terça-feira, 10 de junho de 2014

Coisas estranhas no Brasil






Eric Nepomuceno

Existe um inegável mal-estar generalizado, palpável no ar. Há um crescente pessimismo com a economia. E aí começam a aparecer estranhezas.


Agência Brasil

As eleições acontecerão em outubro, a campanha oficial começa no rádio e na televisão em agosto, mas as pesquisas saltitam a cada quinzena, ou quase. Se o eleitorado parece desinteressado, o empresariado parece, mais que interessado, ansioso, inquieto.

As pesquisas mais recentes, do Datafolha, indicam que Dilma Rousseff retomou seu viés de queda. Isso, claro, é destacado no noticiário. O que ninguém parece lembrar é que seus dois principais adversários, o tucano Aécio Neves e Eduardo Campos, do PSB, também caíram. 

Dilma havia recuperado terreno em pesquisas anteriores, e agora tornou a cair. Uma questão nebulosa: se ela retrocede e os outros não avançam – pior: também recuam –, onde foram parar os votos perdidos? Por que nenhum dos dois netos, cujos avôs são a principal garantia de suas trajetórias, é beneficiado?

Tudo indica que a maior surpresa foi o forte aumento dos que declaram que seu voto será nulo ou em branco, e também dos que se declaram indecisos. Nesses quesitos, houve uma reviravolta em comparação às pesquisas anteriores.

Existe um inegável mal-estar generalizado, palpável no ar. Há um crescente pessimismo com a economia. E aí começam a aparecer estranhezas.

Por exemplo: muito se martela a nota de que vivemos debaixo de forte pressão inflacionária. Essa campanha persiste e se alastra, apesar de os índices mostrarem o contrário (desde meados de março a taxa de inflação vem baixando de maneira constante). Ao mesmo tempo, fala-se que aumentou o temor a perder o emprego, apesar dos índices de desemprego continuar baixos.

Há contradições e incongruências entre os próprios entrevistados, tanto nos resultados do Ibope como nos do Datafolha: a aprovação do governo de Dilma equivale à desaprovação. A imensa maioria (na média dos institutos, mais de 70% dos entrevistados) pede mudanças na forma de governar, mas um índice similar diz que sua vida melhorou e que estão satisfeitos. Há uma espécie de batalhão desnorteado, que se queixa de tudo e de qualquer coisa sem dizer exatamente de que se trata. De onde vem esse mal-estar, essa tensa irritação que impregna a atmosfera das grandes cidades brasileiras?

Não são poucos – nem necessariamente paranoicos – os brasileiros que sentem que, a cada semana, aumenta a sensação de que está em marcha um nebuloso, melífluo movimento desestabilizador. O que ninguém consegue é detectar quem está por trás, quem organiza, a que interesses esse movimento responde.

E no entanto, existe um dado que, se não dá resposta a essas questões, certamente dá o que pensar: a influência direta entre a divulgação dos resultados das pesquisas e as oscilações do mercado financeiro, que tem nos grandes meios de comunicação seu esforçado e eficaz porta-voz.

Desde 2002, quando Lula derrotou José Serra, essa sacrossanta entidade chamada mercado não padecia tamanhos ataques de ansiedade pré-eleitoral. A reeleição de Lula, em 2006, e a eleição de Dilma, em 2010, foram engolidas sem maiores esforços. Agora, o clima é outro, bem outro.

Não é sem razão que bancos, agentes, corretores e investidores gastam um bom dinheiro contratando pesquisas eleitorais para uso restrito. São pesquisas paralelas, e o sistema funciona assim: cada vez que um instituto anuncia que estará em campo fazendo entrevistas, instituições financeiras encomendam outra, sigilosa. Desta forma ficam sabendo, com um ou dois ou três dias de antecipação, qual será o resultado a ser anunciado. Como a cada queda (ou avanço) de Dilma ocorre invariavelmente uma alteração na Bolsa de Valores, uma oscilação no câmbio e outra na taxa de juros a futuro, ter     uma indicação fiável desses dados significa uma boa oportunidade de especular e ganhar.

O empresariado brasileiro não gosta nem um pouco da política econômica de Dilma Rousseff. Os donos do dinheiro, menos ainda. Mas gostam de ganhar. E adoram especular.

Há algo estranho quando tantas greves se repetem e persistem, e mais ainda quando levadas adiante por minorias sindicais, como aconteceu no transporte público do Rio de Janeiro. A profusão de paralizações não faz mais do que ampliar o mal-estar e a irritação popular. Nota-se claramente que, insuflada pelos grandes meios de comunicação, em especial a televisão, essa irritação popular é direcionada aos políticos em geral e aos governos em particular. E, uma vez mais, Dilma é o alvo preferencial. 

Nesse clima estranho, nessa atmosfera um tanto rarefeita, começa a Copa do Mundo. Haverá mobilizações de protesto, greves selvagens e sem norte, haverá de tudo um pouco, até mesmo futebol.

Serão tempos estranhos, e estranha será a caminhada daqui até as urnas de outubro.

Fonte: Carta Maior
Foto Agencia Brasil

CEBs - Diocese de Crato


Com o objetivo de vivenciar e dar continuidade ao 13º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), realizado em janeiro de 2014 na Diocese de Crato, cerca de 150 representantes das CEBs, se reuniram das 8h às 17h, do dia 7 de junho, no Centro de Pastoral Monsenhor Onofre Alencar, na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Juazeiro do Norte. O encontro teve como tema “Identidade e Autonomia das CEBs” e contou também com a presença de Dom Fernando Panico, Pe. Vileci Basílio Vidal, que coordenou este intereclesial, e a assessora regional Ana Maria de Freitas, que faz parte da ampliada nacional.
O 13º Intereclesial foi um dos eventos realizados dentro das comemorações do ano centenário da Diocese de Crato, e de acordo com o relatório apresentado pela coordenação do evento estiveram presentes 5.046 pessoas, sendo 4.036 delegados das 27 unidades da federação brasileira e dos 18 regionais da CNBB; 2.248 mulheres e 1.788 homens. Os bispos presentes somaram 72; os padres, 232 e os religiosos e religiosas, 146. Representantes de 75 lideranças indígenas; 20 representantes de outras Igrejas cristãs, 35 de outras religiões, além de 36 estrangeiros, oriundos dos cinco continentes.
Dom Fernando Panico na avaliação do 13º Intereclesial de CEBs. (Foto: Patrícia Silva)
Dom Fernando Panico na avaliação do 13º Intereclesial de CEBs. (Foto: Patrícia Silva)
Na avaliação Dom Fernando disse estar satisfeito com a realização deste momento na diocese de Crato e frisou a importância de sermos uma igreja comunidade de comunidades, que se organiza como comunidade para que o evangelho de Jesus possa ser anunciado a todos. Lembrou também da necessidade de sermos comunidades missionárias, “não para ficarmos fechadas em si mesmas, mas como comunidades, enviadas sobretudo na periferia do mundo, não só na pobreza econômica mas a tantas outras pobrezas em que o nosso mundo vive. Somos uma igreja viva, uma igreja que não envelhece porque o Espírito Santo é a nossa eterna juventude”, disse ele. O bispo recordou dos preparativos desde as Santas Missões Populares e agradeceu ao Pe. Vileci e a todos que fizeram este momento tão importante de nossa diocese centenária acontecer com grande êxito.
O 13º Intereclesial de CEBs trouxe um misticismo próprio que atraiu milhares de pessoas ao Cariri, isso se deu, segundo a assessora regional, devido a forte presença da religiosidade popular, traço marcante nesta região. “A vontade de estar no Juazeiro do Pe. Cícero atraiu este número grande de participantes. O que mais me marcou foi o fato de as pessoas simples fazerem coisas em mutirão e o como o Pe. Cícero unificava o povo. O grande diferencial desta edição foi a participação ativa de todas as comunidades, leigos, as pessoas mais de base. Com este intereclesial percebemos o quanto os nordestinos, os cearenses são povo de muita fé”.
A assessora ainda disse que o evento superou todas as expectativas e elogiou a equipe de organização da diocese de Crato que souberam preparar, da melhor forma, todos os detalhes.
Assessora Regional e membro da Ampliada Nacional das CEBs, Ana Maria de Freitas. (Foto: Patrícia Silva)
Assessora Regional e membro da Ampliada Nacional das CEBs, Ana Maria de Freitas. (Foto: Patrícia Silva)
Em comunicado enviado a diocese, a assessora nacional Irmã Tea Frigerio, parabenizou toda a diocese de Crato pela organização antes, durante e depois do evento e destacou que “a acolhida e hospedagem foram ótimas. Percebe-se que houve uma profunda preparação seja das famílias que acolheram como das outras equipes. A comunicação fez um trabalho muito bom, seja antes como no encontro.” Sobre algo que deve ser repensado ela disse que “os intereclesiais se tornaram celebrativos, o número de pessoas desafia para cuidar da reflexão, então devemos estudar melhor como gerenciar os mini plenários, pois quando o número é grande dificulta a reflexão, fica-se somente na comunicação”.
Com uma equipe que contou com cerca de 60 componentes na organização, dentre eles bispos, padres, leigos do nacional , regional e da diocese, o 13º intereclesial entrou para a história da realização deste evento como também como fato marcante na realização dos 100 anos da Diocese de Crato.
Para o Pe. Vileci “o 13º Intereclesial veio revitalizar a vida de nossas comunidades, trazendo a possibilidade de retomar a discussão do que é mesmo a comunidade eclesial de base e o que não é, e assim fortalecer a nova dinâmica de reestruturação das paróquias em comunidade de comunidades a pedido do documento de Aparecida e agora da assembleia dos bispos onde foi criado o documento 100, que traz como tema ‘Comunidade de comunidades: uma nova paróquia’. No intereclesial podemos firmar a ideia de que se faz paróquias com comunidades e com pessoas engajadas”.
Participantes do encontro será “Identidade e Autonomia das CEBs”. (Foto: Patrícia Silva)
Participantes do encontro “Identidade e Autonomia das CEBs”. (Foto: Patrícia Silva)
Sobre a estrutura do evento o padre disse que as paróquias da diocese corresponderam muito bem, e de modo especial as famílias que abriram suas casas para acolher os delegados. Porém ele disse ser necessário mais tempo para discutir as questões temáticas e ter um controle maior sobre o número de pessoas que participam. Pe. Vileci se mostrou muito satisfeito com esta realização e falou que agora estão dando continuidade através do projeto Ecos do Caldeirão. O próximo passo a ser dado é a construção do Conselho Comunitário de Pastoral.
Londrina, Paraná, será o local onde acontecerá o 14º Intereclesial e uma reunião que acontecerá em julho definirá o tema e a data do encontro.
Neste dia também foi apresentado a nova articulação diocesana das CEBs que contará, dentre os seus membros, com: Rozelia Costa (Articuladora Diocesana), Clara Nogueira e Ludymilla Yanna (Secretárias), Muriel Silva e Maroly Brito (Articuladoras da Forania I), Ademar Maia e Almir Cavalcante (Articuladores da Forania II), José Idailton (Articulador da Forania III), Geysa Grangeiro, Batista Silva Gelmar Bezerra e José Hildeberto (Formadores) e Pe. Vileci Vidal (Assessor Diocesano).
Nova articuladora diocesana das CEBs, Rozelia Costa. (Foto: Patrícia Silva)
Nova articuladora diocesana das CEBs, Rozelia Costa. (Foto: Patrícia Silva)
A nova articuladora disse considerar uma grande responsabilidade assumir a articulação depois da realização do 13º Intereclesial, pois a visibilidade com relação as CEBs é bem maior, porém ela disse estar disponível para continuar os incentivos e as formações para as comunidades, “ir ao encontro daqueles que necessitam dando continuidade ao entusiasmo presente no intereclesial que não se pode deixar cair”, afirmou ela.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CEBsNoticias: Oração e Hino da Campanha da fraternidade 2014

CEBsNoticias: Oração e Hino da Campanha da fraternidade 2014: Oração da CF 2014 Ó Deus, sempre ouvis o clamor do vosso povo                                                                     ...

Oração e Hino da Campanha da fraternidade 2014


Oração da CF 2014
Ó Deus, sempre ouvis o clamor do vosso povo                                                                                    e vos compadeceis dos oprimidos e escravizados.                                                        
Fazei que experimentem a libertação da cruz                                                                                   
e a ressurreição de Jesus.
Nós vos pedimos pelos que sofrem                                                                                                 
o flagelo do tráfico humano.                                                                                                 
Convertei-nos pela força do vosso Espírito,                                                                                         e tornai-nos sensíveis às dores destes nossos irmãos.
Comprometidos na superação deste mal,                                                                                
vivamos como vossos filhos e filhas,                                                                                            
na liberdade e na paz.                                                                                                                      
Por Cristo nosso Senhor.                                                                                                          
Amém!

Hino da CF 2014
É para a liberdade que Cristo nos libertou, Jesus libertador!                                                         
É para a liberdade que Cristo nos libertou! (GI 5,1)

1- Deus não quer ver seus filhos sendo escravizados,                                                                  
À semelhança e à sua imagem, os criou. (Cf. Gn 1,27)                                                  
Na cruz de Cristo, foram todos resgatados                                                                                         Pra liberdade é que Jesus nos libertou! (Gl 5,1)
2- Há tanta gente que, ao buscar nova alvorada,    
Sai pela estrada a procurar libertação;                                                                                               Mas como é triste ver, ao fim da caminhada,                                                                              
Que foi levada a trabalhar na escravidão!

3- E quantos chegam a perder a dignidade, 
Sua cidade, a família, o seu valor. 
Falta justiça, falta mais fraternidade                                                                                              
Pra libertá-Ias para a vida e para o amor!

4- Que abracemos a certeza da esperança, (Cf. Hb 6,11)                                                         
Que já nos lança, nessa marcha em comunhão.                                                                       
Pra novo céu e nova terra da aliança, (Cf.  Ap 21, 1)                                                                  
De liberdade e vida plena para o irmão ... (Cf Jo 10, 10)


Apresentação da Campanha da Fraternidade 2014

Apresentação
“É para liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1)
A liberdade nos foi doada na cruz de Cristo. Ele nos libertou e, por isso, concedeu-nos participar da plenitude de sua vida. Na morte, deu­-nos a vida; no sofrimento, conquistou para nós a plena liberdade dos filhos e filhas de Deus.
O tempo quaresmal, por ser tempo de conversão, possibilita o caminho da verdadeira liberdade. Os exercícios quaresmais do jejum, da oração e da esmola nos abrem silenciosamente para o encontro com Aquele que é a plenitude da vida, com Aquele que é a luz e a vida de toda pessoa que vem a este mundo (cf. Jo 1,10). Jejum, muito mais do que uma privação, é esvaziamento, uma expropriação; tentativa de deixar­-nos atingir pela graça da liberdade com que Cristo nos presenteou. O jejum abre o nosso ser para a receptividade da vida nova, da liberdade. A oração é a exposição de quem espera ser atingido pela misericórdia d'Aquele que nos amou primeiro e até o fim (cf. Jo 4,10). A esmola é o amor partilhado; é deixar-se tomar pela dinâmica da caridade; é sair de si mesmo; é deixar-se tocar pela presença do outro, especialmente do mais necessitado.
No caminho de conversão quaresmal, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos apresenta a Campanha da Fraternidade como itinerário de libertação pessoal, comunitária e social. Tráfico Hu­mano e Fraternidade é o tema da Campanha para a quaresma em 2014. O lema é inspirado na carta aos Gálatas: "É para a liberdade que Cristo nos libertou" ( 5,1).
O tráfico humano é o cerceamento da liberdade e o desprezo da dignidade dos filhos e filhas de Deus. Jesus recorda que o conhecimento da verdade liberta: "conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres" 00 8,32). A verdade liberta, pois traz à luz o sentido da grandeza, da beleza, da dignidade da pessoa humana. Ser filho, filha de Deus é a ver­dade que liberta, torna livres, deixa viver na liberdade! A liberdade deixa entrever a dignidade única e transparente da pessoa humana. Todos os laços, amarras que impedem a liberdade desfiguram o homem e a mulher criados à "imagem e semelhança de Deus" (cf. Gn 1,26). O tráfico humano é um dos modos atuais da escravidão.

         O tráfico humano de hoje é, certamente, fruto da cultura m que vivemos. A Campanha da Fraternidade, ao trazer à luz este verdadeiro drama humano, deseja despertar a sensibilidade de todas as pessoas de boa vontade. "A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros; faz-nos viver como se fôssemos bolhas de sabão: são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indife­rença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro; não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!" (Papa Francisco, Lampedusa, Itália, 8 de julho de 2013)
O tráfico humano viola a grandeza de filhos, destrói a imagem de Deus, cerceia a liberdade daqueles que foram resgatados por Cristo. As comunidades, as famílias, as pessoas certamente buscarão superar a glo­balização da indiferença em relação ao tráfico humano.
Provavelmente, diante do desespero das pessoas traficadas, des­pertaremos para o "padecer com". E, assim, não seremos tomados pela globalização da indiferença que nos tirou a capacidade de chorar (cf. Papa Francisco, Lampedusa, Itália, 8 de julho de 2013).
"Peçamos ao Senhor a graça de chorar pela nossa indiferença, de chorar pela crueldade que há no mundo, em nós, incluindo aqueles que, no anonimato, tomam decisões socioeconômicas que abrem a estrada a dramas como este" (Papa Francisco, Lampedusa, Itália, 8 de julho de 2013).
Maria das Dores nos acompanhe no caminho de conversão! Jesus Cristo crucificado-ressuscitado, que nos libertou do pecado e da morte, anime nossos passos na participação em sua morte e ressurreição.
A todos, irmãos e irmãs, famílias e Comunidades, uma abençoada Páscoa!

Brasília, 6 de agosto de 2013.                                                                                                          Festa da Transfiguração do Senhor.


+ Leonardo Ulrich Steiner                                                   Bispo Auxiliar de Brasília                                                    Secretário Geral da CNBB

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Comunidades Eclesiais de Base: novos tempos




Resenha sobre o livro de F. OROFINO, S. COUTINHO, S. RODRIGUES (orgs.): CEBs e os desafios do mundo contemporâneo; São Paulo, Paulus: 2012 (ISBN: 978-85-349-3486-2, 237 p.).



Embora tenham sido dadas como espécie em extinção, as comunidades eclesiais de base–CEBs– continuam ativas e sua existência provoca não poucos debates. O livro em apreço resulta de quatro seminários promovidos por Iser-Assessoria e a Comissão para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil –CNBB– em 2011, para a formação da nova geração de assessores e assessoras de CEBs, como indica o pequeno texto da parte IV. Essa contextualização é essencial para bem apreciarmos o valor da obra, uma vez que esta não é uma obra de erudição acadêmica e sim um livro que retrata o conhecimento elaborado a partir da reflexão sobre as práticas em curso nas próprias CEBs. Seu fio condutor é o fato de que muitas pessoas hoje dispostas a ajudar na formação de lideranças das comunidades pouco conhecem de sua história. Recuperar a memória – antiga e recente – para bem entender a realidade atual, é o propósito desse trabalho que é de grande utilidade a quem quer conhecer a realidade atual das CEBs em nosso País.
Ao terminar a leitura do livro redigi esses breves comentários em forma de resenha, mas de fato trata-se antes de uma reflexão pessoal provocada pela leitura do que propriamente uma apresentação do livro e seu conteúdo.

A parte I faz a memória teológica e histórica das CEBs, desde sua inspiração nos documentos do Concílio Ecumênico de 1962-65 e sua primeira formulação no Plano de Pastoral de Conjunto da CNBB (1965) até os encontros intereclesiais e o Documento de Aparecida. Ao traçar as grandes linhas de sua trajetória, os autores (J. Oscar Beozzo, Daniel Higino Menezes, Alfredo Gonçalves e Josenildo Lima) buscaram os elementos mais relevantes para o enfrentamento dos problemas atuais. Destaca-se aí a questão da eclesialidade das CEBs: são elas "um novo jeito de ser Igreja” – como bem definiu a CNBB em documento de 1982 – ou um dentre outros movimentos católicos? Essa questão é hoje crucial numa Igreja católica que ao se reclericalizar relegou seus leigos e leigas a posições subalternas.

Essa questão pode ser abordada a partir da comparação dos parágrafos referentes às CEBs nas duas versões do Documento de Aparecida, de 2008: o texto aprovado na sessão plenária ao final da Conferência e o texto oficial vindo de Roma. Fica claro que o texto original se refere às CEBs a partir da experiência latino-americana e caribenha, enquanto a versão oficial fala delas em teoria como uma possível forma de congregar os católicos sob a direção dos ministros ordenados. É como se a rica história das CEBs em Nossa América não merecesse o reconhecimento teológico da Santa Sé, para a qual só vale o modelo canônico da paróquia sob a autoridade do padre nomeado pelo bispo. Essa questão teológica está longe de ser mero debate sobre a forma mais adequada da Igreja católica nos diversos contextos em que ela se realiza historicamente. Ela tem em seu interior o debate sobre a própria missão da Igreja no mundo contemporâneo.

Esse ponto é bem ilustrado pela análise das inovações sociopolíticas correspondentes às CEBs, feita na parte III do livro. Ivo Lesbaupin, Roberto Malvezzi, Lúcia Ribeiro, Sílvia R. A. Fernandes e Fernando Altmeyer tratam questões muito atuais – como as antigas e novas formas de luta social na região semiárida do Nordeste, as candentes questões de gênero, pluralismo religioso e a nova configuração urbana – dentro do quadro maior da conjuntura socioeconômica mundial. Deixo, porém, de comentar aqui essa parte porque demandaria muito espaço e quero dedicá-lo à questão da identidade eclesial das CEBs.

Quando a Igreja toma as CEBs como seu eixo organizador, seus membros são incentivados a assumir posições políticas em favor de classes ou grupos injustiçados ou socialmente oprimidos, e a buscar mudanças estruturais na economia e na sociedade. Quando, de outro lado, o eixo organizador da Igreja assenta-se na paróquia, seus agentes ocupam-se prioritariamente em trazer mais pessoas para as celebrações. Dito de outra forma, as CEBs propiciam ações pastorais para empoderar grupos sociais subalternos e por isso incomodam os detentores do poder. Já os agentes de pastoral da paróquia só focam a ação na sociedade quando se trata de combater a descriminalização do aborto, o casamento homoafetivo ou outras propostas que ameacem o modelo católico de família. Por isso convém explicitar o transfundo sociopolítico do debate eclesiológico, já que raramente ele vem à tona.

Feita a observação, quero comentar a abordagem feita no livro ao problema eclesiológico hoje em debate: paróquia como "comunidade de comunidades” seria o mesmo que paróquia "de CEBs”?
Qualquer observador atento percebe que não poucas autoridades eclesiásticas prefeririam ver as CEBs extintas e substituídas por "pequenas comunidades” constituídas a partir de uma afinidade religiosa. Sua diversidade favorece a adesão dos mais diferentes grupos sociais, cada qual com um interesse religioso particular. Desde que não interfira nas atividades de outros grupos nem contrarie a autoridade do pároco ou vigário, a "pequena comunidade” encaixa-se facilmente na estrutura paroquial. A resiliência da paróquia reside justamente em sua capacidade de possibilitar a convivência pacífica de diferentes grupos, cada qual voltado para um interesse religioso específico: pode ser a oração carismática, a devoção mariana, a adoração do Santíssimo, a visita aos enfermos, a assistência aos pobres, a recuperação de usuários de drogas... mas podem ser também CEBs, pastorais de juventude, operária ou de mulheres. Se cada grupo limitar-se a fazer seu apostolado sem interferir nos demais nem querer dar a linha pastoral à paróquia, esta, como um coração de mãe, acolhe a todos. Em contraste a esse relativismo pastoral da paróquia, as CEBs têm um projeto pastoral para a Igreja e o mundo, e por isso constituem um novo jeito de ser Igreja.

Na parte II Sérgio R. Coutinho, Solange S. Rodrigues e Mercedes Budallés refletem sobre essa proposta pastoral das CEBs, tendo como pano de fundo a expressão hoje corrente de "pequenas comunidades”. Essa expressão englobaria as CEBs, as "novas comunidades”oriundas de movimentos carismáticos, as antigas capelas e os variados grupos que se constituem no interior da Igreja. Esse conjunto de "comunidades”formaria a paróquia como "comunidade de comunidades”. À primeira vista essa novidade pode parecer apenas formal, mas a análise atenta revela uma estratégia que desqualifica as CEBs como novo jeito de ser Igreja e que propicia sua absorção pelo modelo eclesiológico advindo do concílio de Trento. No plano estrutural, trata-se de optar entre dois modelos de Igreja: o que é baseado na separação entre ministros ordenados e os leigos e leigas, e o de uma Igreja toda ministerial e missionária em diálogo com o mundo. Porque a CEB é a base eclesial desse modelo de Igreja advindo do Vaticano II – tanto quanto a paróquia o é para o modelo tridentino – há uma tensão estrutural entre CEB e Paróquia: se a CEB é base, a Paróquia é apenas uma instância facilitadora de serviços (litúrgicos, catequéticos, administrativos, articulação etc.); mas se a base é a Paróquia, a CEB nada mais é do que uma subdivisão interna, como são as antigas capelas. Em outras palavras, reduzir a CEB a uma "pequena comunidade” entre outras, é condição necessária para sua inserção na institucionalidade estabelecida pelo direito canônico e na qual ela não é mais do que uma das muitas unidades facilitadoras da pastoral paroquial.

Aqui, em meu entender, reside o principal ponto de tensão entre a eclesiologia das CEBs e a eclesiologia orientadora do direito canônico – instrumento por excelência de controle hierárquico. A tomar-se como orientação o espírito pastoral do Concílio Vaticano II, as CEBs têm pela frente um amplo campo de ação, a partir de suas bases leigas–animadoras e animadores de comunidades– em comunhão com seus pastores. Já a orientação canônica parte da autoridade eclesiástica local –bispo e pároco–independentemente de eles estarem ou não em comunhão com as bases leigas.

Nos casos –e felizmente eles são muitos– de bispos e párocos que abrem mão da autoridade que o direito canônico lhes confere para basearem sua autoridade na relação de comunhão, as CEBs se desenvolvem e se firmam. Não quero com isso dizer que não encontrem dificuldades pastorais, mas estas são externas à estrutura eclesiástica. Mas nos casos em que o direito canônico é a norma, as CEBs só conseguem existir na medida em que abrem espaço nos interstícios possibilitados por ele.

 Um exemplo é a celebração dominical sem missa. Para que muitas pessoas não fiquem sem cumprir o preceito dominical, é usual a celebração dominical com duas partes: a da Palavra e a da Eucaristia.

É claro que não se trata da celebração da missa, que requer a presidência do sacerdote devido a seu caráter sacrificial – como bem lembra o Missal Romano. Aparentemente, porém, para a grande maioria de quem participa, essa celebração dominical equivale à celebração da missa: tanto numa quanto noutra os e as fiéis, ao comungarem, recebem o mesmo Cristo que se faz presente na hóstia anteriormente consagrada. Concluindo, lembro que estas são considerações feitas a partir da leitura dialogante do livro – que certamente dará ensejo a muitas outras leituras, algumas bem diferentes desta – e não um resumo das teses ali defendidas. Nesses tempos de novo pontificado em Roma, há a esperança de (invertendo a clássica expressão de J. B. Libânio) um "retorno à grande abertura”operada pelo Concílio Ecumênico de 1962-65. Neste caso, o novo jeito de ser Igreja ensaiado pelas CEBs na primavera eclesial que se seguiu àquele grande evento poderá enfim desabrochar e dar frutos para o mundo – porque nosso País está precisando muito de quem leve a sério a evangélica opção preferencial pelos pobres aplicada à economia, à política e à cultura.

Juiz de Fora, 24 de maio de 2013.

Fonte: Adital

CEBs Diocese de Jequié

CEBs DIOCESANA EM AUDIÊNCIA COM O BISPO
Aconteceu no dia 07 de junh (sexta-feira), às 09h :00min, na Cúria Diocesana de Jequié-BA a Audiência das CEBs Diocesana com o Bispo Dom Frei José Ruy Gonçalves Lopes OFMCap. Na oportunidade, o bispo diocesano expressou a sua imensa acolhida às CEBs.
Estiveram presentes: Pe. Paulo Silva (assessor das CEBs na Diocese e no Regional Nordeste 3 BA/SE), Ir. Rosa Maria (coordenadora), Marilene Teixeira (Secretária), João Silva (tesoureiro), Neilson Rocha (vice-tesoureiro), Maria Aparecida e Maria Angélica Souza.
Esta audiência teve como objetivo: apresentar a coordenação geral, apresentar o relatório da assembleia diocesana das comunidades do ano de 2012; apresentar o relatório do encontrão acontecido este ano no KM 100; os balancetes das despesas e eventos feitos pelas comunidades como também os nomes dos delegados que irão participar do XIII Intereclesial das Comunidades, assim como as despesas necessárias para o Intereclesial.
Ir. Rosa iniciou falando sobre o surgimento das CEBs em plena efervescência e de forma especial quando foi aqui foi instaurada a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Graças, incentivada por Pe. Jesus Villacé de Castro, por volta de 1973, quando também se tinha um grupo de legionárias (Legião de Maria) que visitavam doentes e rezavam nas casas. Dom Frei José Ruy procurou saber como está a caminhada das Comunidades nos dias atuais, Ir. Rosa relatou que estão caminhando, mas que algumas paróquias se tornam resistentes; no zonal centro só sete paróquias caminham com a coordenação, mas enfatizou que algumas paróquias apesar de estarem distantes estão presentes na coordenação, a exemplo das cidades de Maracás, KM 100 e Jaguaquara.
Dom Frei José Ruy salientou que é preciso ter espírito de solidariedade e que a quantidade pouco importa, o que é importante é o empenho. Ele acrescentou que a missão do leigo é no mundo, atuando. Foi apresentado ao Bispo as despesas das CEBs, com o Regional no qual é enviado todo a quantia referente a um salário mínimo, bem como as despesas da ampliada, foi-lhe entregue um relatório de tudo que as CEBs arrecadou e gastou durante o ano de 2012 e do 1º semestre de 2013. Colocamos também a necessidade de caminharmos, com a Igreja Particular, sobretudo com o apoio de nosso bispo o qual se mostrou muito satisfeito e atento aos nossos trabalhos, a ele incluímos Dom Cristiano que muito apoiou as comunidades e deixou que os nossos trabalhos caminhassem fluentemente.
Encerramos este encontro, com uma Ave- Maria aquela que sempre vem intercedendo a Deus por toda a nossa Igreja, Maria nossa Mãe Santíssima e com um caloroso abraço dado a todos por nosso bispo Dom José Ruy.