segunda-feira, 4 de maio de 2015
XV Romaria CEBs Sul1 à Aparecida
17 de Maio de 2015
XV Romaria CEBs Sul1 à Aparecida
Tema: “Na casa da Mãe Maria, resistimos na luta pelos direitos humanos”.
6h00 concentração na Praça das Palmeiras
Café da manhã partilhado
Fala das CEBs na Tribuna das Palmeiras
7h00 caminhada para a Celebração
ONU considera crise hídrica em SP uma violação aos direitos humanos
03/05/2015
ONU considera crise hídrica em SP uma violação aos direitos humanos
Relator das Nações Unidas reuniu-se com organizações da sociedade civil, na capital paulista, para colher informações sobre a crise de abastecimento.
Agência Brasil (via Vermelho)
Mídia Ninja
“Tenho certeza que esse é um problema muito relevante, que tem muitos riscos de violação dos direitos humanos. Eu não quero afirmar que eles já estão sendo violados, para não ser leviano, mas muitos depoimentos indicam nessa direção. Atinge número expressivo de pessoas, pode ter enormes repercussões na vida dessas pessoas, no seu bem-estar e nos vários direitos humanos que essas pessoas têm”, disse ele, após audiência na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), organizada pela Aliança pela Água – rede formada por quase 50 entidades.
ONU considera crise hídrica em SP uma violação aos direitos humanos
Relator das Nações Unidas reuniu-se com organizações da sociedade civil, na capital paulista, para colher informações sobre a crise de abastecimento.
Agência Brasil (via Vermelho)
Mídia Ninja
“Tenho certeza que esse é um problema muito relevante, que tem muitos riscos de violação dos direitos humanos. Eu não quero afirmar que eles já estão sendo violados, para não ser leviano, mas muitos depoimentos indicam nessa direção. Atinge número expressivo de pessoas, pode ter enormes repercussões na vida dessas pessoas, no seu bem-estar e nos vários direitos humanos que essas pessoas têm”, disse ele, após audiência na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), organizada pela Aliança pela Água – rede formada por quase 50 entidades.
Perguntado sobre o programa da Empresa de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que oferece tarifas especiais a grandes consumidores de água (o preço cai à medida que o consumo aumenta), Heller disse que o procedimento, caso agrave a crise de abastecimento, precisa ser repensado.
“Eu diria que, primeiro, é inaceitável negar acesso a água às populações, em detrimento de outros usos. A prioridade deve ser o acesso a água às populações. Não conheço esses contratos [com grandes consumidores], mas se eles estão levando a esse tipo de consequência, isso precisa ser repensado”, destacou.
Ele ainda comentou a proposta da Sabesp de aumentar em mais de 20% o preço da água na região atendida pela empresa. “Caso haja um aumento de tarifa, deve haver um cuidado muito grande em relação à acessibilidade financeira das populações mais pobres. Se o aumento de tarifa provocar falta de pagamento, por incapacidade financeira, e isso levar a cortes, a desconexões, isso pode caracterizar uma violação ao direito humano”, disse.
O relator das Nações Unidas colheu informações e denúncias de entidades da sociedade civil. Um documento oficial deverá ser enviado a ele pelas entidades, com detalhamento dos problemas encontrados. Caso encontre violações de direitos humanos em relação ao acesso à água, Leo Heller deverá enviar ao país uma manifestação, chamada de carta de alegação, cobrando explicações. O processo é sigiloso. Mas caso a resposta não seja satisfatória, o relator poderá dar publicidade ao caso.
Fonte: Agência Brasil
quarta-feira, 4 de março de 2015
Carta das CEBs - Reunião Ampliada de fevereiro de 2015
Eclesiais de Base do
Estado de São Paulo
“Não
abandonarei meu povo, mas correrei com ele todos os riscos que meu ministério
exige!”
Dom Oscar Romero
Prestes a completar os 35 anos do martírio
de Dom Romero, ano de sua beatificação, nós da Colegiada Estadual das CEBs, nos reunimos de
20 a 22 de fevereiro, acolhidos pela Região
Episcopal Brasilândia, Comunidade Nossa Senhora Aparecida na cidade de São
Paulo, com a presença das sub-regiões Aparecida, Botucatu, Campinas, Ribeirão
Preto 1, São Paulo 1, São Paulo 2 e Sorocaba.
Iniciemos
nosso encontro com a Celebração dos Mártires da Caminhada. Todos/as nós nos apresentamos, estiveram
em nosso meio, com palavras de incentivo, confiança e esperança, Dom José
Bertanha, Bispo da Diocese de Registro, referencial das CEBs e Dom Devair
Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Região Episcopal Brasilândia.
Partilhamos
as experiências e a realidade Latino Americana do Encontro Continental de
Assessores das Comunidades Eclesiais de Base, vivenciada pelos doze países
latino e caribenho, que aconteceu no México entre os dias 3 a 8 de fevereiro de
2015, e que como comunidade de base nos
é proposto e se faz urgente responder aos desafios da sociedade entre eles a necessidade
de re-significar as CEBs a partir da memória histórica, a
identidade e as juventudes. Um segundo desafio é a busca do “Bem
Viver” entendido como cuidado e respeito pela criação, promoção da
soberania alimentar e a economia solidaria e ainda a preocupação com os
aspectos relacionados com a migração e as expulsões forçadas de
diferentes comunidades em toda América Latina e Caribe.
Em seguida nos foi apresentada uma
síntese da reunião da Ampliada Nacional, que aconteceu em Londrina-PR, em janeiro de 2015, dando ênfase a pontos referentes ao tema
escolhido: “CEBs e os desafios no mundo urbano”, visitas aos possíveis locais onde será realizado o encontro e como
o secretariado está se programando o XIV Intereclesial das CEBs.
No momento de formação pudemos
aprofundar um pouco mais sobre a história de Contestado, trazendo a memória dos
acontecimentos da luta e resistência de um povo, neste período destaca-se a
presença do Monge João Maria. O seu grande foco era a partilha em comunidade, apesar
de toda esta luta a presença da Igreja foi muito escassa. Destacamos a frase “Os
arroios se tornarão de leite e mel e os barrancos cuscuz”.
Agradecemos a acolhida do Padre
Braghetto e o carinho da comunidade e famílias que nos receberam. Celebramos juntos.
Lembramos que as CEBs são “A voz do
passado, falando ao presente e alertando o futuro”.
Com carinho nos despedimos.
São Paulo, 22 de fevereiro de 2015.
A história das relações entre Igreja e sociedade
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza durante o período da quaresma a Campanha da Fraternidade. Este ano, o lema enfatizado é: “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45) e o tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”. Antes, porém, de lançar um olhar sobre os atuais desafios do mundo moderno, é necessário compreender a história das relações entre Igreja Católica e a sociedade.
Uma nota importante a ser recordada é a estruturação do cristianismo nos primeiros séculos em Roma, ou seja, com a queda do Império Romano, a Igreja passa a suprir as carências da sociedade civil, desenvolvendo um tipo de civilização que ficou conhecida como Cristandade. Esse modelo de sociedade girava em torno de princípios de inspiração cristã, ganhando tamanha força que foi capaz de vigorar por toda a Idade Média.
A chegada dos portugueses na América, a Reforma Protestante e o Movimento Humanista, causaram grandes mudanças na sociedade europeia. Diante dessas mudanças, o Papado estabeleceu uma aliança com Portugal que ficou conhecida como Padroado, que dava direito ao Rei Português de enviar missionários ao Brasil e distribuí-los nas várias regiões do país. Foi assim que começou o plano de povoamento e a constituição da sociedade brasileira.
Com a Independência do Brasil, em 1822, a “Religião Católica” foi reconhecida como religião oficial do Império Brasileiro. Até a proclamação da República, a Igreja dedicou-se amplamente, através das congregações religiosas, ao ensino e à realização de obras de caridade. Com a Constituição Republicana de 1891, o regime de Padroado chegou ao fim, o que conferiu à Igreja novamente a função de nomear bispos e criar novas dioceses.
A primeira metade do século XX foi marcada pelo desenvolvimento econômico e por profundas transformações políticas e culturais, exigindo da Igreja um envolvimento pastoral comprometido com as classes menos favorecidas. Com a criação da CNBB, em 1952, a Igreja impulsionou a sociedade através da mobilização dos leigos e leigas nos movimentos sociais. Em 1964, nasceu então em âmbito nacional a Campanha da Fraternidade, no bojo de uma sociedade massacrada pela repressão militar, com o desejo de discutir questões importantes para povo tais como: urbanização, fome, desemprego, família, moradia e luta pela terra; esses temas eram propostos em debates organizados por lideranças da Igreja.
Muitos desafios permanecem nos dias atuais, exigindo da Igreja Católica, uma participação mais ativa nos rumos das transformações sociais e políticas do país. As Comunidades Eclesiais de Base, em consonância com a Campanha da Fraternidade deste ano, tem o dever de assumir esse protagonismo, pois sua identidade está ligada à libertação e organização do povo que busca o Reino de Deus e almeja um mundo mais justo e fraterno.
Uma nota importante a ser recordada é a estruturação do cristianismo nos primeiros séculos em Roma, ou seja, com a queda do Império Romano, a Igreja passa a suprir as carências da sociedade civil, desenvolvendo um tipo de civilização que ficou conhecida como Cristandade. Esse modelo de sociedade girava em torno de princípios de inspiração cristã, ganhando tamanha força que foi capaz de vigorar por toda a Idade Média.
A chegada dos portugueses na América, a Reforma Protestante e o Movimento Humanista, causaram grandes mudanças na sociedade europeia. Diante dessas mudanças, o Papado estabeleceu uma aliança com Portugal que ficou conhecida como Padroado, que dava direito ao Rei Português de enviar missionários ao Brasil e distribuí-los nas várias regiões do país. Foi assim que começou o plano de povoamento e a constituição da sociedade brasileira.
Com a Independência do Brasil, em 1822, a “Religião Católica” foi reconhecida como religião oficial do Império Brasileiro. Até a proclamação da República, a Igreja dedicou-se amplamente, através das congregações religiosas, ao ensino e à realização de obras de caridade. Com a Constituição Republicana de 1891, o regime de Padroado chegou ao fim, o que conferiu à Igreja novamente a função de nomear bispos e criar novas dioceses.
A primeira metade do século XX foi marcada pelo desenvolvimento econômico e por profundas transformações políticas e culturais, exigindo da Igreja um envolvimento pastoral comprometido com as classes menos favorecidas. Com a criação da CNBB, em 1952, a Igreja impulsionou a sociedade através da mobilização dos leigos e leigas nos movimentos sociais. Em 1964, nasceu então em âmbito nacional a Campanha da Fraternidade, no bojo de uma sociedade massacrada pela repressão militar, com o desejo de discutir questões importantes para povo tais como: urbanização, fome, desemprego, família, moradia e luta pela terra; esses temas eram propostos em debates organizados por lideranças da Igreja.
Muitos desafios permanecem nos dias atuais, exigindo da Igreja Católica, uma participação mais ativa nos rumos das transformações sociais e políticas do país. As Comunidades Eclesiais de Base, em consonância com a Campanha da Fraternidade deste ano, tem o dever de assumir esse protagonismo, pois sua identidade está ligada à libertação e organização do povo que busca o Reino de Deus e almeja um mundo mais justo e fraterno.
(*) Jônatas Marcos da Silva Santos é pároco de Jaciara
Caminhada das CEBs na America Latina
Florianópolis, SC, 27 fev (SIR) -
As Comunidades Eclesiais de Base (CEBS) no Cone Sul são articuladas por uma equipe que representa cinco países: Brasil, Paraguai, Argentina, Uruguai e Chile.
Nos dias 17 a 20 de fevereiro estiveram reunidos representantes das CEBS do Brasil, Argentina e Paraguai na comunidade de Quilmes, em Buenos Aires, para o 9º Encontro de Articulação do Cone Sul.
O Brasil foi representado por Maria Glória da Silva (rep. da Ampliada Nacional) e Patrícia Lúcia da Silva Abreu (Convidada pela Arquidiocese). Os participantes foram acolhidos com alegria e entusiasmo pela comunidade de Quilmes, na Fundação Padre Angel, (local do encontro). O encontro foi um momento de graça, tranquilo (embora idiomas diferentes), produtivo, com partilhas muito ricas. Teve como objetivo, a articulação e o fortalecimento da caminhada das CEBs na região do Cone Sul, a partir da realidade atual e dos desafios delas nos países. Cada país partilhou um pouco da sua realidade trazendo as experiências de lutas e conquistas, alegrias e dificuldades, desafios e frutos, sonhos e esperanças. Foi reforçado o nosso compromisso profético e missionário no seguimento de Jesus no contexto social, político, cultural e eclesial vivenciado nas comunidades. Também se refletiu: Como chamar, convidar, cativar a juventude de hoje a se inserir na vida de comunidade, na formação bíblica, de fé e política, no compromisso social e eclesial? Sobre a dimensão ecumênica das Comunidades Eclesiais de Base como sinal de uma espiritualidade encarnada na vida do povo; a formação sistemática, bíblica, catequética, e de fé e política para animadores, e sobre o encontro latino americano no Paraguai, em 2016. Nas celebrações da Palavra e da Eucaristia experimentou-se uma espiritualidade diversificada, expressada e vivenciada nos países. Ao final do encontro foram encaminhadas pistas de ação comuns para a caminhada conjunta das comunidades dos países que formam o Cone Sul: Paraguai, Chile, Uruguai, Argentina e Brasil, como: Curso de formação intensivo, a comunicação (redes sociais e outros) para o fortalecimento da caminhada e a representação da juventude por países. O evento terminou como incentivo e o impulso pela mensagem de Dom Oscar Romero. Ele nos deixou um legado importante de amor e luta. Seu exemplo de vida nos ajuda a cultivar a utopia na construção de um mundo melhor e fortalece nosso compromisso ao lado dos mais pobres no seguimento de Jesus (Jo 10,10).
Ervino Martinuz
27 de fevereiro de 2015
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Ato da Coalizão Democrática defende o fortalecimento da democracia
A capital mineira sediou na noite desta sexta-feira (5) um ato de adesão da Coalizão Democrática pela Reforma Política. A atividade reuniu dezenas de representantes de partidos políticos e de movimentos sociais e sindicais de Minas Gerais. O objetivo dessa e de outras atividades que estão sendo realizadas em todo o Brasil é divulgar e ampliar a participação popular através da coleta de assinaturas.
Por Mariana Viel, da redação do Vermelho-Minas
Mariana Viel
A mesa de debates foi composta pela presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgínia Barros, pelo representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e membro do Comitê Central do PCdoB, Aldo Arantes, pelo representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e reitor da PUC-Minas, Dom Joaquim Mol e pela representante da Coalizão em Minas Gerais, Maria Amélia Souza Mendes.O Projeto de Iniciativa Popular da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas apresenta uma proposta de representação política com maior identificação com a sociedade brasileira. Os quatro pontos principais do projeto preveem a proibição do financiamento de campanha por empresas; eleições proporcionais em dois turnos; paridade de gênero na lista pré-ordenada e o fortalecimento de mecanismos da democracia direta com a participação da sociedade em decisões nacionais importantes.
A presidenta da UNE defendeu a necessidade de uma reforma política que aprofunde e fortaleça a democracia brasileira. Virgínia afirmou que a Reforma Política é a “mãe” das reformas democráticas. A pesquisa Agenda Juventude Brasil 2013 aponta que para 67% dos jovens brasileiros entre 15 a 29 anos a corrupção está entre os principais problemas do país. “Queremos um estado cada vez mais próximo dos anseios da população e que permita que nossos representantes estejam mais conectados com a população”.
A presidenta da maior entidade estudantil brasileira enfatizou o crescimento da bancada empresarial no Congresso Nacional nas eleições deste ano. Ainda segundo ela, o resultado das eleições indica a redução da bancada sindical e pouca representatividade das mulheres, dos negros, dos índios e dos trabalhadores. E enfatizou a redução da influência do poder econômico e empresarial nas campanhas. “As empreiteiras têm uma participação orgânica na vida política de nosso país. As empresas não fazem doação para campanhas, fazem investimentos com o objetivo que depois de eleitos os políticos representem os seus interesses no Congresso”.
Aldo Arantes ressaltou que o Brasil vive dias delicados. Apesar da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, setores mais conservadores da política nacional estão pregando o retrocesso através das mazelas da nossa própria democracia. “O que necessitamos é de mais democracia. Precisamos enfrentar a maior causa da corrupção eleitoral que é a influencia do poder econômico no processo eleitoral”.
O representante da OAB conclamou os integrantes da atividade para mobilizar a participação popular em manifestações públicas e auxiliar na coleta de assinaturas para o projeto. “Temos que explicar para as pessoas que essa proposta não é de um partido, mas de todo o povo brasileiro. Precisamos sair às ruas e fazer como fizemos nas Diretas Já. Espero que o povo mineiro, pela sua história de luta, dê a sua contribuição”.
Dom Joaquim Mol – representante da CNBB e reitor da PUC-Minas – afirmou que aquilo que está em jogo quando se fala em Reforma Política é o ser humano. “Quando nos envolvemos na reforma política queremos promover um processo de humanização geral. A humanização da política respinga na humanização de toda a sociedade”.
Segundo ele, o Projeto de Iniciativa Popular é resultado de um amplo processo de discussão entre entidades e movimentos sociais que querem uma mudança profunda do campo político. Mais de 100 entidades em todo o país aderiram ao projeto. “A CNBB assumiu sua participação nesse processo e milhares de comunidades eclesiais em todo o país estão envolvidas. Mas não podemos ficar apenas na discussão. Precisamos ganhar as ruas, os movimentos sociais, as associações e as comunidades. Fazer a reforma politica é melhorar a condição humana do povo brasileiro”.
Já a coordenadora da Coalizão Democrática em Minas sugeriu que cada entidades e seus representantes estabeleçam metas coletivas e individuais para coleta de assinatura. “Nosso estado foi o campeão na coleta de assinaturas para o projeto da Ficha Limpa. Devemos agora mais uma vez nos unir para assegurar o 1,5 milhão de assinaturas que precisamos para apresentar o nosso Projeto de Iniciativa Popular pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas”.
Santuário será oficialmente reconhecido em 2015
Foto: Rodrigo Lôbo/Acervo JC Imagem
Destino de romarias há 110 anos, desde a chegada da gigantesca imagem de Nossa Senhora, o Morro da Conceição, na Zona Norte da capital, deve ser proclamado santuário diocesano em 2015. É a intenção do arcebispo de Olinda e Recife, dom Antônio Fernando Saburido. Para isso, terá que vencer a burocracia da própria igreja e apressar a criação de uma nova paróquia, a de São José, com sede em construção no Alto José Bonifácio, que cuidará de quatro comunidades hoje dependentes do Morro.
Quando a mudança acontecer, o Morro deixará de ser paróquia para se transformar não só num lugar de peregrinação e oração, mas num grande centro de formação religiosa, comandado por um reitor e talvez por mais um sacerdote, que lá estarão permanentemente. A pretensão de dom Fernando é a implantação de um núcleo especializado em Mariologia, de estudos teológicos sobre a mãe de Jesus.
Nos anos de ditadura militar o alto mais famoso do Recife foi berço da evangelização baseada na Teologia da Libertação, liderada pelo arcebispo emérito de Olinda e Recife, dom Helder Camara, falecido em 1999. Fez brotar movimentos populares por melhor moradia e direitos sociais na época da redemocratização e assistiu, entre as décadas de 1980 e 1990, à disputa entre as alas progressista e conservadora do comando local da Igreja Católica. Nas últimas décadas viveu momento de neutralidade, mas sem perder a sua condição de um lugar de encontro dos fiéis com a sua santa protetora.
O reconhecimento agora como santuário e o surgimento de uma nova paróquia podem também sinalizar a retomada num território que facilmente foi cedendo espaço ao crescimento dos cultos evangélicos. O arcebispo, por sua vez, não alimenta interesse em estabelecer concorrência. “Muitos grupos evangélicos participam conosco do ecumenismo”, lembra. Diz que o objetivo é cumprir a missão de evangelizar e reconhecer de direito o que já existe de fato como local sagrado. O Morro da Conceição será o segundo santuário da Arquidiocese de Olinda e Recife. O primeiro, proclamado na gestão do atual arcebispo, foi o de Nossa Senhora de Fátima, na Soledade (Colégio Nóbrega). Dom Fernando também deseja reconhecer de forma semelhante a Igreja dos Montes dos Guararapes, de Nossa Senhora da Piedade, em Jaboatão.
A proclamação de um santuário exige coleta de documentos e criação de um estatuto. No caso do Morro também deve ser aguardada a conclusão da Matriz de São José, que começou a ser construída no Alto José Bonifácio, numa área de 1.400 metros quadrados, onde existia uma pequena capela.
Segundo o pároco do Morro, José Roberto de França, falta concluir 40% dos trabalhos de edificação. O prédio foi projetado por um padre arquiteto, Silvano Onofre.
O morro que está em festa desde o sábado (29) celebra nesta segunda (8 de dezembro) o dia da Imaculada Conceição. A condição de paróquia foi conquistada em 1975. A atração dos fiéis começou bem mais cedo, 71 anos antes, quando as ruas eram de barro, a luz vinha dos candeeiros a gás e a água, do Rio Beberibe. A fama sagrada e a organização do povo, estimulada pela igreja, bem que ajudou a desenvolver o lugar, hoje habitado por mais de 10 mil pessoas, em casas de mais de um pavimento. Agora é difícil encontrar um imóvel com a placa “vende-se”.
Moradora desde a década de 50, devota da santa que fez o milagre de devolver sua pequena Conceição levada por um estranho, Severina Paiva de Santana, 77 anos, reuniu num livro memórias da longa vivência. Em Aos Pés da Santa, conta a história da peregrinação e da comunidade.
“O monumento, trazido pelo primeiro arcebispo de Olinda e Recife, dom Luiz Raimundo da Silva Brito, celebrando os 50 anos do dogma da Imaculada Conceição, sempre foi daquela forma, mas antes era contornado por degraus. Havia um galpão onde as crianças tinham aula”, relata dona Sevi, saudosa dos maios animados, quando as celebrações marianas aconteciam na torre, ainda existente. Do ponto mais alto era possível avistar o mar e ver os navios, uma atração extra.
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