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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Uma trajetória de amor e dedicação ao povo sertanejo

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Dom Fragoso foi um homem que marcou sua época. Dedicou a vida ao trabalho pastoral realizado junto aos pobres e trabalhadores rurais na cidade de Crateús. O religioso defendia os princípios da Teologia da Libertação
A vida de Dom Fragoso (1920-2006) se transforma em documentário pelo olhar de Francis Vale

Homem simples, culto e de grande coração, essas são algumas das qualidades pelas quais era conhecido Dom Antonio Batista de Fragoso (1920-2006). O religioso, que foi bispo da Diocese de Crateús durante 34 anos, de 1964 a 1998, defendia os princípios da Teologia da Libertação, sobressaindo-se pelo trabalho pastoral realizado junto aos mais pobres e trabalhadores rurais.

Na ditadura militar, ele combateu corajosamente suas atrocidades, denunciando no exterior os crimes praticados contra aqueles que se opunham ao regime político, sendo, por isso, muitas vezes, ameaçado de prisão ou tachado pelos militares como "persona non grata ".

Dom Fragoso ganhou projeção internacional por ter implantado, de maneira pioneira, um novo estilo de Igreja, servindo de modelo na América Latina. Rompendo com a estrutura rígida e hierárquica católica, que distanciava os bispos dos cristãos. Depois que deixou a Diocese de Crateús, no final dos anos 1990, aposentou-se e foi viver com sua família, em João Pessoa (PB).

Filme

A trajetória de luta, ligada a missão pastoral de Dom Fragoso virou documentário, produzido pelo cineasta Francis Vale. O filme foi lançado pela primeira vez em novembro de 2011, em Crateús. Uma segunda versão, com legendas em espanhol, inglês, português e italiano está prevista para sair em março deste ano.

O interesse de Francis Vale pela história do religioso não é recente. Segundo o cineasta, sua família é de Crateús e durante as férias da faculdade de Direito ele ia visitar os pais, tendo contato com relatos de algumas pessoas que conviveram de perto com o clérigo. "A dedicação de Dom Fragoso às causas populares, é sua maior herança. Não existiam sindicatos rurais; foi o religioso quem ajudou a criá-los. Hoje, encontramos organizações de trabalhadores rurais em todos os municípios cearenses, a grande maioria delas bem estruturada e produtiva", conta.

Para Francis Vale, Dom Fragoso foi um homem ousado para sua época, desenvolvendo um trabalho organizado e com grande teor humanitário. "Ele enfrentou a Ditadura Militar para defender sua causa. No documentário, Dom Hélder Câmara, então arcebispo de Olinda e Recife, conta que agiu em defesa do religioso quando soube que ele iria ser preso. Acho que por isso houve o recuo e Dom Fragoso não foi encarcerado", diz Francis.

Com 71 minutos de duração, o documentário, que recebe o nome do religioso, apresenta-nos a luta de Dom Fragoso, fundamentada em depoimentos de pessoas que trabalharam com ele, imagens do sertão cearense, e suas próprias recordações. Estas últimas filmadas um pouco antes de seu falecimento, em agosto de 2006.

Francis Vale explica que o objetivo do documentário é retratar o exemplo de Dom Fragoso. "Só de conversa com ele tínhamos um material de mais de duas horas de gravação. O filme traz ainda fotos, documentos, jornais e imagens dele". Quanto a exibição de "Dom Fragoso", ele destaca que não irá circular nos cinemas. "As grandes salas de cinema são muito fechadas. O filme está sendo feito para DVD. A primeira versão pode ser comprada por R$ 20, no Instituto Dom Fragoso - (88) 9679.7467 -, em Crateús. O documentário é destinado a cineclubes, comunidades, assentamentos, enfim, onde o povo se encontra", finaliza.

ANA CECÍLIA SOARES

Fonte: Diario do Nordeste

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