quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Para Casaldáliga filme não deve ser pessoal, mas retratar as verdadeiras causas da luta



A vida de Pedro Casaldáliga, o bispo espanhol reconhecido como um dos grandes expoentes da Teologia da Libertação latino-americana e radicado, desde 1968, no distante São Félix do Araguaia (Brasil), está sendo filmada numa coprodução brasileira-espanhola para a televisão.
"Nesta terra é fácil nascer e morrer, o difícil é viver", disse Casaldáliga, da região que há 44 anos adotou, quando chegou a São Félix (no Estado de Mato Grosso, na Amazônia) e encontrou-se com um mundo de tensões sociais, onde grandes latifundiários se empunhavam sobre os pobres, camponeses e indígenas.

Hoje, com 84 anos e ainda radicado em São Félix, continua empenhado em sua luta. "Nós nos conformamos com este sistema que faz da humanidade um negócio", declarou à agência AFP, com a voz fragilizada pelo Parkinson, mas com uma lucidez intacta.

Casaldáliga também continua defendendo uma Igreja comprometida com o povo. "Hoje, mais do que nunca, a Igreja teria que ser a voz da esperança", disse, e defendeu que "o Vaticano não seja Estado, o Papa não seja chefe de Estado, que reconheça os direitos da mulher, que não seja uma Igreja de poder e sim de serviço", disse.

Este padre catalão, que nunca voltou para a Espanha, enfrentou os latifundiários, o governo e até o Vaticano em sua denúncia ao latifúndio e defesa dos camponeses, indígenas e por uma Igreja mais comprometida. Viveu ameaçado de morte por pistoleiros, e foi fundador da Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista, marcos na luta pela reforma agrária e pelos direitos dos indígenas.

"A [vida] de Casaldáliga é uma história de luta e conquista da terra, no Brasil, e a de compromisso de um homem que diante de uma situação extrema, deu uma resposta extrema, entregando sua vida para resolver essa situação. É uma história universal e isso é o que dá força ao filme", conta à agência AFP, Francesc Escribano, escritor e jornalista catalão, autor do livro "Descalço na terra roxa", que dá título ao filme, do qual também é produtor.

Uma equipe de 100 pessoas chegou a São Félix do Araguaia para as filmagens, até início de setembro. A cidade, distante 24 horas de ônibus de Brasília, hoje possui cerca de 10.000 habitantes e carece de estradas asfaltadas.

Para o filme, foram reconstruídos cenários que procuram voltar a como era 40 anos atrás: uma terra em processo de colonização, com prostíbulos e pistoleiros, explica Escribano.

O autor catalão, Eduard Fernández, interpreta Casaldáliga na que será uma minissérie de dois capítulos, com um orçamento de 3,5 milhões de euros, contando com o roteirista do premiado filme "Central do Brasil", Marcos Bernstein, em que participam a Televisión Espanhola, a catalã TV3 e a TV Brasil.

Em 1988, Casaldáliga foi chamado a Roma e submetido a um duro interrogatório pelo então cardeal Joseph Ratzinger. Interpretado como um empuxo entre dois pesos pesados da Igreja, esse diálogo é o ponto de partida do filme. Em 1985, o bispo catalão viajou a Nicarágua para apoiar a greve de fome do chanceler e sacerdote Miguel d'Escotto, e para Cuba a convite do então presidente Fidel Castro. Dele, o teólogo brasileiro frei Betto, um símbolo da esquerda católica latino-americana, afirmou: "Há no Brasil um santo e herói, Pedro Casaldáliga. Santo por sua fidelidade radical ao Evangelho, herói pelos riscos de vida enfrentados e as adversidades sofridas".

"Não façam um filme sobre mim, que seja um filme sobre as verdadeiras causas desta luta: a vida, a liberdade e a dignidade", pediu Casaldáliga ao seu amigo Escribano, quando soube que produziria o filme.


***
 A vida de Dom Pedro Casaldáliga, 'o bispo dos pobres', chega à TV

Brasília, 13 ago (EFE).- A liturgia solidária do bispo catalão Dom Pedro Casaldáliga, que durante décadas foi no Brasil a voz dos índios, dos sem-terra e dos mais pobres, chegará à televisão transformada em uma série por seu compatriota Francesc Escribano.
'É a história de alguém que veio para transformar o povo, mas acabou transformando a terra', declarou Escribano à Agência Efe, que filma a série 'Descalço Sobre a Terra Vermelha', baseada no livro de mesmo nome que escreveu sobre a vida do bispo.
A filmagem é feita em São Félix do Araguaia, um humilde povoado do interior do estado do Mato Grosso, aonde Casaldáliga chegou em 1968 e ainda reside, com 84 anos de idade e lúcido, apesar do mal de Parkinson que o acomete há muito tempo.
Nesse mesmo lugar, Escribano conheceu Dom Pedro Casaldáliga em 1984, quando fez a primeira das entrevistas que depois resultaram no livro 'Descalço Sobre a Terra Vermelha', publicado em 2002.
Tanto esse livro como o 'documentário-ficção' são para o jornalista espanhol 'algo como um 'western' com forte carga espiritual', que descreve o duro retrato humano encontrado por Casaldáliga quando chegou à São Félix do Araguaia.
'Esta parte do Mato Grosso era em 1968 uma região abandonada por Deus, extremamente violenta, e com os índios em uma luta feroz por suas terras com fazendeiros que não perdoavam', afirmou Escribano por telefone.
A história retrata essa luta e a forma como o bispo catalão se envolveu nela até abraçar a Teologia da Libertação, uma corrente teológica nascida entre os movimentos de base da Igreja Católica no Brasil e que depois se expandiu pelo resto da América Latina.
Por essa causa, Casaldáliga voltou à Europa em 1988, pela primeira vez desde que chegou ao Mato Grosso.
Mas o fez porque 'foi chamado para uma audiência' pelo Vaticano, disse Escribano, explicando que essa ida à Santa Sé é um dos fios condutores da trama.
Nessa oportunidade, além de ter uma audiência com o papa João Paulo II, Casaldáliga teve 'uma verdadeira queda de braço religiosa' com Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI e então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que condenava os princípios 'marxistas' identificados na Teologia da Libertação.
Durante a rodagem desta produção, que levará oito semanas em São Félix do Araguaia, Escribano disse que 'todo o povo' e o próprio Casaldáliga passam por 'uma autêntica revolução', ao reviver passagens de sua própria história 'que muitas vezes não são as melhores'.
O bispo recebe quase diariamente uma parte do elenco e, segundo palavras de Escribano, sempre os atende com uma mesma frase que remete ao seu delicado estado de saúde: 'Estou vivo'.
O projeto é uma co-produção hispânico-brasileira da qual participam a 'Televisió de Catalunya' (TV3), a 'Televisión Española' (TVE), a 'TV Brasil' e as produtoras 'Minoria Absoluta' e 'Raiz Produções'.
A produção terá um custo aproximado de R$ 7,5 milhões, que foram financiados em parte por empresas dos dois países, entre elas as espanholas Endesa e Mapfre, e a Petrobras.
A filmagem conta com mais de 1.200 figurantes da região de São Félix do Araguaia. No papel de Casaldáliga estará o ator espanhol Eduard Hernández.
'Já trabalhei em 25 ou 30 filmes, mas este é o personagem mais especial, o mais importante que já tive e para o qual precisei 'me esvaziar' para poder fazer um Pedro 'limpo' e assumir o compromisso que ele teve durante sua própria história', disse Hernández.
Uma história que, segundo Escribano, o 'bispo dos pobres' queria ter escrito e refletido de outra maneira.
'Disse que queria evitar o 'benefício próprio', que preferia um filme sobre as causas e não sobre uma pessoa concreta', porque a história de suas lutas 'foi comunitária', explicou Escribano, confessando que só pôde cumprir 'a metade' desse desejo. EFE
Eduardo Davis

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Moradores de rua de SP pedem políticas sociais de apoio

Moradores de rua da capital paulista reivindicam políticas sociais de apoio

Moradores de rua da capital paulista passaram a madrugada desta segunda-feira reunidos na Praça da Sé, no centro da cidade, para reivindicar políticas sociais de apoio à população em situação de rua.
A manifestação começou na noite de domingo e terminou na manhã desta segunda. A organização informa que 36 barracas foram montadas para abrigar três pessoas em cada, totalizando pouco mais de 100 manifestantes.
A mobilização faz parte do dia nacional de luta dessa população. O 19 de agosto faz referência ao Massacre da Sé, nome pelo qual ficou conhecido o episódio em que sete pessoas que dormiam na praça foram mortas nesse dia em 2004. Até hoje, nenhum dos suspeitos foi preso. A data também será lembrada em Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Vitória.
Levantamento da prefeitura informa que 14,5 mil pessoas vivem nas ruas de São Paulo. O documento mostra que 47% dessas pessoas estão nas ruas e 53% em abrigos.
Kátia Lúcia dos Santos, de 33 anos, vive há 8 anos na praça da Sé e relata dificuldades para conseguir sobreviver. “Sai de casa porque briguei com meus pais. Os primeiros dias foram muito difíceis, mas nunca pensei em voltar”, disse a moradora. Ela diz que faltam oportunidades que a possibilitem sair dessa situação. “Quando a gente procura trabalho, precisa ter residência fixa”, exemplifica.
O padre Júlio Lancellotti, membro da Pastoral de Rua da Arquidiocese de São Paulo, avalia que são necessárias ações em diversas áreas e não só de assistência social para atendimento a esse público.
- Não podemos ter respostas que sejam sempre as mesmas, por exemplo, o albergue. Essas pessoas não podem ser atendidas por compartimentos. Os atendimentos precisam estar integrados -, defende. Dentre as áreas que precisariam ser contempladas, estão: saúde, educação, moradia e trabalho.

Correio do Brasil

Lei das Cotas Raciais ‘é anacrônica’, alerta pesquisador

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negros
Sistema de cotas raciais, da forma como foi colocada, "decapita o movimento negro" no Brasil
O projeto de Lei aprovado pelo Senado que estabelece as cotas sócio-raciais seguirá à sanção da presidenta Dilma Rousseff mas, na opinião de um dos autores do Programa de Ações Afirmativas da Universidade de Brasília (UNB), da forma que foi concebida, a nova Lei representará um enorme retrocesso ao dividir a comunidade negra. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do país, reconhecer que “não precisa dividir” porque ser negro no Brasil representa, por si só, uma desvantagem.
Na opinião é do professor José Jorge de Carvalho, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília e pesquisador do CNPq, em entrevista à última edição da revista semanal de esquerda Caros Amigos, o projeto aprovado pelo Senado cria as chamadas cotas sócio-raciais, ao reservar 50% das vagas para estudantes oriundos da escola pública; destes 50% devem ser reservadas aos estudantes de famílias com renda per capita de 1,5 salário mínimo; e os outros 50% entre negros e indígenas proporcionalmente à presença de cada um desses segmentos em cada Estado da Federação, de acordo com o Censo do IBGE 2010.
– A Lei é anacrônica. A história vai responsabilizar as lideranças negras que participaram desse retrocesso. Como o senador Paim, que tem assessores parlamentares afinados com esse tema, não lutou para desvincular as cotas sociais? Sarney virou paladino dos negros brasileiros? A elite branca racista brasileira entregou os anéis para não entregar os dedos – ironizou.
Segundo afirmou José Jorge de Carvalho, a principal função da Lei “é conter a parte mais poderosa, a vanguarda do Movimento Negro”.
– Simplesmente, a Lei conteve a parte mais poderosa do Movimento, decapitou a comunidade negra. Os filhos dos empresários da Fiesp estudam na Universidade de S. Paulo (USP), na Universidade de Campinas (Unicamp). Os filhos dos empresários da Firjan, do Rio, também estudam nas melhores universidades públicas. Nossa luta sempre foi para que os filhos do Pelé tivessem os mesmos direitos dos filhos da faxineira e todos pudessem estudar – acrescentou.
José Jorge também critica o fato de o Senado ignorar, durante a tramitação da Lei, a experiência acumulada por 129 universidades que já adotam ações afirmativas por decisão de instâncias internas. Citou o caso das 51 que adotam cotas e lembrou que, destas, 46 instituições têm modelos diferentes.
– Das 51 universidades federais que têm cotas, 46 têm modelos diferente. Cada universidade que aprovou (o sistema de cotas), procurou fazê-lo de forma diferente das anteriores. Foi resultado sempre de uma negociação por parte dos Conselhos. Uma variedade de sistemas. A Lei simplifica o raciocínio. A massa crítica que gerou a luta pelas ações afirmativas não pode influenciar o Congresso. Todas as audiências foram inúteis, foram inférteis, dissociadas de reflexão. Toda a inteligência gerada pela sociedade foi desprezada, considerada irrelevante – frisa.
De acordo com o professor da UnB, a luta por cotas é uma luta política.
– Para que lutamos durante mais de uma década? Para que existissem cotas para negros, para empoderar a comunidade negra. A luta por cotas raciais é uma luta política. A opção de colocar negros de baixa renda ou negros da escola pública é uma medida de contenção da comunidade negra. Querem dizer que apenas aceitam apoiar, reconhecem direito à proteção pelo Estado da parte mais frágil da comunidade negra – concluiu.

Correio do Brasil

Movimento de Formação Cristã Libertadora promove Simpósio Teológico em Fortaleza (CE)

O Movimento de Formação Cristã Libertadora (MFCL) convida todos para o simpósio teológico ‘50 Anos do Concílio Vaticano II e 40 Anos da Teologia da Libertação – O que o Espírito diz às Igrejas?’. Acontecerá nos dias 30 e 31 de agosto e 1º de setembro, no Centro Pastoral Maria Mãe da Igreja, localizado à Rua Rodrigues Júnior, n. 300, bairro Centro, na cidade de Fortaleza, no Ceará. A entrada é gratuita.
O objetivo maior é mostrar que “outro Cristianismo é possível”, moderno e esclarecido na sua compreensão das verdades da fé, sensível e combativo frente ao drama dos empobrecidos e marginalizados na nossa sociedade, respeitoso e acolhedor no trato com pessoas de outras orientações de vida.
O simpósioteológicoé uma promoção do MFCL que reúne homens e mulheres, de diversas denominações cristãs, preocupados com a crescente irrelevância do ensino teológico-catequético na preparação de cristãos para as grandes questões humanitárias da nossa época.
Veja abaixo a programação completa:
30 de agosto, quinta-feira, 19h
“Fidelidade e infidelidade ao espírito do Concílio na caminhada da Igreja na América Latina e no Brasil”
Conferencista: Dom Tomás Balduíno, OP.
31 de agosto, sexta-feira, 19h
“Como ser igreja-fermento de emancipação humana
dentro de uma igreja-massa de eventos midiáticos?”
Conferencista: Mercedes de Budallés Diez
1º de setembro, sábado, 8h
“Temáticas, métodos e posições da Teologia da Libertação
que continuam irrenunciáveis ao caminhar da Igreja”
Conferencista: Padre Francisco de Aquino Junior

Cidadania Questão agrária está na raiz da luta por direitos humanos no Brasil


Questão agrária está na raiz da luta por direitos humanos no Brasil
Manifestação em Brasília pede agilidade na reforma agrária, como forma de combater pobreza. Luta por direitos humanos diária e antiga no campo (Marcello Casal Jr/ABr)
São Paulo – A importância da interação entre a Teologia da Libertação, os partidos de esquerda e os grupos que lutavam pela reforma agrária é uma experiência de reinterpretação da história dos direitos humanos e de seu sentido, na visão da professora de sociologia da Universidade de São Paulo (USP) Rossana Rocha Reis.
Além dela, outros pesquisadores – reunidos em um debate sobre as relações entre desigualdade e direitos humanos  realizado esta semana em São Paulo – afirmam que é comum associar a luta pelos direitos individuais e coletivos no Brasil à ação de grupos urbanos, principalmente durante o período militar. No entanto, concluem, as concepções de direitos humanos no país passam necessariamente pela história dos conflitos agrários, especialmente nos estados do Norte, onde a igreja católica atuou priorizando as causas sociais.
Segundo Rossana Reis, "o que chama a atenção no Brasil é a reivindicação da terra como direito humano, na ideia da terra como garantia da dignidade humana", pontuou. Por sua vez, Ricardo Rezende, antropólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), deu como exemplo a história do sul do Pará, onde os frades dominicanos tiveram forte influência em um cenário de intensas passagens da história de luta pelos direitos humanos.
"Em 1968 há uma atualização das discussões, até então egocêntricas, que começou a eclodir na América Latina. Em Medelín, na Colômbia, os bispos escrevem um documento no qual eles afirma que a igreja precisava optar pelos pobres. Era a Teologia da Libertação", sublinhou. "Com a Guerrilha do Araguaia a igreja ficou sensível à violência contra os trabalhadores pelas mãos do Exército. Os militares começaram a desconfiar que a igreja era comunista e que acobertava a guerrilha. Aí começaou um dos piores e mais sangrentos conflitos no Brasil rural", disse o pesquisador.
Também durante o período de ditadura (1964-85) outros problemas agrários recorrentes nos dias de hoje começavam a aparecer, como é o caso dos posseiros. O governo federal, na tentativa de aumentar a população nos estados da região da Amazônia, oferecia terras a empresas que passavam a ser proprietárias de grande parte daquele território. Porém, ao chegar às áreas determinadas, se deparavam com populações que ali já viviam.
Vindos de outros estados – tanto vizinhos, como os do Nordeste, mas também distantes, como os do Sul do país –, eles representavam uma classe média local que também tinha posse de propriedades rurais. Havia também as tradicionais populações ribeirinhas e indígenas. "E é nessa região que estoura o problema dos posseiros. Até então ninguém brigava por causa de terra", explica Rezende.

Rezende – que viveu no Pará durante 20 anos e conheceu Irmã Dorothy Stang e outras lideranças dos movimentos pela reforma agrária, – participou da criação, em 1975, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que nasceu, dentro da igreja católica, com o intuito de registrar as mortes ocorridas no Brasil rural e que, até então, eram esquecidas.
O fim da ditadura, mesmo com sindicatos rurais e a igreja livre da patrulha do Estado, não significou resolução dos conflitos agrários. Para o antropólogo, foi apenas uma transição para outros tipos de violência. "Foi a partir de então que a CPT começava a usar a Organização dos Estados Americanos como instrumento de pressão sobre o governo brasileiro. Depois disso nós tivemos a discussão da questão dos direitos humanos, quando a igreja discutia se ficaria na defesa dos direitos individuais e abarcaria questões como a reforma agrária, por exemplo. Discutindo esse assunto com organizações internacionais, com a Anistia Internacional", concluiu.
Para Rossana Rocha, por uma série de razões, a história da luta pelos direitos humanos no Brasil acabou compreensivelmente privilegiando a dimensão urbana e o eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Ela afirma, no entanto, que é evidente que uma história importante ocorria paralelamente nos estados do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e também no Nordeste, particularmente em Pernambuco.  "Tinha-se um desenvolvimento bem importante na luta pelos direitos humanos no Brasil que não passou pelos eixos mais conhecidos", defende. A releitura e a recuperação da memória daqueles movimentos deverá ampliar a base de conhecimentos sobre a história da luta pelos direitos humanos no país.

Virginia Toledo
Rede Brasil Atual



domingo, 12 de agosto de 2012

EUA treinam militares paraguaios e presença brasileira aumenta na Tríplice Fronteira

Paraguai
A convite dos EUA, o Paraguai participa das manobras no Canal do Panamá
Soldados paraguaios participam desde o início deste semana dos exercícios militares dirigidos pelo Comando Sul dos Estados Unidos, em manobras de suposta defesa do Canal do Panamá. A participação paraguaia em um movimento de tropas norte-americanas ocorre logo após o golpe de Estado naquele país sul-americano, prontamente apoiado por Washington, contra o ex-presidente Fernando Lugo. O treinamento das tropas seguirá até o dia 17 de agosto e tem cerca de 600 militares.
“Robert Appin, do Comando Sul dos Estados Unidos afirmou que o enfoque dos exercícios é a reação a um hipotético ataque terrorista que pretenda bloquer o trânsito de navios no Canal”, afirma nota do Movimento pela Paz, a Soberania e a Solidariedade entre os Povos (Mopassol, na sigla em espanhol). Segundo a instituição argentina, há no Panamá 12 bases aeronavais controladas pelos EUA. Desde 2003, sob a direção do Comando Sul, realizam-se os exercícios militares conhecidos como Panamax, que contam com a participação de militares do Chile, Panamá e Estados unidos. Atualmente, porém, integram as manobras 17 países ao todo e é considerado um dos maiores movimentos de tropas do mundo.
O Paraguai tem participado das manobras desde 2006, mas se manteve afastado de 2009 a 2012, sendo novamente convidado após o golpe que instituiu o governo de facto do presidente Federico Franco.
Referindo-se ao exercício multinacional que usa a desculpa da luta contra o terrorismo, o jornalista cubano Miguel Lamas afirmou, dois anos atrás, que o verdadeiro projeto dos exercícios militares na América Latina são ensaios de uma invasão.
“O aparato militar dos EUA aponta para a necessidade daquele país de buscar condições militares suficientes para dominar, militarmente, os demais países latino-americanos. Eles trabalham nos setores de inteligência e no treinamento físico para manter uma força capaz de intervir, no futuro, em qualquer país do continente. Este é o verdadiro objetivo de todas e de cada uma das manobras e dos exercícios militares que fazem, sempre com a cumplicidade aberta de vários países latino-americanos e de forma encoberta por outros”.
Intercâmbio parlamentar
No caso paraguaio e do Cone Sul, vale recordar que o governo dos EUA, há anos, insiste na presença de células terroristas em Ciudad del Este, na zona denominada “tríplice fonteira” (Brasil, Argentina e Paraguai). Um grupo de parlamentares norte-americanos, em visita àquela cidade paraguaia, nesta semana, alegou que o propósito da missão é a de “compreender melhor os desafios do crime transnacikonal que o Ocidente enfrenta”, segundo porta-voz.
O Paraguai mantém fortes laços de cooperação técnica e militar com os EUA, sempre a serviço daquele país no objetivo de bloquer a presença das repúblicas socialistas da Venezuela e demais integrantes da Unasul e no próprio Mercosul, do qual fazia parte até ser suspenso após o golpe de Estado, renovando sempre seu apoio à ingerência norte-americana na região. O país abriga uma classe política de ultradireita e conservadora que, no dia 22 de junho, perpetrou um ataque à democracia e ao mandato do presidente deposto Fernando Lugo. Essa mesma classe política, formada por partidos tradicionais e dependentes do capital estrangeiro, ampliou os contatos com o Congresso norte-americano nas últimas semanas
Manobras brasileiras
Ao longo desta semana, o governo brasileiro concluiu o envio de um contingente de cerca de 9 mil militares – equipados com helicópteros de combate, navios-patrulha, aviões de caça e blindados – para a Tríplice Fronteira, na Operação Ágata 5. O movimento de tropas irá durar 30 dias.
“É uma operação de fronteira que tem por objetivo, sobretudo, a repressão à criminalidade”, disse o ministro da Defesa, Celso Amorim. A Marinha enviou aproximadamente 30 embarcações para os rios da Bacia do Prata, entre elas três navios de guerra e um navio-hospital.
A Força Aérea Brasileira (FAB) participa da operação com esquadrões de caças F5 e Super Tucano, além de aviões-radar e veículos aéreos não tripulados. O Exército mobilizou infantaria e blindados Urutu e Cascavel de três divisões. As três Forças usam ainda helicópteros Black Hawk e Pantera, para transporte de tropas e missões de ataque.
A operação terá ainda o apoio de 30 agências governamentais, entre elas a Polícia Federal, que elevarão o efetivo total para cerca de 10 mil homens. O general Carlos Bolivar Goellner, comandante militar do Sul, disse que a área crítica de patrulhamento é entre as cidades de Foz do Iguaçu, no Paraná, e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, onde é maior a maior incidência de tráfico de drogas e contrabando.
Partiu da presidenta Dilma Rousseff a ordem a Amorim para a execução da Operação Ágata 5.
– A ação visa a reforçar a presença do Estado na fronteira com a Bacia do Prata – disse Goellner. Segundo ele, as fronteiras serão fortemente guarnecidas e como consequência o tráfico de drogas e o contrabando devem ser “sufocados”.
Para Samuel Alves Soares, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e presidente da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (Abed), a decisão de ampliar o número de homens armados na região de fronteira pode ser entendida como uma mensagem da disposição de aumentar a força brasileira.

Fonte: Correio do Brasil

sábado, 11 de agosto de 2012

Vaticano II - O que mudou? Fortaleza-CE



“Os 50 anos do Concílio Vaticano II e os 40 anos das Teologia da Libertação: O que o Espírito diz às Igrejas”. Este é o tema de simpósio que o Grupo Formação Cristã Libertadora (leigos e consagrados) realizará nos dias 30 e 31 e 1º de setembro próximos, no Centro Pastoral Maria Mãe da Igreja. Segundo Roberto Leite, do grupo, o objetivo é promover uma reflexão sobre como a Igreja Católica evoluiu após o Concilio e o que houve de retrocesso em matéria de Teologia da Libertação. Para ajudar nesse debate, participarão Dom Tomás Balduíno, fundador da Comissão Pastoral da Terra, e o professor Francisco Aquino Júnior, da Faculdade Católica de Fortaleza e da Diocese de Limoeiro do Norte. O simpósio é aberto a todos e a todos os credos