sábado, 4 de junho de 2011

DEUS, Cristo e os Pobres - livro de Paul Wess


Título: DEUS, Cristo e os Pobres
Subtítulo: Libertação e salvação na fé à luz da Bíblia
Assunto: Teologia da Libertação; Igreja de Comunidades de Base
Ano: 2011
Autor: Paul Wess
Apresentação: João Batista Libanio

DEUS, Cristo e os Pobres.

Libertação e salvação na fé à luz da Bíblia

Dom Erwin Kräutler:

Desde seus primeiros estudos teológicos, Paul Wess questiona criticamente premissas e paradigmas da teologia e procura respostas a perguntas abertas acerca dos fundamentos da fé e da estrutura/atuação da Igreja. O sabor todo especial de suas reflexões deve-se ao chão em que amadureceram: uma paróquia em Viena onde surgiram após o Vat II CEBs que buscaram ser uma Igreja de irmãos e irmãs, e que viveram experiências de intercâmbio internacional.
À semelhança de Jon Sobrino, Wess entende Jesus Cristo como o “líder e plenificador da fé” (Hb 12,2) que se tornou o irmão de todos, mas preferencialmente dos pobres, e o mediador da libertação e salvação que Deus nos preparou. Essa reconsideração da fé bíblica pode orientar a prática de nossas comunidades, e faz deste livro uma contribuição oportuna que abre novas perspectivas para a Teologia da Libertação.


João Batista Libanio SJ:

No interior da Teologia da Libertação, entre os seus mais respeitáveis protagonistas, no contexto de Aparecida, surgiu certa tensão. Desencadearam-na as reflexões de Clodovis Boff. [...] Wess começa por aí o livro [...] e indica o ponto central da questão: a natureza da opção pelos pobres e suas consequências no fazer teologia. Com enorme perspicácia, percebe ponto comum, embora inverso, da teologia de Clodovis e a do seu irmão Leonardo. Ambos fazem relação não reflexamente trabalhada entre Deus, Jesus Cristo e os pobres.
A clareza da formulação do problema [...] e as motivações existenciais do autor fazem a riqueza e beleza do livro. A primeira dá-lhe rigor científico. As segundas imprimem-lhe caráter pastoral. Ele realiza primorosamente o famoso axioma de K. Rahner: “Toda teologia deve ser pastoral, e toda pastoral deve ser teológica”.
O leitor aproveitará dessa reflexão teológica cuidadosa, perspicaz e profunda, trazendo luz para os dois lados dos contendentes nessa última tensão, agora já no interior da TdL [...]. Wess alerta então para que, no futuro, se fale com “mais cuidado e modéstia, mas numa linguagem comum e fidedigna, de Deus, Cristo e dos pobres”

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Aprovada a destruição. Que fazer? Dia 5 é Dia do Meio Ambiente! Que vamos comemorar?


Vivemos um eterno retorno quando se trata da proteção aos latifundiários e grandes empresas internacionais. No Brasil contemporâneo, pós-ditadura, nunca houve um governo sequer que buscasse, de verdade, uma outra práxis no campo. Todos os dias, nas correntes ideológicas do poder, disseminadas pela mídia comercial - capaz de atingir quase todo o país via televisão - podemos ver, fragmentadas, as notícias sobre a feroz e desigual queda de braço entre os destruidores capitalistas e as gentes que querem garantir vida boa e plena aos que hoje estão oprimidos e explorados.

Nestes dias de debate sobre o novo Código Florestal, então, foi um festival. As bocas alugadas falavam da votação e dos que são contra o código como se fossem pessoas completamente desequilibradas, que buscam impedir o progresso e o desenvolvimento do país. Não contentes com todo o apoio que recebem da usina ideológica midiática, os latifundiários e os capatazes das grandes transnacionais que já dominam boa parte das terras brasileiras, ainda se dão ao luxo de usar velhos expedientes, como o frio assassinato, para fazer valer aquilo que consideram como seu direito: destruir tudo para auferir lucros privados.

Assim, nos exatos dias de votação do novo código, jagunços fuzilam Zé Claudio, conhecido defensor da floresta amazônica. Matam ele e a mulher, porque os dois incomodavam demais com esse papo verde de preservar as árvores. Discursos tolo, dizem, de quem emperra a distribuição da riqueza, deles próprios, é claro. E o assassinato acontece, sem pejo, no mesmo dia em que os deputados discutem como fazer valer - para eles - os seus 30 dinheiros sujos de sangue.

Imagens diferentes, mas igualmente desoladoras. De um lado, a floresta devastada e as vidas ceifadas à bala, do outro a tal da "casa do povo", repleta de gente que representa, no mais das vezes, os interesses escusos de quem lhes enche o bolso. Pátria? País? Desenvolvimento? Progresso? Bobagem! A máxima que impera é do conhecido personagem de Chico Anísio, o deputado Justo Veríssimo: eu quero é me arrumar!

No projeto construído pelo agronegócio só o que se contempla é o lucro dos donos das terras, dos grileiros, dos latifundiários. Menos mata preservada, legalização da destruição, perdão de todas as dívidas e multas dos grandes fazendeiros. Assim é bom falar de progresso. Progresso de quem, cara pálida? Ao mesmo tempo, os "empresários" do campo, incapazes de mostrar a cara, lotam as galerias com a massa de manobra. Pequenos produtores que acreditam estar defendendo o seu progresso. De que lhes valerá alguns metros a mais de terra na beira de um rio se na primeira grande chuva, o rio, sem a proteção da mata ciliar, transborda e destrói tudo? Que lógica tacanha é essa que impede de ver que o homem não está descolado da natureza, que o homem é natureza.

Que tamanha descarga de ideologia os graúdos conseguem produzir que leva os pequenos produtores a pensar que é possível dominar a natureza, como se ao fazer isso não estivessem colocando grilhões em si mesmo? Desde há muito tempo - e gente como Chico Mendes, irmã Doroty e Zé Claudio já sabia - que o ser humano só consegue seguir em frente nesta terra se fizer pactos com as outras forças da natureza. E que nestes pactos há que se respeitar o que estas forças precisam sob pena de ele mesmo (o humano) sucumbir.

O novo código florestal foi negociado dentro das formas mais rasteiras da política. Por ali, na grande casa de Brasília, muito pouca gente estava interessa em meio ambiente, floresta, árvore, rio, pátria, desenvolvimento. O negócio era conseguir cargo, verba, poder. Que se danem no inferno pessoas como Zé Cláudio, que ficam por aí a atrapalhar as negociatas. Para os que ali estavam no plenário da Câmara gente como o Zé e sua esposa Maria não existem. São absolutamente invisíveis e desnecessárias. Haverão de descobrir seus assassinos, talvez prendê-los por algum tempo, mas, nas internas comemorarão: menos um, menos um.

Assim, por 410 x 63, venceram os destruidores. Poderão desmatar a vontade num tempo em que o planeta inteiro clama por cuidado. Furacões, tsunamis, alagamentos, mortes. Quem se importa? Eles estarão protegidos nas mansões. Não moram em beiras de rio. Dos 16 deputados federais de Santa Catarina apenas Pedro Uczai votou não. Até a deputada Luci Choinacki, de origem camponesa, votou sim, contrariando tudo o que sempre defendeu.

Então, na mesma hora em que a floresta chorava por dois de seus filhos abatidos a tiros, os deputados celebravam aos gritos uma "vitória" sobre o governo e sobre os ecologistas. Daqui a alguns dias se verá o tipo de vitória que foi. Mas, estes, não se importarão. Não até que lhes toque uma desgraça qualquer. O cacique Seatlle, da etnia Suquamish, já compreendera, em 1855, o quanto o capitalismo nascente era incapaz de viver sem matar: "Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la, ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende".

Zé Claudio e Maria eram assim, vistos como "selvagens que nada compreendem". Mas, bem cedo se verá que não. Eles eram os profetas. Os que conseguiam ver para além da ganância. Os que conseguiam estabelecer uma relação amorosa com a terra e com as forças da natureza. Eles caíram à bala. E os deputados vende-pátria, quando cairão?

Já os que gritam e clamam por justiça, não precisam esmorecer. Perdeu-se uma batalha. A luta vai continuar. Pois, se sabe: quem luta também faz a lei. Mas a luta não pode ser apenas o grito impotente. Tem de haver ação, organização, informação, rebelião. Não só na proteção do verde, mas na destruição definitiva deste sistema capitalista dependente, que superexplora o trabalho e a terra. É chegada a hora de uma nova forma de organizar a vida. Mas ela só virá se as gentes voltarem a trabalhar em cada vereda deste país, denunciando o que nos mata e anunciando a boa nova.

Elaine Tavares

Fonte: Revista Missões, a Missão no Plural

Nota de repudio ao presidente do Conselho Municipal de daúde de Sobral - CE

É uma vergonha que uma atitude como está seja cometida por meio da presidência de um conselho que deveria legitimamente defender os interesses da maioria da população. Situações como esta devem ser duramente repreendedidas, não podemos nos calar diante das injustiças.

A PJMP da Diocese de Sobral se solidariza com o companheiro Chiquinho, que antes mesmo de tomar posse como Conselheiro Municipal de Saúde sofreu uma dura resistência a cerca da votação do seu nome como representante do segmento usuário.

Na condição de ex-conselheiro municipal de saúde fico indignado com tal atitude IRRESPONSÁVEL e PRECONCEITUOSA deste senhor que julga ser "a voz das comunidades (SUBURBANAS E PERIFÉRICAS) da cidade de Sobral".

Que a Federação Sobralense de Associações Comunitárias possa tomar um posicionamento de pensar críticamente a atitude deste senhor. Pois afinal quais são os interesses que estão em jogo? A manutenção do jogo sujo do poder ou romper com este ciclo vicioso que utiliza os espaços que deveriam ser de participação popular para conquistar interesses individuais que nada se aproximam dos reais objetivos destes espaços, ressaltando que os mesmos foram conquistados em nosso tão recente processo de redemocratização por meio de muita luta, sobretudo, com ampla participação dos "SUBURBANOS'"que o senhor Anastácio faz referência ao direcionar seus insultos ao jovem militante da PJMP e Conselheiro Municipal de Saúde - Franscisco Silva (Chiquinho)

PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE DE SOBRAL FEZ AMEAÇA DE AGRESSÃO FÍSICA E COMETEU AGRESSÕES VERBAIS A UM CONSELHEIRO EM PRÉ- CONFERÊNCIA DE SAÚDE.

O Conselho Municipal de Saúde de Sobral (CMS) desde o dia 19 de maio de 2011 vem realizando pré-conferências no município, em preparação da VI Conferência Municipal de Saúde de Sobral. Para realização destas pré-conferências, o CMS elegeu uma Comissão Organizadora conforme Regimento Interno da Conferência mencionada. Ocorreu que, na noite da segunda pré-conferência, dia 26/05/11, na Escola Padre Osvaldo Chaves, bairro Dom Expedito, o evento que deveria ser mais um momento participativo e aberto a expressões de idéias e representações comunitárias tornou-se um espaço de expressão de PRECONCEITO, EXCLUSÃO E ABUSO DE PODER.

Pouco antes de iniciar o evento, por volta das 18h30min, o Conselheiro Municipal de Saúde de Sobral – e membro da comissão organizadora do evento – Francisco Silva de Sousa (conhecido por “Chiquinho”) estava no local, resolvendo pendências referentes ao evento, quando foi abordado de maneira agressiva pelo presidente do Conselho de Municipal de Saúde de Sobral – Sr. Francisco Anastácio Dourado Felix. Na oportunidade, o Sr. Chiquinho conversava com o Sr. Expedito Vidal exatamente questões referentes ao evento, quando o Sr. Francisco Anastácio, em atitude intempestiva, se aproximou cobrando de forma autoritária que o conselheiro Chiquinho assumisse as problemáticas de infraestrutura uma vez que o mesmo foi eleito coordenador de infraestrutura do evento.

Cabe aqui ressaltar que, conforme o Regimento Interno, a atribuição do coordenador é: “Propor condições de infraestrutura necessária à realização da Conferência Municipal de Saúde, referente ao local, equipamentos e instalações, audiovisuais, reprografia, comunicações, hospedagem, alimentação e outras; avaliar, juntamente com a Comissão Organizadora, a prestação de contas de todo os recursos destinados à realização da Conferência Municipal de Saúde”.

Em resposta aos gritos proferidos pelo presidente do CMS, o conselheiro Chiquinho revidou argumentando que estava assumindo suas atribuições, mas continuou sendo severamente repreendido pelo presidente com frases autoritárias como “Cale a boca!”, culminando com ameaças de agressão física por parte deste: “Eu devia lhe dar umas ‘mãozadas’”. Tendo como resposta do Sr. Chiquinho, que permaneceu sentado, “Me respeite não sou seu empregado, seu palhaço!”, o Sr. Francisco Anastácio manifestou impulso de avançar em direção ao Sr. Chiquinho, mas foi contido por um profissional de saúde que se encontrava no local e que também presenciou a deplorável cena.

Insatisfeito, o Sr. Presidente do CMS permaneceu transitando no espaço, continuando o grotesco episódio de agressões verbais, com as seguintes frases: “Seu moleque!” “Suburbano!” “Cale a boca, seu suburbano!” “Procure o CAPS! Lá tem tratamento.”

É público que o Sr. Chiquinho, liderança comunitária, tem sua história de vida construída nas comunidades do Sumaré, Alto do Cristo e Terrenos Novos. Ou seja, bairros da periferia ou subúrbio sobralense. Sim, o Sr. Chiquinho é de origem humilde, é suburbano, mas será que isto o torna menos digno? Ou será que isso justifica que seja passível de receber gritos preconceituosos?

Registremos aqui a indignação com o fato ocorrido – não pela palavra “suburbano” em si (que significa aquele pertencente ou relativo a um subúrbio), mas pela tonalidade com que foi proferida que, segundo os presentes, agregou uma conotação visivelmente pejorativa ao termo. Outra indignação é com o fato do protagonista desta cena dantesca ser membro do CMS como representante do segmento USUÁRIO, através da Federação Sobralense de Associações Comunitárias. Ou seja: o mesmo no CMS representa os diversos moradores das comunidades sobralenses! Mas será que ele tem clareza que deve representar também as comunidades suburbanas?

E lancemos algumas reflexões: Não seria o Conselho Municipal de Saúde um espaço de controle social aberto à participação popular na construção de políticas públicas?
Acaso, a população sobralense não comporta suburbanos?
Ou os suburbanos não seriam usuários do SUS?
Por outro lado, ser suburbano, torna um indivíduo inferior – seja ele membro do CMS ou não? Após 23 anos de aprovação de uma Constituição dita Cidadã, que preconiza uma sociedade com direitos iguais, sem distinção de qualquer natureza, será que ainda podemos ser tolerantes com atitudes preconceituosas e excludentes como estas?
É preciso que não somente a sociedade civil, mas que o próprio Conselho Municipal de Saúde de Sobral, através de seu pleno de conselheiros, adote providências que não permitam a propagação de discursos preconceituosos desta ordem e, tão pouco, que tal situação seja apenas mais uma no rol de impunidades brasileiras

PJMP Ceará

Nota de repúdio da CPT Ceará às agressões verbais e ameaças de agressão física

Nota de repúdio da CPT Ceará às agressões verbais e ameaças de agressão física ao companheiro Francisco Silva Filho (Chiquinho)

Coordenador Diocesano das CEBs de Sobral/CE foi vítima de preconceito e discriminação com ameaça física pelo presidente do Conselho de Saúde de Sobral

“Quem diz ao seu irmão: ‘imbecil’... quem chama o irmão de ‘idiota’, será réu em juízo” (cf. Mt 5, 22)

A Coordenação e Secretariado da CPT Ceará recebeu com profunda indignação a notícia de que o agente da CPT da Diocese de Sobral, Francisco Silva Filho, conhecido por “Chiquinho”, sofreu agressões verbais e ameaça de agressão física pelo Sr. Francisco Anastácio, presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Sobral.
Chiquinho, conselheiro do CMS de Sobral, participava, na noite do dia 26 de maio, de uma pré-conferência em preparação VI Conferência Municipal de Saúde de Sobral, quando foi abordado pelo Sr. Francisco Anastácio de forma agressiva e preconceituosa, postura essa por demais inadequada para o presidente de um Conselho representativo da sociedade civil e poder público.
Agente da CPT, da PJMP e CEBs, Chiquinho é uma pessoa que assume seus compromissos com seriedade e não negligencia no cumprimento de suas responsabilidades. Conhecemos seu caráter e sua capacidade para exercer o cargo de conselheiro municipal de saúde, bem como de representante das comunidades, já que sua atuação pastoral junto às comunidades periféricas de Sobral é notável e louvável.
O Sr. Francisco Anastácio, em suas agressões verbais preconceituosas, além de chamá-lo de “moloque”, dirigiu-se a este companheiro chamando-o de “suburbano”, não simplesmente pelo fato de Chiquinho ter sua origem na periferia, mas como forma preconceituosa de referir-se aos pobres que residem nas comunidades periféricas de Sobral. Repudiamos totalmente as atitudes deste senhor que, além de preconceituoso, não tem o preparado e o equilíbrio para presidir um conselho municipal responsável por acompanhar e tomar posições sobre os serviços públicos municipais de saúde.
Repudiamos toda forma de preconceito e injustiça e acreditamos que seja urgente e necessária uma retratação por parte do Sr. Francisco Anastácio por suas atitudes violentas e preconceituosas para com este companheiro da CPT da Diocese de Sobral. Ainda, é necessário que os conselheiros municipais de saúde, a Secretaria de Saúde do Município, a Câmara de Vereadores, o Gestor Municipal e outros órgãos competentes avaliem com seriedade as atitudes do Sr. Francisco Anastácio e revejam sua permanência na presidência do CMS, pois acreditamos que, para os bons resultados da atuação do Conselho no município, ele não pode ser guiado por uma pessoa com atitudes agressivas e desequilibradas.
Se a cabeça não pensa, todo o corpo padece. Já disse Jesus: “Toda árvore boa produz frutos bons e toda árvore má produz frutos maus. Toda árvore que não der bons frutos, será cortada e jogada no fogo” (Mt 7, 18-19)

Fortaleza, 02 de junho de 2011
A Coordenação e Secretariado da CPT Ceará


Fonte: Se Avexe não!

8º Encontro Nacional Fé e Política



Tema:
“Em busca da Sociedade do Bem-Viver: Sabedoria, Protagonismo e Política”
29 e 30 de outubro de 2011
Local: Casa de Show Caipirão – Embu das Artes-SP



28/out/2011 TARDE / NOITE
Credenciamento: A partir das 16hs
Acolhimento dos Participantes
Roda de Viola – 19hs

29/out/2011 MANHÃ
Chegada dos participantes – continuação do credenciamento
Celebração de abertura – 9hs
Composição da Mesa - 10hs
D. Luiz Antônio Guedes – Bispo da Diocese de Campo Limpo
Chico Brito – Prefeito de Embu das Artes
Pe. Jaime Crowe – Coordenação do 8º Encontro Nacional
Teresinha Toledo – Coordenação Nacional Fé e Política
Plenária Geral – 10h30
Pedro Ribeiro - Sociólogo, professor do mestrado em Ciências da Religião - PUC-Minas e membro da Coordenação Nacional de Fé e Política. 30’
Nancy Cardoso – Pastora metodista, assessora de formação da Comissão Pastoral da Terra – CPT. 30’
Maurício da Silva Gonçalves – Liderança do Movimento Nacional dos Povos Indígenas do RS e membro do CAPG –
Conselho de Articulação do Povo Guarani do RS. 30’
Coordenação da Mesa – Lucila Pizani
Almoço – 12h30

TARDE
Plenárias Temáticas – 14hs
Cada plenária terá um assessor/a, um coordenador/a e um relator/a e escolherá três desafios a serem apresentados
na Plenária Geral, no domingo.
1. ESPIRITUALIDADE E CONSCIÊNCIA PLANETÁRIA - Mística dos/as Mártires
Frei Betto – Teólogo, escritor e assessor dos movimentos sociais
2. ECONOMIA: PRODUÇÃO E CONSUMO SUSTENTÁVEL
Jung Mo Sung – Teólogo, pós doutorado em Educação, doutor em ciências da religião e professor da Universidade
Metodista.
3. CIDADE, MODELO DE GESTÃO E DEMOCRACIA
José Fillipi – Deputado Federal por SP
4. AGROECOLOGIA X AGRONEGÓCIO - Agricultura urbana, direito à alimentação adequada e limite da propriedade - Mauro Morelli – Bispo emérito de Duque de Caxias
5. MATRIZ ENERGÉTICA E MODELOS ALTERNATIVOS DE DESENVOLVIMENTO MAB – Movimento de Atingidos por Barragens – assessor a definir
6. ÁGUA: BACIAS HIDROGRÁFICAS
Marcelo Cardoso - Vitae Civilis
7. BÍBLIA, PROFETISMO E A SOCIEDADE DO BEM-VIVER
Haidi Jarschel – Pastora metodista, biblista e da Universidade Metodista
8. DIREITOS HUMANOS: POR UMA CULTURA DE PAZ
Paulo Vannuchi - Jornalista e membro da direção do Instituto da Cidadania
9. TRABALHO - DIREITO DE TODOS/AS - CONFLITO CAPITAL x TRABALHO
César Sanson – CEPAT – Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – Curitiba-PR
10. CIÊNCIA E TECNOLOGIA - Bioética, biotecnologia
Márcio Fabri dos Anjos - Doutor em Teologia pela Universidade Gregoriana e Especialista em Ética e Bioética
11. A SUPERAÇÃO DA CRIMINALIZAÇÃO DA JUVENTUDE
Francisco Antonio Crisóstomo de Oliveira - Secretário Nacional da Pastoral da Juventude
Alexandre Piero – Representante da PJ no CONJUVE
12. USO E TRÁFICO DE DROGAS: ENFRENTAMENTO DA CULTURA DE MORTE
Paulo Teixeira – Deputado Federal por SP
13. RELAÇÕES DE GÊNERO, RAÇA E ETNIA
Ivone Gebara – filósofa e teóloga nascida em São Paulo e vivendo no nordeste do país. Foi durante 17 anos professora
do Instituto de Teologia do Recife e assessora do movimento popular.
14. ÉTICA, DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL
Aldaíza Sposatti - Professora titular da PUC-SP e coordenadora do Núcleo de Seguridade e Assistência Social (PUC)
15. PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE
Lourivaldo Ribeiro – CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim"
Celso Zopi – CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim"
16. MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL: Controle e Democratização
Ricardo Campolim - ABRAÇO Nacional - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária
FINALIZAÇÃO DAS PLENÁRIAS – 17hs

NOITE NOITE CULTURAL – ARTE e CULTURA na Sociedade do Bem-Viver – 18hs
Maracatu, Sarau e outras atividades culturais.
Término: 22hs

30/out/2011 MANHÃ
Chegada dos participantes – 8hs
Mística – 9hs
Apresentação dos três desafios das temáticas: Um/a expositor/, 2’ cada
Plenária Geral: Leonardo Boff - Teólogo, filósofo e escritor – 10hs
Caminhada em memória aos 32 anos do assassinato de Santo Dias, 90 anos de D. Paulo Evaristo e DNJ 2011 – 11hs
Ato Ecumênico de encerramento
Almoço -13hs

INSCRIÇÕES: A partir de 1º de julho de 2011, via site – www.fepolitica.org.br
Encerramento: 30 de setembro de 2011
O Valor da Inscrição - R$ 20,00 (inscrição individual) e R$ 50,00 (contribuição solidária)
FAÇA SUA CONTRIBUIÇÃO PARA ORGANIZAÇÃO DO 8º ENCONTRO NACIONAL FÉ E POLÍTICA
BRADESCO
AG. 2744-8
C.C. 16245-0
Favorecido: Fé e Política 2011

Organize sua caravana!
Vai acontecer...
Dia 04 de junho de 2011 - Encontro de Formação e preparação ao 8º Encontro Nacional de Fé ePolítica, em Suzano-SP, das 8h às 12h, na Paróquia São Sebastião.
Dia 11 de junho de 2011 - Reunião mensal de preparação ao 8º Encontro Nacional, das 9h às 13h, na Paróquia Santos Mártires, Rua Luis Baldinato, 09 Jd Ângela São Paulo-SP.
Dia 18 de junho de 2001 - Encontro de Formação da Pastoral Fé e Política, em Várzea Paulista-

Crimes no Para são frutos da impunidade, afirma Pedro Casaldáliga



Mais um episódio da guerra no campo. Assim Dom Pedro Casaldáliga define o assassinato dos líderes extrativistas José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, ocorrido na semana passada no Pará.

A entrevista é de Eleonora de Lucena e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 31-05-2011.

Fundador da Comissão Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista Missionário, o bispo ganhou notoriedade internacional ao denunciar brutalidades de madeireiros, policiais e grandes proprietários rurais no período da ditadura militar.
Agora, aos 83 anos, o bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT) segue fazendo o seu diagnóstico do país.

Eis a entrevista.

Qual o significado do duplo assassinato no Pará?
A morte de José Claudio e da Maria do Espírito Santo não é um fato isolado. É mais um episódio da guerra no campo. É fruto da impunidade e da corrupção marcantes sobretudo no Pará, campeão em violência no campo, em desmatamento e queimadas.

Qual é a situação dos conflitos agrários?
Simplificando, com uns traços panorâmicos, poderíamos dividir o nosso Brasil em três. Primeiro, o Brasil hegemônico, que está a serviço do agronegócio, depredador, monocultural, latifundista, excluidor dos povos indígenas e do povo camponês. Fiel à cartilha do capitalismo neoliberal. Uma oligarquia política tradicionalmente dona do poder e da terra.

Quem fica do outro lado?
O povo da terra indígenas, camponeses da agricultura familiar, ribeirinhos, extrativistas, sem terra consciente de seus direitos e organizado em diferentes instâncias de sindicato, de associação e respaldado por grupos militantes solidários do movimento popular, das pastorais sociais, de intelectuais e artistas, de universitários, de certas ONGs.

Quem é o terceiro grupo?
É uma maioria média desinformada ou mal informada, que não vincula as lutas do campo com as lutas da cidade, no dia a dia da sobrevivência. Que não percebe ainda que a reforma agrária é uma luta de todos.

Qual é o papel do Estado?
O Estado continua omisso frente a três grandes dívidas: a reforma agrária, a política indigenista, a política doméstica e ecológica do consumo interno.

Como é o movimento dos trabalhadores rurais hoje em comparação com o período da ditadura militar?
Hoje, evidentemente, o Brasil está numa democracia, pelo menos formal. As organizações do povo da terra têm uma relativa liberdade de ação. O MST é um caso emblemático. Os governos do PT pelo menos não satanizam essa luta.

Qual é o papel da Igreja Católica nesse movimento? Como a orientação mais conservadora do Vaticano interfere?
A Igreja já não deve assumir, como nos tempos da ditadura, uma atuação de suplência abrangente. A Igreja deve continuar sendo -e talvez mais do que nunca, pela ambiguidade oficial e internacional- uma Igreja servidora e profética. Que não se omita nunca ante o clamor dos pobres.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Perfil do novo presidente da CNBB

Em 13 de maio de 2011, o Cardeal Raymundo Damasceno Assis assume a Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, para a qual foi eleito pela 49ª Assembléia Geral Ordinária deste Organismo episcopal. O novo Presidente é arcebispo de Aparecida do Norte e até o mês de julho do corrente ano prossegue como Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM. Seu mandato se estenderá pelos próximos quatro anos, no decorrer dos quais estão previstos acontecimentos e celebrações de especial relevância para a Igreja no Brasil e até mesmo para a totalidade da Igreja Católica Apostólica Romana.

Em 2012 a CNBB completa 60 anos de fundação (outubro de 1952) e durante o próximo quadriênio estará realizando sua 50ª Assembléia Geral Ordinária: um jubileu que pode representar um momento especial de graça e uma oportunidade ímpar para que a Igreja no Brasil aprofunde e projete estrategicamente sua atuação em um país chamado a desempenhar nas próximas décadas um novo papel não apenas em termos de América Latina, mas provavelmente também em nível intercontinental.

Em 2012 a Igreja celebra os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, que segundo as palavras do Papa João XXIII foi convocado, “por inspiração divina”, com o objetivo de fortalecer a Igreja para os embates das últimas décadas do século XX, e de prepará-la ao mesmo tempo para os desafios das primeiras décadas do século XXI, tendo como diretriz fundamental sua renovação constante sempre devotada ao aperfeiçoamento de seu desempenho pastoral em coerência e consonância com o Desígnio divino de salvação.

O Concílio Vaticano II – que representou uma primavera esplendorosa na vida da Igreja – encontrou na Igreja do Brasil um terreno fértil. A implantação sistemática das diretrizes deste Concílio conferiu uma nova fisionomia a esta Igreja, ensejando que ela empreendesse de maneira progressiva e criativa, um vasto programa de educação de fé mais adulta entre seus fiéis, levando em conta a profunda religiosidade popular que caracteriza a maioria esmagadora do povo brasileiro. Essa iniciativa de educação da fé foi acompanhada da criação de estruturas flexíveis e inovadoras capazes de assegurar, numa atitude de serviço, o êxito renovador desse empreendimento eclesial, que optou por priorizar sua ação pastoral junto às camadas de base da população, especialmente daquelas menos favorecidas em termos econômicos, socais e políticos. Depois de passar por outonos e invernos as diretrizes deste Concílio podem representar hoje para a Igreja uma nova e pujante primavera no alvorecer do século XXI.

Em coerência com a índole essencialmente católica da Igreja, o Concílio Vaticano II lançou as bases para garantir que as novas estruturas eclesiásticas pudessem acompanhar as exigências de uma humanidade dotada de relacionamentos mais intensos e mais céleres, numa dimensão cada vez mais planetária. Essas estruturas, porém, são por sua natureza suportes aos objetivos da missão pastoral da Igreja.

Três desses objetivos merecem ser realçados. Em primeiro lugar a Igreja é o sacramento (sinal visível e eficaz) da realização do Desígnio divino de salvação no seio da história humana. Sua missão é construir a comunhão e a unidade de todos quantos acolhem na fé o mistério de Cristo, que é o único Mediador entre Deus e os homens (1Tm. 2, 5). Em segundo lugar é missão da Igreja levar esta boa nova do Evangelho a todas as nações, ensinando-as a acolher e observar tudo que o Senhor lhe comunicou (Mat. 28,20). Em terceiro lugar faz parte da missão da Igreja prestar um serviço à humanidade, ajudando-a a aperfeiçoar a obra da criação, ao promover a justiça e a paz pelo seu ensinamento, pelo seu testemunho e pela sua atuação, fomentando os valores da fraternidade, da partilha dos recursos da criação, de respeito à vida e aos seres vivos do Planeta. Com efeito, o mistério de Cristo o constitui como Primogênito de toda a criação, pois aprouve a Deus fazer habitar nele toda a Plenitude da Divindade e por ele reconciliar todos os seres, tanto na terra como nos céus (Col. 1. 15-20).

A missão do bispo é liderar a Igreja para a consecução desses três objetivos, sobretudo, de maneira colegiada. Com efeito, a constituição dogmática Lumen Gentium do Vaticano II deixa claro que o bispo é antes de tudo membro do colégio episcopal em comunhão com o sucessor de Pedro e a serviço de toda a Igreja. Em segundo lugar ele é chamado a exercer esta missão no exercício da função específica que lhe é confiada, seja no pastoreio de uma Igreja particular, seja no exercício de uma função supra-diocesana que lhe for conferida, seja simultaneamente numa conjugação desses dois tipos de funções eclesiais.

É dentro desse contexto histórico da Igreja ao longo das últimas décadas e da fundamentação explicitada pelo Vaticano II, à luz das Sagradas Escrituras e da tradição eclesial, máxime da tradição dos Padres da Igreja nos primeiros séculos do cristianismo, que se pode apreciar o perfil do atual Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o cardeal Raymundo Damasceno Assis.

Desde sua ordenação episcopal esse cardeal tem demonstrado seu inarredável compromisso com os três objetivos fundamentais da missão da Igreja no exercício das funções que lhe foram assinaladas pelo sucessor de Pedro, primeiramente na capital da República e em seguida na arquidiocese de Aparecida do Norte, que representa para os fiéis católicos a capital religiosa do Brasil. No exercício deste seu ministério, além de sua fidelidade a sua missão de pastor tem primado na sua atitude de escutar a comunidade dos féis, bem como o ponto de vista de todos aqueles e aquelas envolvidos no seu raio de atuação.

“Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é providencial contar nesses próximos quatro anos com um Presidente cujo perfil é caracterizado pela afirmação contundente de seu estilo colegial; pela sua capacidade de auscultar e discernir os anseios de todos e de todas diretamente envolvidos no raio de ação de seu ministério episcopal; pela sua clarividência em buscar assessorias capazes de lhe fornecer subsídios valiosos para suas decisões e atuação na qualidade de pastor”, escreve Raimundo Caramuru Barros.


Uma segunda característica de seu ministério é sua capacidade de estabelecer uma vasta rede de assessores relevantes para o exercício de seu múnus episcopal, buscando assim fundamentar mais solidamente suas decisões sempre em coerência com sua missão de pastor para o fortalecimento na fé de todos que se encontram, de uma ou outra maneira, vinculados aos seus cuidados pastorais.

Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil é providencial contar nesses próximos quatro anos com um Presidente cujo perfil é caracterizado pela afirmação contundente de seu estilo colegial; pela sua capacidade de auscultar e discernir os anseios de todos e de todas diretamente envolvidos no raio de ação de seu ministério episcopal; pela sua clarividência em buscar assessorias capazes de lhe fornecer subsídios valiosos para suas decisões e atuação na qualidade de pastor.

Raimundo Caramuru Barros

Fonte: IHU