sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Protestos pelo caso Pinheirinho

Manifestação em São José dos Campos

Em frente à sede tucana em Brasília, manifestantes gritam contra violência policial no despejo no Pinheirinho e cobram punição de responsáveis. Para eles, governador Geraldo Alckmin e prefeito Eduardo Cury, ambos do PSDB, são culpados. Rua próxima foi interditada por cerca de 200 pessoas.

Também houve protestos em São José dos Campos.

Nesta sexta (3), haverá no Rio.

Brasília – A sede nacional do PSDB, em Brasília, foi alvo de um protesto nesta quinta-feira (2) por parte de manifestantes que condenam a violência da ação policial que despejou 1,6 mil famílias de sem-teto da região conhecida como Pinheirinho. O partido foi atacado porque, para os manifestantes, o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ambos tucanos, seriam os responsáveis máximos pela desocupação.

Durante uma hora e meia, os participantes gritaram palavras de ordem contra a remoção e pediram a punição dos responsáveis. Nenhum membro do partido saiu da sede para dialogar com os manifestantes. Após deixarem o local, fecharam por meia-hora uma rua próxima. Segundo os organizadores, havia 250 pessoas. Já a Polícia Militar (PM) diz que eram 200.

“Nós queremos dizer para o PSDB que não é assim que se faz remoção, que não é assim que se trata trabalhador. Exigimos a punição do governador, que autorizou a ação da Polícia Militar, e do prefeito, que determinou que a Guarda Municipal auxiliasse esta ação desumana”, afirmou Edson Francisco da Silva, membro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).

“Até mesmo o juiz estadual Rodrigo Capez, que endossou a violência cometida em Pinheirinho, acompanhando a ação diretamente no local, tem ligações diretas com o partido. Ele é irmão do deputado estadual paulista Fernando Capez, também filiado ao PSDB”, disse o coordenador da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) no Distrito Federal, Robson da Silva.

Para ele, a desocupação de Pinheirinho foi um ato violento e desumano, que não pode ser esquecido até que os culpados sejam punidos e os desabrigados, consigam novo teto. “Aquelas famílias viviam ali há sete anos e não representavam problema para ninguém, a não ser para os especuladores imobiliários”, disse.

A área, de 1,43 milhões de metros quadrados, pertence à massa falida de uma empresa do megaespeculador Naji Nahas, que deve cerca de R$ 12 milhões em impostos federais e R$ 14 milhões, em municipais. “O governo federal também precisa se posicionar de forma mais efetiva sobre o assunto e tomar medidas concretas para ajudar as famílias removidas”, disse Edson Francisco.

Para ele, é importante lembrar que a operação de remoção contou com dois mil PMs, dezenas de carros e dois helicópteros. E que resultou em, pelo menos, um trabalhador baleado, centenas de feridos, mais de 30 lideranças presas e sete pessoas desaparecidas.

“As autoridades não permitem a saída dos moradores e nem mesmo a entrada das lideranças populares ou da imprensa. É mais um crime cometido pelo PSDB: a implantação de campos de concentração no Brasil”, acrescentou Robson da Silva.


Mobilização nacional

O protesto em Brasília fez parte de um conjunto de atos realizados simultaneamente em várias cidades do país. Em São José dos Campos, cerca de cinco mil pessoas, de acordo com os organizadores, que percorreram as principais ruas do centro da cidade.

"Foi o maior ato público da história do município, com a presença de militantes de nove estados da federação”, disse o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e membro da executiva nacional da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Segundo ele, o ato percorreu as principais ruas do centro e se concentrou em frente à Prefeitura Municipal. “Nós protestamos não só contra a desocupação de Pinheirinho, mas também contra a onda de criminalização de lideranças sindicais e populares promovida pela administração municipal”, afirmou.

Amanhã, o Rio de Janeiro é que será palco de um ato pró-Pinheirinho. “Não vamos deixar que o desabamento de prédios no centro do Rio e nem mesmo o carnaval nos façam esquecer daquela verdadeira tragédia. Continuaremos cobrando providências”, acrescentou Robson.

Nesta semana, a desocupação de Pinheirinho foi denunciada à Organização das Nações Unidas (ONU) por entidades de defesa dos direitos humanos. A Assembleia Legislativa de São Paulo também informou que preparou um dossiê para enviar ao órgão e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que acompanha as negociações de Pinheirinho desde o início, informou que a Câmara dos Deputados também irá instaurar uma comissão para apurar o caso.

Najla Passos

Fonte: Carta Maior

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