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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Pinheirinho: a vida não vale nada

Pinheirinho: a vida não vale nada

As vítimas do massacre, no Pinheirinho, em São José dos Campos, contam-se aos milhares. Incluindo crianças, idosos e grávidas. Suas vidas não valem nada, para quem deu as ordens. São todos pobres e sem defesas ou alternativas, e foram abandonados primeiro por quem mais deveria preocupar-se com eles: a prefeitura de sua cidade.

La vida no vale nada
si cuatro caen por minuto
y al final por el abuso
se decide la jornada.

(Pablo Milanés)

Como já se tornou comum, hoje tivemos mais um dia em que a polícia foi usada como instrumento para atacar violentamete quem luta por seus direitos, em São Paulo. Além dos estudantes da USP, o alvo preferencial têm sido os pobres, os que lutam para ter direito a uma casa, os negros e os jovens das periferias.

Em São Paulo, a repressão e a violência policial há muito substituíram a negociação, o cumprimento de acordos firmados e o diálogo. Os direitos humanos são reduzidos a nada. Sob as palmas de parcelas expressivas de uma sociedade doente e cínica.

As vítimas do massacre de hoje, no Pinheirinho, em São José dos Campos, contam-se aos milhares. Incluindo crianças, idosos e grávidas. Suas vidas não valem nada, para quem deu as ordens. São todos pobres e sem defesas ou alternativas, e foram abandonados primeiro por quem mais deveria preocupar-se com eles: a prefeitura de sua cidade. Abandonados para serem violentados e humilhados, despojados de seus lares e de sua história, expostos até mesmo a terem seus celulares roubados pelos policiais, para impedir que o massacre fosse denunciado. Agredidos porque são pobres e resolveram exercer seu direito à moradia. Massacrados porque reivindicam a aplicação do princípio constitucional da função social da propriedade.

Mas a justiça paulista importa-se pouco com vidas que não valem nada, muito menos com princípios. Deve estar mais interessada nos finalmentes.

Finalmente, os parceiros do Sr. Naji Nahas terão seu terreno para fazer seus negócios imobiliários. Finalmente, o Sr. Eduardo Cury, prefeito de São José dos Campos, poderá sonhar mais longe em sua carreira política. Finalmente, o governador Alckmin livrou-se do vexame de ser o governo federal quem se antecipava para resolver o problema em seu quintal. Finalmente, o juiz Rodrigo Capez e a juiza Márcia Faria Mathey poderão orgulhar-se de passarem por cima das decisões da Justiça Federal. Non ducor, duco.

Pensando em todos esses e naqueles que, não por ignorância, ficam indiferentes a tanta injustiça, arbitrariedade e violência contra os pobres, lembrei da canção La Vida No Vale Nada, de Pablo Milanés. Deu-me vontade de mostrá-la a essa gente cheia de lei e sem nenhuma justiça. Seria inútil. Eles apenas responderiam: essa canção não vale nada.



LA VIDA NO VALE NADA
(Pablo Milanés)

La vida no vale nada
si no es para perecer
porque otros puedan tener
lo que uno disfruta y ama.
La vida no vale nada
si yo me quedo sentado
después que he visto y soñado
que en todas partes me llaman.
La vida no vale nada
cuando otros se están matando
y yo sigo aquí cantando
cual si no pasara nada.
La vida no vale nada
si escucho un grito mortal
y no es capaz de tocar
mi corazón que se apaga.
La vida no vale nada
si ignoro que el asesino
cogió por otro camino
y prepara otra celada.
La vida no vale nada
si se sorprende a otro hermano
cuando supe de antemano
lo que se le preparaba.
La vida no vale nada
si cuatro caen por minuto
y al final por el abuso
se decide la jornada.
La vida no vale nada
si tengo que posponer
otro minuto de ser
y morirme en una cama.
La vida no vale nada
si en fin lo que me rodea
no puedo cambiar cual fuera
lo que tengo y que me ampara.
Y por eso para mí
la vida no vale nada

José Carlos Vaz

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