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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Religioso analisa contribuições da I Jornada Teológica

Como mais um etapa preparatória do Congresso Continental de Teologia (CCT), Santiago do Chile recebe, entre os dias 12 e 15 de julho, a Jornada Teológica do Cone Sul e Brasil. A primeira Jornada foi realizada na Guatemala para os países da América Central e Caribe, da qual participou o Irmão Pedro Acevedo, um religioso lasallista. Em entrevista a Adital, Acevedo fala das principais contribuições desta primeira Jornada, dos desafios colocados para a teologia nessa região, assim como a importância desses momentos preparatórios.

O CCT, que será realizado no sul do Brasil em outubro de 2012, tem como principal finalidade pensar os desafios e tarefas futuras da teologia da libertação na América Latina. As Jornadas são espaços de mobilização e preparação para o Congresso e são realizados dentro dos mesmos objetivos.

Pedro Acevedo é reconhecido por sua trajetória em organizações da Igreja latino-americana, como a Conferência Latino-americana de Religiosos (CLAR), onde prestou diversos serviços. Desde sua juventude, tem grande afinidade com os movimentos estudantis, como o Movimento Internacional de Estudantes Católicos (MIEC) e a Juventude Estudantil Católica Internacional (JECI), assim como outras coletividades de intelectuais católicos, nas quais continua militando. Dominicano de nascimento, mas de vocação latino-americana e caribenha, Pedro Acevedo compartilha suas perspectivas sobre os vínculos entre igreja e sociedade civil.

1. Como essa Jornada pode contribuir para o desenvolvimento da Teologia da Libertação na América Central e no Caribe?

Pode contribuir para o desenvolvimento da Teologia da Libertação na América Central e no Caribe nos seguintes aspectos: Comprovou-se que a teologia da libertação entusiasmou todos os processos vividos nos diferentes países depois de Medellín. Esse processo resultou em uma diversidade de reflexões, de experiências pastorais, de vivências profundas, tais como o martírio, de uma espiritualidade e da opção pelos pobres. Essa diversidade se constatou no encontro, que de maneira clara se pode ver que a teologia da libertação seguirá dando frutos e animando nosso caminhar.

Por outra parte, a necessidade de aprofundar temas que na teologia da libertação merecem continuar sendo refletidos, como: a mulher, o mundo indígena, os afrodescendentes, etc. Finalmente, com relação ao tema da esperança e da gratuidade, que são aspectos muito presentes na teologia da libertação, e o vivido nesses dias, é uma mostra de que podemos ir mais além, de que a esperança segue viva e que o Senhor nos manifestou sua graça nesse encontro.

2. Quais são os desafios para a Teologia na América Central e no Caribe percebidos a partir das discussões da Jornada?

Na minha opinião, os principais desafios seriam:

Poder articular a riqueza das diversas experiências novas e que abrem perspectivas para temas novos, aprofundar outros e repensar algumas coisas. A riqueza de uma série de caminhos novos que devem ser aprofundados e sistematizados, tais como o mundo da exclusão, da migração, das mulheres, da mudança de época, do desencanto da política, do fenômeno juvenil, da presença dos indígenas, etc. Crescer e sistematizar o caminhar dentro dessa reflexão teológica, que nos animou e sustentou, mas que, dada a situação eclesial em muitos de nossos países, se estimulam outras teologias mais desencarnadas e alheias a nossa realidade. Dedicar tempo, recursos e pessoas que sejam capazes de assumir o relevo geracional de tantos teólogos e tantas teólogas valiosas que temos e que já estão se afastando. A integração de maneira decidida de aspectos relevantes em nosso caminhar: o martírio, o mundo indígena e afro, a mulher, a juventude e a migração; entendidos e vividos esses elementos no contexto de violência, pobreza e injustiça que vivemos.

3. O CCT será realizado no marco de dois significativos acontecimentos para a Igreja Católica da América Latina e do Caribe: 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e 40 anos da publicação do livro Teologia da Libertação – Perspectivas, de Gustavo Gutiérrez. Passado esse tempo, como se avalia a relação da Igreja Católica com os movimentos sociais na América Central e no Caribe?

Não creio que possamos dar uma resposta uniforme para todos os países da região, já que depende de muitos fatores, mas quero destacar a experiência de compromisso da Igreja que nos acolheu: Guatemala. Onde o compromisso diverso e desafiante foi como pano de fundo do encontro. Feita essa primeira afirmação, creio que devemos afirmar que a relação da igreja em seu conjunto com os movimentos sociais tem sido muito rica e tem contribuído de maneira significativa para mudanças reais.

Sempre podemos dizer que se pode mais e nesse sentido sempre há um chamado, que parte dos próprios movimentos sociais, para um compromisso maior, uma maior visibilidade e uma maior coerência com as realidades de nossos países.

4. Em sua análise, qual a principal contribuição que a Jornada da América Central e do Caribe poderá oferecer para o Congresso Continental de Teologia (CCT)?

A reflexão teológica de nossa realidade, com seus matizes centro-americanos e caribenhos, já que somos países pequenos, igrejas com poucos recursos e com limitações, mas capazes de dizer nossa palavra e de viver a fé em claves de esperança e de um compromisso pela paz e pela justiça.

5. Qual é a importância desses momentos de preparação, nas Jornadas, para o Congresso Continental de Teologia de 2012?

Situarmo-nos na perspectiva da memória, da identidade e do caminhar de nossas igrejas como Povo de Deus e reconhecer o que os outros semearam com seu sangue e seu martírio... E não ficarmos somente nos eventos, mas sim que caminhemos, reflitamos e reconheçamos o Deus vivo em meio às tarefas cotidianas de nossos povos... Isso é celebrar e reconhecer!


Fonte: Adital

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