segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Papa e a política, - por Dom Luiz Carlos Eccel

O Papa e a política, por Dom Luiz Carlos Eccel

Já havia lido o discurso do Papa Bento XVI, aos Bispos do Maranhão, em visita ad limina apostolorum. Muito interessante o discurso do Papa. Ele não pode deixar de cumprir sua missão de Pastor Universal, exortando o Povo de Deus, especialmente no que diz respeito à defesa da VIDA.

Por Dom Luiz Carlos Eccel
Sexta-feira, 29 de outubro de 2010



O Santo Padre foi muito oportuno e feliz nas suas colocações, porque o Estado Brasileiro é laico, mas seu povo é religioso, e isto precisa ser respeitado. Quando digo que o povo é religioso é porque está disposto a fazer a Vontade de Deus e não somente dizer: Senhor, Senhor..., como às vezes se pretende, de maneira especial dentro da própria Igreja. Existem facções sociais, políticas e religiosas especializadas em fazer lavagem cerebral, deixando as pessoas sem convicções, mas com obsessões, e com a consciência invencivelmente errônea. Ficam semelhantes aos grãos de pipoca que levados ao fogo não estouram, e com mais fogo, mais duros ficam. Tornam-se donas da “verdade”. Estão até manipulando o texto do Papa, para justificar a sede do poder. (cf. http://www.releituras.com/rubemalves_pipoca.asp)

É a Vontade de Deus que nos salva e não a nossa, e sobre isto precisamos sempre nos exortar mutuamente, como diz o Apóstolo São Paulo. Portanto, que nossa fé seja sempre vivificada pela mútua exortação. Pode ocorrer de nos esquecermos que somos todos peregrinos caminhando para a Casa do Pai, e quando lá chegarmos, poderemos ouvir de Jesus o seguinte: “Afastai-vos de mim, vos que praticastes a injustiça, a maldade” (Lc13,27). Creio que ninguém vai querer ouvir isto naquela hora. Seu passaporte está em dia? Pode ter certeza de que a eternidade existe... Assim, busquemos alimentar nossa fé, sem esquecer, como diz o Papa, que ela deve implicar na política. A fé sem obras é morta, diz a Escritura Sagrada. E uma das obras que deve provir da fé, é o nosso voto consciente em pessoas que vão governar para o bem comum, respeitando a vida em todas as suas etapas e dimensões.

No mesmo dia em que li o discurso do Papa, assistindo ao telejornal, à noite, escutei o pronunciamento da candidata e do candidato à presidência do Brasil a respeito do discurso do Papa. Ambos concordaram com as Palavras do Papa, dizendo que é missão dele exortar para uma vida coerente com os valores da fé e da moral, e que as palavras do Papa valem para todas as pessoas de fé, no mundo inteiro.

O Papa falou, também, que o voto deve estar a serviço da construção de uma sociedade justa e fraterna, defensora vida.
Como Bispo da Igreja Católica, e como cidadão brasileiro, fico feliz por saber que nosso Presidente tem defendido a vida, e sempre se pronunciou contra o aborto. Nesses últimos anos o Brasil tem crescido e melhorado em todos os aspectos, de maneira especial no respeito à vida e a valorização da dignidade humana. Esta é a Vontade de Deus! E as pessoas, em plena posse de suas faculdades mentais, vão reconhecer esta verdade.

Nosso país está em pleno desenvolvimento e assim queremos continuar e, depois de 500 anos, nosso povo quer eleger, pela primeira vez, uma mulher que tem compromisso com a vida e provou isso com sua própria vida. Como? Ela não fugiu para o exterior durante a ditadura, mas a enfrentou com garra e, por isso, foi presa e torturada. Ela queria um país livre, e que todas as pessoas pudessem viver sem medo de serem felizes, vencendo a mentira e o ódio com a verdade e o amor, servindo aos ideais de liberdade e justiça, com sua própria vida. Disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a própria vida pelos irmãos” (Jo 15,13).

Obrigado Santo Padre por suas sábias palavras! A Dilma é a resposta para as nossas inquietações a respeito da vida. Quem sofreu nos porões da ditadura, não mata. Mas teve gente que matou a vida no seu ventre para fugir da ditadura, e portanto não deveria se comportar como os fariseus, que jogam pedras, sabendo-se pecadores. E Jesus disse: “Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem entregar sua vida por causa de mim, vai salvá-la”(Mt 10,39)

Vamos fazer o nosso Brasil avançar ainda mais, com Dilma, que já provou ser coerente, competente e comprometida com a VIDA. O dragão devastador não pode voltar ao poder.
Deus abençoe os leitores e eleitores, governos e governados. Saúde e paz a todos (as)!
Tudo o que você me desejar, eu lhe desejo cem vezes mais. Obrigado.

Caçador, 28 de outubro de 2010

Dom Luiz Carlos Eccel
Bispo Diocesano de Caçador

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO

Nota da Comissão Brasileira Justiça e Paz

O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO

“Amor e Verdade se encontrarão. Justiça e Paz se abraçarão” (Salmo 85)


A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, “Na proximidade das eleições”, quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília. Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições.

Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.

Constrangem nossa conciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial.

Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos.

Nesse sentido, a CBJP, em parceria com outras entidades, realizou debate, transmitido por emissoras de inspiração cristã, entre as candidaturas à Presidência da Republica no intento de refletir os desafios postos ao Brasil na perspectiva de favorecer o voto consciente e livre. Igualmente, co-patrocinou um subsídio para formação da cidadania, sob o título: “Eleições 2010: chão e horizonte”.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, nesse tempo de inquietudes, reafirma os valores e princípios que norteiam seus passos e a herança de pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes, Margarida Alves, Madre Cristina, Tristão de Athayde, Ir. Dorothy, entre tantos outros. Estes, motivados pela fé, defenderam a liberdade, quando vigorava o arbítrio; a defesa e o anúncio da liberdade de expressão, em tempos de censura; a anistia, ampla, geral e irrestrita, quando havia exílios; a defesa da dignidade da pessoa humana, quando se trucidavam e aviltavam pessoas.

Compartilhamos a alegria da luz, em meio a sombras, com os frutos da Lei da Ficha Limpa como aprimoraramento da democracia. Esta Lei de Iniciativa Popular uniu a sociedade e sintonizou toda a igreja com os reclamos de uma política a serviço do bem comum e o zelo pela justiça e paz.

Brasília, 06 de Outubro de 2010.

Comissão Brasileira Justiça e Paz,
Organismo da CNBB


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Eleições - Memória

O QUE PLÍNIO, BICUDO, MARINA E BISPO BERGONZINI TEM EM COMUM?


Uma pergunta que no pós-1° turno nas eleições de 2010 inquieta-me: por que o Plínio(Psol), a Marina (PV), o jurista Hélio Bicudo (ex-PT) não manifestam apoio a Dilma, candidato do governo e do PT a eleição com pleito em 31/10? É evidente na história da política brasileira a influência dos líderes cristãos acima citados, ex-dirigentes ou fundadores do PT. O dizer, o sentir, e o fazer destes foram iluminados pelos valores cristãos como princípios orientadores de vida. O PT, composto por milhares de militantes, desde os grotões nos sertões agrestes aos grandes centros urbanos, vive uma mística, e praticam uma luta por um mundo melhor. Negar isso é miopia e reducionismo. A graduação de tal mística difere conforme o contexto e tempo histórico. Se há divergência quanto aos quadros dirigentes na condução da estratégia política e da tática no que tange a um projeto de sociedade não pode-se confundir o particular, momentâneo e histórico, com o universal. Tenho a tese de que o Poder – as relações sociais no mundo do poder político representativo – simbolicamente – conduzem a uma cegueira e a um dogmatismo idealista. O poder – ‘a mosca azul’ (cf. livro do Frei Betto)- subjetivamente leva as pessoas a um sentimento de superioridade transcendente, beirando o darwinismo social praticado pelos europeus com as colônias.

Conheci o Bicudo no meado da década de 1980 na Pastoral Operária e nos Intereclesiais de CEBs.Encontrei-o neste ano em um seminário jurídico e expressou um rancor político com o governo federal (o veneno da mosca azul – que ofusca o sentimento x razão/particular e universal).

O Plínio de Arruda apeado do poder do Governo Lula pelo jogo de forças e interesses no governo federal, e o pragmatismo político, contrapos a sua visão utópica. O impossível estratégico (socialismo) e o possível tático (mudanças nas relações produtivas (produção, distribuição e consumo) no capitalismo brasileiro entra em crise como negação da negação. A contradição é princípio teórico da dialética e não na prática. Captar a contradição neste processo é muito complexo. A candidatura de Plínio no imaginário da popular, enquanto projeto político de sociedade, fomenta um estigma de ilusionismo, e ventrilogia de um ‘bêbado desditado’ em um bar da vida. Há o risco de que o socialismo tornar-se um blaquê, ou aforismo de humor.

A Marina, cristã da metamorfose ambulante, de uma utopia cristã neo-dogmática, coberta por uma moral iluminista, de um existencialismo sartriano, em que está no PV e não é do PV. O Reino de Deus no capitalismo é um processo de pactuação, tal como Paulo e Pedro nas primeiras comunidades cristãs. A mosca azul proporciona, subjetivamente, relações e identidade que o mecanismo de compensação psicológica, denominado de racionalização, justifica atitude e postura.

O jornalista, bispo da CNBB-Regional Sul 1, Dom. Bergonzini assume a postura de Dom Quixote, defensor da moral e princípios mantenedores da ordem e progresso de um futuro – o Reino de Deus – em que a desigualdade, na sociedade capitalista possível, colorida sob o manto da fé, contraposta a uma sociedade comunista atéia (idealista) é natural e fatal. O dogma de fé, o Bem – ‘creio em Deus Pai , criador do Céu e da Terra… – deve prevalecer em luta para derrotar o Mal. A lógica é: quem é contra o Mal contém ou está contido o Bem, ‘quem não é contra mim está ao meu favor. O dogma (universal-abstrato) é superior que os fatos (particular-concreto).

O ataque do bispo Bergonzini com os panfletos contra o PT (Dilma) esconde sob o princípio do aborto, pois a criança que morre com fome, conforme o acomodação fatalista da Desigualdade natural justifica tal fato. Ao denunciar ao Papa, o superior Vigilante da Ordem (Dogma), o irmão bispo de Jales que em artigo na mídia o acusa de crime observa no ato do outro um ato político partidário (particular)profano, ligado ao Mal , e o feito como universal, neutro – sagrado, vinculado ao Bem. ‘A razão tem razões que a razão desconhece’(Pascal).

Os quatros atores históricos nesta última campanha eleitoral têm a similaridade quanto: a motivação cristão; a interesse coletivo e público; e o idealismo hegeliano que contraditoriamente caem no dualismo diletante. Prognóstico daqui a três anos: infelismente, fatalisticamente os três ‘dom quixotes franciscanos’ no aquário da política, estarão frustrados no canto da vida observando a matilha passar.

Prof. Joaquim Pacheco de Lima

Docente de filosofia e sociologia, Faculdade Uninorte, Londrina-PR.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Nota da Direção Nacional do CEBI em relação ao 2º Turno das Eleições

Nota da Direção Nacional do CEBI em relação ao 2º Turno das Eleições

Quarta-feira, 20 de outubro de 2010 - 11h09min



"Não é bom para a democracia que alguns decidam pelos outros (...) Mas é pior ainda para a religião, seja qual for, pressionar os seus adeptos para que votem em determinados candidatos, ou proibir que votem em determinados outros em nome de convicções religiosas. A religião que não é capaz de incentivar a liberdade de consciência dos seus seguidores, que se retire de campo. Seja quem for, bispo, padre, pastor, ninguém se arrogue o direito de decidir pela consciência do outro."

(Dom Demétrio Valentin)



"A Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes, que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição".

(Pronunciamento da Aliança de Batistas do Brasil)



Chamando a atenção para as palavras das lideranças religiosas acima citadas, a Direção Nacional do CEBI vem a público denunciar as práticas de setores de algumas igrejas que buscam forçar seus fiéis a não votar em certa candidatura por meio de informações manipuladas ou falsas, acerca de temáticas de cunho ético, como, aborto, união civil de pessoas do mesmo sexo ou outras.

Denunciamos que esse tipo de manipulação religiosa, do ponto de vista legal é crime de preconceito e de incitação à intolerância; e do ponto de vista religioso, é atitude contrária ao Evangelho de Jesus Cristo.

Reforçamos que a liberdade de consciência é direito inalienável da pessoa humana e que não é papel das instituições religiosas estimular a intolerância religiosa. Certas apelações e alguns temas que tentam implantar medo e terrorismo no imaginário do povo, já foram tentados nas eleições de 1989, resultando, naquela ocasião, na derrota das forças progressistas.

Reconhecemos que as duas candidaturas que disputam o 2º turno têm posturas próximas do ponto de vista econômico, ambiental, ético, moral e religioso. Entretanto, entendemos que a candidata do PT ainda significa a possibilidade de maior investimento no campo social e de menor perseguição às lutas populares.

É imprescindível que cada cidadão e cidadã decida seu voto com base em avanços ou retrocessos na qualidade de vida do nosso povo. Sugerimos que a sociedade livremente avalie as melhorias que as populações empobrecidas tiveram nos últimos oito anos e apoie sua continuidade. E que se organize ainda mais para a cobrança do que é direito do povo e dever do Estado.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!

"Se nos calarmos, até as pedras gritarão!"

Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundância!

Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público declarar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como "contrárias à moral".
A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: "se nos calarmos, até as pedras gritarão!" (Lc 19, 40).

2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta atitude:

3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasileira.

4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1- 12).

5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos "venha o teu reino", cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste mundo.

6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobrecido.

7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer "Senhor, Senhor", mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de 2010.


Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrevemos:

Dom Thomas Balduino, bispo emérito de Goiás velho, e presidente honorário da CPT nacional.
Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Feliz do Araguaia-MT.
Dom Demetrio Valentini, bispo de Jales-SP e presidente da Cáritas nacional.
Dom Luiz Eccel - Bispo de Caçador-SC
Dom Antonio Possamai, bispo emérito da Rondônia.
Dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Viana- Maranhão.
Dom Xavier Gilles, bispo emérito de Vina- Maranhão.
Padre Paulo Gabriel, agente de pastoral da Prelazia de São Feliz do Araguaia /MT
Jether Ramalho, Rio de Janeiro.
Marcelo Barros, monge beneditino, teólogo
Professor Candido Mendes, cientista político e reitor
Luiz Alberto Gómez de Souza, cientista político, professor
Zé Vicente, cantador popular. Ceará
Chico césar. Cantador popular. Paraíba/são paulo
Revdo Roberto Zwetch, igreja IELCB e professor de teologia em São Leopoldo.
Pastora Nancy Cardoso, metodista, Vassouras / RJ
Antonio Marcos Santos, Igreja Evangélica Assembléia de Deus - Juazeiro - Bahia
Maria Victoria Benevides, professora, da USP
Monge Joshin, Comunidade Zen Budista do Brasil, São Paulo
Antonio Cecchin, irmão marista, Porto Alegre.
Ivone Gebara, religiosa católica, teóloga e assessora de movimentos populares.
Fr. Luiz Carlos Susin – Secretário Geral do Fórum Mundial de Teologia e Libertação
Frei Betto, escritor, dominicano.
Luiza E. Tomita – Sec. Executiva EATWOT(Ecumenical Association of Third World Theologians)
Ir. Irio Luiz Conti, MSF. Presidente da Fian Internacional
Pe. João Pedro Baresi, pres. da Comissão Justiça e Paz da CRB (Conferência dos religiosos do Brasil) SP
Frei José Fernandes Alves, OP. – Coord. da Comissão Dominicana de Justiça e Paz
Pe. Oscar Beozzo, diocese de Lins.
Pe. Inácio Neutzling – jesuíta, diretor do Instituto Humanitas Unisinos
Pe. Ivo Pedro Oro, diocese de Chapecó / SC
Pe. Igor Damo, diocese de Chapecó-SC.
Irmã Pompeia Bernasconi, cônegas de Santo Agostinho
Cibele Maria Lima Rodrigues, Pesquisadora.
Pe. John Caruana, Rondônia.
Pe. Julio Gotardo, São Paulo.
Toninho Kalunga, São Paulo,
Washingtonn Luiz Viana da Cruz, Campo Largo, PR e membro do EPJ (Evangélicos Pela Justiça)
Ricardo Matense, Igreja Assembléia de Deus, Mata de São João/Bahia
Silvania Costa
Mercedez Lopes,
André Marmilicz
Raimundo Cesar Barreto Jr, Pastor Batista, Doutor em ética social
Pe. Arnildo Fritzen, Carazinho. RS.
Darciolei Volpato, RS
Frei Ildo Perondi - Londrina PR
Ir. Inês Weber, irmãs de Notre Dame.
Pe. Domingos Luiz Costa Curta, Coord. Dioc de Pastoral da Diocese de Chapecó/SC.
Pe. Luis Sartorel,
Itacir Gasparin
Célio Piovesan, Canoas.RS
Toninho Evangelista - Hortolândia/SP
Geter Borges de Sousa, Evangélicos Pela Justiça (EPJ), Brasília.
Caio César Sousa Marçal - Missionário da Igreja de Cristo - Frecheirinha/CE
Rodinei Balbinot, Rede Santa Paulina
Pe. Cleto João Stulp, diocese de Chapecó.
Odja Barros Santos - Pastora batista
Ricardo Aléssio, cristão de tradição presbiteriana, professor universitário.
Maria Luíza Aléssio, professora universitária, ex-secretária de educação do Recife
Rosa Maria Gomes
Roberto Cartaxo Machado Rios
Rute Maria Monteiro Machado Rios
Antonio Souto, Caucaia, CE
Olidio Mangolim – PR
Joselita Alves Sampaio – PR
Kleber Jorge e silva, teologia – Passo Fundo - RS
Terezinha Albuquerque
PR. Marco Aurélio Alves Vicente - EPJ - Evangélicos pela Justiça, pastor-auxiliar da Igreja Catedral da Família/Goiânia-GO
Padre Ferraro, Campinas.
Ir, Carmem Vedovatto
Ir. Letícia Pontini, discípulas, Manaus.
Padre Manoel, PR
Magali Nascimento Cunha, metodista
Stela Maris da Silva
Ir. Neusa Luiz, abelardo luz- SC
Lucia Ribeiro, socióloga
Marcelo Timotheo da Costa, historiador
Maria Helena Silva Timotheo da Costa
Ianete Sampaio
Ney Paiva Chavez, professora educação visual, Rio de janeiro
Antonio Carlos Fester
Ana Lucia Alves, Brasília
Ivo Forotti, Cebs – Canoas - RS
Agnaldo da Silva Vieira - Pastor Batista. Igreja Batista da Esperança - Rio de Janeiro
Irmã Claudia Paixão, Rio de Janeiro
Marlene Ossami de Moura, antropóloga / Goiânia.
Ir. Maria Celina Correia Leite, Recife
Pedro Henriques de Moraes Melo - UFC/ACEG
Fernanda Seibel, Caxias do Sul.
Benedito Cunha, pesquisador popular, membro do Centro Mandacaru - Fortaleza
Pe. Lino Allegri - Pastoral do Povo da Rua de Fortaleza, CE.
Juciano de Sousa Lacerda, Prof. Doutor de Comunicação Social da UFRN
Pasqualino Toscan - Guaraciaba SC
Francisco das Chagas de Morais, Natal - RN.
Elida Araújo
Maria do Socorro Furtado Veloso - Natal, RN
Maria Letícia Ligneul Cotrim, educadora
Maria das Graças Pinto Coelho/ professora universitária/UFRN
Ismael de Souza Maciel membro do CEBI - Centro de Estudos Bíbicos Recife
Xavier Uytdenbroek, prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP
Maria Mércia do Egito Souza agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife
Leonardo Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado e Analista do INSS
Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bacharel em Direito
Targelia de Souza Albuquerque
Maria Lúcia F de Barbosa, Professora UFPE
Débora Costa-Maciel, Profª. UPE
Maria Theresia Seewer
107. Ida Vicenzia Dias Maciel
108. Marcelo Tibaes
109. Sergio Bernardoni, diretor da CARAVIDEO- Goiânia - Goiás
110. Claudio de Oliveira Ribeiro. Sou pastor da Igreja Metodista em Santo André, SP.
104 . Pe. Paulo Sérgio Vaillant - Presbítero da Arquidiocese de Vitória – ES
106. Roberto Fernandes de Souza. RG 08539697-6 IFP RJ - Secretario do CEBI RJ
107. Sílvia Pompéia.
108. Pe. Maro Passerini - coordenador Past. Carcerária - CE
109. Dora Seibel – Pedagoga, caxias do sul.
110. Mosara Barbosa de Melo
111. Maria de Fátima Pimentel Lins
112. Prof. Renato Thiel, UCB-DF
114 . Alexandre Brasil Fonseca , Sociólogo, prof. da UFRJ, Ig. Presbiteriana e coordenador da Rede FALE)
115 Daniela Sanches Frozi, (Nutricionista, profa. da UERJ, Ig. Presbiteriana, conselheira do CONSEA Nacional e vice-presidente da ABUB)
116. Marcelo Ayres Camurça – Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião – Universidade Federal de Juiz de Fora
117. Revd. Cônego Francisco de Assis da Silva,Secretário Geral da IEAB e membro da Coordenação do Fórum Ecumênico Brasil
118. Irene Maria G.F. da Silva Telles
119. Manfredo Araújo de Oliveira
120. Agnaldo da Silva Vieira - Pedagogo e Pastor Auxiliar da Igreja Batista da Esperança-Centro do Rio de Janeiro
121. Pr. Marcos Dornel - Pastor Evangélico - Igreja Batista Nova Curuçá - SP
122. Adriano Carvalho.
123. Pe. Sérgio Campos, Fundação Redentorista de Comunicações Sociais – Paranaguá/Pr.
124. Eduardo Dutra Machado, pastor presbiteriano
125. Maria Gabriela Curubeto Godoy - médica psiquiatra - RS
126. Genoveva Prima de Freitas- Professora – Goiânia
127. M. Candida R. Diaz Bordenave
128. Ismael de Souza Maciel membro do CEBI - Centro de Estudos Bíbicos Recife
129. Xavier Uytdenbroek prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP
130. Maria Mércia do Egito Souza agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife
131. Leonardo Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado e Analista do INSS
132. Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bacharel em Direito
133. Targelia de Souza Albuquerque
134. Maria Lúcia F de Barbosa (Professora - UFPE)
135. Paulo Teixeira, parlamentar, são paulo.
136. Alessandro Molon, parlamentar, Rio de janeiro.
137. Adjair Alves (Professor - UPE)
138. Luziano Pereira Mendes de Lima - UNEAL
139. Cláudia Maria Afonso de Castro-psicóloga- trabalhadora da Saúde-SMS Suzano-SP
140. Fátima Tavares, Coordenadora do Programa de Pos-Graduação em Antropologia FFCH/UFBA
141. Carlos Caroso, Professor Associado do Departamento de Antropologia e Etrnologia da UFBA.
142. Isabel Tooda
143. Joanildo Burity (Anglicano, cientista político, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco,
144. Prof. Dr. Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Professor de Teologia PUC- Rio
145. Aristóteles Rodrigues - Psicólogo, Mestre em Ciência da Religião
146. Zwinglio Mota Dias - Professor Associado III – Universidade Federal de Juiz de Fora
147. Antonio Francisco Braga dos Santos- IFCE
148. Paulo Couto Teixeira, Mestrando em Teologia na EST/IECLB
149. Rev. Luis Omar Dominguez Espinoza
150. Anivaldo Padilha - Metodista, KOINONIA, líder ecumênico
151. Nercina Gonçalves
152. Hélio Rios, pastor presbiteriano
153. João José Silva Bordalo Coelho, Professor- RJ
154. Lucilia Ramalho. Rio de janeiro.
155. Maria tereza Sartorio, educadora, ES
156. Maria jose Sartorio, saúde, ES
157. Nilda Lucia sartorio, secretaria de ação social, Espírito santo
158. Ângela maria fernandes -Curitiba paraná
159. Lúcia Adélia Fernandes
160. Jeanne Nascimento - Advogada em São Paulo/SP
161. Frei José Alamiro, franciscano, São Paulo, SP
162 - Ruth Alexandre de Paulo Mantoan
163- Frei Orestes Serra – Gravataí-RS
164- Clarice Dal Médico - Pastoral Operária
165 - Emerson Neves da Silva - Doutor em História/Prof. UFRN
166- Maria Matsutacke - Irmandade dos Martires da Caminhada

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Porque a Igreja não diz em quem não votar

Porque a Igreja não diz em quem não votar
Irmão e Irmã na Fé que nos Une:
É longo, mas peço que, se vai responder, leia até o fim, OK? É minha posição como cristão e como cidadão brasileiro! Leia assim, e não como A PALAVRA DA IGREJA, mesmo porque, graças a Deus, não sou TODA A IGREJA:
Tenho sido importunado por correntes católicas que parecem querer me obrigar a NÃO votar neste ou naquele candidato político por causa das questões morais católicas.
Sei que ao me pronunciar sobre isto serei vítima de ataques, mas tudo bem, não tenho medo... Tenho medo sim de posições perigosas para a Igreja.
Perigosas porque, se dizemos em quem NÃO votar, acabamos dizendo em QUEM votar. E se fazemos isto estamos afirmando que este em quem votamos está plenamente de acordo com a doutrina da Igreja, está de acordo com a proposta de Jesus Cristo.
Qual é a proposta de Jesus Cristo? O REINO DE DEUS. E o Reino acontece quando Deus reina no coração das pessoas e sua vontade, que é um mundo marcado pelo AMOR, acontece em todas as dimensões da vida humana e para todas as pessoas que o desejam sinceramente. O REINO é o AMOR inflamando a vida pessoal, familiar, fraterna, comunitária, profissional, social e política.
O REINO já aconteceu para nós, em plenitude, na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Porém, no mundo ainda não está plenamente presente. E é obrigação DOS CRISTÃOS fazer com que este REINO aconteça o mais possível na terra. O REINO é “já”, na pessoa e na obra de Jesus, mas “ainda não” em toda nossa realidade. É pra ELE que apontamos e ao mostrá-lo, mostramos o modelo de mundo que queremos e sonhamos.
Como cristãos precisamos sim defender a vida. Toda a vida, em todas as suas dimensões, em todas as suas fases. Por isso, precisamos sim lutar sempre. Precisamos formar bem nossos cristãos e ajudá-los a viver a moral que acreditamos. Essa é NOSSA OBRIGAÇÃO. Não podemos nem devemos exigir de mais ninguém além de nós mesmos que ensinemos esta moral, que a ajudemos a ser cumprida por todos os cristãos em primeiro lugar.
Pergunto: se o aborto for aprovado por este ou aquele partido, mas nossas mulheres deste país de maioria cristã se recusarem a abortar, a descriminalização do aborto vai surtir efeito? Digo gritando: NÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOO!
Se todos os jovens cristãos forem ajudados a viver a sexualidade de acordo com o ensinamento evangélico, e o governo continuar a distribuir camisinhas o que vai acontecer? Elas VÃO VIRAR BEXIGA PRA CRIANÇADA BRINCAR (foi o que um grupo de adolescentes católicos fez estes dias em um colégio estadual, hehehe)...
Se as famílias cristãs forem ajudadas a viver a fidelidade, por mais que se incentive o divórcio, ele vai acontecer? NÃÃÃÃOOOOOOO!!!
Porque temos a mania de jogar para o governo a obrigação que é nossa? Parece ser essa a mania de nosso povo brasileiro... Deixar para o governante fazer sozinho aquilo que TODA A POPULAÇÃO DEVERIA FAZER JUNTO.
Mas parece ser a tendência da moda dos cristãos... Não conseguimos mais ajudar todo nosso povo a viver a nossa moral. DAÍ QUEREMOS QUE O GOVERNO FAÇA AQUILO QUE É OBRIGAÇÃO PRIMEIRO DA HIERARQUIA, MAS DEPOIS DE TODO O POVO CATÓLICO. Sabe... Isso me lembra uma frase de Jesus: “Amarram pesados fardos, colocam no ombro dos outros e não o carregam nem sequer com um dedo” (Mt 23,4).
Mas essa tendência é bem antiguinha... Sabe quando começou? No século IV, com Constantino. Foi com ele que o Estado começou a se unir à Igreja. Até Concílios o Imperador convocou. E ali começou o problema das investiduras, que só foi resolvido na Idade Média com o Concílio de Latrão... Os governantes, católicos é claro, assumiram o papel dos pastores do povo e, com seus interesses políticos, escolhiam bispos, padres e até papas (graças a Deus o Espírito guia a Igreja... e juntou os caquinhos...). Quanto mal isso fez à Igreja... E no Brasil, pasmem, parte deste mal continuou até a Proclamação da República, com o fim do Regime de Padroado. Documentos papais eram filtrados pela censura Imperial. Nosso Catolicismo praticamente não conheceu as importantes reformas do Concílio de Trento por causa do maldito padroado, herança do Império português. A inquisição, tão aludida pelos que atacam a Igreja, já tinha sido condenada pela Santa Sé, mas no Brasil, Portugal e Espanha imperaram até o Século XIX – apoiado pelos Impérios... A Escravatura, condenada por todos os papas da modernidade (depois do concílio de Tento) não pode ser condenada pela hierarquia brasileira porque o IMPERADOR proibia... E sofremos, nós Igreja (não os estados), até hoje, atacados por causa da Inquisição, da escravidão e de outros males do dito ESTADO CRISTÃO. A Igreja foi usada pelos poderosos para garantir seus poderes e sua influência no meio do nosso povo.
Por isso proclamo: como foi bom pra Igreja libertar-se disso... A Igreja no Brasil, após o fim do padroado, pode crescer! Inúmeras diocese foram criadas (eram apenas de 12 até 1888...). A pastoral pode se desenvolver independente dos partidos, das ditaduras ou de quem quer que estivesse no poder. Trento pode ser aplicada e a Igreja se viu livre inclusive para ser voz profética...
Mas parece que tem gente que tem saudades de Constantino... Tem saudades do Padroado. Quando a Igreja diz em quem votar e em quem não votar, pode estar caindo no mesmo erro de dizer que este ou aquele candidato representa Deus ou o diabo... Ou pior... Pode estar sendo usada por quem, para agradar os católicos, disfarça-se de bom moço e depois não vai estar de acordo com o Reino proposto pelo Cristo.
Aliás... Não haverá candidato, partido, tendência que sejam de acordo com o Cristo... Mesmo que o nosso melhor santo seja presidente da república... Nenhum deles poderá estar à altura daquilo que Nosso Senhor quer de nós.
Não nos iludamos, irmãos. A CNBB – órgão oficial da Igreja – não disse em quem votar, nem muito menos em quem não votar. Mas tem gente querendo ser mais que os bispos e que o papa no Brasil... Tem televisões “católicas” que se acham no direito de obrigar as consciências a votar neste ou naquele. ISSO É ABUSO ESPIRITUAL... Essa gente deveria receber repreensões severas... Há inclusive bispos apoiando essa postura... Mas não a CNBB como um todo (nem o Papa).
E afirmo mais: aqui em Curitiba NOSSO BISPO É CONTRA ESSA POSTURA DE DIZER EM QUEM VOTAR OU NÃO... Portanto, quem faz o contrário não está em comunhão com ele...
Às vezes podemos votar em algum candidato que, estando de acordo com alguns pontos – importantes é claro – da moral sexual católica, esteja em TOTAL DESACORDO COM A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA. Tenho medo dos católicos ingênuos, que se deixam inflamar pelos discursos eleitoreiros de alguns candidatos (todos eles tem discurso eleitoreiro, hehehe) e votarão em partidos ou tendências pensando que são católicas, MAS ESTAVAM SÓ DISFARÇADOS. E daí, como ficaremos? Seremos de novo julgados pelas iniqüidades deste partido como somos julgados pela Inquisição até hoje? Se apoiarmos cegamente apenas um partido digo que SIM. Se rejeitarmos em bloco algum partido, digo que SIM. E como as iniqüidades de QUALQUER UM DESTES CANDIDATOS vai aparecer, o nome da Igreja vai pro lixo com eles. Seremos condenados pelos nossos futuros cristãos que dirão: porque a Igreja daquele tempo apoiou este candidato? (Vejam a Igreja da Argentina, como sofre, por ter apoiado a ditadura, que considerava ser o melhor modelo para o país na época...). Nenhum destes candidatos fará o Reino acontecer no Brasil, pois esta é tarefa primeira da Igreja. Não se iludam, irmãozinhos, não se iludam com nenhum deles... Nenhum deles é o Messias. Só Jesus é nosso Senhor.
Aliás... Não tenho medo de dizer: NENHUM DESTES CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA ESTÁ DE ACORDO PLENO COM A MORAL E COM A FÉ CATÓLICAS. Se fosse pra votar em algum deles por causa da regularidade com nossa moral, não votaria em nenhum.
Já dissemos, no passado, que a Esquerda era mais cristã... Já dissemos, no passado, que a Direita era mais cristã... E no fundo, NEM LÁ NEM CÁ foram cristãos de verdade...
Digo mais: e se o presidente eleito for ateu? Vamos mudar de país por causa disso? NÃO... Caso isso acontecesse, teríamos que fazer o NOSSO trabalho para que o Cristo seja conhecido e seu Reino aconteça até mesmo no Palácio do Planalto. A Igreja não tem partidos: ELA PRECISA INFLAMAR TODOS OS PARTIDOS. Precisa estar dentro do PT, dento do PSDB, dentro do PV e do PSOL para desde dentro MUDÁ-LOS para melhor. Essa deve ser a postura dos cristãos. E não podemos esperar que eles mudem pra daí a gente participar deles. Precisamos estar dentro deles para mudá-los – essa é nossa tarefa e se não o fazemos SEREMOS OMISSOS.
Lembro aqui, irmãos, uma frase do meu querido e amado Bem Aventurado João XXIII, o papa do Concílio Vaticano II. Em determinado dia, ele acolheu a filha do presidente da União Soviética. Parte da Cúria Romana de então considerava a URSS como uma grande inimiga... Alguns cardeais não queriam que o papa a acolhesse, afirmando que eram inimigos da Igreja. O papa, santo em sua sabedoria, afirmou: A Igreja de Cristo NÃO TEM INIMIGOS, porque o CRISTO NÃO TEM INIMIGOS. Eles podem se fazer nossos inimigos pela vontade deles... Nós, porém, vamos amá-los até o fim, como o fez o Cristo, para que se tornem melhores.
Como provocação final: porque não divulgamos a cartilha da CNBB? Porque não a lemos? Ela é que tem validade pra Igreja. Ao invés de partilharmos esse monte de e-mail’s apocalípticos desta ou daquela TV, deste ou daquele pastor... Porque não lemos o que a IGREJA DO BRASIL nos dá como magistério oficial?
Não tenho medo mesmo de dizer: irmão na fé! Vc é livre pra votar em quem a sua consciência mandar. Mas escolha bem! Seu voto terá conseqüências. Seja na esquerda, seja na direita, seja em cima, seja em baixo ou o escambal a quatro... Todos eles terão conseqüências positivas ou negativas para o Brasil (e não apenas para os católicos...). Pese os prós e os contras de todo projeto de país que seu candidato apresenta e só então decida em quem votar, OK?
Em Cristo e na paz com todos (até aqueles que não gostaram,
“Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, a liberdade; e em tudo, caridade” (Santo Agostinho)
PE. ALEXSANDER CORDEIRO LOPES
Vice-Reitor do Seminário São João Maria Vianney
Assessor do Setor Juventude Curitiba - Fone: 2105-6364

“Agradeço pelo empenho de tantas vozes dispersas até agora! Vamos juntos(as) gritar, girar o mundo. Chega de violência e extermínio de Jovens.” Pe. Gisley, um dia antes de seu assassinato

sábado, 4 de setembro de 2010

Pelo Direito à Terra e à Soberania Alimentar

Plebiscito pelo Limite da Propriedade



Pelo Direito a Terra e Soberania Alimentar

Se o Plebiscito pelo Limite da Propriedade que leva a promover maior condição de vida, que leva a proporcionar melhoria e condições de um dos itens primordiais e necessarios a vida, que é a alimentação, foi vetado por muitos, então não existe defesa de vida!!!!
É brincadeira de criança realizar passeatas pela vida e negar o tema Pelo Direito a Terra e Soberania Alimentar e vetar o Plebiscito pelo LImite da Propriedade
Concluo então que existe um pacto cruel e miserável para continuar proporcionando situação de inanição e de subnutrição/desnutrição para prevalecer apenas a doação de alimentos e campanhas de arrecação.....
Os que menos tem partilham e os poderosos aparecem fazendo a CARIDADE IMPIEDOSA!!!
Pois levam os excluidos a sempre serem excluidos e necessitados de caridade, levam os excluidos a permamanecerem em siatuação de impotência, a receberem um pedaço de pão como esmola e ainda a endeusarem os que lhes fornece....
Muitos que deveriam agir em favor dos rostos sofredores, dos pobres e excluidos em momento decisivo, retroagem e ficam a favor dos que detem o poder, ficam ao lado dos poderosos!!!
Sempre ao lado do poder quem busca construir um Reino cá na Terra!!!
Nosso Reino é um salto no escuro, não é deste mundo!!! Por isto precisamos ver e defender o/a irmão/ã excluido, ficar ao lado dos que sofrem e buscam justiça, pois Ele nos disse: é a mim que fazei!!!
Ver no rosto sofrido, o rosto de Cristo!!!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A vergonha da fome

A vergonha da fome

Entrevista a Pe. Martinho Lenz: A vergonha da fome
REVISTA MISSÕES



MISÉRIA E FOME têm solução. O padre Martinho Lenz, secretário-executivo do Mutirão para Superação da Miséria e da Fome, organizado pela CNBB, dá pistas deste caminho.

O Brasil que recebeu o papa Bento XVI e foi sede da V Conferência do CELAM e Caribe é o maior país católico do mundo. Ao mesmo tempo, aparece como um campeão da desigualdade social, título que envergonha e desafia a fé do católico consciente. Longe das preocupações com a perda de fiéis para outras denominações, setores da Igreja Católica pedem mais atenção ao mandamento novo de Jesus: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos... " (Jo 13, 34-35). É questão de credibilidade.

Nessa linha, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil criou o Mutirão para a Superação da Miséria e da Fome que foi aprovado na sua 40ª Assembléia Geral, em abril de 2002 (Doc. 69 da CNBB), e lançado em todo país na festa de Corpus Christi daquele ano. É uma iniciativa de caráter ecumênico, em colaboração com outras entidades da sociedade civil e de governos. O Mutirão quer dar uma resposta ao imperativo do Evangelho: "Dai-lhes vós mesmos de comer" (Mc 6, 37); e "eu tive fome e me destes de comer" (Mt 25, 35). Fundamento ético é a afirmação da alimentação adequada como um direito humano básico. Para o padre Martinho Lenz, 68, catarinense, sacerdote jesuíta, a miséria e a fome têm solução. Com doutorado em Sociologia pela Universidade Gregoriana de Roma, o nosso entrevistado é assessor da CNBB, como secretário-executivo do Mutirão.

Padre Martinho, por que um Mutirão para a superação da miséria e da fome?

O motivo foi a indignação de um bom número de bispos, inconformados com o escândalo de um Brasil rico em recursos naturais e gente de valor, com milhões de pessoas vivendo na mais triste miséria. Saber que a fome e a desnutrição têm solução, mas que a solução não ocorre por falta de decisão política e de organização do povo. Em resposta a essa inquietação, a Conferência dos Bispos do Brasil, comemorando seus 50 anos de existência em 2002, resolveu marcar essa data lançando um Mutirão para superar a fome e a miséria. O Mutirão foi assumido pelas Diretrizes Gerais da CNBB (2003-2007) e pelo Projeto Nacional de Evangelização - Queremos Ver Jesus: Caminho, Verdade e Vida (2004-2007).

Qual o principal objetivo do Mutirão?

Ele é uma forma de mobilização local, uma convocação para agir. Nosso objetivo maior é resgatar a dignidade vilipendiada de pessoas que passam fome crônica ou que se alimentam no lixo dos outros. O objetivo do mutirão é provocar uma grande mudança de mentalidade. Não dá para continuar desperdiçando, quando há gente passando fome.

Quais as ações que o Mutirão desenvolve no momento? Quais os resultados?

Atualmente, o Mutirão leva adiante um programa de Seminários Regionais. Em março e abril deste ano realizamos três Seminários: em Cuiabá, na Maranhão e em Manaus. Nesses Seminários, que reúnem umas 50 ou 60 pessoas, se realizam oficinas mostrando experiências bem sucedidas na região. Chamamos as entidades do governo que trabalham no combate à fome para conhecer seus programas e saber deles como a sociedade pode se valer dessas políticas e como pode colaborar. E ainda cultivamos a mística do Mutirão, que é o espírito do bom samaritano, que não fica apenas nas boas intenções.

Acha que a humanidade se habituou a aceitar a fome como mal inevitável?

O drama da fome é um drama oculto. A pessoa faminta sofre um estigma e por isso, esconde sua fome. A pessoa é vista como um preguiçoso, como um incompetente. E, na maior parte dos casos, isto não é verdade. A pobreza é produzida por políticas econômicas desastrosas, pela corrupção e pela ganância desmedida de uns poucos.

Como conciliar políticas públicas de segurança alimentar e distribuição de alimentos, com geração de renda e trabalho?

Políticas de assistência social são necessárias, porque o alimento é um direito e quem tem fome, tem pressa. Mas é preciso ensinar a pescar e cuidar que haja peixe no rio. Por outro lado, é preciso estimular as pessoas a buscarem saídas, a acreditar. Paulo Freire nos anima a exercer a pedagogia dos sonhos possíveis, a fazer o povo acreditar em si, a unir-se e aprender as boas experiências que já estão acontecendo. Um levantamento feito pela Cáritas Brasileira mostrou a existência de 15.000 empreendimentos de economia solidária, de cooperativa de artesãos à produção de alimentos e à reciclagem do lixo.

Que avaliação o senhor faz do Programa Fome Zero implementado pelo governo Lula?


Esse programa tem o mérito de colocar o combate à fome na agenda política. Um sucesso é o Bolsa-Família, que hoje assegura a 11,1 milhões de famílias um mínimo de renda para poder garantir o pão de cada dia. Mas, o que anda devagar são os programas estruturais, que visam tirar o povo da pobreza extrema e da dependência. Às vezes é por falta de recursos ou por falta de cooperação entre estados e municípios. Outras, pelo isolamento das elites, que não querem abrir mão de privilégios nem partilhar suas terras e outros bens. O vírus do egoísmo e do individualismo é um grande inimigo de soluções mais amplas.

A fome e a miséria têm alguma relação com a falta de uma reforma agrária eficaz e com a distribuição de renda no país?

Tem tudo a ver. Uma reforma agrária bem feita pode gerar trabalho e renda para milhares de famílias e garantir a segurança alimentar não só das próprias famílias dos agricultores, mas das populações locais e da região. O agricultor bem orientado e assistido é também um gerente da defesa do meio ambiente e da boa gestão do território. A renda no Brasil sofre uma concentração escandalosa e a diferença entre ricos e pobres em nosso país é uma das mais altas do mundo. Por que? Falta de uma política de educação de qualidade para todos, política de juros altos e de isenção dos lucros do capital especulativo. São exemplos de políticas que acentuam essa má distribuição de renda e de oportunidades.

Em julho acontece mais uma Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional. O que o senhor espera desse evento?


O objetivo dessa III Conferência, que se realiza de 3 a 6 de julho em Fortaleza, é buscar mecanismos para pôr em prática a lei de Segurança Alimentar e Nutricional, que foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Lula em 15 de setembro de 2006. Prevê a construção de um Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) no Brasil. A fome será debelada no dia em que mudarmos de mentalidade e colocarmos como meta para o país o crescimento com justiça social, a produção com melhor distribuição de renda. A Igreja, com esse programa, quer contribuir para criar a vontade de mudar essa situação, com uma nova visão, baseada nos valores da partilha e da solidariedade e indo à frente com o bom exemplo. Recentemente lançamos um DVD, "Alimento dom de Deus, direito de todos", mostrando que uma outra economia e outra sociedade não só são possíveis, mas já estão acontecendo. Quero concluir citando o profeta Isaías. No capítulo 58 de seu livro, ele revela um caminho de felicidade na prática da solidariedade com o pobre e o faminto: "Se partilhas com o faminto o que mais gostas de comer, a tua luz brilhará..."(Is 58, 6).

(Publicado na Revista Missões, n.05 - Junho 2007): www.revistamissoes.org.br

Por Jaime Carlos Patias, imc
Mestre em Comunicação e diretor da revista Missões