sábado, 12 de maio de 2012

Arquidiocese do Rio de Janeiro terá Observatório da Nova Evangelização


De dia 9 a 11 de maio, o secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Octávio Ruiz Arenas, em companhia do Padre José Mauricio Vélez Garcia, da Colômbia, esteve em visita ao Rio de Janeiro, apresentando ao Arcebispo Dom Orani João Tempesta a proposta de instalação de uma unidade do Observatório da Nova Evangelização na Arquidiocese.

A intenção do secretário é instalar o observatório, ainda esse ano, além de no Rio, em Belo Horizonte, Buenos Aires, Santiago do Chile e Medellín.

Como centro de estudo e investigação, o observatório tem o objetivo de identificar as distintas realidades já existentes no campo da Nova Evangelização e fazer conhecer o trabalho desenvolvido em dioceses, paróquias, movimentos apostólicos e comunidades eclesiais. Ao mesmo tempo, a instituição promove investigações teológicas e pastorais com a ajuda de universidades pontifícias.

Em entrevista ao jornal “Testemunho de Fé”, Dom Octávio e Padre José Mauricio explicaram a importância do observatório e falaram sobre a Nova Evangelização e a Jornada Mundial da Juventude.

Testemunho de Fé – Qual o motivo de sua presença na América Latina?

Dom Octávio Ruiz Arenas – O Pontifício Conselho tem o interesse de criar unidades do Observatório da Nova Evangelização em países da América Latina, e, logicamente, necessitamos ter o apoio do Brasil para que possamos dar a conhecer todas as atividades que estão sendo realizadas em torno da Nova Evangelização e, ao mesmo tempo, o desejo de poder encontrar as causas pelas quais se dificulta hoje a transmissão da nossa fé.

TF – Por que o Rio de Janeiro?

Dom Octávio – Escolhemos aqui no Brasil duas sedes para instalar o observatório: Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O Rio pelo que representa para a Igreja da América Latina, recordando que a cidade acolheu em 1955 a primeira Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano. No Brasil, o Rio de Janeiro representa uma Igreja viva e que está desejosa de trabalhar no campo da Nova Evangelização.

TF – Qual o desejo do Papa ao criar o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização?

Dom Octávio – O Santo Padre tem uma grande preocupação com o tema porque muitas comunidades cristãs de antiga tradição começaram a viver uma situação de distanciamento da fé, de viver como se Deus não existisse, e muitas outras pessoas estão tratando de saciar sua sede de Deus, buscando-a em outras comunidades religiosas, em outros grupos. Por isso, é necessário que nós, como católicos, voltemos a dar esse novo impulso missionário, demonstrar com alegria a presença de Cristo em nosso coração e a comunicarmos aos outros. Por isso, como dizia o Papa João Paulo II, é necessário anunciar o Evangelho com novo ardor, com novos métodos, com novas expressões, tratando de chegar às pessoas mais distantes e de responder com o Evangelho às situações de sofrimento, de injustiça, de desigualdade que existe em nosso continente.

TF – O Documento de Aparecida já é uma resposta ao desejo do Santo Padre?

Dom Octávio – Sem dúvida alguma. O Documento de Aparecida, não só para a América Latina, mas também para todo o mundo, representa o desejo profundo dos bispos de responder à Nova Evangelização e de encontrarmos os parâmetros fundamentais do que ela deve ser: de buscar um encontro pessoal com Jesus Cristo, de voltar a retomar a Palavra de Deus como o centro de nossa formação cristã, para conhecer o que o Senhor quer de nós, de voltar a dar vida à Eucaristia, formar pequenas comunidades e fazer todo o possível para que os leigos, neste momento, possam cumprir com grande responsabilidade sua participação na Igreja como discípulos e missionários do Senhor.

TF – Como a Jornada Mundial da Juventude, que a Igreja do Rio está organizando, pode contribuir com a Nova Evangelização?

Dom Octávio – Sem dúvida alguma a Jornada Mundial da Juventude representa para toda a Igreja uma ocasião propícia para poder evangelizar os jovens. Sabemos que nossa juventude está sedenta de Deus, mas muitas vezes não encontra os caminhos. O encontro no Rio de Janeiro, de dois ou três milhões de jovens que vêm para essa cidade com o único objetivo que é o de dar testemunho de sua fé, deve animar a todos os jovens não só do Brasil, mas também de toda a América Latina, para que possamos cumprir esta tarefa de ser um exemplo de fé, de amor a Jesus Cristo para tantos outros jovens que buscam caminhos equivocados para satisfazer suas necessidades. Esperamos que esta Jornada Mundial da Juventude seja para todos os jovens uma ocasião de sentir a alegria de sua fé e de seu amor a Jesus Cristo.

TF – Qual deve ser o legado dos jovens para uma Nova Evangelização?

Dom Octávio – A JMJ envolve todos os dicastérios da Cúria Romana, que devem trabalhar em torno do evento, devido a sua importância para a Nova Evangelização. É uma ocasião para que se conheça a atual situação em que se vive na América Latina. Não podemos separar a evangelização da verdadeira promoção humana, da dignidade das pessoas, de fazer ver que se somos cristãos e temos que ser irmãos que compartilham os bens, que temos uma grande generosidade e que esta dimensão de amor e de caridade tem que estar presente como um elemento fundamental da Nova Evangelização.


Renato Francisco

CEBs - Encontro da Micro Zona da Mata Mineira



Nos dias 20, 21 e 22 de abril de 2012, na cidade de Eugenópolis, Diocese de Leopoldina, MG, aconteceu mais um encontro da Micro Zona da Mata da CEBs, com a participação da arquidiocese de Juiz de Fora e das dioceses de São João Del Rei e Leopoldina. Estiveram presentes aproximadamente 80 pessoas.


O encontro contou com a assessoria do Pe. Joima,AA, membro da coordenação ampliada nacional das CEBs, que falou sobre a oriegm das Comunidades Eclesiais de Base, sua trajetória e organização

 Por Pedro Soares de Andrade
Setor Social da Diocese de Leopoldina

Preparando o III Interdiocesano CEBs e GRF - Diocese de Caçador


No dia 03 de maio de 2012, reuniram-se em Pinheiro Preto, na Diocese de Caçador-SC, representantes das dioceses de Joaçaba, Chapecó e Caçador, para a reunião de preparação do III Interdiocesano.
                Esta foi a última reunião realizada anteriormente à realização do Interdiocesano e teve como eixo central a partilha das questões de responsabilidade de cada uma das três dioceses e o encaminhamento de detalhes referentes a programação do dia.
                O Interdiocesano acontece a cada três anos no Regional Sul 4, envolvendo todas as dioceses em quatro regiões distintas. Todos os encontros concentram-se no dia 20 de maio de 2012 e serão realizados na Igreja Matriz de Xaxim, na Arena Multi Uso de Jaraguá do Sul, no Centro de Evangelização-CEAR de Governador Celso Ramos e na Igreja Matriz de Taió.
                O III Interdiocesano tem como tema “Justiça e Profecia no Campo e na Cidade” e lema “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Notícia a todos os povos!” (Mc. 16,15) e objetiva animar, refletir e celebrar a caminhada dos Grupos de Reflexão em Santa Catarina.



Divanete Eloisa Bachi

Educação para liberdade em Paulo Freire

( Faz-se a seguir a resenha do livro Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, publicado em 1970 e já na 46.ª edição de 2007.)

Graduado em Direito pela Universidade do Recife, Freire realizou também estudos de filosofia, especialmente de Filosofia da Linguagem. Nunca exerceu a advocacia, preferindo dedicar-se ao magistério em escolas públicas. Ocupou vários cargos, entre eles, o de diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social no Estado de Pernambuco, onde iniciou o trabalho com analfabetos pobres. Nessa época, se aproxima do movimento da Teologia da Libertação. Perseguido pela ditadura militar, Freire se exila em vários países da América Latina, Europa e África, onde se torna reconhecido por seu trabalho como educador e filósofo, com destaque para a educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. É autor de mais de 20 livros entre eles Pedagogia da Esperança (1992) e Pedagogia da Autonomia (1996). Com 36 diplomas de doutor Honoris Causa por várias universidades espalhadas pelo mundo, é considerado um dos mais importantes pensadores da história da pedagogia mundial.

Assim como em outros escritos, na Pedagogia do Oprimido Paulo Freire estabelece uma Pedagogia da Libertação, que tem como foco a tentativa de conscientizar politicamente as classes oprimidas do Terceiro Mundo, baseando-se numa visão marxista da realidade.

O autor inicia o livro afirmando que é vocação do homem perguntar por si mesmo, pela sua humanização enquanto ser incompleto que busca a completude. Essa vocação, contudo, é negada à maioria devido à opressão que esta sofre de outros, sendo, pois, vítimas de uma desumanização. Os opressores também são desumanizados neste processo, porque são prisioneiros de si mesmos. A detenção do poder pelos opressores impede que estes possam libertar os oprimidos e a si mesmos, de modo que está nas mãos dos oprimidos a possibilidade de reverter a lógica social de opressão. Mas a libertação só se dá de fato quando os oprimidos não se colocam na posição de opressores: somente assim eles conseguem levar ambos a uma condição de humanidade digna. É preciso, então, que haja uma pedagogia do oprimido, que trabalhe com ele e não para ele, no sentido de propiciar-lhes os meios de se libertarem da opressão. Sua intenção neste livro é colocar as características básicas dessa pedagogia.

Um dos maiores desafios neste processo, é que o oprimido se reconheça como “hospedeiro” ou cúmplice do opressor, sendo uma das funções da sua pedagogia promover esta descoberta. O oprimido, porque teve sua consciência formada nos moldes da opressão, tende a ser um opressor de si mesmo e dos companheiros, temendo a liberdade: eles não têm força nem conhecimento de como lutar para se libertarem e acabam se identificando com o adversário. É preciso, então, a organização para a luta no sentido de derrubar o sistema que o oprime. Segundo Paulo Freire, a lógica da opressão aliena os oprimidos. Assim, este deve lutar contra si mesmo para libertar-se do opressor interno primeiramente. A realidade opressora precisa ser transformada pelo oprimido através de uma práxis libertadora: o fim da opressão só ocorre objetivamente, na vida concreta; a transformação da realidade social depende da ação do homem enquanto sujeito. Além disso, liberdade exige responsabilidade, o que só se assume quando o indivíduo é autônomo. Para ser autônomo, é preciso que haja uma emersão, uma ação reflexiva de fora do sistema, mas voltada para ele. A pedagogia do oprimido atua por meio de uma dialética intersubjetiva entre os homens e a realidade para transformá-la reflexivamente. Na prática, Paulo Freire coloca a necessidade de se realizarem trabalhos educativos para além da educação sistemática, uma vez que esta depende da detenção do poder.

A consciência opressora transforma tudo em objeto de posse alcançável pelo dinheiro: o opressor se preocupa somente com ter e não com ser. Por isso sua generosidade é falsa, pois entendem que apenas a sua humanização é legítima, a do oprimido é subversão. Estes precisam ser vigiados e punidos, o que se faz de muitas formas, inclusive pela apropriação e manipulação da tecnologia como instrumento da manutenção da ordem estabelecida.

É inculcado nos oprimidos a ideia de que eles são inferiores, incapazes, e eles mesmos acabam assumindo esse discurso como verdadeiro. O sentimento de inferioridade impede a luta contra o opressor que eles consideram invulnerável, de modo que aceitam a condição de opressão, sendo até coniventes com ela. Somente o diálogo crítico, segundo Freire, pode engajar os oprimidos numa práxis de libertação. Qualquer método que pretenda a libertação e que não leve em conta essa práxis não passa de populismo que transformará os oprimidos em massa de manobra política. A ação política libertadora deve ser uma ação cultural para a liberdade: o sujeito não se liberta sozinho e, além disso, a liberdade também não pode ser dada, mas conquistada em conjunto. Assim a revolução deve ter uma base pedagógica de formação de consciências críticas que apontem possibilidades e meios de transformação da realidade concreta. Esse é o papel da pedagogia do oprimido.

No capítulo II, Paulo Freire afirma que o modelo de educação vigente está a serviço da manutenção do sistema social opressor. Freire chama este modelo de “educação bancária”, que coloca o educando como passivo receptor das informações que o educador lhe narra. Essa educação parte da dicotomia entre o homem e as coisas, e considera a consciência humana como algo vazio que se deve “encher” com um conteúdo. São transmitidos conteúdos fora da realidade do estudante e não é levada em conta a sua vivência. Isso aliena o educando, mantendo-o oprimido. É uma educação que não deixa margem para o diálogo e não trabalha a criatividade, não possibilitando a formação do ser. O professor é o dono do saber, enquanto o educando é o que nada sabe. A realidade é colocada como estática, imutável, o que convém ao opressor. O indivíduo será tanto mais educado quanto mais passivo for neste processo e mais adequado ao mundo tal como está, sem questionamentos.

A humanização do ser exige o fim da educação bancária, já que o sujeito só se forma na interação com o mundo: é na consciência humana que o mundo ganha sentido. A educação deve ser prática de intercomunicação, de problematização da realidade, na qual os homens se insiram criticamente. O papel do educador para a liberdade é o de promover o diálogo como meio de transformação, não se colocando como centro do saber, mas como educador-educando num processo de formação da consciência dos educando-educadores. Ambos se educam mutuamente, mediados pelo mundo. Assim como o homem é inconcluso, sua educação também o é. Sua realidade está em constante mudança e a educação que não seguir essa tendência natural é alienante, porque nega o homem enquanto ser histórico.

No capítulo III, Freire fala da dialogicidade como processo educativo rumo à liberdade. A educação que se funda no diálogo tem na palavra o elemento chave para a transformação da realidade, uma vez que esta implica em reflexão e ação. Palavra sem ação é verbalismo, ação sem reflexão é ativismo, sendo ambos os casos formas alienantes do ser. Sendo a palavra o meio por excelência de estar no mundo e pronunciá-lo, não pode ser privilégio de uma minoria, mas deve ser um direito de todos. Pronunciar o mundo é um ato de amor, segundo o autor, e o amor é a base do diálogo, já que é por meio deste que se entra em comunhão porque reconhece os outros como iguais a si.

Freire coloca que o conteúdo a ser trabalhado na educação deve ser retirado da realidade dos educandos, do seu universo temático de interesses, o que o autor chama de “temas geradores”.

Objetivando o mundo e nele atuando reflexivamente, o sujeito enfrenta as situações limites que o insta a agir de modo criativo, e poderá ser mais ao relacionar-se de forma construtiva na história. Pela interação dos temas geradores, o educando se coloca como investigador e investigado da realidade. Ele deve ser capaz de particularizar um problema sem perder a perspectiva do todo. Os educadores devem assumir com os educandos o papel de investigadores da realidade vivenciando o cotidiano da comunidade, buscando elementos particularidade para serem problematizados. Em seguida, devem-se escolher algumas das contradições apreendidas para serem codificadas. As codificações serão o meio para a decodificação feita pelos educandos, de modo que estes se reconheçam naquela situação e se percebam percebendo, ganhando assim, conhecimento e consciência crítica. A decodificação consiste na análise da temática encontrada e na organização do conteúdo como ação cultural libertadora.

No último capítulo, Freire reflete sobre os tipos de ação cultural que decorrem de uma educação dialógica contrapondo-os àqueles decorrentes de uma educação antidialógica. A conquista é a primeira característica do antidialogismo colocada pelo autor: o opressor procura conquistar o oprimido, fazendo deste um “hospedeiro” seu, tornando-o um ser ambíguo. Assim, procura-se mitificar o mundo, distorcendo a realidade para manter o indivíduo alienado.

Outra tática usada é promover a desunião entre os oprimidos. Para isso, são usadas todas as ferramentas à disposição das elites, desde a burocracia estatal até ações culturais generalizadas, como o treinamento e promoção de líderes, o controle de sindicatos e a instigação de cisões entre os grupos etc. Em situação de isolamento, os indivíduos não se percebem parte de uma realidade maior. Então, agindo de modo assistencialista, o opressor se apresenta como “messias”, passando a ilusão de estar ajudando o oprimido.
A manipulação é outra forma de controlar as massas que se dá pela divulgação de mitos que são absorvidos por elas como realidade. Entre esses mitos está o de que a ascensão social no sistema vigente é possível a qualquer um. A manipulação é necessária quando há risco de uma emersão das massas que ameace a opressão. Para evitar a manipulação é preciso que haja uma organização criticamente consciente, uma consciência de classe oprimida, com uma liderança revolucionária dialógica.

Além destas, também a invasão da cultura opressora na dos oprimidos, que os faz ver a realidade a partir do ponto de vista do opressor e não da sua. É uma forma de manter o domínio opressor por meio da desqualificação, da inferiorização e do aniquilamento da cultura oprimida. São instrumentos de invasão cultural a ciência, a tecnologia, a escola e a família, que são meios de amoldamento de consciências e introdução de valores “estrangeiros” à cultura do oprimido.

Paulo Freire propõe uma revolução cultural no sentido de reconstruir a sociedade por meio de uma ação formadora dialógica, redefinindo o papel da tecnologia no sentido de promover a formação humanista dos homens, transformando-os em seres para si, independentes de domínios externos. A ação dialógica que leva à libertação se caracteriza pela colaboração, processo no qual os sujeitos se constituem mutuamente pela interação entre iguais. É uma ação que vem como resposta à realidade colocada como desafio. A colaboração pressupõe a união, a comunhão entre sujeitos (consciência de classe).

Para encerrar, Freire fala da organização como oposição à manipulação opressora. Organização implica testemunho, estando intimamente ligada à união do grupo, e também auto-direcionamento a um fim comum, a transformação social. Toda a ação cultural deve, para o autor, incidir sobre os oprimidos no sentido de formar-lhes a consciência para propiciar as condições necessárias para a sua organização e atuação direta na história. Os oprimidos são os atores fundamentais de sua própria libertação.

 Benedito Fernando Pereira
Licenciado em Letras (Univás), Bacharel em Filosofia (FACAPA), graduando em História (Univás) e pós-graduando em Ensino de Filosofia (FACAPA).

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Repudiar obscurantismo da imprensa: se não agora, quando?

Se um presidente da República pode ser investigado, ter seus sigilos fiscais, bancários e telefônicos abertos, por que não poderia um editor de sucursal de revista de informação semanal ter os mesmos sigilos ao alcance das garras da lei? Existe lei? Sim. Então é para todos ou não serve para ninguém.

A CPMI do Cachoeira começou com seu nome de batismo, digamos assim, conspurcado. É que no fundo mesmo existem outros personagens centrais bem mais empolgantes e ousados palmilhando cada minuto das milhares de interceptações telefônicas obtidas mediante autorização judicial, sendo que a operação que lhe antecedeu, de nome Vegas, recolheu para escrutínio das autoridades policiais, legislativas e judiciárias, exatas 61.813 conversas telefônicas. E não estamos tratando da operação-carro-chefe, Monte Carlo, a que levou em 29/2/2012 o bicheiro Carlos Cachoeira ao presídio de segurança máxima localizado em Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Poderia se chamar CPMI do Demóstenes. É este parlamentar goiano que define os limites a separar Vegas de Monte Carlo: a Polícia Federal atesta que a operação Vegas foi levada ao freezer pela Procuradoria-Geral da República, tão logo o diligente braço armado do Ministério da Justiça interceptou conversas pouco convencionais envolvendo o Senador Demóstenes Torres e meia dúzia de Deputados Federais. E só ressuscitaria, agora com o nome mais refinado Monte Carlo, a partir do momento em que autoridades de primeira grandeza no mundo da política puderam ser legalmente grampeadas, mas, ainda assim, sempre no contexto envolvendo o bicheiro Cachoeira e seus próceres, asseclas e apaniguados. Assim como Las Vegas, capital mundial da jogatina se encontra geograficamente tão distante de Monte Carlo, capital européia da jogatina, as duas operações se encontram umbilicalmente unidas, fazendo e acontecendo no campo sempre minado em que interesses privados se mesclam com interesses públicos, em que a fronteira entre o legal e o ilegal simplesmente deixa de existir.

Mas o grande nome para esta CPMI não deveria ser nem Cachoeira nem Demóstenes. Menos ainda Delta, afinal, a empreiteira corruptora de governos em todos os níveis nada mais foi que mero instrumento para a prática desbragada e acintosa de crimes de vários níveis e quilates, canal eficiente na dilapidação do patrimônio público e na moagem de reputações tão pouco verossímeis como notas de três reais ou cédulas de onze dólares norteamericanos. E não faria jus ao que realmente faria corar de vergonha ao mais dissimulado juiz, parlamentar ou não, se não consegue ser chamada pelo nome que abre clareira em meio à história de tantas Comissões Parlamentares de Inquérito até o momento instaladas no Brasil, devido ao seu ineditismo absoluto: Comissão Parlamentar das Mágicas da Imprensa (CPMI).

Durante longos oito anos o país foi assolado por denúncias de corrupção as mais diversas possíveis. Fosse para derrubar o presidente da República, defenestrar ministros de Estado, inviabilizar órgãos e autarquias governamentais, satanizar partido político, exarar sentenças de morte moral e política a velhos desafetos, criar em laboratório ratos a empunhar com galhardia e raríssimo açodamento bandeiras de ética e moral, ratos morais, diga-se, transformados da noite para o dia em paladinos intimoratos de todos os valores republicanos e das garantias constitucionais basilares, com especial ênfase, para esta que responde pela expressão-guarda-chuva da “liberdade de imprensa”.

É como se surgisse, com ilimitada desfaçatez, campanha pugnando pela maior das vergonhas que um habitante deste país poderia sofrer, a vergonha de ser brasileiro: toda semana um novo escândalo, retratado com todas as cores de um New Journalism tardio em terra brasilis, escrito com riqueza de datas, minuto a minuto, áudios vazados na medida, imagens privadas e conseguidas ante métodos claramente criminosos caindo em domínio público em questão de minutos, segundos. E sempre em rede nacional de televisão, com direito a horário nobre.

E o primeiro fruto da CPMI germinou, qual flor-de-lotus, do lodaçal de iniqüidades perpretadas por tão longo período da história recente do país. O fruto é este: o debate sobre a mídia, a imprensa se instalou, veio e vai ficar até ser exaurido por todas as forças sociais que sustentam nosso projeto de Nação. E não vejo força de forças contrárias que consiga lhe obstar o ímpeto, fazê-lo morrer no nascedouro. A contrário, a cada dia, mais impulso toma e a defesa para que fique tudo como está começa já a pesar como sentença condenatória, hipocrisia corporativista e desnudamento de percepções que nunca se apresentavam à luz do sol. O debate sobre liberdade de imprensa ressurge das brumas de um obscurantismo tosco e insustentável com toda força de rios que avançam rumo ao mar. E essa correnteza não será represada, continuará fluindo, a céu aberto até seu destino final.

Pela primeira vez, nos últimos decênios, o conceito de liberdade de imprensa deixa de ser privatizado para ser o que sempre foi, público, de interesse máximo dos cidadãos, como uma de suas mais sagradas prerrogativas em um estado democrático de direito. E só é liberdade se é liberdade para todos. Só é liberdade se não é encabrestada por oligopólios políticos e empresariais. E menos ainda, se não se deixa usar para a prática de crimes de lesa-pátria, como estes que tem acontecido com tanta regularidade e método por tempo demasiado longo. Não mais será permitido que o algoz da liberdade de imprensa se autodenomine seu principal guardião.

Restará, finalmente, claro a todos uma verdade inquestionável: a lei é soberana e a ela todos devem se submeter. E é neste contexto que podemos aproveitar estes dias de entressafra, aqueles que separam uma sessão de outra da CPMI, para buscar respostas a questões como:

Se um presidente da República pode ser investigado, ter seus sigilos fiscais, bancários e telefônicos abertos, por que não poderia um editor de sucursal de revista de informação semanal ter os mesmos sigilos ao alcance das garras da lei?

Se um ministro de Estado pode ser sumariamente demitido, ter seu nome enxovalhado mediante armações e expediente nitidamente criminosos, por que não se poderia investigar a fundo a teoria de vasos comunicantes que reúne em uma mesma sequência de meses e anos criminosos e jornalistas?

Se um senador da República têm a vida varejada, seus vícios são trazidos a lume através das mais diversas plataformas midiáticas, dia a dia, instante a instante, por que a vida de um jornalista, seja editor, redator, dono de empresa de comunicação, necessita ser preservada a todo custo, contando com uma não-escrita, porém eficiente até o momento, lei da Omertá (silêncio dos mafiosos sicilianos)?

Se um das maiores empreiteiras do país não resiste a quatro semanas de vitrine impressa, radiofônica, televisiva e digital, sempre mostrando seus muitos malfeitos, por que cargas d´água uma empresa de comunicação deveria ser isenta de qualquer tipo de investigação a ser conduzida pelos representantes legitimamente eleitos pela população do país, seguindo procedimentos investigatórios entesourados em nossa Carta Maior, a Constituição Federal?

Em passado ainda muito recente qualquer dúvida que pairasse sobre a honorabilidade de um profissional da imprensa logo se transformava em cavalo de guerra em defesa de uma pretensa liberdade de expressão, do sigilo das fontes, do exercício da profissão. Este tempo parece estar com as horas contadas, não são nem mais os dias. E não há que se confundir o debate: criminosos e delinqüentes existem em todas as profissões, vicejam em muitas empresas, atuam em várias instâncias político-partidárias. Ninguém, a priori, recebe atestado de inocência por tempo infinito, e não importa se esta pessoa trata-se do renomado cirurgião-chefe do Hospital Sírio-Libanês, ou do impoluto presidente do Supremo Tribunal Federal, seja o sempre assertivo Procurador-Geral da República ou o clarividente chefe da sucursal em Brasília da revista Veja.

Existe lei? Sim. Então é para todos ou não serve para ninguém.

A propósito, o sol deixará de se por no Brasil tão logo o jornalista Policarpo Junior seja convocado a ser inquirido na CPMI?

O futuro do Brasil estará ameaçado ou poderá retroceder à Idade Média caso o empresário Roberto Civita atenda à gentil convocação de 16 senadores da República e 16 deputados federais, colocando-se à disposição destes para responder perguntas simples, diretas, objetivas, que simplesmente se recusam calar?

Chega um momento em que tudo deve ser colocado às claras - tudo deve ser levado ao escrutínio público. E é este o momento. Não de acerto de contas, não de vendetta, não de excessos.

Apenas tratamento igualitário, equânime, justo.

É o que se espera.

Será pedir muito?

Washington Araújo 
jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela UNB

Fonte: Carta Maior

OPA denuncia patrocinadora de Olimpíada do trabalhador em Aracati

O 1º de maio, dia do trabalhador, em Aracati, teria sido apenas de festa e comemoração, não fosse à intervenção da Organização Popular – Aracati, que fez uma forte denúncia contra a Syngenta, uma das patrocinadoras das Olimpíadas do trabalhador de Aracati. “A Syngenta é uma das maiores empresas do mundo no ramo do agronegócio. Produz sementes transgênicas e agrotóxicos, dentre outros produtos nocivos à vida”, esclarece o panfleto distribuído pela OPA.
O panfleto ainda denuncia a morte do trabalhador Valmir Mota de Oliveira, Paraná, que foi alvejado com balas, no dia 27 de outubro de 2007, quando protestava contra a existência de laboratório de sementes transgênicas da empresa Syngenta. Segundo a OPA, “a Syngenta que assassina e mutila trabalhadores e trabalhadoras Brasil afora, é a mesma Syngenta que se disfarça de amiga ao patrocinar eventos na semana do trabalhador em Aracati.”
Para os coordenadores, a intervenção promovida pela OPA nesse 1º de maio causou impacto na sociedade de Aracati. “Conseguimos alcançar o nosso objetivo de alertar o povo sobre a Syngenta e mostrar para a sociedade que estamos lutando por nossos direitos. Somos pequenos, mas temos um pensamento bom: lutar pela justiça.”
 
Missionário Julio Ferreira 
 

Sociedade convivial. O que é isso ?

Convivio, vem do latim “cum-vivere” = viver com.., viver juntos, todos os seres vivos que precisam se alimentar. Daí,  convivio, significa também “banquete ao redor da mesma mesa em cima da qual esta a comida abundante para todos”  ou seja, convívio como lugar e ação onde se está, para se alimentar e viver bem. Todos os participantes.
Para a Bíblia e outras matrizes religiosas, como a indígena e a afro, não é por acaso que o termo banquete-convívio não é tanto um conceito mas tem a ver com os momentos e expressões mais profundas na vivência da fé, do amor, da festa e das responsabilidades históricas concretas dos que assumem determinada crença.
Os cristãos, por exemplo, não se cansam de chamar de “banquete” a eucaristia avaliado e proclamado sempre como o ponto mais alto de expressão da sua fé e da resposta/presença de seu Deus. Já Thomas de Aquino falava admirado numa antiga antifona “Ó Sacrum Convivium!”.  Sua espiritualização e sua monótona e mecanica execução ritual, quando pouco ligada à vida, afasta muitas vezes deste sentido e outros sentidos que o autor resgatou, nesta entrevista, chamando-o de “convivio cósmico”. Aumentam cada vez mais, porém,  setores “civilizados”, hoje, que perdendo a timidez diante das forças socio-economicistas hegemônicas,  que estimulam a propõem criativamente a necessidade de preservar a sociedade convivial  assumindo um  chamado “decrescimento” diante de modelos predatórios e injustos. Para o ser humano e para o planeta. Confira a seguinte  entrevista.
Luciano Bernardi
Entrevista especial com José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em Demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – Ence/IBGE.
IHU On-Line – Considerando a presença de Serge Latouche no Brasil, qual a importância de debater a teoria do decrescimento em nossos dias?
J
osé Eustáquio Diniz Alves – O debate sobre a teoria do decrescimento é não apenas oportuna, mas também essencial para desmistificar o “fetiche do crescimento ilimitado da população e do consumo” e o “fetiche da exploração ilimitada dos recursos naturais”. O nível e o padrão de produção de bens e serviços da economia mundial já ultrapassaram em 50% a capacidade de regeneração do Planeta. A perda de biodiversidade é espantosa. A humanidade está caminhando para o precipício e o suicídio, provocando também o biocídio. Como disse recentemente o prestigiado demógrafo George Martine: “A solução passa pela revisão radical do nosso modelo de desenvolvimento e da sereia que o estimula – o consumismo”.
IHU On-Line – Qual a diferença entre decrescimento e desaceleração do crescimento?
José Eustáquio Diniz Alves – Desaceleração do crescimento é o que está acontencendo nos Estados Unidos, onde o endividamento crescente das famílias, das empresas e do setor público colocou um limite prático à continuidade do modelo de desenvolvimento com base na expansão do crédito e da emissão de moeda e títulos fictícios. Decrescimento do PIB é o que está acontecendo na Grécia, que tem sofrido o terceiro ano seguido de recessão. Em ambos os países quem “paga o pato” da recessão são os trabalhadores que perdem o emprego, os cidadãos e cidadãs que perdem direitos e o sistema de proteção social e ambiental que perde os investimentos necessários para a sua consolidação. A teoria do decrescimento visa garantir a qualidade de vida das pessoas e a preservação ambiental sem reproduzir a lógica do crescimento infinito do consumo. A sociedade do decrescimento é aquela que não se preocupa com a expansão do consumo, mas com a liberação da criatividade humana, eliminando os grilhões do totalitarismo econômico.
IHU On-Line – Como o descrescimento pode ser associado à questão da mudança da matriz energética mundial?
José Eustáquio Diniz Alves – Um dos principais componentes do crescimento da Pegada Ecológica é o aumento dos gases de efeito estufa e, especialmente, do CO2 liberado na queima de combustíveis fósseis (lenha, carvão mineral, gás e petróleo). Foram os combustíveis fósseis que viabilizaram o grande crescimento populacional e econômico do século XX, quando a população cresceu cerca de quatro vezes e a economia cresceu aproximadamente 18 vezes. Mas os combustíveis fósseis são finitos e já chegaram ao seu pico de produção. No século XXI, o consumo desse tipo de energia tem crescido acima da produção, daí o aumento dos preços. Combustíveis mais caros significam alimentos mais caros, como mostra o índice de preços da Food and Agriculture Organization – FAO. Dessa forma, a população mundial vai enfrentar um grande desafio nas próximas décadas, que é o elevado preço da energia e dos alimentos.
O mundo vai enfrentar também o enorme desafio das consequências do aquecimento global e dos eventos climáticos extremos. Os cenários para as próximas décadas não são nada animadores, mas podem ser mitigados se houver uma rápida e ampla mudança na matriz energética mundial. A comunidade internacional precisa superar a Era do Petróleo e avançar na Era do Sol/Vento. Juntamente com a redução do consumo conspícuo, somente as energias limpas e renováveis podem ajudar a evitar que o desastre do aquecimento global, com o consequente aumento do nível dos oceanos e a acidificação das águas, atinja proporções apocalípticas.
IHU On-Line – O decrescimento deve ser aplicado a toda a população mundial?
José Eustáquio Diniz Alves – Embora tenhamos atingido sete bilhões de habitantes no mundo, já existem países nos quais a população está decrescendo, o que é o case de Cuba, Rússia, Japão, Ucrânia, entre outros. Existem outros que vão ter suas populações caindo num futuro próximo, pois já possuem taxas de fecundidade abaixo do nível de reposição, tais como: Brasil, Chile, China, Coreia do Sul, Irã e Vietnã. Também há um grande grupo de países que estão em processo de transição de altas para baixas taxas de fecundidade e devem atingir o nível de reposição em um espaço curto de tempo. Na verdade, o problema de alto crescimento demográfico é um fato localizado em cerca de 30 países e que pode ser solucionado com vontade política e uma fração dos recursos mundiais gastos com despesas militares.
As populações pobres, de modo geral, e os pobres dos países pobres, em particular, têm muitos filhos por falta de acesso aos métodos de regulação da fecundidade, falta de acesso aos direitos sexuais e reprodutivos e falta de acesso à educação, saúde e trabalho. Existem cerca de 215 milhões de mulheres no mundo sem acesso aos métodos contraceptivos. Portanto, com inclusão social as famílias tendem a limitar seu tamanho pelos seus próprios meios. A cidadania é o melhor contraceptivo.

IHU On-Line – Como vê a postura “pró-crescimento” e das “grandes obras” por parte dos governantes de vários países hoje, inclusive o Brasil?
José Eustáquio Diniz Alves – Infelizmente a maior obra que o Brasil está realizando não é promoção da cidadania e da solidariedade universal, mas sim o tão alardeado projeto de exploração do “petróleo do pré-sal”.  A Petrobrás, o BNDES e o povo brasileiro (que paga impostos) estão jogando todas as fichas na exploração das jazidas de petróleo localizadas a centenas de quilômetros da costa brasileira e a milhares de metros no fundo do mar. É um investimento monstruoso, de centenas de bilhões de dólares, em uma fonte energética poluidora e que está com os dias (ou anos) contados. A Era do Petróleo representa o passado. Com uma fração de tais recursos o Brasil poderia impulsionar uma grande mudança na matriz energética brasileira, avançando na produção de energia solar e eólica e criando empregos e tecnologias verdes. Mas o governo central, os deputados, governadores, prefeitos e vereadores só pensam nos royalties do pré-sal para continuar investindo no modelo de crescimento do consumo ilimitado que provoca a degradação ambiental e a perda de biodiversidade.
IHU On-Line – Em que medida o decrescimento pode ser apontado como condição para uma sociedade convivial?
José Eustáquio Diniz Alves – A sociedade capitalista, como disse Karl Marx, funciona na base do “fetichismo da mercadoria” e da “coisificação das pessoas”. O processo de alienação faz com que os indivíduos não se relacionem como seres humanos, mas sim como proprietários de bens de consumo, que são os marcadores de status social mais valorizados. Seguindo as regras da contabilidade, o sucesso dos indivíduos, das empresas e do governo é medido pela quantidade de bens acumulados e pelos direitos a receber. A solidariedade é ofuscada pelo “efeito demonstração”. O aumento do patrimônio e da riqueza é a referência máxima de aceitação e reconhecimento social.
Portanto, na sociedade do crescimento econômico a qualquer custo, a convivência humana é intermediada pela posse de bens de consumo e pelo domínio das outras espécies vivas da Terra. Os animais e plantas são considerados apenas como insumos para melhorar o padrão econômico da humanidade, especialmente das camadas mais privilegiadas. Na sociedade antropocêntrica não existe convivência harmônica entre o homo sapiens e as demais espécies, mas sim relações de dominação e exploração. Uma sociedade convivial tem que romper com essa lógica e estabelecer os princípios da solidariedade ecocêntrica.

Fonte: IHU