sábado, 5 de maio de 2012

Corrupção: crime contra a sociedade



Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69% lugar. Aqui ela é histórica, foi naturalizada, vale dizer, considerada com um dado natural, é atacada só posteriormente quando já ocorreu e tiver atingido  muitos milhões de reais e goza de ampla impunidade.
Os dados são estarrecedores: segundo a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) anualmente ela representa 84.5 bilhões de reais. Se esse montante fosse aplicado na saúde subiriam em 89% o número de leitos nos hospitais; se na educação, poder-se-iam abrir 16 milhões de novas vagas nas escolas; se na construção civil,  poder-se-iam construir 1,5 milhões de casas.
Só estes dados denunciam a gravidade do crime contra a sociedade que a corrupção representa. Se vivessem na China muitos corruptos acabariam na forca por crime contra a economia popular. Todos os dias, mais e mais fatos são denunciados como agora com o contraventor Carlinhos Cachoeira que para garantir seus negócios infiltrou-se corrompendo gente do mundo político, policial e até governamental. Mas não adianta rir nem chorar. Importa compreender este perverso processo criminoso.
Comecemos com a palavra corrupção. Ela tem origem na teologia. Antes de se falar em pecado original,  expressão que não consta na Bíblia mas foi criada por Santo Agostinho no ano 416 numa troca de cartas com São Jerônimo, a tradição cristã dizia que o ser humano vive numa situação de corrupção. Santo Agostinho explica a etimologia: corrupção é ter um coração (cor)  rompido (ruptus) e pervertido. Cita o Gênesis: “a tendência do coração é desviante desde a mais tenra  idade”(8,21). O filósofo Kant fazia a mesma constatação ao dizer:“somos um lenho torto do qual não se podem tirar tábuas retas”. Em outras palavras: há uma força em nós que nos incita ao desvio que é a corrupção. Ela não é fatal. Pode ser controlada e superada, senão segue sua tendência.
Como se explica a corrupção no Brasil? Identifico três razões básicas entre outras: a histórica, a política e a cultural.


Corrupção: crime contra a sociedade


A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então as pessoas para sobreviverem e guardarem a mínima liberdade eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimento ilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essa prática deu  origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual e injusta e à lei de Gerson que é tirar vantagem pessoal de tudo.
A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo, na indigente democracia e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. As elites trataram a coisa pública como se fosse  sua e organizaram o Estado com estruturas e leis que servissem a seus  interesses sem pensar no bem comum. Há um neopatrimonialismo na atual política que dá vantagens (concessões, médios de comunicação) a apaniguados políticos.
Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente. Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos  de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza antidemocrático, pois  a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui violados pela cultura capitalista. Se tomarmos tais valores como critérios, devemos dizer que nossa democracia é anêmica, beirando a farsa. Querendo ser representativa, na verdade, representa os interesses das elites dominantes e não os gerais da nação. Isso significa que não temos um Estado de direito consolidado e muito menos um Estado de bem-estar social. Esta situação configura uma corrupção  já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.
A cultural: A cultura dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são. Via de regra podemos dizer:  quanto mais desigual e injusto é um Estado e ainda por cima centralizado e burocratizado como o nosso, mais se cria um caldo cultural que permite e tolera a corrupção.
Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico  Lord Acton (1843-1902): ”o poder  tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”. E acrescentava:”meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.
Por que isso? Hobbes  no seu Leviatã (1651)  nos acena para uma resposta plausível: “assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”.
Lamentavelmente foi o que ocorreu com o PT. Levantou a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante. Garantiu a governabilidade  a preço de mercantilizar as relações políticas e abandonar a bandeira da ética. Um sonho de gerações foi frustrado. Oxalá  possa ainda ser resgatado.
Como combater a corrupção? Tarefa ingente e difícil:  pela transparência total, por uma democracia ativa e participativa pela qual os cidadãos se acostumam a vigiar a aplicação dos dinheiros públicos, por uma justiça isenta e não corruptível,  pelo aumento dos auditores confiáveis que atacam antecipadamente a corrupção. Como nos informa o World Economic Forum, a Dinamarca e a Holanda possuem 100 auditores por 100.000 habitantes; o Brasil apenas, 12.800 quando precisaríamos pelo menos de 160.000. Mas mais que tudo  lutar por um outro tipo de democracia menos desigual e injusta que a persistir como está,  será sempre corrupta, corruptível  e corruptora.


Leonardo Boff

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Exorcista padre Rufus Pereira morre na Inglaterra




O sacerdote indiano Padre Rufus Pereira faleceu na madrugada dessa quarta-feira, 2, de parada cardíaca durante o sono. A informação foi divulgada nesta quinta-feira por sua secretária pessoal, Érika Gibello.

O padre estava em sua residência em Londres, na Inglaterra, durante esta semana e aparentava estar bem, segundo divulgou a Irmã Kelly Patrícia, do Instituto Hesed, em suas redes sociais. A religiosa esteve com ele no último sábado, 28, e disse que ele "estava radiante, muito feliz".
 

O corpo de padre Rufus permanecerá na Inglaterra até que terminem os preparativos para levá-lo à Índia, onde será sepultado. A data ainda não foi divulgada.

Padre Rufus completaria 79 anos neste domingo, 6, e era conhecido no mundo todo por seu ministério de exorcismo. Ele foi vice-presidente da Associação Internacional dos Exorcistas e iniciou a Associação Internacional para o ministério de libertação.

Ele esteve na sede da Comunidade Canção Nova sete vezes, conduzindo encontros de cura e libertação. "Padre Rufus era um santo, um homem incansável, pregador do Evangelho, apaixonado por Jesus Cristo e por sua missão", lembra Vinícius Adamo, tradutor do sacerdote no Brasil.  

Biografia

Padre Rufus foi sacerdote na Arquidiocese de Bombaim, Índia. Estudou Filosofia, Teologia e Sagrada Escritura em Roma, onde foi também ordenado em 1956. Era doutor em Teologia Bíblica.

Durante vários anos serviu como diretor de quatro escolas secundárias em Mumbai. Além de pregador de retiros, conferencista e professor de Bíblia, ele também era editor da Revista Nacional Carismática da India “Charisindia”. Foi professor de Sagrada Escritura em cursos de pós-graduação em vários Institutos Teológicos Pontifícios.

O sacerdote era também presidente da Associação Internacional para o Ministério de Libertação e vice-presidente da Associação Internacional de Exorcistas. Publicou numerosos artigos bíblicos e teológicos, especialmente, sobre evangelização e cura.

Conheceu a Renovação Carismática Católica (RCC), em 1972, logo quando esse movimento eclesial teve início na Índia. Foi designado pelo Arcebispo Cardeal Gracias para se dedicar exclusivamente a esse movimento. Desde então atuava pregando em encontros, retiros e missões por todo o seu país e também pela Ásia, África, Europa e em alguns lugares na América Latina, como o Brasil, onde esteve várias vezes, inclusive na Comunidade Canção Nova.

Padre Rufus também foi diretor do Instituto Bíblico Carismático Católico. E recentemente foi integrado ao International Catholic Charismatic Renewal Services (ICCRS), em Roma, como o responsável mundial pelo ministério de cura e libertação.

CEBs realizam “Domingo da Fraternidade” na Barra do Ceará


 
 

Uma manhã de domingo cheia de graça e calor aconteceu no dia 29 de abril na comunidade São José, na Área Pastoral da Barra do Ceará. Era o encontro entre a Coordenação Arquidiocesana de CEBs, em visita missionária, e irmãos e irmãs da caminhada das comunidades de base e das pastorais sociais daquela região.
Objetivos do encontro eram fortalecer a união entre as comunidades, integrar antigas lideranças com os jovens que agora estão descobrindo as CEBs, estreitar os laços entre coordenação arquidiocesana e as bases das CEBs, experimentar a alegria de juntos estarmos lutando o bom combate. Tema da reflexão, feita em mutirão, foi: Como salvaguardar a nossa identidade eclesial particular de CEBs (carisma profético, opção preferencial pelos pobres e desvalidos que leva à priorização das pastorais sociais, leitura libertadora, não-fundamentalista e não-moralista da Bíblia) no atual clima restaurador e devocionalista da Igreja Católica? A troca de idéias foi bastante proveitosa e fortaleceu a vontade de tod@s de ocupar mais espaço na “cena eclesial”, defendendo “o nosso jeito de ser igreja, sempre”. A oração inicial girou em torno do exemplo do samaritano que, embora heterodoxo, teve mais amor ao próximo do que sacerdote e levita, ou seja, aos olhos de Deus mais vale ortopráxis do que (pretensa) ortodoxia.
A comunhão animada no café da manhã e, no final, durante o grande almoço comunitário foi espetacular. O nosso “muito obrigado” aos irmãos e irmãs da Área Pastoral da Barra por nos proporcionarem tamanha felicidade! “Minha gente, venha ver a nossa felicidade! Como é bonito e gostoso viver em comunidade!” (Edilson Barros).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A liberdade de um e de outro - Conto de Natal


Os parlamentares brasileiros certamente não apanharam nem foram castigados quando eram pequenos. Porque, se o tivessem sido, talvez não dessem demonstrações tão grandes de mau caráter.

Ou, ao contrário, eram tão ruins que não adiantaram os exemplos paternos. E se criaram como esta gente que aí está. Personagens do Dia das Bruxas e não do Natal.

 Mas vamos a minha história. Contaram-me como verdade. Repasso acreditando. É

poca de Natal quando tudo deve ser fraternidade, alegria, educação, amor ao próximo. Em um grande supermercado de Novo Hamburgo, na fila do caixa, um senhor era atormentado pelo carrinho de trás. Empurrado por um menor, sob os olhares complacentes da mãe, a criança empurrava o veículo para frente e para trás, tendo como alvo as canelas do infeliz cliente. Com justa irritação, após várias batidas, o homem virou-se para reclamar da postura do menino. E ao dialogar com a mãe do mesmo, chamou a atenção dos demais presentes à fila ou nas filas ao lado. Longe de simplesmente agradecer a reclamação e tomar as providências que o caso merecia, a mulher saiu-se com esta: “Meu filho ainda é pequeno e estou criando ele com liberdade!” Uma afirmação desta natureza é uma aberração e, claro, todos se espantaram e aguçaram os ouvidos. O próximo passo seria o cidadão dar um puxão de orelhas no moleque. No moleque, mas quem merecia era a mãe, pensavam…

E aí, a surpresa foi geral. Atrás, na fila, havia outro homem que resolveu bancar o Papai Noel. O bom velhinho que educa as crianças e exempla os pais quando necessário. Pois este, sem maiores delongas, abriu a embalagem de ovos que levava, tirou um deles e simplesmente encostou-o na cabeça da distinta dama, esmagando-o…

Vocês podem imaginar? Eu fiquei imaginando e disse que não podia ser verdade! Mas havia uma testemunha presencial. E a história continuou: espantada com a ação, a clara e a gema escorrendo pelos seus cabelos, a mulher virou-se para trás aos gritos: “Mas o que o senhor está pensando?” E o cidadão, comprazido: “Eu também fui educado com liberdade!”

E então, como pano de fundo desta história destes dias de Natal em supermercados, a platéia presente iniciou uma salva de palmas, enquanto a mulher, deixando seu carrinho para trás, fugia para o estacionamento…

Estas coisas é que fazem falta no Brasil. Bendito Natal.

Ivar Hartmann

III Interdiocesano das CEBs e Grupos Bíblicos em Família acontece dia 21 de maio Florianopolis - RS

Os Grupos Bíblicos em Família (GBF) e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), pela força do Ressuscitado e pelas luzes do Espírito Santo, fazem um valioso trabalho de evangelização na nossa Arquidiocese, levando as pessoas a fazerem a experiência do encontro com Jesus Cristo.
Estamos nos aproximando do grande encontro do III Interdiocesano em nível regional. Essa atividade reúne as 10 dioceses de Santa Catarina em quatro blocos, com o objetivo de refletir sobre Justiça e Profecia a serviço da vida e celebrar a caminhada dos GR/F e das CEBs como Igreja em missão permanente. A Arquidiocese, juntamente com as dioceses de Criciúma e Tubarão, promove o III Interdiocesano no dia 20 de maio (domingo), com início às 8horas, no Centro de Evangelização Angelino Rosa (CEAR), em Governador Celso Ramos.
A Coordenação Arquidiocesana dos GBF e das CEBs, juntamente com a Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, convidam todos os animadores(as) e membros dos GBF e CEBs, os senhores Párocos, Vigários, Diáconos, Religiosos e Religiosas e outras lideranças, para participar. Sintam-se bem motivados e convocados para mobilizarem caravanas com um número expressivo de nossos animadores (as), que possam acolher bem os participantes das Dioceses de Tubarão e Criciúma.
Para que essa acolhida seja bem organizada, é necessário termos uma estimativa aproximada do número de ônibus e de participantes (animadores/animadoras, membros dos GBF e das CEBs), por paróquia.

Serviço

O que é - O Interdiocesano é uma atividade regional que acontece no mesmo dia em 4 blocos por dioceses de aproximação: bloco 1- dioceses de Chapecó, Caçador e Joaçaba; bloco 2 - dioceses de Lages e Rio do Sul; bloco 3 – dioceses de Blumenau e Joinville e bloco 4 - Arquidiocese de Florianópolis e dioceses de Tubarão e Criciúma.
Local: Centro de Evangelização Angelino Rosa - CEAR, Governador Celso Ramos (Clique aqui para ver o mapa)
Data: 20 de maio de 2012, Domingo
Início: 8h30min e término: 16h00 com a Celebração Eucarística (17h00)
Tema: ‘Justiça e profecia no campo e na cidade’, a partir das 05 urgências das DGAE
Lema: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a todos os povos” (Mc 16,15) (comum)
Objetivo Geral: Celebrar a caminhada e fortalecer a missão dos animadores/as nos Grupos de Família/Reflexão e nas CEBs.
Objetivos específicos:
a) Intensificar a nossa identidade cristã;
b) Reavivar o espírito de comunidade à luz da Palavra de Deus;
c) Motivar para a missão permanente nas comunidades;
d) Despertar para o compromisso social diante dos desafios da evangelização nos meios urbano e rural.
Público alvo: animadores/animadoras e membros dos GBF e das CEBs.
Contato: Maria Gloria da Silva, 48 3224 4799.

Encaminhamentos

• Para o momento do AGIR: as coordenações comarcais e paróquias devem orientar os animadores/as, para levarem propostas de ação para o momento do AGIR (fila do povo), a partir da urgência (eixo) que vamos apresentar “Igreja lugar de animação bíblica”, relacionado ao tema Justiça e profecia no campo e na cidade.
• Taxa de inscrição: A contribuição dos participantes do encontro será no momento da coleta. Por isso, motivar os participantes para uma boa coleta durante a Celebração Eucarística, assim contribuirão para as despesas da casa (local do encontro – CEAR): energia elétrica, operador do multimídia, som, cadeiras, papel higiênico, papel toalhas e demais materiais de limpeza para os banheiros e o ambiente, decoração e outros gastos necessários...
• Participantes: a Coordenação Arquidiocesana dos GBF e das CEBs, juntamente com a Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, convidam e convocam todos os animadores(as) e membros dos GBF e CEBs, também convidam os Párocos, Vigários, Diáconos, Religiosos e Religiosas e outras lideranças para participar.  Sintam-se bem motivados e convocados para mobilizarem nas comunidades e paróquias caravanas com um número expressivo de animadores(as).
• Acolhida: a Arquidiocese é a anfitriã do encontro. Para que acolhamos bem os participantes das Dioceses de Tubarão e Criciúma e os nossos, é necessário termos uma estimativa aproximada do número de ônibus e de participantes (animadores/animadoras, membros dos GBF e das CEBs), por paróquia até o dia 10 de maio. Contato: Maria Glória coordenação arquidiocesana dos GBF, tel. 48 3224 4799.
• O almoço e o lanche: os participantes deverão trazer seu lanche para o almoço, para fazerem um momento de partilha.

Programação

08hs: Chegada dos participantes – animação
08h50: Acolhida das Dioceses, apresentação das coordenações e leitura da carta do Regional... (20’).
09h10: Palavra dos Bispos: Florianópolis, Tubarão e Criciúma (20’).
09h30: VER
10h30: JULGAR

12h: Almoço (momento de partilhar o lanche)
14h: retorno – animação (20’).
14h20: AGIR – provocação do assessor com as perguntas e a participação da assembleia.
15h: conclusão do assessor e propostas para serem trabalhadas nas dioceses.
15h30: Momento de interiorização com música (preparar para a celebração eucarística).
16h: Celebração Eucarística (presidida por D. Wilson).
17h: Retorno para as dioceses.

Para onde vai Nuestra América

Para onde vai Nuestra América. Espiritualidade socialista para o século XXI

“Nossa América” foi uma expressão do libertador cubano José Martí para designar nosso continente e o Caribe. Desde alguns anos, em vários países desta “Pátria Grande” (especialmente Bolívia, Equador, Venezuela e Paraguai), alguns movimentos populares e também pessoas comuns têm sido protagonistas de mudanças sociais e políticas importantes. Estes processos sociais e políticos partem das bases e chegam até a conquistas importantes, como a elaboração de constituições e leis mais justas e igualitárias, assim como a eleição de governos mais populares e de opção transformadora. Mesmo em países onde esta nova realidade social e política está mais sedimentada, como a Bolívia, o Equador e a Venezuela, trata-se ainda de processos novos e não sem contradições internas. Contam com dificuldades inerentes a todo caminho transformador. No entanto, não se pode negar: enquanto, em outras partes do mundo, a realidade política parece tender a uma volta do que comumente se chama de “direita”, em vários países da América Latina, há ensaios do que o professor Boaventura de Sousa Santos chamou de “esboço de um socialismo para o século XXI”.
Esta realidade nova tem sido conquista de comunidades populares e de grupos antes desorganizados que, pouco a pouco, têm manifestado uma capacidade de mobilização que os partidos políticos tradicionais e os intentos revolucionários anteriores nunca haviam conseguido realizar. (p. 17)

Título: Para onde vai Nuestra América
Subtítulo: Espiritualidade socialista para o século XXI
Assunto: Processos sociais na América Latina
Ano: 2011
Autora: Marcelo Barros
Apresentação: Leonardo Boff
Formato: 16x23
Número de páginas: 240
Editora: Nhanduti
Edição: 1
ISBN: 9788560990139

Leonardo Boff:Todo escrito é, de certo modo, provocação para uma conversa entre quem escreve e a pessoa que se aventura a ler. Este livro que, agora, você tem em mãos, segue de modo mais profundamente ainda este caminho. Foi escrito em estilo simples e coloquial. Além disso, se constitui como um convite que Marcelo Barros faz a todas as pessoas que têm fome e sede de justiça. Unido a muitos companheiros e companheiras de caminhada, em toda a América Latina e Caribe, ele nos convoca a nos situar como protagonistas de uma nova caminhada social transformadora. Embora ainda incipiente e frágil, este processo de mudanças estruturais está ocorrendo em vários países do continente e, como no início do século XIX, sonhava Simón Bolívar, pode unir todos os povos desta imensa “pátria grande”. Agora, começa a tomar formas novas a libertação plantada por tantos irmãos e irmãs, índios, negros e mestiços, assim como por todas as pessoas que se unem para formar o que, ainda no século XIX, José Martí, profeta e poeta cubano, chamava: Nuestra América.


De fato, para aproveitar bem este livro, você precisa acreditar e apostar neste processo social que, na Venezuela, está sendo chamado de “revolução bolivariana”, no Equador “processo cidadão”, na Bolívia e em outros países toma outros nomes. Como afirma o professor Boaventura de Souza Santos: “A América Latina tem sido o continente, onde o socialismo do século XXI entrou na agenda política”.


Desde o começo, a Teologia da Libertação se posicionou como reflexão espiritual, nascida nas bases e aprofundada a partir das experiências de participação das comunidades cristãs nos processos de luta e libertação ocorridas no continente. A partir de anos recentes, as teologias contextuais, desenvolvidas como teologias índias, afrodescendentes e feministas, dialogam com temas como o Pluralismo cultural e religioso, assim como com os desafios próprios do nosso tempo para firmar um compromisso de amor solidário da parte mais sadia das Igrejas cristãs e de outras religiões com o novo processo socialista que surge das comunidades indígenas e dos movimentos populares, em vários países do continente. Ao sempre procurar aprofundar os novos processos sociais, não a partir de governos, mesmo dos mais revolucionários e sim das comunidades empobrecidas e populares, este livro atualiza este caminho espiritual.


Seja você religioso/a ou não, poderá tirar outras conclusões válidas e se sentir novamente chamado/a ao compromisso libertador que, tão empolgadamente, este livro descreve.

CEBs mobilizam moradores do Colina Verde - Maringa

Organização da Igreja Católica está incentivando a aproximação entre as famílias e a busca por melhorias para o bairro

Os encontros ocorrem semanalmente na casa dos moradores (Foto: Priscila Dias)
Com construções isoladas, muitas obras e terrenos ainda não ocupados, o Jardim Colina Verde, região norte de Maringá, apresenta características de um bairro respectivamente novo. A socialização entre os vizinhos ainda é uma carência entre aqueles que residem ali. Contudo, os moradores do Colina Verde encontraram uma maneira de estreitar o contato entre os vizinhos por meio das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), organização da Igreja Católica.

A dona de casa Ana Maria Almeida, 51, é a responsável pela CEBs, coordenadora do grupo de reflexão e moradora do bairro há dois anos. Segundo ela, o grupo surgiu da própria necessidade dos moradores de se reunirem para discutir os problemas do bairro. “A ideia de formar um grupo começou em uma missa aqui na comunidade. O pessoal começou a cobrar a formação de um grupo e desde então estamos nos reunindo”, lembra. Para a coordenadora arquidiocesana das CEBs, Luzia Orlando, a finalidade das comunidades não se limita apenas no aspecto religioso, mas na busca de benefícios para a região. “As pessoas acham que CEB é lugar apenas para rezar. Temos a obrigação de nos mobilizar e lutar pelos nossos direitos. Não tem como viver em comunidade sem o esforço para o bem comum”, afirma.

A CEB “Caminhando com Maria” tem pouco mais de um ano e semanalmente se encontram na casa de um morador para rezar e estabelecer ações que possam resolver ou amenizar os problemas do local, além de realizar e apoiar eventos que acontecem na comunidade. “Ano passado fizemos uma festa junina. Todo mundo ajudou e participou”, ressalta o pintor Ayrton dos Santos, 39, que já está pensando na próxima festa do bairro. Sem uma associação de moradores, Ana Maria diz que a organização da comunidade incentivou os moradores a cobrarem políticas públicas para a região. “Conseguimos o asfalto e o transporte coletivo. Tudo é um caminho. Ainda temos muito para conseguir.”

De acordo com o professor de filosofia do Cesumar (Centro Universitário de Maringá) Edson Barbosa, a religião exerce uma função dentro da sociedade e por isso deve influenciar e motivar a organização social dos indivíduos. “Em todas as sociedades, primitivas e atuais, a religião desempenha uma função, seja de assistência social ou, até mesmo, organização política. Além disso, a religião tira o ser humano do sofrimento e dá força para que ele supere o problema, prega a justiça e o bem comum e pode ser considerada um freio moral”, explica.
 
Priscila Dias