afronta a toda a sociedade. O desgaste da imagem dos políticos é um fenômeno nacional.
Cansada de falar, a população começou a agir. Existem movimentos em todo o território nacional contra aumento do número de vereadores e contra seus reajustes exorbitantes de salários. Pesquisa recente na cidade de Goiânia apurou que 25% dos eleitores pretendem anular os seus votos como forma de protesto. O cenário é deprimente: salários altos, veículos, motoristas, assessores, negociatas e descaso com a coisa pública.
Seguindo a corrente cívica, Bebedouro não quer o aumento para 15 vereadores e se movimenta pela manutenção dos 10 atuais. Bebedouro também não quer que os vereadores ganhem R$ 8 mil por mês como em Araraquara ou Jaboticabal. Apesar da omissão da OAB local (difícil de entender, já que a mesma OAB está nos movimentos de Ribeirão Preto e Sertãozinho), muitas entidades estão aderindo ao movimento. 
Mas bastou que os padres locais aderissem ao movimento para que alguns vereadores começassem a fazer ironias e piadinhas como: Padre é profissão? Quem paga os salários dos padres? Por que a Igreja não paga impostos?
Adotando a tática de a melhor defesa é o ataque, nossos nobres vereadores (exatamente três, que não vão falar em público o que falam pelos cantos) deveriam estudar mais o assunto para não comparar coisas incomparáveis. Como tantas outras instituições, a Igreja é uma entidade sem fins lucrativos e, portanto, não paga impostos. Isso é garantido pela Constituição Federal. Padre recolhe INSS como trabalhador autônomo desde o primeiro ano como seminarista para um dia ter aposentadoria, bem abaixo da média da maioria dos trabalhadores.
Aos 75 anos os padres ficam desobrigados de exercerem suas atividades sacerdotais; mas o ócio não existe para os padres que continuam sua profissão de fé até a morte. Os salários dos padres é mensal para cobrir suas necessidades básicas como alimentação e assistência médica, já que a maioria dos padres residem em casas paroquiais.
As Dioceses pagam os salários dos padres com a arrecadação de dízimos e serviços de batismos, crismas e casamentos. Tudo está previsto no Direito Canônico. Os padres não vivem de dinheiro público e sim de doações espontâneas. Os padres abrem mão de prazeres mundanos como o casamento e a riqueza para se dedicarem à fé e à assistência aos menos favorecidos.
Se os nossos nobres vereadores vivessem de doações do povo, a maioria já teria mudado de profissão. Os padres entraram no Movimento Bebedouro é 10 como cidadãos bebedourenses e líderes comunitários que são. Os padres têm autoridade moral para pedir assinaturas na ação popular.
Os nobres vereadores, em respeito a toda a população, deveriam manter a representatividade em 10 cadeiras e ganhar um salário que apenas atendesse suas necessidades básicas. Os padres avançaram o sinal vermelho sob aplausos, a aí não cabe multa ou advertência alguma!

Fonte: Jornal Impacto - Bebedouro

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