quarta-feira, 14 de julho de 2010

Diocese de Tocantinopólis e Paróquia de Araguatins promoveram grande encontro das CEBs no Bico do Papagaio

Aconteceu no dia 06 de junho de 2010 (Domingo) uma grande assembléia das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base de Araguatins. O encontro reuniu 500 pessoas vindas de 42 comunidades do município de Araguatins e outros municípios do Bico do Papagaio. Houve a presença do Bispo da Diocese de Tocantinopólis, Dom Giovane, das irmãs helena, articuladora das CEBS no Tocantins, e Teresinha membro da Diocese, alem de representantes de entidades que atuam na região, APA-TO (João palmeira/assessor), CPT (Irenir/agente), e Lideranças de Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais (João Abelha e Lucena).

Abertura com Pe. Edison e comissão organizadora
Valorização da cultura popular - Bispo D. Giovane e J. Abelha
Plenária dos participantes da assembléia

O objetivo da assembléia foi de fortalecer a articulação entre as comunidades e aprofundar os temas relacionados a caminhada destas. O que é CEBs; O modelo de igreja onde foram identificadas os 04 aspectos que são sustento de uma comunidade: 1)Formação; 2)Espiritualidade; 3) Missionariedade e 4) Realidade-contexto. Na formação falou-se da importância de fazer uma formação que ajude o cristão a tomar consciência da sua atuação eclesial, política e comprometida com a casa comum : O UNIVERSO. No ponto da Espiritualidade para tomarmos consciência da importância de uma espiritualidade comprometida com a causa dos pobres, onde a fé se constitui na motivação para a construção do reino. Na Missionariedade, a missão é vivida nos valores da solidariedade da partilha, da justiça e do encontro com o outro. E por ultimo na realidade, que está relacionado com o eixo central das CEBs, onde há o elo entre FÉ e VIDA. O que acontece na vida é conteúdo para as celebrações, compromissos e espiritualidades das CEBs, que estas são fonte e semente de variados serviços e ministérios a favor da vida na sociedade e na igreja .

Na parte da tarde, foi realizado trabalho de grupos para os presentes responderem aos seguintes questionamentos: Que práticas, ações, posturas, atitudes temos em nossa diocese, paróquias, pastorais, movimentos e organismos que vale a pena continuar trabalhando? ; Que modelo de Igreja e de pastoral queremos construir na realidade de nossa diocese? ; Que novas realidades, que novos desafios, que novas perguntas a realidade está colocando para nós Igreja, hoje? E Que novas práticas sugerimos para responder a essas realidades, desafios e perguntas?

Muitas foram as respostas que os fies , forma participativa e envolvente, deram a própria igreja, dentre estas destacamos algumas: Queremos continuar com os movimentos e pastorais já existentes com mais engajamento, compromisso e conscientização; Queremos igreja alegre, viva, participativa, missionária e comprometida com o Evangelho e com a realidade social (educação, saúde, política, segurança pública, meio ambiente); Queremos Igreja que vai aonde o povo está, nas escolas, no trabalho, nas prisões, nos hospitais, em todos os lugares; Como atrair os jovens/adolescentes e fazer que eles permaneçam e se envolvam nos serviços da Igreja; Queremos evangelizar a partir da realidade, colocar-se a serviço de Deus e de nossos irmãos através da doação em prol de uma igreja justa e fraterna; Queremos que os grupos de jovens sejam preparados e assessorados por adultos, para que tenham um direcionamento, metodologia de encontros, para que sejam jovens missionários e futuros adultos que dêem continuidade na missão.

Momento da mística de abertura

Muita alegria e participação

Momento lúdico com canto

O rosto de nossos jovens presente

Durante todo o evento houve muita animação e participação dos comunitários, que trouxeram muitos cantos, poesias, encenações e testemunhos, que alegraram o ambiente do encontro, animando a todos e todas presentes. "Esperamos que esta iniciativa aqui realizada contagiem outras paróquias, outros padres e lideranças para realizarem encontros das CEBS em outras comunidades do Bico do Papagaio", comentou a Irmã Helena com grande satisfação . A assembléia foi encerrada pelo Bispo Dom Giovane e Pe. Edison com a realização da missa final e a benção de envio das participantes para suas comunidade para serem novas sementes de paixão pela causa do POVO e de DEUS.
Dom Giovane e Pe. Josimo : Sementes de inspiração de uma nova CEBs
Irmãs da Diocese de Tocantinopólis visitam comunidades de Axixa e Praia Norte para rearticular as CEBs no Bico do Papagaio.


Estiveram participando neste sábado (05/junho), na comunidade de Lagoa de São Salvador no município de Axixá , durante a feira das quebradeiras de coco da comunidade e inauguração do galpão de reunião da comunidade as irmãs da Diocese de Tocantinopólis, Irmã Helena e Terezinha , que são responsáveis pela articulação das Comunidades Eclesiais de Base, as chamadas CEBs, acompanhadas da D. Raimundinha de Araguaina. Nesta oportunidade também estiveram presentes e prestigiando o evento da comunidade, João Palmeira e D. Raimunda , o primeiro assessor da APA-TO e apoiador de diversos movimentos sociais da região e do estado, e a segunda liderança e quebradeira de coco do Bico do Papagaio.

Na seqüência as irmãs, foram para a comunidade de São Felix, no município de Praia Norte, visitar o cantor da terra João Abelha e prestar solidariedade a líder comunitária Irenir que é quebradeira de coco e agente da Comissão Pastoral da Terra – CPT no Bico do Papagaio. Estas visitas foram partes do roteiro de viagem das irmãs para participar da grande assembléia de CEBs de Araguatins, que aconteceu no domingo, com a participação de 500 pessoas vindas de 42 comunidades e conduzidas pelo Pe. Edison, Paróquia São Vicente Ferrer e Bispo D. Giovane da Diocese de Tocantinopólis.




Raimundinha, João Palmeira, Ir. Helena , D. Raimunda e Ir. Terezinha

Uma vida na América Latina a serviço da libertação

Entrevista com José Comblin:
Uma vida na América Latina a serviço da libertação



O IHU recebeu a visita do Pe. José Comblin, em junho de 2008 Ele palestrou sobre a originalidade histórica da Conferência de Medellín durante o evento De Medellín a Aparecida: marcos, trajetórias e perspectivas da Igreja Latino-Americana. A IHU On-Line aproveitou a sua vinda e conversou pessoalmente com ele sobre sua trajetória, sua vida e sobre alguns aspectos prática teológica, hoje. Muito franco, ele afirma que não haverá outra geração como a de Medellín. "Uma geração como aquela que fez Medellín só acontece uma vez na história. Quando diversos países se encontram com a mesma perspectiva, é milagroso! É muito difícil se imaginar que isso possa se reproduzir novamente". Um pouco da sua história pode ser lida nesta entrevista. Um pouco apenas, visto que a história de quem dedicou praticamente uma vida toda à América Latina, como é seu caso, é bastante longa e profunda. José Comblin é teólogo. Participou do primeiro grupo da Teologia da Libertação. Esteve na raiz das equipes de formação de seminaristas no campo em Pernambuco e na Paraíba (1969), do seminário rural de Talca, no Chile (1978) e, depois, na Paraíba, em Serra Redonda (1981). Estas iniciativas deram origem à chamada Teologia da enxada. Além disso, esteve na origem da criação dos Missionários do Campo (1981), das Missionárias do Meio Popular (1986), dos Missionários formados em Juazeiro da Bahia (1989), na Paraíba (1994) e em Tocantins (1997). É autor de inúmeros livros, dentre eles A ideologia da segurança nacional: o poder militar na América Latina (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978). O IHU acaba de publicar o Cadernos Teologia Pública nº 36, intitulado Conferência Episcopal de Medellín: 40 anos depois, com a conferência que ele proferiu no evento.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como o senhor veio para o Brasil?

José Comblin - Eu vim a pedido do Papa Pio XII, que tinha um temor tremendo do comunismo. Ele fez um apelo, na década de 1950, a todos os episcopados do mundo para mandar sacerdotes à América Latina com o intuito de salvar o continente do comunismo, porque estava convencido de que este ia invadir toda a América Latina. Aí, então, todas as dioceses foram avisadas pelos seus respectivos bispos de que o Papa tinha pedido isso. O meu bispo deu a entender que não gostava muito da idéia, mas, já que era um pedido do Papa, se houvesse algum candidato ele iria examinar. Aí me apresentei porque já estava cansado de ficar lá (na Bélgica) e procurava uma oportunidade para sair do país. Quase todos que saíram de lá para lutar contra o comunismo viraram comunistas (risos). Porque, chegando aqui, logo se viu que quem tinha preocupação social era visto como comunista. Então, foi isso. Havia muitos "comunistas" e por isso havia a impressão de que o país iria se transformar. Agora, comunista mesmo, do partido...

Trabalhei por quatro anos em Campinas e um dia estava trabalhando com os operários de lá e perguntei se havia comunismo no país e eles me responderam que sim. Então, eu disse que ainda não tinha visto e me falaram: "Sim, tem muitos comunistas em Campinas, mas a metade é da polícia que está infiltrada". Era, de fato, um número insignificante diante do temor do Papa. Getúlio Vargas tinha acabado com o comunismo.

Antes de vir, sabia que precisava vir para a América Latina e que era necessário escolher entre a língua espanhola e o português. Escolhi o português, mas é claro que eu não sabia nada do Brasil. Ninguém, aliás, conhecia o país. Então, com dois colegas, respondemos ao pedido do arcebispo de Campinas. Ele queria três sacerdotes que fossem doutores, mas nunca explicou o motivo e para quê. Ficamos lá quatro anos e ele nunca disse o que queria. Depois de quatro anos, eu falei: "Eu tenho a impressão de estar sobrando; o senhor permite que a gente vá buscar outros desafios?". E ele nos respondeu: "Ah! Pois não, pois não". Eu só soube a explicação 30 anos depois. O bispo não estava satisfeito com o reitor da Universidade Católica. O reitor administrava a universidade como um negócio e não tinha lá nenhuma pessoa para substituí-lo e aí foi pedir lá fora. O reitor logo entendeu e criou todo um movimento de resistência e queria defender sua posição. Então, o bispo viu que o reitor tinha uma força social muito grande e, depois de quatro anos, ele nos liberou e cada um foi procurar outra trabalho.

IHU On-Line - E, hoje, olhando para trás, como o senhor analisa a sua vida na América Latina?

José Comblin - Isso foi a salvação, porque eu, há 60 anos, estava muito consciente do movimento de descristianização da Europa, que hoje já está quase completo. Os sinais já eram claros naquele tempo. A Igreja estava no governo da maioria dos países, havia uma democracia cristã, escolas poderosas, organizações, sindicatos... Mas faltava fé! Como passar a vida toda assistindo uma decadência? Primeiro, eu procurei ir para a África, mas não não foi possível e, em seguida, veio Pio XXI com essa campanha e aproveitei. Foi muito interessante. Toda etapa entre 1960 e 1985 foi uma aventura muito grande, uma época muito interessante.

IHU On-Line - E como foi seu retorno para o Brasil depois do exílio?

José Comblin - Houve dois retornos. Em 1962, eu recebi um convite da Faculdade de Teologia da Universidade do Chile. Como não tinha nada definido no Brasil, aceitei o convite deles e assinei um contrato de três anos. Nas férias, eu vinha passear pelo Brasil e aí Dom Hélder me convidou. Ele já estava no Recife. Ali fiquei sete anos. Em 1972, aconteceu a expulsão do Brasil e voltei para o Chile que estava sob o governo de Allende. Pensei que naquele país poderiam acontecer coisas interessantes. Só que um ano depois aconteceu o golpe. Fiquei lá até 1980 e fui expulso do Chile também. Nessa época, as portas do Brasil voltaram a se abrir para mim e com isso voltei. Dom Hélder já estava no final do seu mandato e procuramos Dom José Maria Pires, arcebispo da Paraíba, que tinha a mesma inspiração, mas era bem mais jovem. Dom José Maria Pires nos acolheu e acolheu todos os projetos que a gente tinha.

IHU On-Line - Pode nos contar um pouco sobre o seu trabalho teórico antes de vir para o Brasil?

José Comblin - Antes de vir para o Brasil, não fiz muita coisa de Teologia. Depois dos estudos, fui enviado a uma paróquia onde fiquei oito anos. Fiz alguns cursinhos sem significado importante, algumas assistências... Nada de importante.

IHU On-Line - Como o senhor analisa hoje a presença da Igreja em sua vida e a sua presença na evolução da Igreja Católica?

José Comblin - Parte dessa resposta você precisa perguntar aos outros o que eles acham. Para mim, foi muito interessante. Eu aproveitei muito. Eu pude conviver com Dom Hélder por muitos anos, assim como com Dom Leônidas Proaño, no Equador, com Manuel Larraín, no Chile... Com todos os grandes da Igreja latino-americana. Conheci os grandes bispos de Medellín pessoalmente, colaborando muito, porque andei muito pela América Latina. Depois veio um novo pontificado e aí a coisa mudou. Mas, como eu digo sempre, uma geração como aquela que fez Medellín só acontece uma vez na história. Quando diversos países se encontram com a mesma perspectiva, é milagroso! É muito difícil se imaginar que isso possa se reproduzir novamente. Daqui a mil anos, talvez. Foi uma situação privilegiada para mim.

IHU On-Line - Como o senhor avalia a evolução da Igreja e das religiões?

José Comblin - Depois da aventura do Concílio, chegou João Paulo II, o Papa polonês. Sabendo que era polonês, já se podia prever tudo o que iria acontecer depois. Polonês é autoritário. Na Polônia, nunca houve experiência democrática: o chefe é o chefe, simplesmente. Ele era assim. Era muito gentil e amável, mas autoritário. Os novos bispos nomeados pelo Papa eram piores do que os que estavam antes. Isso ainda continua. Alguns se salvam, claro. A impressão que se tem é que primeiro se escolhe aqueles que têm obediência à Santa Sé. Essa é a primeira condição. A segunda é não ter pensamento nem iniciativa, para não se comprometer. Criou-se uma ideologia e um tipo de religião para poucos. Muita gente escapa, mas globalmente é a hierarquia que fala. Às vezes, alguém levanta a palavra, como Dom Luiz Cappio. A primeira vez que ele fez o jejum veio uma carta de Roma obrigando-o a deixar dele, isso porque o Lula mandou um embaixador à Roma, porque ele não conseguiu fazer com que Dom Luiz cessasse o jejum. Durante o segundo jejum, Roma foi mais prudente, mas ele me contou que recebeu uma carta que recomendava a desistência. Ele me disse que como era uma recomendação, e não ordem, não tinha por que aceitar a recomendação, até que houve o incidente do desmaio e ele finalmente deixou do jejum.

IHU On-Line - Como o senhor analisa o trabalho teológico atual?

José Comblin - Faltou outra geração da Teologia. Agora todos têm mais de 70 anos e depois disso um ou outro se destacou. Coincide com o fato de que todos os seminaristas que estudam fora vão para Roma. Precisamos de uma nova geração que não queira estudar em Roma, mas até agora isso ainda não aconteceu. No Terceiro Mundo, apareceram, depois da crise sacerdotal posterior ao Concílio, seminaristas com um nível intelectual muito fraco. Na medida em que o nível intelectual é fraco, eles são mais autoritários e se agarram no direito canônico. Mas, hoje, os evangelizadores são os movimentos, pois João Paulo II sempre desconfiou dos religiosos. No entanto, esses movimentos são burgueses. De qualquer modo, o mundo sempre muda...

No entanto, se hoje a Igreja não se move é porque a sociedade não se move. O que acontece na América Latina são sinais positivos, porque a influência que os Estados Unidos têm sobre ela não conseguiu derrubar Chávez e Correa. Vamos ver o que acontece na Bolívia! Agora, depende do Lula, porque se grandes países aceitam a divisão da Bolívia isso se dará tranqüilamente, mas, se o Brasil e Argentina se opõem, o projeto de divisão não andará. De qualquer maneira, só a eleição de um índio mostra que a sociedade latino-americana também está mudando


José Comblin

O IMPÉRIO MANDA, AS COLÔNIAS OBEDECEM

O IMPÉRIO MANDA, AS COLÔNIAS OBEDECEM

Frei Betto e João Pedro Stédile



Após a Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas saíram vitoriosas, o governo dos EUA tentou tirar o máximo proveito de sua vitória militar. Articulou a Assembléia das Nações Unidas dirigida por um Conselho de Segurança integrado pelos sete países mais poderosos, com poder de veto sobre as decisões dos demais.

Impôs o dólar como moeda internacional, submeteu a Europa ao Marshall, de subordinação econômica, e instalou mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, cujos governos e mídia jamais levantam a voz contra essa intervenção branca.

O mundo inteiro só não se curvou à Casa Branca porque existia a União Soviética para equilibrar a correlação de forças. Contra ela, os EUA travaram uma guerra sem limites, até derrotá-la política, militar e ideologicamente.

A partir da década de 90, o mundo ficou sob hegemonia total do governo e do capital estadunidenses, que passaram a impor suas decisões a todos os governos e povos, tratados como vassalos coloniais.

Quando tudo parecia calmo no império global, dominado pelo Tio Sam, eis que surgem resistências. Na América Latina, além de Cuba, outros povos elegem governos antiimperialistas. No Oriente Médio, os EUA tiveram que apelar para invasões militares a fim de manter o controle sobre o petróleo, sacrificando milhares de vidas de afegãos, iraquianos, palestinos e paquistaneses.

Nesse contexto surge no Irã um governo decidido a não se submeter aos interesses dos EUA. Dentro de sua política de desenvolvimento nacional, instala usinas nucleares e isso é intolerável para o Império.

A Casa Branca não aceita democracia entre os povos. Que significa todos os países terem direitos iguais. Não aceita a soberania nacional de outros povos. Não admite que cada povo e respectivo governo controlem seus recursos naturais.

Os EUA transferiram tecnologia nuclear para o Paquistão e Israel, que hoje possuem bomba atômica. Mas não toleram o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mesmo para fins pacíficos. Por quê? De onde derivam tais poderes imperiais? De alguma convenção internacional? Não, apenas de sua prepotência militar.

Em Israel, há mais de vinte anos, Moshai Vanunu, que trabalhava na usina atômica, preocupado com a insegurança que isso representa para toda a região, denunciou que o governo já tinha a bomba. Resultado: foi sequestrado e condenado à prisão perpetua, comutada para 20 anos, depois de grande pressão internacional. Até hoje vive em prisão domiciliar, proibido de contato com qualquer estrangeiro.

Todos somos contra o armamento militar e bases militares estrangeiras em nossos países. Somos contrários ao uso da energia nuclear, devido aos altos riscos, e ao uso abusivo de tantos recursos econômicos em gastos militares.

O governo do Irã ousa defender sua soberania. O governo usamericano só não invadiu militarmente o Irã porque este tem 60 milhões de habitantes, é uma potência petrolífera e possui um governo nacionalista. As condições são muito diferentes do atoleiro chamado Iraque.

Felizmente, a diplomacia brasileira e de outros governos se envolveu na contenda. Esperamos que sejam respeitados os direitos do Irã, como de qualquer outro país, sem ameaças militares.

Resta-nos torcer para que aumentem as campanhas, em todo mundo, pelo desarmamento militar e nuclear. Oxalá o quanto antes se destinem os recursos de gastos militares para solucionar problemas como a fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas.

Os movimentos sociais, ambientalistas, igrejas e entidades internacionais se reuniram recentemente em Cochabamba, numa conferência ecológica mundial, convocada pelo presidente Evo Morales. Decidiu-se preparar um plebiscito mundial, em abril de 2011. As pessoas serão convocadas a refletir e votar se concordam com a existência de bases militares estrangeiras em seus países; com os excessivos gastos militares e que os países do Hemisfério Sul continuem pagando a conta das agressões ao meio ambiente praticadas pelas indústrias poluidoras do Norte.

A luta será longa, mas nessa semana podemos comemorar uma pequena vitória antiimperialista.

Frei Betto

quinta-feira, 27 de maio de 2010

3 Anos da Tenda dos Mártires - Aparecida





3 Anos da Tenda dos Mártires
3 Anos da V Conferencia Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe



Para celebrar os três anos da Tenda dos Mártires e da V Conferencia Geral do Episcopado Latino Americano e Caribenho que aconteceu em Aparecida – SP, no ano de 2007, a Pastoral Operária e as CEBs levantaram no mesmo local uma Nova Tenda para fazer memória de tudo que aconteceu nesses últimos anos e também celebrar o martírio dos muitos irmãos e irmãs que derramaram seu sangue para que a Vida seja realmente plena neste Continente da Esperança.
Foram três dias de celebração, um tríduo dos dias 19 a 21 de maio, semana de Oração pela unidade dos cristãos e cristãs. Foi como da outra vez, uma tenda aberta dia e noite, aberta para acolher a Igreja dos Pobres, aberta para acolher os pobres que não tem espaço nos grandes centros, aberta para celebrar o Verbo que veio morar conosco.
Ao nascer do sol fizemos memória do Sol Nascente que veio nos visitar, salmodiamos o Ofício Divino das Comunidades e ao Ressuscitado entregamos o novo dia. No correr das horas realizamos visitas às famílias e aos doentes da comunidade. À tarde, nas contas do terço, celebramos a Mãe e Companheira Maria, Senhora Aparecida, Senhora de Guadalupe. Ao ocaso do dia, como os discípulos de Emaús, em torno da Mesa partimos o Pão. Tivemos a grande alegria de receber os padres Miguel e Luiz, Beozzo, João e Frei Alamiro que presidiram a Eucaristia nos 3 dias.
Foram dias de esperança, dias para refazer as forças para continuar nas bases o trabalho. Encaminhamos uma carta pedindo pelo Fim da Taxa de Assinatura do Telefone e também uma outra pedindo ao Presidente Lula que sancione a Lei Ficha Limpa.
Fazendo Memória dos 30 anos do Martírio de D. Oscar Romero, do irmão dos pobres D. Helder Câmara e dos muitos homens e mulheres que “Alvejaram suas vestes no Sangue do Cordeiro” celebramos esses dias. Continuamos no Seguimento do Caminho, pois assim disse o Ressuscitado: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

Éder Massakasu Aono



IGREJA AFASTA FREI DE PARÓQUIA POR ENFRENTAR A VALE


IGREJA AFASTA FREI DE PARÓQUIA POR ENFRENTAR A VALE

26 May 2010 07:10
Conhecido na região do Planalto, em Belo Horizonte (MG), pelo apoio aos movimentos que lutam por reforma agrária, o Frei Gilvander Luis Moreira assumirá a Reitoria de um seminário carmelita e deixará de ser Pároco da Igreja do Carmo. A transferência deverá ser oficializada na próxima semana. Segundo o Frei, seu afastamento está relacionado às criticas feitas por ele contra a mineradora MDR, comandada pela Vale.
O frei também revela que seu afastamento é resultado do enfrentamento às multinacionais. Segundo informa, essa postura teve início em 1984, quando ele iniciou uma campanha para a construção de cisternas na região do semi-árido brasileiro. As ações se intensificaram em 2008, quando assumiu a direção paroquial.
“Assumimos a proposta concreta de lutar pela preservação dos mananciais de Capão Xavier e da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aí, tivemos que entrar duro numa luta contra a mineradora MDR, que atualmente pertence a Vale. A partir daí, surgiram perseguições e ameaças de morte. Incomodamos muita gente entre os poderosos.”
Segundo Frei Gilvander, a Paróquia enfrentou problemas financeiros porque muitos deixaram de contribuir com o dízimo, devido à sua aproximação com os movimentos sociais.
“Começamos a perceber que pessoas de classe média alta e empresários que participam da Paróquia, foram gradativamente demonstrando um descontentamento em relação a nossa postura em defesa dos pobres como sujeitos e protagonistas de suas lutas. Foi então que recebemos a notícia de que o Arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira, havia enviado uma carta ao Vaticano, exigindo mudanças na Paróquia.”
De acordo com Frei Gilvander, caso seja confirmada a decisão do Conselho Provincial, a transferência se dará no dia 31 de maio.

Na foto: Frei Gilvander Luís Moreira é mestre em Exegese Bíblica, professor de Teologia Bíblica, Pároco da Igreja do Carmo em Belo Horizonte, assessor de CEBs, CPT, CEBI, SAB, Pastorais Sociais e Via Campesina.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.
FONTE CEBS UAI

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CEBs na 48ª Assembleia da CNBB

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
48ª Assembleia Geral da CNBB
Brasília, 4 a 13 de maio de 2010 48ª AG(Doc)


MENSAGEM AO POVO DE DEUS SOBRE AS
COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE



Introdução
“As Comunidades Eclesiais de Base”, dizíamos em 1982, constituem “em nosso país, uma realidade que expressa um dos traços mais dinâmicos da vida da Igreja (...)” (Comunidades Eclesiais de Base na Igreja do Brasil, CNBB, doc. 25,1). Após a Conferência de Aparecida (2007) e o 12º Intereclesial (Porto Velho-2009), queremos oferecer a todos os nossos irmãos e irmãs uma mensagem de animação, embora breve, para a caminhada de nossas CEBs.
Queremos reafirmar que elas continuam sendo um “sinal da vitalidade da Igreja” (RM 51). Os discípulos e as discípulas de Cristo nelas se reúnem para uma atenta escuta da Palavra de Deus, para a busca de relações mais fraternas, para celebrar os mistérios cristãos em sua vida e para assumir o compromisso de transformação da sociedade. Além disso, como afirma Medellín, as comunidades de base são “o primeiro e fundamental núcleo eclesial (...), célula inicial da estrutura eclesial e foco de evangelização e, atualmente, fator primordial da promoção humana (...)” (Medellín 15).
Por isso, “Como pastores, atentos à vida da Igreja em nossa sociedade, queremos olhá-las com carinho, estar à sua escuta e tentar descobrir através de sua vida, tão intimamente ligada à história do povo no qual elas estão inseridas, o caminho que se abre diante delas para o futuro”. (CNBB 25,5)

Os desafios postos às CEBs hoje: a sociabilidade básica no clima cultural contemporâneo
Com as grandes mudanças que estão acontecendo no mundo inteiro e em nosso país, as CEBs enfrentam hoje novos desafios: numa sociedade globalizada e urbanizada, como viver em comunidade? Nascidas num contexto ainda em grande parte rural, serão capazes de se adaptar aos centros urbanos, que têm um ritmo de vida diferente e são caracterizados por uma realidade plural? Dentro desse contexto, há outro desafio: como transmitir às novas gerações as experiências e valores das gerações anteriores, inclusive a fé e o modo de vivê-la? Só uma Igreja com diferentes jeitos de viver a mesma Fé será capaz de dialogar relevantemente com a sociedade contemporânea.
O século XX foi, sem dúvida, o século da globalização. Suas consequências para a vida cotidiana são tantas que hoje se fala que o mundo vive não mais uma época de mudanças, mas “uma mudança de época, cujo nível mais profundo é o cultural” (DAp 44). De fato, “a ciência e a técnica quando colocadas exclusivamente a serviço do mercado (...) criam uma nova visão da realidade” (DAp 45), mas isso não significa um passo em direção ao desenvolvimento integral proposto pela encíclica Populorum progressio e reafirmado pelo Papa Bento XVI em Caritas in Veritate, porque a lógica do mercado corrói a estrutura de sociabilidade básica que se expressa nas relações de tipo comunitário. À medida que ele avança, expulsa as relações de cooperação e solidariedade e introduz relações de competição nas quais o mais forte é quem leva vantagem.
Desta forma, é preciso valorizar as experiências de sociabilidade básica: as relações fundadas na gratuidade que se expressa na dinâmica de oferecer-receber-retribuir. O cultivo da reciprocidade tem como espaço primeiro aquele onde a vizinhança territorial é importante para a vida cotidiana, como em áreas rurais, bairros de periferia e favelas. É a solidariedade entre vizinhos – melhor dizendo, entre vizinhas – que assegura o cuidado com crianças, idosos e doentes, por exemplo. Não por acaso, esses espaços periféricos favorecem o desenvolvimento de associações de vizinhança e movimentos que reivindicam melhorias de equipamento urbano, bem como das próprias Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). São as relações de reciprocidade que, promovendo a solidariedade que é a força dos pobres e pequenos, permite que se diga que "gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças extraordinárias".

O percurso histórico das CEBs no Brasil
A experiência das CEBs não surgiu de um planejamento prévio, mas de um impulso renovador, como um sopro do Espírito, já presente na Igreja no Brasil. Esse impulso renovador se manifesta de forma crescente nos anos 50 e 60 do século 20. Na verdade, os tempos se tornaram maduros para uma nova consciência histórica e eclesial: primeiro, pela emergência de um novo sujeito social na sociedade brasileira, o sujeito popular, que ansiava à participação; segundo, pela emergência de um novo sujeito eclesial, portador de uma nova consciência na Igreja. Ele ansiava participar ativa e corresponsavelmente da vida e da missão da Igreja. Esse sujeito provoca novas descobertas e conversões pastorais (CNBB 25,7).
Nelas se revigoravam ou restauravam as relações de reciprocidade, de modo a favorecer a reconstrução das estruturas da vida cotidiana, do mundo da vida, em um contexto social adverso. A interação entre a CEB enquanto organismo eclesial e a comunidade local de vizinhos é uma das grandes contribuições da Igreja à conquista dos direitos de cidadania em nosso País. Ao acolher pastoralmente a população rural ou migrante em capelas e salões improvisados nos quais elas se sentissem “em casa”, a Igreja lhes ofereceu uma possibilidade de organizar-se autonomamente, quando as empresas e os poderes públicos só viam nela o potencial de mão-de-obra a ser empregada no processo de industrialização.

A experiência dos Intereclesiais
Os Encontros Intereclesiais das CEBs são patrimônio teológico e pastoral da Igreja no Brasil. Desde a realização do primeiro, em 1975 (Vitória – ES), reúnem diversas dioceses para troca de experiência e reflexão teológica e pastoral acerca da caminhada das CEBs. Foram doze encontros nacionais, diversos encontros de preparação em várias instâncias (paróquias, dioceses, regionais) e, desde a realização do 8º Intereclesial ocorrido em Santa Maria – RS (1992), são realizados seminários de preparação e aprofundamento dos temas ligados ao encontro.
Manifestação visível da eclesialidade das CEBs, os Encontros Intereclesiais congregam bispos, religiosos e religiosas, presbíteros, assessores e assessoras, animadores e animadoras de comunidades, bem como convidados de outras igrejas cristãs e tradições religiosas. Neles se expressa a comunhão entre os fiéis e seus pastores.

Espiritualidade e vivência eucarística
“O Concílio Vaticano II, eminentemente pastoral, provocou um grande impacto na Igreja. Suas grandes idéias-chaves trouxeram a fundamentação teológica para a intuição, já sentida na prática, de que a renovação pastoral deve se fazer a partir da renovação da vida comunitária e de que a comunidade deve se tornar instrumento de evangelização”. (CNBB 25,11)
A exigência do Vaticano II é de razão estritamente teológica, de ordem trinitária. A essência íntima de Deus não é a solidão, mas a comunhão de três divinas Pessoas. A comunhão – koinonia, communio – constitui a realidade e a categoria fundamental que permeia todos os seres e que melhor traduz a presença do Deus-Trindade no mundo. É a comunhão que faz a Igreja ser “comunidade de fiéis”. Por isso, o Vaticano II faz derivar a união do Povo de Deus da unidade que vigora entre as três divinas Pessoas (LG 4).
A Trindade nos coloca, desde o início, no coração do mistério de comunhão. O Papa João Paulo II, falando aos bispos em Puebla, em 28 de janeiro de 1979, proclamou: “Nosso Deus em seu mistério mais íntimo não é uma solidão, mas uma família... e a essência da família é o amor”. A comunhão e a comunidade devem estar presentes em todas as manifestações humanas e em todas as concretizações eclesiais.
Por isso mesmo, a Eucaristia está no centro da vida de nossas comunidades de base. É o sacramento que expressa comunhão e participação de todos e todas, como numa grande família, ao redor da Mesa do Pai. Há comunidades que recebem a comunhão eucarística graças a presença do Santíssimo no local ou pelo serviço de um ministro extraordinário da sagrada comunhão. Como nossas CEBs, em sua maioria, “não têm oportunidade de participar da Eucaristia dominical”, por falta de ministros ordenados, “elas podem alimentar seu já admirável espírito missionário participando da ‘celebração dominical da Palavra’, que faz presente o mistério pascal no amor que congrega (cf. 1 Jo 3, 14), na Palavra acolhida (cf. Jo 5, 24-25) e na oração comunitária (cf. Mt 18,20)” (DAp 253).
A realidade das CEBs se expressa na liturgia e também na diaconia e na profecia. A diaconia educa, cura as feridas, multiplica e distribui o pão e chama para a solidariedade e a comunhão. A profecia anuncia o desígnio de Deus e denuncia os abusos, a mentira, a injustiça, a exploração e exige a conversão. Por isso, sofre perseguição, difamação, morte.
Temos duas testemunhas recentes desse duplo ministério dos discípulos e discípulas de Jesus Cristo: Dra. Zilda Arns e Irmã Dorothy Stang. Há muito conhecidas por nossas comunidades pobres pelo Brasil afora, elas inspiraram a ação das CEBs. Elas entregaram a vida e nos deixaram seu testemunho de fé e amor aos pobres, fracos, desamparados e discriminados.
Esta espiritualidade também possibilitou a produção de uma rica manifestação artística em nossas comunidades – músicas, poesias, pinturas, símbolos – típicos da prática religiosa e cultural de nosso povo, e que também são instrumentos de evangelização e de missão.

Vivência e Anúncio da Palavra de Deus e o Testemunho de fé
“A Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). A acolhida da Palavra de Deus e a vivência comunitária da fé são indissociáveis nas CEBs. A Bíblia faz parte do dia-a-dia da comunidade, estando presente nos grupos e pastorais, nas liturgias e na formação, na reza e nas ações que visam superar as desigualdades e injustiças da sociedade brasileira.
São espaços privilegiados de leitura bíblica nas CEBs os círculos bíblicos e grupos de reflexão. Neles o povo se coloca como sujeito eclesial, assume seu lugar na comunidade e na sociedade. O protagonismo dos leigos nas CEBs é expressão viva de uma Igreja que se renova animada pelo Espírito Santo, é também um sinal de que no discipulado estão surgindo novos ministérios e serviços.
“O ministério da Palavra exige o ministério da catequese a todos porque ‘fortalece a conversão inicial e permite que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que os desafia’” (DGAE 64; DAp 278c). A vida em comunidade já é uma forma de catequese. Ela predispõe para o aprofundamento da fé e da vida cristã por meio do ministério da catequese e também pelo testemunho fraterno de seus membros.

Solidariedade e serviço
Alimentadas pela Palavra de Deus e pela vivência de comunhão, as CEBs promovem solidariedade e serviço. Reunindo pessoas humildes, as CEBs ajudam a Igreja a estar mais comprometida com a vida e o sofrimento dos pobres, como fez Jesus. Elas manifestam, mais claramente, que “o serviço dos pobres é medida privilegiada, embora não exclusiva, do seguimento de Cristo” (DP 1145).
Mais ainda, o surgimento das CEBs, junto com o compromisso com os mais necessitados, ajudou a Igreja a “descobrir o potencial evangelizador dos pobres”, primeiro, porque interpelam a Igreja, chamando-a à conversão; segundo, porque “realizam em sua vida os valores evangélicos da solidariedade, serviço, simplicidade e disponibilidade para acolher o dom de Deus” (DP 1147). As vocações religiosas e sacerdotais despertadas pelas CEBs sinalizam vitalidade espiritual, comunhão eclesial e um novo estímulo de consagração a Deus.

A formação dos discípulos missionários
Na sua experiência já amadurecida, as CEBs querem ser Igreja como o Concílio Vaticano II desejou: uma Igreja toda ministerial a serviço do Reino de Deus. A formação do discípulo missionário começa dentro delas pela experiência de um encontro feliz e alegre com a pessoa de Jesus, sua vida e seu destino. Como Jesus convocou discípulos e discípulas para estarem com ele, do mesmo modo, ele convoca também hoje discípulos e discípulas para estarem com ele e dele aprenderem o amor ao Pai, a fidelidade ao Espírito e o compromisso para a transformação do mundo em mundo de irmãos e irmãs.
Por sua capacidade de cuidar da formação da própria comunidade e de olhar, com compaixão, a realidade, as CEBs podem e devem ser cada vez mais escolas que ajudam “a formar cristãos comprometidos com sua fé; discípulos e missionários do Senhor, como o testemunha a entrega generosa, até derramar o sangue, de muitos de seus membros” (DAp 178).

A participação nos movimentos sociais, de cidadania, de defesa do meio ambiente em vista da construção do Reino de Deus
No que diz respeito à relação das CEBs com a dimensão sociopolítica da evangelização, o Sínodo sobre A Justiça no Mundo, de 1971, já tinha afirmado que “a ação pela justiça e a participação na transformação do mundo nos aparecem claramente como uma dimensão constitutiva da pregação do Evangelho, isto é, da missão da Igreja pela redenção do gênero humano e a libertação de toda situação de opressão” (introd.). Em vista disso, a Igreja no Brasil exorta as CEBs e demais comunidades eclesiais a se manterem fiéis à própria fé, no conteúdo e nos métodos, na busca da libertação plena, superando a tentação “de reduzir a missão da Igreja às dimensões de um projeto puramente temporal” (CNBB 25,64ss; Cf. EN 32).
Em relação à aproximação das CEBs com os movimentos populares na luta pela justiça, o documento 25 da CNBB afirmava que elas “não podem arrogar-se o monopólio do Reino de Deus”. Na verdade, a CEB deve tomar consciência de que, “como Igreja, é sinal e instrumento do Reino, é aquela pequena porção do povo de Deus onde a Palavra de Deus é acolhida e celebrada nos sacramentos ... sobretudo na Eucaristia” (70ss). As CEBs buscam, sim, a “colaboração fraterna com pessoas e grupos que lutam pelos mesmos valores” (73).
As CEBs têm despertado em muitos dos seus membros a espiritualidade do cuidado para com a vida dos seres humanos, de todas as formas de vida e a vida do Planeta Terra. A espiritualidade do cuidado tem motivado o surgimento de gestos e atitudes éticas de respeito, de veneração, de ternura, de cooperação solidária, de parceria, que promovam a inclusão de todos e de tudo no mistério da vida.
As CEBs promovem a participação ativa de seus membros nos grupos de economia popular solidária, resgatando o sentido originário da economia como a atividade destinada a garantir a base material da vida pessoal, familiar, social e espiritual. Contribui assim para que o trabalho humano, além de ser o lugar de edificação da dignidade humana e promoção da justiça social, seja também responsável pela promoção do desenvolvimento sustentável.

Espírito de abertura ecumênica e diálogo interreligioso
Uma das dimensões da espiritualidade cultivadas pelas CEBs é a do diálogo ecumênico e interreligioso, que se dá pela abertura ao mundo do outro, promovendo a unidade na diversidade e buscando as semelhanças na diferença. Esta espiritualidade dialogal tem sido assumida pelas CEBs como uma missão de fraternidade cristã, numa atitude de profundo respeito às demais manifestações religiosas, em busca da comunhão universal. Essa espiritualidade nasce do desejo expresso por Jesus: "Que todos sejam um!" (Jo 17,21)

Formação de rede de comunidades
Os membros das CEBs são discípulos de Cristo e ajudam a formar outras comunidades. Em meio a grandes extensões geográficas e populacionais, a comunidade eclesial de base requer que as relações sejam de fraternidade, partilha de vida, de bens e da própria experiência de fé. Ela deve provocar um encontro permanente com a Palavra de Deus e celebrar na liturgia, na alegria e na festa, a salvação que Jesus Cristo nos trouxe.
A experiência da fé e da participação faz amadurecer a comunidade eclesial de base, e lhe confere características próprias de modo a levá-la a um relacionamento fraterno de igualdade com as demais comunidades pertencentes à mesma paróquia. Com isso, a matriz-paroquial ganha maior relevância pastoral na medida em que passa a exercer a função de articuladora das comunidades.
Exortamos que a paróquia procure se transformar em “rede de comunidades e grupos, capazes de se articular conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos missionários de Jesus Cristo em comunhão” (DAp 172), tendo por modelo as primeiras comunidades cristãs retratadas nos Atos dos Apóstolos (At 2 e 4). Assim, a paróquia será mais viva, junto com suas comunidades, coordenadas por leigos ou leigas, por diáconos permanentes, animadas por religiosos e religiosas, e que tenham no Conselho Pastoral Paroquial, presidido pelo pároco, seu principal articulador pastoral.

Conclusão
Em comunhão com outras células vivas da Igreja, comunidades de discípulos e discípulas geradas pelo encontro com Jesus Cristo, Palavra feito carne (cf. Jo 1,14), como são os movimentos, as novas comunidades, as pequenas comunidades, que integram a rede de comunidades que a paróquia é chamada a ser, reafirmamos aqui o que está escrito no Documento 25 da CNBB: “Ao concluir estas reflexões, desejamos agradecer a Deus pelo dom que as CEBs são para a vida da Igreja no Brasil, pela união existente entre os nossos irmãos e seus pastores, e pela esperança de que este novo modo de ser Igreja vá se tornando sempre mais fermento de renovação em nossa sociedade”. (94)

Brasília-DF, 12 de maio de 2010

CEBs Sorocaba contra os destaques da Ficha Limpa


CEBs Sorocaba contra os destaques da Ficha Limpa

No último dia 10 de maio a Coordenação das CEBs da Arquidiocese de Sorocaba enviaram um telegrama ao Presidente da Câmara dos Deputados Federais, Deputado Michel Temer, repudiando os destaques (emendas) que querem transformar o texto do Projeto de Lei Popular “Ficha Limpa”, já aprovado, em letra morta.
As votações dos 9 destaques apresentados continuam nesta terça-feira, 11/05, e as manobras para tornar a lei ineficaz são diversas.
As CEBs exigem uma Lei eficaz, justa e que moralize todos os níveis da Política em nosso Brasil.