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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Que fizemos com esta mensagem apaixonante de Jesus?

A leitura que a Igreja proposta domingo, 22/01, é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 1, 14-29, que corresponde ao 3º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico.


OUTRO MUNDO É POSSÍVEL

Não sabemos com certeza como reagiram os discípulos de João Batista quando Herodes Antipas o encarcerou na fortaleza de Maqueronte. Conhecemos a reação de Jesus. Não se ocultou no deserto. Tampouco se refugiou entre os Seus familiares de Nazaré. Começou a percorrer as aldeias da Galileia predicando uma mensagem original e surpreendente.

O evangelista Marcos resume dizendo que «partiu para a Galileia proclamando a Boa Nova de Deus». Jesus não repete a predicação de João Batista, nem fala do Seu batismo no Jordão. Anuncia Deus como algo novo e bom. Esta é a Sua mensagem.

«Cumpriu-se o período». O tempo de espera que se vive em Israel acabou. Terminou também o tempo de João Batista. Com Jesus começa uma era nova. Deus não quer deixar-nos sós ante os nossos problemas, sofrimentos e desafios. Quer construir junto conosco um mundo mais humano.

«Está próximo o reino de Deus». Com uma audácia desconhecida, Jesus surpreende a todos anunciando algo que nenhum profeta tinha se atrevido a declarar: "Já está aqui Deus, com a Sua força criadora de justiça, tratando de reinar entre nós". Jesus experimenta Deus como uma Presença boa e amistosa que procura abrir caminho entre nós para humanizar a nossa vida.

Por isso, toda a vida de Jesus é uma chamada à esperança. Há alternativa. Não é verdade que a história tenha que discorrer pelos caminhos de injustiça que lhe traçam os poderosos da terra. É possível um mundo mais justo e fraterno. Podemos modificar a trajetória da história.

«Convertei-vos». Já não é possível viver como se nada estivesse a acontecer. Deus pede aos Seus filhos e filhas colaboração. Por isso grita Jesus: "Mudai a forma de pensar e de atuar". Somos as pessoas, as que primeiro temos de mudar. Deus não impõe nada pela força, mas está sempre a atrair as nossas consciências para uma vida mais humana.

«Acreditai nesta Boa Nova». Tomai-a a sério. Despertai da indiferença. Mobilizai as vossas energias. Acreditai que é possível humanizar o mundo. Acreditai na força libertadora do Evangelho. Acreditai que é possível a transformação. Introduza-se no mundo a confiança.

Que fizemos com esta mensagem apaixonante de Jesus? Como pudemos esquecer? Pelo que o substituímos? No que nos entretemos se o importante é "procurar o reino de Deus e a Sua justiça"? Como podemos viver tranquilos observando que o projeto criador de Deus de uma terra cheia de paz e de justiça está sendo aniquilado pelos homens?

José Antonio Pagota


DOMINGO 22 DE JANEIRO Evangelho segundo Marcos 1,14-20

Depois que João Batista foi preso, Jesus voltou para a Galiléia, pregando a Boa Notícia de Deus: «O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia».
Ao passar pela beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse para eles: «Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens».
Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus.
Caminhando mais um pouco, Jesus viu Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes. Jesus logo os chamou. E eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados e partiram, seguindo Jesus.

(Correspondente ao 3º Domingo do Tempo Comum, ciclo B do Ano Litúrgico).

O Reino de Deus está aqui

O evangelho deste domingo nos apresenta primeiro a pessoa de Jesus como itinerante, depois de estar no deserto Ele volta para Galileia. Esta característica marcará a vida de Jesus e seus seguidores/as.

O motivo de estar sempre a caminho é sua paixão por comunicar a Boa Noticia de Deus: "O tempo já se cumpriu, e o Reino de Deus está próximo".

Suas palavras causaram, sem dúvida, impacto nos judeus que as escutavam. Não continuava Israel dominado pelos romanos? Não seguiam os camponeses oprimidos? Não continuava o mundo cheio de corrupção e injustiça?

Mas Jesus afirma com convicção que Deus já está aqui, atuando silenciosamente no meio do povo, e assim seu reinado vai se expandindo pelas regiões de Galileia.

Jesus partilha, comunica sua própria experiência de um Deus vivo, presente e atuante, por isso, apesar da dureza da realidade, ousa proclamar sua fé e convidar a crer nesta Boa Notícia.

Os contemporâneos de Jesus, assim como nós agora, poderiam perguntar-se: Como pode dizer que o Reino de Deus já está presente? Onde pode ser visto e experimentado? Como pode Jesus estar tão seguro da presença de Deus?

Em mais de uma oportunidade, os evangelhos nos mostram que estas perguntas foram feitas a Jesus. E Ele respondeu de forma ainda mais desconcertante para a mentalidade da época.

O Reino de Deus não vem de forma espetacular, nem tem que se escutar os céus buscando sinais especiais e não entra em cálculos nem prognósticos.

É necessário aprender a captar sua presença e ação de outra maneira, porque o Reino de Deus já está entre nós!

Os simples e pobres são os primeiros em acolher a Boa Noticia de um Deus que os ama e não os esqueceu. Ao contrário, sua preocupação é libertar seus/suas filhos/as de tudo quanto os/as desumaniza e os/as faz sofrer.

Por isso os evangelhos narram de diferentes formas a infatigável vida itinerante de Jesus, que, movido pela compaixão, cura aos doentes, consola os abatidos, liberta os oprimidos social ou religiosamente, manifestando, assim, a bondade de Deus.

Unido a esta proclamação da chegada do Reino de Deus, Jesus exorta seus ouvintes a converter-se e acreditar na Boa Notícia.

A nova presença de Deus pede uma mudança profunda. Para participar do Reino de Deus é preciso deixar-se transformar pela sua dinâmica de amor que leva a modificar a forma de pensar e agir.

A palavra conversão, metanoein, significa mudar a forma de pensar e agir, ou seja, não viver de acordo com os critérios do "império" reinante, mas assumir um estilo de vida que irradie o reinado de Deus.

O que implica viver relações de cuidado e respeito com todo o criado, exercitar a capacidade de diálogo e crescimento junto com o diferente, promover a justiça e a reconciliação e fazer os pequenos estarem sempre em primeiro lugar.

A chegada do Reino pede uma mudança pessoal e comunitária, o povo tem que tomar outro rumo para alcança a Vida para todos/as.

E esta tarefa não pode ser exclusiva de uma pessoa. Por isso Jesus, desde o início, rodeia-se de amigos/as e colaboradores/as. Ele sabe que é necessário criar um movimento de homens e mulheres, do próprio povo, que ajudem os outros a tomar consciência da proximidade salvadora de Deus.

A segunda parte do evangelho de hoje nos narra o chamado de Jesus aos seus primeiros amigos: «Sigam-me, e eu farei vocês se tornarem pescadores de homens».

Chama a atenção que o convite é austero. A proposta consiste em segui-lo em sua vida itinerante pelos caminhos de Galileia e Judeia, partilharem sua experiência de Deus, aprenderem a reconhecer Sua ação, e acolhê-la e guiados por Ele participarem na tarefa de anunciar a todos a vinda do Reino.

Os primeiros homens e mulheres que acolheram o chamado de Jesus, fazendo-se seus discípulos/as e seguidores/as formaram um grupo plural do qual se iniciará o movimento que deu origem ao cristianismo.

Neste grupo inicial, podemos incluir Paulo de Tarso, hoje celebramos a memória de seu martírio. Embora não tenha convivido com Jesus, sua vida e missão abriram as portas da fé cristã ao diálogo com culturas e religiões diferentes.

Segundo Hermann Häring, ninguém como Paulo inculcou tão profundamente no cristianismo o pensamento do universalismo. Ele iniciou sistematicamente e fundamentou explicitamente o primeiro processo histórico de universalização.

Para este teólogo alemão, o universalismo paulino pode, sem esforço e de modo preciso, ser inserido na fundamentação de um ethos mundial, o que abre espaço para o diálogo entre culturas e religiões.

A fé cristã transmitida deste grupo inicial de homens e mulheres apaixonados/as como seu Mestre pela proposta do Reino de Deus, de geração em geração chegou a nós hoje, para ser acolhida, vivida e comunicada.

Por isso para quem está lendo estas palavras, é dirigido o convite de acolher as mais importantes: "O Reino de Deus já chegou, convertam-se e acreditem na Boa Noticia".


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