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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Padre suspenso





Alto Alegre dos Parecis - Rondônia, 28 de Novembro de 2010.


“Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim ser forçado a desistir daquilo que se mais ama”.

Olá irmãos no Verbo Divino,

Ao cumprimentá-los na Paz do Senhor, venho através desta colocá-los apar da minha real situação aqui na Diocese de Ji – Paraná. Primeiro, veio uma carta do Senhor Bispo me desejando felicidade pelo êxito das eleições, logo dele que tanto me desejou o mal. Hoje fui tomado de surpresa pela suspensão “a divinis’. Mas, aplaudo e encorajo aqueles que vêem para além da aparência de uma "suspensão" para a qual não existe motivo ou justificativa alguma. A minha condenação trata-se puramente de um processo político em que fui vítima, e na verdade não vejo dificuldade alguma em um verbita encarnar a realidade da política. O meu amor pela política foi fruto da minha formação missionária verbita. Mesmo como estudante sempre tive uma visão muito politizada da sociedade. E como religioso católico sempre acompanhei a linha mais de esquerda da Igreja, sempre me envolvi no partido, em movimentos sociais, de sem terra, de jovens, sempre fui muito a favor das comunidades eclesiais de base.
Toda pena, necessariamente, é relacionada a algum tipo de delito, e quanto maior é a pena, maior deve ser o delito. Pois bem, no meu caso onde está o delito para tão grande pena?

Acredito que sou e tenho sido sempre, ao longo de onze anos, um religioso missionário sacerdote católico fiel. Mas, pelo menos de acordo com um decreto mal elaborado que recebi hoje, eu estou "suspenso do sacerdócio". É muito curiosa tal decisão unilateral e autoritária. O único fundamento supostamente alegado para a minha "suspensão" seria a minha candidatura a Deputado Federal.

Considero que isso para mim é uma pena de vingança da nossa autoridade eclesiástica ao me retirar o direito de celebrar missas. Será que não poderia haver outro caminho de diálogo, uma vez que “a autoridade na Igreja tem mil caminhos para dialogar com o sacerdócio”?

Sou político por vocação pessoal, mas a minha vida tem sido um eterno sacerdócio.
Como pode ser castigado um religioso missionário por não poder fazer algo que o seu próprio acusador o impede de realizar? A lei da Igreja é mais misericordiosa que o meu acusador [Can. 1321]. A lei da Igreja diz que ninguém pode ser castigado por não ter feito o impossível. Eu sei que estou me movendo em terreno minado... Mas vale a pena arriscar tudo, mesmo a vida, pela verdade, pela caridade e pela própria justiça. Esta é a minha autêntica postura religiosa sacerdotal. Tal proibição pra mim tanto é ilícita quanto desnecessária, pois não sou sacerdote diocesano, além de não pertencer aos quadros diocesanos, nunca celebro sem a prévia permissão dos párocos e responsáveis nas comunidades. Eu sou missionário e sempre buscarei a verdade sem medo, e como dizia São Paulo: a fé expulsa o medo.

Será que rezar é um pecado? “Pois vou rezar por aqueles que me desejam o mal”. Ao contrário de outros, nunca usei o “altar” ou outros “espaços sagrados” para falar de política, falar leviandades ou assuntos de interesse de determinados grupos.

Nunca me aliei a corruptos nem a corruptores, não sou pedófilo e nunca desrespeitei o magistério da Igreja. Fui um bom Prefeito e com certeza se Deus quiser serei um bom Deputado Federal e usarei a Tribuna do Parlamento para denunciar e defender os assuntos de interesse do povo de Rondônia e do Brasil.

Creio que estas poucas linhas são suficientes pra entendermos e refletirmos seriamente sobre o caminho da morte do profetismo na nossa Igreja Católica. A Igreja do Vaticano II é a do povo de Deus. Todos nós clérigos e leigos devemos contribuir para colocarmos em prática a nossa fé, nossa esperança e nosso amor.

Atenciosamente.

Padre Máriton Benedito de Holanda (Padre Ton)
Padre e Deputado Federal Eleito


publicada por Prof. Adão Marcos Graciano

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