terça-feira, 3 de maio de 2011

A violência do agrotóxico

Agropecuarista vê gado agonizar pela segunda vez, vítima de veneno agrícola alheio. Caso entrará em documentário de Silvio Tendler

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Em 31/03, a equipe de filmagem do documentário sobre os agrotóxicos, dirigido por Silvio Tendler, estava em Paraipaba, Ceará, cerca de 90 quilômetros a noroeste da capital Fortaleza. Foram investigar as acusações contra a empresa do agronegócio, de origem holandesa, Companhia Bulbos do Ceará (CBC), por uso indiscriminado de agrotóxicos.

Em fevereiro, a Justiça do Ceará havia deferido liminar proibindo o uso de veneno pela CBC. Entre as explicações estão coceira na pele e problemas respiratórios na comunidade local, a provável contaminação da lagoa da Cana Brava - a 100 metros da fazenda e principal reservatório de água que abastece o município – além da morte, por contaminação comprovada em laboratório, de 18 cabeças de gado do agropecuarista Henry Romero.

Na manhã seguinte à visita da equipe de filmagem, 15 animais de seu Henry apareceram doentes – alguns agonizantes, como mostram vídeos gravados pelo agropecuarista, sob orientação do Ministério Público. Até o fechamento desta matéria, 12 já haviam morrido.

“O tempo todo que estivemos conversando com seu Henry na propriedade dele, um cara numa caminhonete, dentro da área da CBC, um funcionário, ficava cantando pneu pra cima e pra baixo. Nitidamente para nos coagir. Tanto que no final, seu Henry falou ‘fiquem tranquilos’ e nos escoltou até a saída”, relatou a documentarista Aline Sasahara.

As propriedades de seu Henry e CBC são vizinhas. Atualmente, separadas por uma “telinha transparente”, como descreve Aline.

Veneno à deriva

Seu Henry é cauteloso e não acusa a empresa de envenenamento direcionado. Entretanto, diz não ter dúvida de que seus animais são vítima do veneno lançado aos montes por seu vizinho:

“Já foi descartado qualquer tipo de doença. É veneno que partiu de lá e o que vai dizer qual veneno é a biopsia. Sabemos que eles nunca obedeceram a ordem de parar de pulverizar. Se eles plantam, eles pulverizam, porque não tem como colher essas culturas sem usar o veneno.”

Cada um dos dois pulverizadores usados pela CBC armazena 2 mil litros de veneno e possuí dois braços de 20 metros que fazem a pulverização suspendida. As duas máquinas juntas chegam a envergadura de 80 metros e são utilizadas para pulverizar uma área de aproximadamente 22 hectares, segundo Henry:

“A área deles é pequena, não chega a 180 metros de largura, então dá pra você imaginar: 80 metros de braço jogando o veneno à deriva.”

CBC

Criada em 2004, a CBC produz bulbos - caule arredondado do qual brotam flores ornamentais, como a Canna indica, Amaryllis e Caladium. Apesar de serem consumidos pelos EUA e Europa, é em Paraipaba que os bulbos e a CBC encontram as melhores condições para florecer: longo período de sol, Porto de Pecém a 50 quilômetros de distância, baixo custo da terra e mão-de-obra barata. Todas estas “vantagens”, entretanto, parecem não dispensar a necessidade do veneno: de acordo com a Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri), a CBC utiliza 29 tipos de agrotóxicos, sendo dez altamente tóxicos ao meio e sem registro administrativo de órgãos ambientais estadual e federal. De acordo com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), a CBC também não possui licenciamento ambiental.

Para agravar a situação, a plantação da CBC se localiza em um platô, com incidência de fortes vento, e é rodeada por um povoado de quase 700 habitantes – muitos deles dependentes da empresa. Em épocas de forte safra, a CBC emprega até 150 trabalhadores. Assim, a população que sofre com a propagação do veneno pela terra, água e ar, pouco pode fazer. “Todo mundo tem medo de falar, porque são vizinhos, porque trabalham lá ou tem parentes que trabalham. Seu Henry tem uma situação econômica muito melhor que a maioria das pessoas ali, então ele pode falar. Mas, a empresa está fazendo um trabalho junto aos moradores, dizendo que se ela fechar a culpa vai ser do seu Henry, que as pessoas vão perder emprego, que ele devia ficar quieto”, conta a documentarista Aline.

Seu Henry

Com aproximadamente 160 cabeças de gado leitero, há mais de 30 anos no ramo “sem usar agrotóxico e nenhum produto que venha causar algum transtorno para a natureza ou para os animais”, seu Henry levou um grande prejuízo. “Todos os dias estou mandando 500 reais de medicamento para a fazenda, mas não está resolvendo. Morreram animais que eu ainda estou pagando. Comprei no leilão”, reclama.

Contudo, o agropecuarista dá outras razões para seu abatimento. “Eu tenho esse apego aos animais, mas são só animais. E as pessoas lá? Tem um povoado de 130 casas, todas pessoas honestas, humildes que não podem falar nada. Segundo os profissionais químicos, o veneno é absorvido pela medula e vai acumulando, acumulando, até causar leucemia e outros problemas. E tem um caso aqui, a 80 metros do campo, que há uma escola que estudam 200 crianças, em dois turnos. Então, o que estão fazendo é um crime, uma ignorância brutal”, conclui.


Vinicius Mansur

Fonte: Brasil de Fato

1979: Vaticano pune teólogo Hans Küng

O então cardeal de Colônia, Joseph Höffner, havia convocado uma entrevista coletiva para a tarde de 18 de dezembro de 1979, sem anunciar o assunto.

Pouco antes do encontro com os jornalistas, um emissário da embaixada do Vaticano entregou em Tübingen uma carta da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício).

“O professor Hans Küng – declarou o cardeal Höffner – diverge da integridade da fé católica em seus escritos. Por isso, ele não pode ser considerado teólogo católico nem continuar lecionando como tal”.

Era o desfecho de um conflito de dez anos entre Küng e o Vaticano. O teólogo suíço, radicado na Alemanha, foi proibido de lecionar teologia em nome da Igreja. “Acredito que o importante para um teólogo é expressar as preocupações e esperanças atuais do povo à luz do Evangelho. Assim ele também será levado a sério em Roma”, disse Hans Küng, numa entrevista à Deutsche Welle em meados dos anos 1970, quando o conflito parecia ter se acalmado.

Nascido em 1928, em Sursee, no cantão de Lucerna, ele começou a questionar a doutrina da igreja depois de estudar em Roma. Ele duvidava que as antiquadas fórmulas de pregação católica ainda fossem assimiláveis pelo homem moderno.

Küng argumentava que os ensinamentos da Igreja deveriam ser formulados de maneira irrefutável, mas numa linguagem adequada a cada época. Ele criticou o dogma da infalibilidade do Papa, aprovado sob circunstâncias peculiares, no Concílio Vaticano 1º, em 1871.

Leonardo Boff, outra vítima

Já em 1957, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, sucessora da Inquisição, havia elaborado um Dossiê Küng, para analisar posições duvidosas de sua teologia. Apesar disso, o Papa João 23 convocou o teólogo (professor da Universidade de Tübingen a partir de 1960) para ser consultor oficial durante o Concílio Vaticano 2º, que pretendia modernizar a igreja. Logo após a conclusão do Concílio pelo Papa Paulo 6º, a Sagrada Congregação retomou o dossiê, abriu secretamente um processo para cassar a cátedra de Küng e tentou impedir a publicação de seus livros.

Küng queria, ao menos, que o processo fosse justo. Reivindicava o direito de ver os documentos e à assistência jurídica. “Um processo que não respeite esses direitos básicos é contra o Evangelho”, disse. O teólogo, porém, não teve possibilidade de se defender em Roma e, pouco antes do Natal de 1979, o Vaticano lhe cassou, unilateralmente, a licença de lecionar.

Cinco anos depois, no dia 3 de setembro de 1984, o teólogo brasileiro Leonardo Boff, um dos teóricos da Teologia da Libertação, receberia punição semelhante, por criticar a estrutura da igreja no livro Igreja, Carisma e Poder.

Pela lei alemã, Küng não podia ser demitido como professor e foi transferido para a cadeira de Teologia Ecumênica na Universidade de Tübingen. Longe de ficar reduzido ao silêncio, prosseguiu sua tarefa esclarecedora, empreendendo dois grandes projetos: tratar da situação religiosa e de uma ética global.

Globalização requer ética mundial

Küng realizou estudos sobre as tradições cristã, judaica, islâmica, hinduísta e budista e publicou obras sobre a questão da ética mundial (“Weltethos”). “A globalização requer uma ética mundial que supere as linhas de conflito entre nações, povos e religiões. Se a globalização for apenas um instrumento para a maximização dos lucros, preparem-se para uma séria crise social”, advertiu no Fórum Econômico Mundial de 1997, em Davos, na Suíça.

No livro Uma ética global para a política e economia mundiais (Editora Vozes, Petrópolis, 1998), Küng afirma que “uma nova ética mundial passa pela paz religiosa, sem a qual não haverá paz mundial, e esta exigirá interpretações mais humanas de leis sacras ultrapassadas e anti-humanistas, fundadas na intolerância e na mentira”.

Outro livro de sua autoria foi Os grandes pensadores do cristianismo – Paulo de Tarso, Orígenes, Agostinho, Tomás de Aquino, Martinho Lutero, Friedrich Schleiermacher, Karl Barth, lançado em português pela Editorial Presença, de Lisboa, em 1999.

Deutsche Welle

Fonte: Correio do Brasil


Fukushima ou a desumanidade capitalista

As precárias condições de trabalho em uma situação de altíssimo risco ameaçam a vida de soldados, bombeiros e empregados de empresas terceirizadas que estão em Fukushima. Isso mostra a desumanidade cotidiana do capitalismo para quem a saúde e a vida dos trabalhadores – ou das populações vizinhas, vítimas da contaminação, representam apenas uma variável ajustável, como os salários. Em nome do lucro dos acionistas, a Tepco rejeitou adotar medidas de segurança legalmente exigidas. E se for preciso, a empresa declarará falência para deixar o Estado encarregado das indenizações.

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Em algumas notas escritas depois do desastre nuclear japonês, o Dr. Abraham Behar, presidente da Associação de Médicos franceses para a Prevenção da Guerra Nuclear (AMFPGN) perguntava-se: “Quem se preocupa com os empregados de manutenção de Fukushima? Algumas vozes se levantam para discutir o destino dos 50 técnicos que fazem o que podem na central altamente radioativa. Mas quem se preocupa com os 300 empregados encarregados dos trabalhos sujos ao lado dos bombeiros e de seus irrisórios jatos d’água?”

“As condições de trabalho são espantosas”, reconhece Thierry Charles, diretor do Instituto de Radioproteção e Segurança Nuclear (IRSN), citado por Catherine Vincent em um artigo publicado em 18 de março. No entanto, era difícil para os jornalistas verificar até que ponto essa avaliação era justificada. O destino dos empregados de empresas terceirizadas em Fukushima segue sendo muito “mal conhecida”, assinalou dia 23 de março Philippe Pons, correspondente do jornal Le Monde que vive há décadas no Japão. O sociólogo Paul Jobin, especialista nesta questão, conhecia, porém, o suficiente para avisar: “Se reforços, os trabalhadores de Fukushima estão condenados” .

As doses de radioatividade recebidas pelos trabalhadores da usina nuclear são tão mortais quanto afirma Jobin? Muitos especialistas dizem que não, apoiando-se em dados oficiais (claramente incompletos) e nos “níveis” de exposição às radiações autorizados legalmente, esquecendo-se que esses níveis foram definidos levando em conta as necessidades das indústrias afetadas e não critérios médicos: a prova disso é que mudam segundo as urgências e os países, como se os efeitos das radiações variassem segundo o lugar e o momento.

Assim, no dia 19 de março, as autoridades japonesas elevaram o índice máximo legal para 250 milisieverts (mSv) para poder continuar enviando trabalhadores a Fukushima e reduzir a evacuação da população. Paul Jobin assinala que “no período normal, o máximo de exposição legal no Japão é de 20 mSv ao ano, durante cinco anos, ou um máximo de 100 mSv em dois anos, o que já seria muito elevado, mas que se pode entender esta decisão de urgência como um médio para legalizar sua morte próxima e evitar ter que pagar indenizações às suas famílias, já que os riscos de câncer aumentam em proporção à dose de radiação. Com doses de 250 mSv, os riscos de câncer, mutações ou de efeitos sobre a reprodução são muito elevados.

Para além das figuras um pouco abstratas, as condições impostas aos trabalhadores de Fukushima deveriam convencer quem ainda duvida que a saúde dos seres humanos não é a primeira preocupação dos industriais e governantes. Todos os empregados da Tepco – a companhia responsável pela usina – assim como os bombeiros e soldados que estão atuando na central correm grandes riscos; mas os trabalhos mais perigosos são realizados por trabalhadores de empresas terceirizadas (que envolvem trabalhar em meio à água muito radioativa, manusear cabos para reestabelecer a eletricidade, remoção de destroços e detritos que se amontoam por todas as partes, tentar resfriar os reatores e retomar o funcionamento dos equipamentos).

Há uma preocupação em cortar custos: apesar da dureza da tarefa, os trabalhadores que cumprem uma função de alto risco estão mal alimentados! “Comemos duas vezes ao dia. No café da manhã, biscoitos energéticos; para jantar, arroz instantâneo e alimentos em conserva”, relatou Kazuma Yokota, vigilante da central, a uma equipe da televisão japonesa. Não há comida ao meio dia. Durante os primeiros dias da crise, cada participante só recebia um litro e meio de água engarrafada. Dormem (brevemente) em condições precárias nas próprias dependências de Fukushima, em um edifício previsto para resistir em parte às radiações, sobre uma esteira e com uma coberta de chumbo que supostamente os protege. “Os empregados dormem em grupo nas salas de reunião, nos corredores ou perto dos banheiros. Todos dormem diretamente sobre o solo”.

Os “ciganos nucleares”, como são chamados no Japão (eles se deslocam de central em central, de obra em obra, em função das necessidades), vivem, portanto, 24 horas por dia em um ambiente contaminado. A falta de equipamentos de proteção é dramática. Às vezes tinham apenas um dosímetro para cada duas pessoas. Segundo a Tepco, após a catástrofe de 11 de março, só restaram 320 dosímetros em condições, dos 5.000 que, oficialmente, estavam disponíveis. Os trabalhadores usam botas de borracha ou de plástico. “Como as condições de trabalho são cada vez mais perigosas, não creio que seja possível encontrar outros assalariados que aceitem trabalhar lá”, disse um terceirizado ao jornal Asahi.

O movimento antinuclear – não só os sindicatos – deve assumir a defesa dos assalariados em perigo. Como assinala Abraham Behar, “só os trabalhadores correm um duplo risco, o das grandes doses de radiação na área dos acidentes e o das doses menores como toda a população exposta e contaminada. Perdão pelo velho reflexo de médico que considera que a vida de cada paciente é o “bem mais precioso” e se pergunta: que solidariedade podemos e devemos praticar com esses trabalhadores japoneses? O movimento sindical soube mobilizar-se pelos trabalhadores terceirizados da indústria nuclear e a União Europeia tomou algumas medidas. E nós o que fazemos?

Ainda que isso desagrade aos defensores da energia nuclear, a gravidade do perigo que correm os trabalhadores de Fukushima não oferece nenhuma dúvida. O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem Estar Social do Japão reconheceu: “Nunca é bom ter um tipo de trabalho que coloca sua vida em perigo”, disse ao jornal Asahi um de seus altos funcionários. “No entanto, a importância de resolver a situação da central nuclear ultrapassa o marco da política social. Não estou seguro que a prioridade atual seja a segurança dos trabalhadores”, acrescentou. Mesmo que utilizando uma linguagem um tanto elíptica, não se pode falar de modo mais claro.

Quanto mais precarizado é o trabalho, tanto mais incide sobre os assalariados a chantagem do emprego e sobre as empresas terceirizadas a chantagem do mercado. Paul Jobin assinala que nestas condições estes trabalhadores atuam muitas vezes sem respeitar as normas de proteção. O patrão de uma pequena empresa próxima de Fukushima 1, que trabalhou com fabricantes de reatores nucleares (General Eletric, Hitach,...), me mostrou em 2002 o selo “sem anomalias” que utilizou durante anos para falsificar a ficha de saúde dos trabalhadores sob sua responsabilidade, até que ele mesmo sofreu um câncer e foi dispensado pela Tepco.

O risco nuclear é ocultado em todas as partes, começando pela França. Dadas as circunstâncias, os decretos governamentais de 30 de março sobre as condições para que os trabalhadores se beneficiem de uma aposentadoria antecipada adquirem valor simbólico. As radiações ionizantes (radioatividade) cancerígenas, antes mencionadas, foram discretamente retiradas da lista, embora constassem do projeto de decreto apresentado em 23 de fevereiro.

“Assim, o pessoal da indústria nuclear e, em particular, os assalariados das empresas contratadas, que sofrem os as maiores exposições, são deixados de lado por uma disposição que serve para todas as exposições profissionais a cancerígenos”, denunciou Michel Lallier, representante da CGT no Comitê Superior para a Transparência e a Informação sobre a Segurança Nuclear. “É um contrassenso e uma injustiça flagrante”, criticou.

Quando o escândalo tornou-se público, os empregados que estão trabalhando em Fukushima obtiveram melhores condições de segurança e indenizações, na expectativa de que os empregados das terceirizadas também sejam beneficiados pelas novas medidas. Mas tudo isso diz muito pouco sobre a falta de preparo da indústria nuclear e do governo diante de um acidente desta importância. A Tepco foi obrigada a confessar que, em relação aos seus próprios empregados, não tinha previsto um nível de risco correspondente à crise atual e que nunca havia previsto “uma situação onde os trabalhadores tivessem que agir de forma continuada sob um alto nível de radiação”.

Isso mostra a desumanidade cotidiana do capitalismo para quem a saúde e a vida dos trabalhadores – ou das populações vizinhas, vítimas da contaminação, representam apenas uma variável ajustável, como os salários. Em nome do lucro dos acionistas, a Tepco rejeitou adotar medidas de segurança legalmente exigidas, negociando as condições de segurança nos contratos de seguros. E se for preciso, a empresa declarará falência para deixar o Estado encarregado das indenizações.

Mas a Tepco não é uma representante marginal no mundo dos negócios. Fundada em 1951, esta multinacional japonese se converteu no maior produtor privado de eletricidade do mundo. Nada menos do que isso. A política da Tepco lança uma luz sobre o fundo do cenário, sobre a natureza do capitalismo realmente existente.


Pierre Rousset

membro da direção da IVª Internacional e do Novo Partido Anticapitalista (NPA), da França

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior

Assassinato de Osama bin Ladem: assim nasce um mártir




A História é realmente Desconhecida dos Homens!!!



Para um mundo deslumbrado com as grandes epopeias "holiwodianas", eis que é ofertado um outro conto holliwodiano: a morte de Osama bin Ladem.

A vida de tão comentado , de tão imenso, de tão grande anti-herói americano, terminou sem glamour algum!!! Se a presa era tão fácil, então porque demoraram tanto para encontrar?

Acho incrivelmente sem graça esta estória que esta sendo apresentada ao mundo: o maior exército do mundo conhecido, assassina/ extermina o dito maior terrorista deste início de século e nem sequer tentam prendê-lo para um significativo interrogatório!!! Isto é " estória para boi dormir"!

Que pessoal este que comete assassinato, que não invade com gaz paralisante, que não quer prender o inimigo, que não quer nem saber de buscar conhecer as ramificações do inimigo... Podemos dizer que foi sem estratégia, sem graça, sem glamour algum para o final de uma caçada de quase dez anos....mataram a Bin Laden, não recordaram que esse havia sido -e ninguém sabe se continuava sendo- um homem ligado à CIA, que, sob esse comando criou aos chamados "talibãs" de Al Qaeda, para combater com guerrilhas apoiadas pelos Estados Unidos aos soviéticos no Afeganistão, em tempos da Guerra Fria...

Tem horas que parecem ações de pessoas mui amigas: ao detonaram as torres, deram sinal verde para invasão e saque do Iraque. Mas diz a história que Osama bin Laden e sua família foram sócios de grandes negócios da família Bush...

Dia primeiro de maio, Dia do Trabalho, feriado...
Um dia que ficará agora na história, tambem por ser o dia do anúncio da morte do terrorista do século, quase dez anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington. Líder da chamada rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden sempre foi tido como um dos mentores dos ataques. Se não o era, passou para estória como sendo o maior terrorista de toda história conhecida dos homens...

Sera lembrado por dois lados , o dos americanos como o dia do acerto de contas e pelos fundamentalista, como o dia em que nasceu um grande mártir..., um grande herói....

É correto realizar uma operação pirata em outra Nação? É lícito invasão a outra Nação para operações militares?

O cara foi trucidado, despedaçado ou esta vivo da Silva Xavier!!!
Por que jogariam o corpo no mar? Porque não esta morto ou porque as imagens seriam chocantes.

Por que jogar o corpo ao mar? Jogar ao mar para o local não ser centro de peregrinação...

E esses soldados matam o "demônio". Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do "demônio". Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça!!!

Dizem que esta morto porque... pontinho, pontinho, pontinho.

Que a Historia do Mundo seja Verdadeira! Que haja paz no mundo! Que realmente a Humanidade busque a Paz!!! Basta de violência!!!

M. M.

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" - A alegada maior democracia do mundo mata seus inimigos sem julgamento e ainda extermina quem estiver por perto, pouco importando se tem alguma culpa no cartório, apenas laço de parentesco ou não passa do entregador de pizza. Então se vai à TV dizer que foi feita justiça, sem pejo de vangloriar-se de uma carnificina!

Qual justiça, a do olho por olho, dente por dente? Regredimos milênios, voltando aos valores brutais das tribos de pastores de cabras? Repulsivo."



A morte de Bin Laden e o triunfo do “Comandante Obama”

A morte de Bin Laden e o triunfo do “Comandante Obama”

A morte de Bin Laden ocorre alguns meses antes de se completarem dez anos do atentado que destruiu as Torres Gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Obama sublinhou a palavra “eu” quando disse que ele mesmo deu a ordem de lançar o ataque contra o santuário onde Bin Laden estava refugiado no Paquistão. Ele transformou-se no presidente que liquidou o inimigo número um da superpotência. Na madrugada desta segunda-feira, conservadores e liberais, direitistas e progressistas dos EUA, festejavam nas ruas a vitória do “comandante Obama” que conquistou um grande trunfo para sua reeleição em 2012.


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O novo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), que acaba de ser proposto por Barack Obama, o general David Petraeus, será confirmado pelos senadores. Se restava alguma dúvida, seu último posto foi o chefe das forças da OTAN no Afeganistão. Assumirá como diretor da CIA com o troféu de Osama Bin Laden morto e as mãos livres para reforçar as operações militares encobertas.

Petraeus foi o arquiteto das operações de George Bush no Iraque e, nos últimos anos, apoiou os ataques contra bases da Al Qaeda não só no Afeganistão, mas também no Paquistão, onde Bin Laden foi morto. A morte de Bin Laden ocorre alguns meses antes de se completarem dez anos do atentado que destruiu as Torres Gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001. Em termos práticos e simbólicos, a operação da CIA confirma que Washington se aproxima do ponto de deixar o lugar de primeira potência econômica nas mãos da China, mas segue sendo a primeira, longe de qualquer outra, em capacidade de uso da força, incluindo aí operações de contrainsurgência.

Por isso, Obama, no discurso realizado na noite de domingo, lembrou que o ataque foi dirigido contra as Torres Gêmeas e também contra o Pentágono, na primeira agressão externa contra território norteamericano em sua história. Por isso, também, recordou que deus instruções a Leon Panetta definindo que a missão principal da CIA era encontrar Bin Laden vivo ou morto. Uma mensagem de gratificação e, ao mesmo tempo, de respaldo: Panetta foi designado e está por assumir como ministro da Defesa, onde deverá diminuir brutalmente o gasto militar e reorientá-lo. Também é chave no discurso a menção aos oficiais encarregados de operações encobertas: “Ninguém conhece seus nomes, mas o povo norteamericano deve estar agradecido a eles”, disse o presidente que assumiu no dia 20 de janeiro de 2009, e no final do ano que vem lutará para ser reeleito e iniciar outro mandato em 2013.

Obama sublinhou a palavra “eu” quando disse que ele mesmo deu a ordem de lançar o ataque contra o santuário onde Bin Laden estava refugiado no Paquistão. Ele transformou-se no presidente que liquidou o inimigo número um da superpotência. “Não vamos tolerar que nossa segurança seja ameaçada”, disse Obama.

O Washington Post anunciou, antes da notícia do assassinato de Bin Laden e ao comentar a nomeação de Petraeus, o começo de um período com “uma CIA cada vez mais militarizada”. Petraeus dirigiu a guerra do Iraque, um país governador pela tirania de Saddam Hussein que não era albergue de terroristas nem defendia o fundamentalismo islâmico. Logo em seguida, dirigiu a guerra do Afeganistão. O Washington Post assinalou que ser diretor da CIA significa, para Obama, liderar a terceira guerra: o combate, mediante operações encobertas ou dirigidas contra alvos específicos no Paquistão. Desde que o atual presidente assumiu, houve 192 ataques com mísseis em solo paquistanês, com um registro de 1890 terroristas ou suspeitos de sê-lo mortos.

Uma volta da história parece ir se completando. Obama acaba de anunciar o corte de impostos para os mais ricos, uma medida que vai no sentido inverso de sua promessa de voltar à sociedade menos desigual dos anos 60. E, com a morte de Bin Laden, obteve uma vitória no campo que parecia o seu flanco mais débil: o militar. Nesta madrugada, conservadores e liberais, direitistas e progressistas dos EUA, festejavam nas ruas a vitória do “comandante Obama”.

Martín Granovsky



Tradução: Katarina Peixoto


Fonte: Carta Maior

Fortalecendo o Concílio Vaticano II

Primeira Jornada Teológica da América Central e Caribe

Começou, oficialmente, na cidade de Guatemala, a primeira Jornada Teológica da América Central e Caribe, que acontece no marco do 50º aniversário do Concílio Vaticano II*. A Jornada teve início com um ato religioso que, dentre seus objetivos principais, destacam-se: promover o desenvolvimento da fé católica, alcançar uma renovação moral da vida cristã, adaptar a disciplina eclesiástica às necessidades e métodos de nosso tempo e alcançar uma melhor inter-relação com as demais religiões, principalmente, as orientais.

O Bispo de Verapaz, Rodolfo Valenzuela Núñez, se referiu ao Concílio Vaticano II afirmando que "é realmente um acontecimento eclesial, que mudou muitíssimo e que ainda está mudando a história da igreja católica”. Em nível de América Latina, as jornadas teológicas recordam os 50 anos do livro do peruano, Gustavo Gutiérrez, que é conhecido como o pai da Teologia da Libertação.

Com o início dessas atividades, programadas para se realizarem de 27 a 29 de abril de 2011, segundo palavras de Núñez: "esperamos que se renove o interesse e a assimilação do Concílio Vaticano II, que se mostrou com objetivos bastante ambiciosos, entretanto, se pode dizer que não foram assimiladas completamente, por isso é necessário que se renove a reflexão sobre seus conteúdos, é um Concílio com conteúdos muito amplos”.

Para que se possa realizar uma mudança substancial, que promova os pontos que formam o Concílio Vaticano II, é necessário que se realizem reformas. "A igreja sempre deve seguir se renovando justamente nisso”, disse Nuñez, fazendo comparação da realidade contemporânea com a vivida no momento de criação do Concílio entre as igrejas católicas do mundo, enfatizando que é diferente e que deve focar as necessidades atuais.

As jornadas acontecem em um lugar chamado Mariapolis, localizado no município de Mixco, do departamento de Guatemala; onde essa realidade será mostrada; refletindo sobre os temas como desastres naturais, migração, povos indígenas, atualidade eclesial e violência, dentre outros.

*O 50º Aniversário do Concílio será comemorado em 2012. O Congresso Continental de Teologia será realizado para celebrar a data. Até lá, quatro jornadas preparatórias para o Congresso acontecem em diferentes regiões latino-americanas e caribenhas, sendo essa primeira na Guatemala.


Douglas Cuevas

Federação Guatemalteca de Escolas Radiofônicas

CEBs e grupos de reflexão

O que são as CEBs e qual a sua importância para a Igreja hoje? Como elas podem transformar nossas paróquias em verdadeiras redes de comunidades missionárias?

Para responder a essa pergunta iremos refletir sobre as CEBs relacionando-as com a experiência dos Grupos de Reflexão na Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Pajuçara.

Entre os grandes contribuições da Igreja na América Latina estão as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base).

CEBs são: Comunidades, porque são uma reunião de pessoas que vivem numa mesma região e professam a mesma fé. Eclesiais, pois são comunidades da Igreja (ekklesia), não são independentes, mas formam um só corpo enquanto Igreja-comunitária. E são de Base, enquanto constituídas por pessoas das classes mais populares, das bases.

As CEBs surgiram em torno das décadas de 60 a 80, incentivadas pelo Concilio Vaticano II (1962-65), no Brasil e na América Latina estas comunidades impulsionaram a criação de vários grupos, movimentos, associações, sindicatos, dando grande força à luta contra a ditadura militar (1965-85) e pela redemocratização do país.

Caracterizam-se pelo uso do método VER (a realidade com os olhos da fé) JULGAR (à luz da Palavra de Deus) e AGIR (segundo os princípios do projeto de Jesus Cristo), bem como pela territorialidade, pelos círculos bíblicos, pela formação de ministérios leigos e pastorais, além disso, atuam na formação de conselhos e assembléias para discussão de problemas comunitários.


Nossas paróquias hoje precisam abrir-se e resgatar a experiência das CEBs, pois a paróquia enquanto comunhão de comunidades encontrará nelas a estrutura e a dinâmica para tornar-se uma unidade apesar das diferenças.

Como diz o Padre José Herval, sdn (no seu livro sobre CEBs e paróquia): “É muito importante essa visão positiva de paróquia como comunhão de comunidades (...) Isso tudo supõe base. Base de comunidades, assim, são os grupos de reflexão.

No fundo, a comunidade consciente é um grupo de grupos”. Os Grupos de Reflexão têm o papel primordial de animar as comunidades e catequizar seus membros a partir da leitura e reflexão da Palavra de Deus, isso acontece sempre em clima de oração e em comunidade, respeitando aquilo que diz o documento Dei Verbum, do Concilio Vaticano II, “a Palavra de Deus deve ser lida no mesmo espírito em que foi escrita”, vale dizer, em espírito comunitário.


Na paróquia Nossa Senhora da Conceição, no distrito de Pajuçara (Maracanaú), sob o cuidado dos Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora, a experiência dos Grupos de Reflexão tem sido algo fundamental para a evangelização das comunidades desta grande paróquia. Desde sua fundação em 1992, se tem investido nessa forma de evangelização e organização popular.

O papel dos Grupos de Reflexão na paróquia tem sido essencial na medida em que possibilita uma formação bíblica, espiritual e pastoral continuada dos membros das comunidades, além de contribuir para a atualização sobre as questões discutidas em nossa sociedade e permitir a organização social e política dos paroquianos, como foi, por exemplo, os projetos ‘dizimo sem taxas’ e ‘reciclar para construir’, além dos fóruns de debate sobre a saúde e a violência no município de Maracanaú, bem como os debates com os candidatos a vereador em Pajuçara.


Tudo isso nos leva a crer que a realidade sonhada pela Conferencia de Aparecida (2007), de comunidades de discípulos e missionários de Jesus Cristo, formada essencialmente por cristãos leigos conscientes, animados e dispostos a agir, não é um sonho tão utópico, nem muito menos longe de nosso alcance. É nas periferias do mundo e mesmo nas periferias da América Latina, que o modelo de comunidade cristã tão belamente apresentado nos Atos dos Apóstolos (2,42), poderá ser vivenciado, a partir da fidelidade ao ensinamento dos apóstolos, tendo como centro a Eucaristia, a comunhão fraterna e as orações de louvor ao Deus da vida.


Francisco Jose da Silva

professor Mestre em Filosofia UFC Cariri


Fonte:Jornal O Povo