Aconteceu neste final de semana um importante encontro
de líderes e cristãos de várias Igrejas em Caracas, capital da Venezuela. Esse
encontro não foi para falar de suas Igrejas e sim para refletir sobre o novo
caminho social e político que se fortalece em vários países da América Latina.
O objetivo foi aprofundar o compromisso espiritual dos cristãos em participar e
colaborar com esse processo.
O encontro sobre bolivarianismo e espiritualidade
cristã concluiu que, hoje, ser cristão, na América Latina, implica em
participar de todo processo social que rompa com a desigualdade social e vença
o estado crônico de injustiça em que vivem muitos de nossos países. Em 1968, na
famosa conferência do episcopado católico latino-americano em Medellín
(Colômbia), os bispos denominaram a realidade social e política do continente
como uma situação de injustiça estrutural. Ora, como afirmou Dietrich
Bonhoeffer, mártir do nazismo: "Não basta fugir do mal. A ética cristã nos
manda combatê-lo”.
Tanto os participantes da Venezuela, como pastores e
teólogos/as de outros países, colocaram em comum uma lúcida análise da
realidade social e política do continente. Analisaram profundamente o chamado
"processo bolivariano”. Chama-se assim porque se inspira no pensamento e ação
de Simon Bolívar, o libertador de vários países da América Latina no início do
século XIX. Constataram que se trata de um caminho de mudanças sociais e
políticas que parte da promoção humana dos empobrecidos, toma como prioridades
a educação e a saúde para todos e valoriza as culturas indígenas e negras ainda
marginalizadas em nosso continente.
A UNESCO reconheceu que a Venezuela, o Equador e a
Bolívia são países que superaram totalmente o analfabetismo, triplicaram o
número de jovens nas universidades gratuitas do Estado e estenderam a todo o
país o atendimento médico de família e um plano de habitação que inclui milhões
de pessoas. Concretamente, os cristãos -reunidos nesse final de semana em
Caracas- afirmaram ecumenicamente que as iniciativas de integração emergente em
vários países do continente são sinais da realização do projeto divino no
mundo. E não somente sinalizaram seu apoio a organismos comerciais e culturais
que unem nossos países. Reconheceram também que esse caminho de integração
entre os países e de diálogo entre as culturas desafia as Igrejas a
intensificar seu esforço pela unidade a serviço da paz e da justiça no mundo.
Muitas vezes, no passado, as Igrejas se posicionaram
contrárias a processos sociais e políticos de natureza transformadora. Parecia
que toda religião é por essência contrária às mudanças sociais transformadoras.
Entretanto, a partir da década de 60, muitos cristãos e ministros de Igrejas,
com fome e sede de justiça, se inseriram nos movimentos e grupos que lutavam
por mudanças sociais. Dessa prática surgiu a Teologia da Libertação que neste
ano completa 40 anos de serviço às melhores causas da humanidade. Sem dúvida, o
novo caminho bolivariano é expressão de muitas lutas e conquistas concretas dos
movimentos sociais. Mas nesse caminho foi também importante a participação
ativa e profunda de cristãos, assim como o apoio de ministros, tanto bispos e
padres católicos, como pastores e pastoras evangélicos. Essa abertura dos
cristãos ao processo revolucionário emergente no continente tem sido também um
caminho espiritual que tem feito bem à própria fé. Conforme a maioria das
tradições espirituais, a espiritualidade é um processo que deve ajudar a cada
pessoa evoluir do estágio de amor egocêntrico, para o etnocêntrico até atingir
uma capacidade de amorosidade aberta a todo ser humano e ao próprio universo. O
processo revolucionário se dá, então, no nível social e político, mas também no
plano pessoal. E quem tem fé reconhece Deus na origem e na condução desse processo.
O salmo nos faz orar: "Em ti, está o manancial da vida. Através da luz que vem
de ti, (luzes humanas), vemos a tua própria luz” (Sl. 36, 9).
Marcelo Barros
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Eleições Municipais 2012: - Mensagem para as Comunidades e para os candidatos
A todas
as Comunidades, minha saudação cordial!
Em
outubro deste ano teremos eleições municipais. A campanha eleitoral já começou.
Com esta
breve mensagem, consultada a Coordenação de Pastoral e o Conselho Diocesano de
Leigos, a Diocese quer saudar a todas as comunidades, e cumprimentar
especialmente todas as pessoas que se candidataram aos diversos cargos.
A
Diocese deseja que as eleições transcorram bem, e que a campanha eleitoral seja
um exercício de cidadania.
A Igreja
Católica não faz opção partidária. Por isto a Diocese recomenda às comunidades
que tenham pleno respeito por todos os candidatos.
As
eleições municipais têm um valor especial para a democracia.
No
município nascem as novas lideranças.
O
município é a instância política mais próxima aos cidadãos.
No
município os problemas podem encontrar soluções criativas.
Na verdade, o município é o nascedouro da
democracia, e a Igreja faz questão que a democracia se fortaleça, guiando-se
por critérios éticos, sobretudo por administrações honestas e transparentes.
Daí o
apoio ao processo eleitoral, que a Diocese reitera nesta oportunidade.
Mas as
eleições municipais têm também os seus riscos.
São as
eleições que mais produzem tensões na comunidade. Com bom senso e serenidade, é
preciso contornar estas tensões.
É sinal
de maturidade respeitar as diferentes opções partidárias dos membros da mesma
comunidade. Isto requer o esforço de todos, candidatos ou não.
De
maneira especial, cuide-se para não instrumentalizar a comunidade para fins
eleitorais. Evite-se usar as funções litúrgicas como propaganda pessoal.
Quanto a
isto, a melhor recomendação é que cada um continue fazendo o que sempre fazia
na comunidade. Mas pode acontecer que o bom senso aconselhe os candidatos a se
afastarem do seu ministério eclesial no tempo da campanha política, até para
estarem mais de acordo com a legislação eleitoral, que deve ser respeitada por
todos. A mesma recomendação vale para os que são membros de comissões
administrativas.
Assim se
espera que a campanha transcorra no respeito mútuo entre candidatos, sem
desestabilizar as comunidades, de tal modo que no final não haja nem vencedores
nem vencidos, mas todos tenham ganho com o crescimento da democracia, na
certeza de que os eleitos se colocarão a serviço do bem comum de todos.
Invocamos
as bênçãos de Deus sobre estas eleições, para que cresça entre nós seu Reino de
fraternidade, de justiça e de paz.
Jales,
15 de agosto de 2012 – Aniversário da Diocese
D.
Demétrio Valentini
Bispo
Diocesano
Por Terra, Território e Dignidade!
Unidade por Terra, Território e Dignidade! Declaração final do Encontro
Unitário dos Trabalhadores/as e Povos do Campo, das Águas e das
Florestas
Os movimentos sociais do campo, que se reuniram nesta semana no Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas, em Brasília, lançaram uma declaração conjunta que representa uma demonstração de articulação e unidade política dos camponeses, pequenos agricultores, sem-terra, indígenas e quilombolas, além de ambientalistas, defensores dos direitos humanos e estudantes que participaram dessa construção.
O encontro é uma resposta aos desafios do nosso país para superar a desigualdade na distribuição da terra, que se mantém inalterada desde a década de 20, mas com riscos econômicos, sociais, culturais e ambientais em consequência da especialização primária da economia.
O projeto capitalista em curso no Brasil, representado no campo pelo agronegócio, tem como objetivo a acumulação de capital no setor primário, servindo aos interesses e domínio do capital estrangeiro no campo por meio das transnacionais.
A ofensiva desse projeto causa o esmagamento e a desterritorialização dos trabalhadores e trabalhadoras dos povos do campo, das águas e das florestas. Além disso, impede a realização da reforma agrária, a demarcação e reconhecimento de territórios indígenas e quilombolas.
Por outro lado, tem impactos sociais e ambientais negativos, com o aumento da violência, a violação dos territórios dos pescadores e povos da floresta, a fragilização da agricultura familiar e camponesa, a sujeição dos trabalhadores e consumidores a alimentos contaminados e ao convívio com a degradação ambiental.
O encontro demonstra que é indispensável um projeto de vida e trabalho para a produção de alimentos saudáveis em escala suficiente para atender as necessidades da sociedade, que respeite a natureza e gere dignidade no campo.
Para isso, é necessário realizar a Reforma Agrária, defender a nossa soberania territorial, garantir a a soberania alimentar, desenvolver a agroecologia, com a centralidade da agricultura familiar e camponesa e de formas tradicionais de produção e educação do campo, indígena e quilombola como ferramentas estratégicas para a emancipação.
Abaixo, leia a declaração final do Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas.
Após séculos de opressão e resistência, "as massas camponesas oprimidas e exploradas”, numa demonstração de capacidade de articulação, unidade política e construção de uma proposta nacional, se reuniram no "I Congresso Nacional dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas sobre o caráter da reforma agrária”, no ano de 1961, em Belo Horizonte. Já nesse I Congresso os povos do campo, assumindo um papel de sujeitos políticos, apontavam a centralidade da terra como espaço de vida, de produção e identidade sociocultural.
Essa unidade e força política levaram o governo de João Goulart a incorporar a reforma agrária como parte de suas reformas de base, contrariando os interesses das elites e transformando-se num dos elementos que levou ao golpe de 1964. Os governos golpistas perseguiram, torturaram, aprisionaram e assassinaram lideranças, mas não destruíram o sonho, nem as lutas camponesas por um pedaço de chão.
Após décadas de resistência e denuncias da opressão, as mobilizações e lutas sociais criaram condições para a retomada e ampliação da organização camponesa, fazendo emergir uma diversidade de sujeitos e pautas. Junto com a luta pela reforma agrária, a luta pela terra e por território vem afirmando sujeitos como sem terra, quilombolas, indígenas, extrativistas, pescadores artesanais, quebradeiras, comunidades tradicionais, agricultores familiares, camponeses, trabalhadores e trabalhadoras rurais e demais povos do campo, das águas e das florestas. Neste processo de constituição de sujeitos políticos, afirmam-se as mulheres e a juventude na luta contra a cultura patriarcal, pela visibilidade e igualdade de direitos e dignidade no campo.
Em nova demonstração de capacidade de articulação e unidade política, nós homens e mulheres de todas as idades, nos reunimos 51 anos depois, em Brasília, no Encontro Nacional Unitário de Trabalhadores e Trabalhadoras, Povos do Campo, das Águas e das Florestas, tendo como centralidade a luta de classes em torno da terra, atualmente expressa na luta por Reforma Agrária, Terra, Território e Dignidade.
Nós estamos construindo a unidade em resposta aos desafios da desigualdade na distribuição da terra. Como nos anos 60, esta desigualdade se mantém inalterada, havendo um aprofundamento dos riscos econômicos, sociais, culturais e ambientais, em consequência da especialização primária da economia.
A primeira década do Século XXI revela um projeto de remontagem da modernização conservadora da agricultura, iniciada pelos militares, interrompida nos anos noventa e retomada como projeto de expansão primária para o setor externo nos últimos doze anos, sob a denominação de agronegócio, que se configura como nosso inimigo comum.
Este projeto, na sua essência, produz desigualdades nas relações fundiárias e sociais no meio rural, aprofunda a dependência externa e realiza uma exploração ultrapredatória da natureza. Seus protagonistas são o capital financeiro, as grandes cadeias de produção e comercialização de commodities de escala mundial, o latifúndio e o Estado brasileiro nas suas funções financiadora –inclusive destinando recursos públicos para grandes projetos e obras de infraestrutura– e (des)reguladora da terra.
O projeto capitalista em curso no Brasil persegue a acumulação de capital especializado no setor primário, promovendo superexploração agropecuária, hidroelétrica, mineral e petroleira. Esta superexploração, em nome da necessidade de equilibrar as transações externas, serve aos interesses e domínio do capital estrangeiro no campo através das transnacionais do agro e hidronegócio.
Este projeto provoca o esmagamento e a desterritorialização dos trabalhadores e trabalhadoras dos povos do campo, das águas e das florestas. Suas consequências sociais e ambientais são a não realização da reforma agrária, a não demarcação e reconhecimento de territórios indígenas e quilombolas, o aumento da violência, a violação dos territórios dos pescadores e povos da floresta, a fragilização da agricultura familiar e camponesa, a sujeição dos trabalhadores e consumidores a alimentos contaminados e ao convívio com a degradação ambiental. Há ainda consequências socioculturais como a masculinização e o envelhecimento do campo pela ausência de oportunidades para a juventude e as mulheres, resultando na não reprodução social do campesinato.
Estas consequências foram agravadas pela ausência, falta de adequação ou caráter assistencialista e emergencial das políticas públicas. Estas políticas contribuíram para o processo de desigualdade social entre o campo e a cidade, o esvaziamento do meio rural e o aumento da vulnerabilidade dos sujeitos do campo, das águas e das florestas. Em vez de promover a igualdade e a dignidade, as políticas e ações do Estado, muitas vezes, retiram direitos e promovem a violência no campo.
Mesmo gerando conflitos e sendo inimigo dos povos, o Estado brasileiro nas suas esferas do Executivo, Judiciário e Legislativo, historicamente vem investindo no fortalecimento do modelo de desenvolvimento concentrador, excludente e degradador. Apesar de todos os problemas gerados, os sucessivos governos –inclusive o atual– mantêm a opção pelo agro e hidronegócio.
O Brasil, como um país rico em terra, água, bens naturais e biodiversidade, atrai o capital especulativo e agroexportador, acirrando os impactos negativos sobre os territórios e populações indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e camponesas. Externamente, o Brasil vem se tornando alavanca do projeto neocolonizador, expandindo este modelo para outros países, especialmente na América Latina e África.
Torna-se indispensável um projeto de vida e trabalho para a produção de alimentos saudáveis em escala suficiente para atender as necessidades da sociedade, que respeite a natureza e gere dignidade no campo. Ao mesmo tempo, o resgate e fortalecimento dos campesinatos, a defesa e recuperação das suas culturas e saberes se faz necessário para projetos alternativos de desenvolvimento e sociedade.
Diante disto, afirmamos:
1) a reforma agrária como política essencial de desenvolvimento justo, popular, solidário e sustentável, pressupondo mudança na estrutura fundiária, democratização do acesso à terra, respeito aos territórios e garantia da reprodução social dos povos do campo, das águas e das florestas.
2) a soberania territorial, que compreende o poder e a autonomia dos povos em proteger e defender livremente os bens comuns e o espaço social e de luta que ocupam e estabelecem suas relações e modos de vida, desenvolvendo diferentes culturas e formas de produção e reprodução, que marcam e dão identidade ao território.
3) a soberania alimentar como o direito dos povos a definir suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos que garantam o direito à alimentação adequada a toda a população, respeitando suas culturas e a diversidade dos jeitos de produzir, comercializar e gerir estes processos.
4) a agroecologia como base para a sustentabilidade e organização social e produtiva da agricultura familiar e camponesa, em oposição ao modelo do agronegócio. A agroecologia é um modo de produzir e se relacionar na agricultura, que preserva a biodiversidade, os ecossistemas e o patrimônio genético, que produz alimentos saudáveis, livre de transgênicos e agrotóxicos, que valoriza saberes e culturas dos povos do campo, das águas e das florestas e defende a vida.
5) a centralidade da agricultura familiar e camponesa e de formas tradicionais de produção e o seu fortalecimento por meio de políticas públicas estruturantes, como fomento e crédito subsidiado e adequado as realidades; assistência técnica baseada nos princípios agroecológicos; pesquisa que reconheça e incorpore os saberes tradicionais; formação, especialmente da juventude; incentivo à cooperação, agroindustrialização e comercialização.
6) a necessidade de relações igualitárias, de reconhecimento e respeito mútuo, especialmente em relação às mulheres, superando a divisão sexual do trabalho e o poder patriarcal e combatendo todos os tipos de violência.
7) a soberania energética como um direito dos povos, o que demanda o controle social sobre as fontes, produção e distribuição de energia, alterando o atual modelo energético brasileiro.
8) a educação do campo, indígena e quilombola como ferramentas estratégicas para a emancipação dos sujeitos, que surgem das experiências de luta pelo direito à educação e por um projeto político-pedagógico vinculado aos interesses da classe trabalhadora. Elas se contrapõem à educação rural, que tem como objetivo auxiliar um projeto de agricultura e sociedade subordinada aos interesses do capital, que submete a educação escolar à preparação de mão-de-obra minimamente qualificada e barata e que escraviza trabalhadores e trabalhadoras no sistema de produção de monocultura.
9) a necessidade de democratização dos meios de comunicação, hoje concentrados em poucas famílias e a serviço do projeto capitalista concentrador, que criminalizam os movimentos e organizações sociais do campo, das águas e das florestas.
10) a necessidade do reconhecimento pelo Estado dos direitos das populações atingidas por grandes projetos, assegurando a consulta livre, prévia e informada e a reparação nos casos de violação de direitos.
Nos comprometemos:
1- a fortalecer as organizações sociais e a intensificar o processo de unidade entre os trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo, das águas e das florestas, colocando como centro a luta de classes e o enfrentamento ao inimigo comum, o capital e sua expressão atual no campo, o agro e hidronegócio.
2- a ampliar a unidade nos próximos períodos, construindo pautas comuns e processos unitários de luta pela realização da reforma agrária, pela reconhecimento, titulação, demarcação e desintrusão das terras indígena, dos territórios quilombolas e de comunidades tradicionais, garantindo direitos territoriais, dignidade e autonomia.
3- a fortalecer a luta pela reforma agrária como bandeira unitária dos trabalhadores e trabalhadoras e povos do campo, das águas e das florestas.
4- a construir e fortalecer alianças entre sujeitos do campo e da cidade, em nível nacional e internacional, em estratégias de classe contra o capital e em defesa de uma sociedade justa, igualitária, solidária e sustentável.
5- a lutar pela transição agroecológica massiva, contra os agrotóxicos, pela produção de alimentos saudáveis, pela soberania alimentar, em defesa da biodiversidade e das sementes.
6- a construir uma agenda comum para rediscutir os critérios de construção, acesso, abrangência, caráter e controle social sobre as políticas públicas, a exemplo do PRONAF, PNAE, PAA, PRONERA, PRONACAMPO, pesquisa e extensão, dentre outras, voltadas para os povos do campo, das águas e das florestas.
7- a fortalecer a luta das mulheres por direitos, pela igualdade e pelo fim da violência.
8- a ampliar o reconhecimento da importância estratégica da juventude na dinâmica do desenvolvimento e na reprodução social dos povos do campo, das águas e das florestas.
9- a lutar por mudanças no atual modelo de produção pautado nos petro-dependentes, de alto consumo energético.
10- a combater e denunciar a violência e a impunidade no campo e a criminalização das lideranças e movimentos sociais, promovidas pelos agentes públicos e privados.
11- a lutar pelo reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre a morte e desaparecimento forçado de camponeses, bem como os direitos de reparação aos seus familiares, com a criação de uma comissão camponesa pela anistia, memória, verdade e justiça para incidir nos trabalhos da Comissão Especial sobre mortos e desaparecidos políticos, visando a inclusão de todos afetados pela repressão.
Nós, trabalhadores e trabalhadoras, povos do campo, das águas e das florestas exigimos o redirecionamento das políticas e ações do Estado brasileiro, pois o campo não suporta mais. Seguiremos em marcha, mobilizados em unidade e luta e, no combate ao nosso inimigo comum, construiremos um País e uma sociedade justa, solidária e sustentável.
Brasília, 22 de agosto de 2012.
Associação das Casas Familiares Rurais (ARCAFAR)
Associação das Mulheres do Brasil (AMB)
Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA)
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)
Articulação Nacional de Agroecologia (ANA)
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
CARITAS Brasileira
Coordenação Nacional dos Quilombolas (CONAQ)
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG)
Comissão Pastoral da Pesca (CPP)
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB)
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)
Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (FETRAF)
FASE
Greenpeace
INESC
Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Movimento Camponês Popular (MCP)
Movimento das Mulheres Camponesas (MMC)
Movimento das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE)
Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Movimento Interestadual das Mulheres Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB)
Oxfam Brasil
Pastoral da Juventude Rural (PJR)
Plataforma Dhesca
Rede Cefas
Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (SINPAF)
SINPRO DF
Terra de Direitos
Unicafes
VIA CAMPESINA BRASIL
[Fonte: MST, Ano 9 - nº 195, 22 de agosto de 2012].
Simpósio Teológico
50 anos do Concílio Vaticano II / 40 anos da
Teologia da Libertação
“O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS
IGREJAS?”
APRESENTAÇÃO
O fato de que se comemora em 2012, o 50º aniversário da
abertura do Concílio Vaticano II (1962) se reveste da maior importância para as
sociedades da América Latina e do Brasil, marcadas como estão por cultura e
tradição católicas. A profundidade das mudanças, provocadas pelo Concílio
Ecumênico, na própria vivência eclesial – reforma litúrgica, introdução da
língua vernácula, valorização da Bíblia e da Teologia Patrística, redescoberta
da colegialidade episcopal – bem como na relação entre Igreja e sociedade –
«aggiornamento», postura dialogal, não condenatória para com as ciências
seculares, a filosofia contemporânea, as outras igrejas cristãs e as religiões
não cristãs – faz daquele evento eclesiástico, ainda hoje, um divisor de águas,
ou melhor, de eras.
Acontece que meio século se passou, e o ímpeto da abertura e do diálogo para com as realidades seculares modernas sofreu, durante o pontificado de João Paulo II, e continua sofrendo, sob Bento XVI, sensível ação refreadora. Uma releitura neoconservadora dos documentos conciliares tem sido ensaiada desde as esferas mais altas do poder eclesiástico, responsabilizando concessões supostamente exageradas à mentalidade secular contemporânea na Igreja pela sempre mais acentuada evasão de fiéis, tanto na Europa quanto nas Américas. Uma restauração da tradição e dos símbolos católicos, acoplada a uma estratégia de forte presença midiática através de eventos de massa, seria a fórmula para enfrentar esta crise. Medidas restritivas contra teólogos e teólogas progressistas e de libertação, o fortalecimento de uma espiritualidade imediatista, de fácil apelo emocional, e um renovado dirigismo romano completam o quadro preocupante.
Quo vadis, ecclesia? (Para onde vais Igreja?) Urge abrir um debate público sobre as causas e as consequências desse processo de reinterpretação do grande Concílio, já que há indícios fortes de que uma neocristandade possa ser a meta histórica, ainda que de forma camuflada, de determinados segmentos católicos.
De não menor relevância, para o Brasil e a América Latina, se constitui o 40º aniversário de nascimento da assim chamada Teologia da que também se celebra no ano em curso. Quando o peruano Gustavo Gutierrez lançou o seu famoso livro homônimo, em 1972, a reflexão teológica – não só católica! – começou a debruçar-se, pela primeira vez em séculos, sobre as práticas libertárias e emancipatórias de cristãos e cristãs engajados na defesa dos direitos humanos e civis e na solidariedade com os oprimidos e marginalizados das sociedades latino-americanas, marcadas por gritante desigualdade social. Depois de muita incompreensão e apressadas censuras aos fundamentos e ao método da Teologia da Libertação, pretende-se agora convocar o público interessado para debater a sua originalidade e atualidade na conjuntura hodierna de Igreja e Sociedade no Brasil.
Diante deste cenário, o Movimento de Formação Cristã Libertadora (MFCL) nos convida ao diálogo e pensamento ao promover o simpósio teológico 50 Anos do Concílio Vaticano II e 40 Anos da Teologia da Libertação - O que o Espírito diz às Igrejas?.
Acontece que meio século se passou, e o ímpeto da abertura e do diálogo para com as realidades seculares modernas sofreu, durante o pontificado de João Paulo II, e continua sofrendo, sob Bento XVI, sensível ação refreadora. Uma releitura neoconservadora dos documentos conciliares tem sido ensaiada desde as esferas mais altas do poder eclesiástico, responsabilizando concessões supostamente exageradas à mentalidade secular contemporânea na Igreja pela sempre mais acentuada evasão de fiéis, tanto na Europa quanto nas Américas. Uma restauração da tradição e dos símbolos católicos, acoplada a uma estratégia de forte presença midiática através de eventos de massa, seria a fórmula para enfrentar esta crise. Medidas restritivas contra teólogos e teólogas progressistas e de libertação, o fortalecimento de uma espiritualidade imediatista, de fácil apelo emocional, e um renovado dirigismo romano completam o quadro preocupante.
Quo vadis, ecclesia? (Para onde vais Igreja?) Urge abrir um debate público sobre as causas e as consequências desse processo de reinterpretação do grande Concílio, já que há indícios fortes de que uma neocristandade possa ser a meta histórica, ainda que de forma camuflada, de determinados segmentos católicos.
De não menor relevância, para o Brasil e a América Latina, se constitui o 40º aniversário de nascimento da assim chamada Teologia da que também se celebra no ano em curso. Quando o peruano Gustavo Gutierrez lançou o seu famoso livro homônimo, em 1972, a reflexão teológica – não só católica! – começou a debruçar-se, pela primeira vez em séculos, sobre as práticas libertárias e emancipatórias de cristãos e cristãs engajados na defesa dos direitos humanos e civis e na solidariedade com os oprimidos e marginalizados das sociedades latino-americanas, marcadas por gritante desigualdade social. Depois de muita incompreensão e apressadas censuras aos fundamentos e ao método da Teologia da Libertação, pretende-se agora convocar o público interessado para debater a sua originalidade e atualidade na conjuntura hodierna de Igreja e Sociedade no Brasil.
Diante deste cenário, o Movimento de Formação Cristã Libertadora (MFCL) nos convida ao diálogo e pensamento ao promover o simpósio teológico 50 Anos do Concílio Vaticano II e 40 Anos da Teologia da Libertação - O que o Espírito diz às Igrejas?.
O simpósio 50 Anos do Concílio Vaticano II e 40
Anos da Teologia da Libertação - O que o Espírito diz às Igrejas? é uma
promoção do Movimento Formação Cristã Libertadora – que reúne homens e mulheres,
de diversas denominações cristãs, preocupados com a crescente irrelevância do
ensino teológico-catequético na preparação de cristãos para as grandes questões
humanitárias da nossa época. O objetivo maior é mostrar que “outro Cristianismo
é possível”, moderno e esclarecido na sua compreensão das verdades da fé,
sensível e combativo frente ao drama dos empobrecidos e marginalizados na nossa
sociedade, respeitoso e acolhedor no trato com pessoas de outras orientações de
vida.
Declaração Final do Encontro Internacional sobre Espiritualidade Libertadora à luz da Teologia da Libertação
Caracas, 19 de Agosto de 2012.
Nós, membros das associações Fundalatin, Ecuvives, Fedefam, Romero Vive, Cecoce (CEBs), unidos às delegações da Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Paraguai e Venezuela, e em solidariedade com todos os povos irmãos dos países da América e do mundo, DECLARAMOS:
1. Que, diante da mudança de época que atinge o continente latino-americano e caribenho, diante de tantos signos de integração sonhados por nossos próceres, como Simón Bolívar, San Martín, Artigas, Martí, Sandino, Hidalgo, Alfaro, sentimos a urgente necessidade de iluminar esses processos com uma espiritualidade libertadora inspirada na Teologia da Libertação.
2. Que a construção da unidade latino-americana e caribenha, da Pátria Grande, que resultou uma utopia frustrada há dois séculos, hoje está em marcha, aqui e agora. Se novos ventos começaram a soprar na região, devemos, no entanto, estar alertas. Esse processo regional não vai sem riscos nem agressões como os já padecidos pelo povo hondurenho e, recentemente, pelo povo paraguaio, que atentam contra o processo de integração dos povos da América Latina e Caribe.
3. Que o sonho de Bolívar ilumina os processos revolucionários de alguns povos latino-americanos e caribenhos; vemos neles os sinais do Reino de Deus, proclamado por Jesus de Nazaré, e pela força espiritual de nossos povos originários e afrodescendentes.
4. Que os princípios ético cristãos, macroecumênicos, pluralistas e de nossos povos originários dão força moral a esses processos tão assediados pela corrupção sustentada pelo sistema capitalista que estimulou o consumismo desmedido e coloca o ter acima do ser. Por outro lado, uma ética de serviço, não de opressão, dá uma nova conotação ao conceito de poder, tanto político quanto religioso; porque quem não governa para servir, não serve para governar.
5. Nosso rechaço à manipulação dos meios de comunicação social, que alienam; estimulam a violência, a mentira; tergiversam os fatos; utilizam as meias verdades. Na violência midiática incluímos os meios de comunicação religiosos que, fazendo uma leitura literal da Bíblia, mantêm um sistema patriarcal, machista; uma teologia sacrificial; bem como a chamada teologia da prosperidade, desmobilizadora dos povos, que conduz à resignação e ao conformismo.
6. A política e a fé devem caminhar unidas. Seguindo a inspiração de Dom Óscar Arnulfo Romero, Mártir da América Latina, e de Juan Vives Suriá, defensor dos direitos humanos, acreditamos na dimensão política da fé. A espiritualidade libertadora ilumina a política, a enriquece e a questiona. Não meter-se em política é trair o projeto de Jesus de Nazaré para esse mundo.
7. Nossa solidariedade com o povo paraguaio e condenamos o golpe parlamentar que destituiu ao legítimo presidente desse país irmãos, Fernando Lugo.
8. Nos solidarizamos com a Igreja de Sucumbíos, Equador, pela intervenção vertical do Vaticano, que impõe uma estrutura eclesial ritualista, buscando romper com o modelo de Igreja-Comunidade comprometida com os processos históricos de libertação. Denunciamos essa política de involução impulsionada pelos setores mais conservadores da Igreja Católica. Também nos solidarizamos com o Equador nesses momentos quando o império britânico quer violar o direito internacional, ameaçando intervir na embaixada equatoriana em Londres.
ACORDAMOS:
1- Criar uma rede de todos os coletivos da América Latina e do mundo que se inspiram na espiritualidade libertadora à luz da teologia da Libertação, para contribuir com a construção de outro mundo possível e necessário, onde se instalem o Reino de Deus, da paz com justiça social e soberania.
2- Acompanhar o processo bolivariano que inspira a outros povos a impulsionar seus processos de transformação.
3- Promover uma ética libertadora e rechaçamos uma moral farisaica e opressora. Ser coerente entre o dizer e o fazer.
4- Fomentar os meios de comunicação alternativos e comunitários. Estes devem converter-se em promotores de uma comunicação libertadora e de um eficaz trabalho em rede.
5. Assumir as palavras do profeta Pedro Casaldáliga, quando diz: “Creio que só é possível ser cristão sendo revolucionário, porque não bastam as reformas; temos que transformar o mundo”.
CONCLUIMOS:
Nos unimos a todos os grupos autóctones, movimentos populares, às comunidades cristãs de outras tradições espirituais e a nossos irmãos e irmãs da América, que constroem a partir da prática da Teologia da Libertação, que aprofundem nos elementos éticos, culturais e espirituais do novo bolivarianismo, para consolidar uma Teologia Pluralista e Intercultural Bolivariana da Libertação. Que todos escutemos o que, desde nossas comunidades latino-americanas “o Espírito diz às Igrejas” (Ap. 2,5).
Fonte: Correio do Brasil
Nós, membros das associações Fundalatin, Ecuvives, Fedefam, Romero Vive, Cecoce (CEBs), unidos às delegações da Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Paraguai e Venezuela, e em solidariedade com todos os povos irmãos dos países da América e do mundo, DECLARAMOS:
1. Que, diante da mudança de época que atinge o continente latino-americano e caribenho, diante de tantos signos de integração sonhados por nossos próceres, como Simón Bolívar, San Martín, Artigas, Martí, Sandino, Hidalgo, Alfaro, sentimos a urgente necessidade de iluminar esses processos com uma espiritualidade libertadora inspirada na Teologia da Libertação.
2. Que a construção da unidade latino-americana e caribenha, da Pátria Grande, que resultou uma utopia frustrada há dois séculos, hoje está em marcha, aqui e agora. Se novos ventos começaram a soprar na região, devemos, no entanto, estar alertas. Esse processo regional não vai sem riscos nem agressões como os já padecidos pelo povo hondurenho e, recentemente, pelo povo paraguaio, que atentam contra o processo de integração dos povos da América Latina e Caribe.
3. Que o sonho de Bolívar ilumina os processos revolucionários de alguns povos latino-americanos e caribenhos; vemos neles os sinais do Reino de Deus, proclamado por Jesus de Nazaré, e pela força espiritual de nossos povos originários e afrodescendentes.
4. Que os princípios ético cristãos, macroecumênicos, pluralistas e de nossos povos originários dão força moral a esses processos tão assediados pela corrupção sustentada pelo sistema capitalista que estimulou o consumismo desmedido e coloca o ter acima do ser. Por outro lado, uma ética de serviço, não de opressão, dá uma nova conotação ao conceito de poder, tanto político quanto religioso; porque quem não governa para servir, não serve para governar.
5. Nosso rechaço à manipulação dos meios de comunicação social, que alienam; estimulam a violência, a mentira; tergiversam os fatos; utilizam as meias verdades. Na violência midiática incluímos os meios de comunicação religiosos que, fazendo uma leitura literal da Bíblia, mantêm um sistema patriarcal, machista; uma teologia sacrificial; bem como a chamada teologia da prosperidade, desmobilizadora dos povos, que conduz à resignação e ao conformismo.
6. A política e a fé devem caminhar unidas. Seguindo a inspiração de Dom Óscar Arnulfo Romero, Mártir da América Latina, e de Juan Vives Suriá, defensor dos direitos humanos, acreditamos na dimensão política da fé. A espiritualidade libertadora ilumina a política, a enriquece e a questiona. Não meter-se em política é trair o projeto de Jesus de Nazaré para esse mundo.
7. Nossa solidariedade com o povo paraguaio e condenamos o golpe parlamentar que destituiu ao legítimo presidente desse país irmãos, Fernando Lugo.
8. Nos solidarizamos com a Igreja de Sucumbíos, Equador, pela intervenção vertical do Vaticano, que impõe uma estrutura eclesial ritualista, buscando romper com o modelo de Igreja-Comunidade comprometida com os processos históricos de libertação. Denunciamos essa política de involução impulsionada pelos setores mais conservadores da Igreja Católica. Também nos solidarizamos com o Equador nesses momentos quando o império britânico quer violar o direito internacional, ameaçando intervir na embaixada equatoriana em Londres.
ACORDAMOS:
1- Criar uma rede de todos os coletivos da América Latina e do mundo que se inspiram na espiritualidade libertadora à luz da teologia da Libertação, para contribuir com a construção de outro mundo possível e necessário, onde se instalem o Reino de Deus, da paz com justiça social e soberania.
2- Acompanhar o processo bolivariano que inspira a outros povos a impulsionar seus processos de transformação.
3- Promover uma ética libertadora e rechaçamos uma moral farisaica e opressora. Ser coerente entre o dizer e o fazer.
4- Fomentar os meios de comunicação alternativos e comunitários. Estes devem converter-se em promotores de uma comunicação libertadora e de um eficaz trabalho em rede.
5. Assumir as palavras do profeta Pedro Casaldáliga, quando diz: “Creio que só é possível ser cristão sendo revolucionário, porque não bastam as reformas; temos que transformar o mundo”.
CONCLUIMOS:
Nos unimos a todos os grupos autóctones, movimentos populares, às comunidades cristãs de outras tradições espirituais e a nossos irmãos e irmãs da América, que constroem a partir da prática da Teologia da Libertação, que aprofundem nos elementos éticos, culturais e espirituais do novo bolivarianismo, para consolidar uma Teologia Pluralista e Intercultural Bolivariana da Libertação. Que todos escutemos o que, desde nossas comunidades latino-americanas “o Espírito diz às Igrejas” (Ap. 2,5).
Fonte: Correio do Brasil
Letra do Hino do Grito 2012
Queremos um Estado a serviço da nação
Que garanta direitos a toda população
É a luta popular, e o povo de braço erguido
Vamos todos participar do Grito dos Excluídos
Educação, soberania alimentar
Direito a cidadania e sem violência as mulheres
Alimento saudável, casa para morar
Esse é o projeto popular
Dia 7 de setembro é dia de lutar
Defender a nossa pátria para vida melhorar
Em todos os lugares cantando junto veremos
O povo gritando o Brasil que nós queremos
Toda essa riqueza vai para o bolso de alguém
Água, energia, florestas é mercadoria e não bem
Queremos vida melhor, e sem trabalho não tem
Mas todo este lucro é para que e para quem?
Fonte: http://www.gritoexcluidos.blogspot.com.br/
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Para Casaldáliga filme não deve ser pessoal, mas retratar as verdadeiras causas da luta
A vida de Pedro Casaldáliga, o bispo espanhol
reconhecido como um dos grandes expoentes da Teologia da Libertação
latino-americana e radicado, desde 1968, no distante São Félix do
Araguaia (Brasil), está sendo filmada numa coprodução
brasileira-espanhola para a televisão.
"Nesta terra é fácil nascer e morrer, o difícil é
viver", disse Casaldáliga, da região que há 44 anos adotou, quando
chegou a São Félix (no Estado de Mato Grosso, na Amazônia) e
encontrou-se com um mundo de tensões sociais, onde grandes
latifundiários se empunhavam sobre os pobres, camponeses e indígenas.
Hoje, com 84 anos e ainda radicado em São Félix, continua empenhado em sua luta. "Nós nos conformamos com este sistema que faz da humanidade um negócio", declarou à agência AFP, com a voz fragilizada pelo Parkinson, mas com uma lucidez intacta.
Casaldáliga também continua defendendo uma Igreja comprometida com o povo. "Hoje, mais do que nunca, a Igreja teria que ser a voz da esperança", disse, e defendeu que "o Vaticano não seja Estado, o Papa não seja chefe de Estado, que reconheça os direitos da mulher, que não seja uma Igreja de poder e sim de serviço", disse.
Este padre catalão, que nunca voltou para a Espanha, enfrentou os latifundiários, o governo e até o Vaticano em sua denúncia ao latifúndio e defesa dos camponeses, indígenas e por uma Igreja mais comprometida. Viveu ameaçado de morte por pistoleiros, e foi fundador da Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista, marcos na luta pela reforma agrária e pelos direitos dos indígenas.
"A [vida] de Casaldáliga é uma história de luta e conquista da terra, no Brasil, e a de compromisso de um homem que diante de uma situação extrema, deu uma resposta extrema, entregando sua vida para resolver essa situação. É uma história universal e isso é o que dá força ao filme", conta à agência AFP, Francesc Escribano, escritor e jornalista catalão, autor do livro "Descalço na terra roxa", que dá título ao filme, do qual também é produtor.
Uma equipe de 100 pessoas chegou a São Félix do Araguaia para as filmagens, até início de setembro. A cidade, distante 24 horas de ônibus de Brasília, hoje possui cerca de 10.000 habitantes e carece de estradas asfaltadas.
Para o filme, foram reconstruídos cenários que procuram voltar a como era 40 anos atrás: uma terra em processo de colonização, com prostíbulos e pistoleiros, explica Escribano.
O autor catalão, Eduard Fernández, interpreta Casaldáliga na que será uma minissérie de dois capítulos, com um orçamento de 3,5 milhões de euros, contando com o roteirista do premiado filme "Central do Brasil", Marcos Bernstein, em que participam a Televisión Espanhola, a catalã TV3 e a TV Brasil.
Em 1988, Casaldáliga foi chamado a Roma e submetido a um duro interrogatório pelo então cardeal Joseph Ratzinger. Interpretado como um empuxo entre dois pesos pesados da Igreja, esse diálogo é o ponto de partida do filme. Em 1985, o bispo catalão viajou a Nicarágua para apoiar a greve de fome do chanceler e sacerdote Miguel d'Escotto, e para Cuba a convite do então presidente Fidel Castro. Dele, o teólogo brasileiro frei Betto, um símbolo da esquerda católica latino-americana, afirmou: "Há no Brasil um santo e herói, Pedro Casaldáliga. Santo por sua fidelidade radical ao Evangelho, herói pelos riscos de vida enfrentados e as adversidades sofridas".
"Não façam um filme sobre mim, que seja um filme sobre as verdadeiras causas desta luta: a vida, a liberdade e a dignidade", pediu Casaldáliga ao seu amigo Escribano, quando soube que produziria o filme.
***
A vida de Dom Pedro Casaldáliga, 'o bispo dos pobres', chega à TV
Brasília, 13 ago (EFE).- A liturgia solidária do bispo catalão Dom Pedro Casaldáliga, que durante décadas foi no Brasil a voz dos índios, dos sem-terra e dos mais pobres, chegará à televisão transformada em uma série por seu compatriota Francesc Escribano.
'É a história de alguém que veio para transformar o povo, mas acabou transformando a terra', declarou Escribano à Agência Efe, que filma a série 'Descalço Sobre a Terra Vermelha', baseada no livro de mesmo nome que escreveu sobre a vida do bispo.
A filmagem é feita em São Félix do Araguaia, um humilde povoado do interior do estado do Mato Grosso, aonde Casaldáliga chegou em 1968 e ainda reside, com 84 anos de idade e lúcido, apesar do mal de Parkinson que o acomete há muito tempo.
Nesse mesmo lugar, Escribano conheceu Dom Pedro Casaldáliga em 1984, quando fez a primeira das entrevistas que depois resultaram no livro 'Descalço Sobre a Terra Vermelha', publicado em 2002.
Tanto esse livro como o 'documentário-ficção' são para o jornalista espanhol 'algo como um 'western' com forte carga espiritual', que descreve o duro retrato humano encontrado por Casaldáliga quando chegou à São Félix do Araguaia.
'Esta parte do Mato Grosso era em 1968 uma região abandonada por Deus, extremamente violenta, e com os índios em uma luta feroz por suas terras com fazendeiros que não perdoavam', afirmou Escribano por telefone.
A história retrata essa luta e a forma como o bispo catalão se envolveu nela até abraçar a Teologia da Libertação, uma corrente teológica nascida entre os movimentos de base da Igreja Católica no Brasil e que depois se expandiu pelo resto da América Latina.
Por essa causa, Casaldáliga voltou à Europa em 1988, pela primeira vez desde que chegou ao Mato Grosso.
Mas o fez porque 'foi chamado para uma audiência' pelo Vaticano, disse Escribano, explicando que essa ida à Santa Sé é um dos fios condutores da trama.
Nessa oportunidade, além de ter uma audiência com o papa João Paulo II, Casaldáliga teve 'uma verdadeira queda de braço religiosa' com Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI e então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que condenava os princípios 'marxistas' identificados na Teologia da Libertação.
Durante a rodagem desta produção, que levará oito semanas em São Félix do Araguaia, Escribano disse que 'todo o povo' e o próprio Casaldáliga passam por 'uma autêntica revolução', ao reviver passagens de sua própria história 'que muitas vezes não são as melhores'.
O bispo recebe quase diariamente uma parte do elenco e, segundo palavras de Escribano, sempre os atende com uma mesma frase que remete ao seu delicado estado de saúde: 'Estou vivo'.
O projeto é uma co-produção hispânico-brasileira da qual participam a 'Televisió de Catalunya' (TV3), a 'Televisión Española' (TVE), a 'TV Brasil' e as produtoras 'Minoria Absoluta' e 'Raiz Produções'.
A produção terá um custo aproximado de R$ 7,5 milhões, que foram financiados em parte por empresas dos dois países, entre elas as espanholas Endesa e Mapfre, e a Petrobras.
A filmagem conta com mais de 1.200 figurantes da região de São Félix do Araguaia. No papel de Casaldáliga estará o ator espanhol Eduard Hernández.
'Já trabalhei em 25 ou 30 filmes, mas este é o personagem mais especial, o mais importante que já tive e para o qual precisei 'me esvaziar' para poder fazer um Pedro 'limpo' e assumir o compromisso que ele teve durante sua própria história', disse Hernández.
Uma história que, segundo Escribano, o 'bispo dos pobres' queria ter escrito e refletido de outra maneira.
'Disse que queria evitar o 'benefício próprio', que preferia um filme sobre as causas e não sobre uma pessoa concreta', porque a história de suas lutas 'foi comunitária', explicou Escribano, confessando que só pôde cumprir 'a metade' desse desejo. EFE
Eduardo Davis
Hoje, com 84 anos e ainda radicado em São Félix, continua empenhado em sua luta. "Nós nos conformamos com este sistema que faz da humanidade um negócio", declarou à agência AFP, com a voz fragilizada pelo Parkinson, mas com uma lucidez intacta.
Casaldáliga também continua defendendo uma Igreja comprometida com o povo. "Hoje, mais do que nunca, a Igreja teria que ser a voz da esperança", disse, e defendeu que "o Vaticano não seja Estado, o Papa não seja chefe de Estado, que reconheça os direitos da mulher, que não seja uma Igreja de poder e sim de serviço", disse.
Este padre catalão, que nunca voltou para a Espanha, enfrentou os latifundiários, o governo e até o Vaticano em sua denúncia ao latifúndio e defesa dos camponeses, indígenas e por uma Igreja mais comprometida. Viveu ameaçado de morte por pistoleiros, e foi fundador da Pastoral da Terra e do Conselho Indigenista, marcos na luta pela reforma agrária e pelos direitos dos indígenas.
"A [vida] de Casaldáliga é uma história de luta e conquista da terra, no Brasil, e a de compromisso de um homem que diante de uma situação extrema, deu uma resposta extrema, entregando sua vida para resolver essa situação. É uma história universal e isso é o que dá força ao filme", conta à agência AFP, Francesc Escribano, escritor e jornalista catalão, autor do livro "Descalço na terra roxa", que dá título ao filme, do qual também é produtor.
Uma equipe de 100 pessoas chegou a São Félix do Araguaia para as filmagens, até início de setembro. A cidade, distante 24 horas de ônibus de Brasília, hoje possui cerca de 10.000 habitantes e carece de estradas asfaltadas.
Para o filme, foram reconstruídos cenários que procuram voltar a como era 40 anos atrás: uma terra em processo de colonização, com prostíbulos e pistoleiros, explica Escribano.
O autor catalão, Eduard Fernández, interpreta Casaldáliga na que será uma minissérie de dois capítulos, com um orçamento de 3,5 milhões de euros, contando com o roteirista do premiado filme "Central do Brasil", Marcos Bernstein, em que participam a Televisión Espanhola, a catalã TV3 e a TV Brasil.
Em 1988, Casaldáliga foi chamado a Roma e submetido a um duro interrogatório pelo então cardeal Joseph Ratzinger. Interpretado como um empuxo entre dois pesos pesados da Igreja, esse diálogo é o ponto de partida do filme. Em 1985, o bispo catalão viajou a Nicarágua para apoiar a greve de fome do chanceler e sacerdote Miguel d'Escotto, e para Cuba a convite do então presidente Fidel Castro. Dele, o teólogo brasileiro frei Betto, um símbolo da esquerda católica latino-americana, afirmou: "Há no Brasil um santo e herói, Pedro Casaldáliga. Santo por sua fidelidade radical ao Evangelho, herói pelos riscos de vida enfrentados e as adversidades sofridas".
"Não façam um filme sobre mim, que seja um filme sobre as verdadeiras causas desta luta: a vida, a liberdade e a dignidade", pediu Casaldáliga ao seu amigo Escribano, quando soube que produziria o filme.
***
A vida de Dom Pedro Casaldáliga, 'o bispo dos pobres', chega à TV
Brasília, 13 ago (EFE).- A liturgia solidária do bispo catalão Dom Pedro Casaldáliga, que durante décadas foi no Brasil a voz dos índios, dos sem-terra e dos mais pobres, chegará à televisão transformada em uma série por seu compatriota Francesc Escribano.
'É a história de alguém que veio para transformar o povo, mas acabou transformando a terra', declarou Escribano à Agência Efe, que filma a série 'Descalço Sobre a Terra Vermelha', baseada no livro de mesmo nome que escreveu sobre a vida do bispo.
A filmagem é feita em São Félix do Araguaia, um humilde povoado do interior do estado do Mato Grosso, aonde Casaldáliga chegou em 1968 e ainda reside, com 84 anos de idade e lúcido, apesar do mal de Parkinson que o acomete há muito tempo.
Nesse mesmo lugar, Escribano conheceu Dom Pedro Casaldáliga em 1984, quando fez a primeira das entrevistas que depois resultaram no livro 'Descalço Sobre a Terra Vermelha', publicado em 2002.
Tanto esse livro como o 'documentário-ficção' são para o jornalista espanhol 'algo como um 'western' com forte carga espiritual', que descreve o duro retrato humano encontrado por Casaldáliga quando chegou à São Félix do Araguaia.
'Esta parte do Mato Grosso era em 1968 uma região abandonada por Deus, extremamente violenta, e com os índios em uma luta feroz por suas terras com fazendeiros que não perdoavam', afirmou Escribano por telefone.
A história retrata essa luta e a forma como o bispo catalão se envolveu nela até abraçar a Teologia da Libertação, uma corrente teológica nascida entre os movimentos de base da Igreja Católica no Brasil e que depois se expandiu pelo resto da América Latina.
Por essa causa, Casaldáliga voltou à Europa em 1988, pela primeira vez desde que chegou ao Mato Grosso.
Mas o fez porque 'foi chamado para uma audiência' pelo Vaticano, disse Escribano, explicando que essa ida à Santa Sé é um dos fios condutores da trama.
Nessa oportunidade, além de ter uma audiência com o papa João Paulo II, Casaldáliga teve 'uma verdadeira queda de braço religiosa' com Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI e então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que condenava os princípios 'marxistas' identificados na Teologia da Libertação.
Durante a rodagem desta produção, que levará oito semanas em São Félix do Araguaia, Escribano disse que 'todo o povo' e o próprio Casaldáliga passam por 'uma autêntica revolução', ao reviver passagens de sua própria história 'que muitas vezes não são as melhores'.
O bispo recebe quase diariamente uma parte do elenco e, segundo palavras de Escribano, sempre os atende com uma mesma frase que remete ao seu delicado estado de saúde: 'Estou vivo'.
O projeto é uma co-produção hispânico-brasileira da qual participam a 'Televisió de Catalunya' (TV3), a 'Televisión Española' (TVE), a 'TV Brasil' e as produtoras 'Minoria Absoluta' e 'Raiz Produções'.
A produção terá um custo aproximado de R$ 7,5 milhões, que foram financiados em parte por empresas dos dois países, entre elas as espanholas Endesa e Mapfre, e a Petrobras.
A filmagem conta com mais de 1.200 figurantes da região de São Félix do Araguaia. No papel de Casaldáliga estará o ator espanhol Eduard Hernández.
'Já trabalhei em 25 ou 30 filmes, mas este é o personagem mais especial, o mais importante que já tive e para o qual precisei 'me esvaziar' para poder fazer um Pedro 'limpo' e assumir o compromisso que ele teve durante sua própria história', disse Hernández.
Uma história que, segundo Escribano, o 'bispo dos pobres' queria ter escrito e refletido de outra maneira.
'Disse que queria evitar o 'benefício próprio', que preferia um filme sobre as causas e não sobre uma pessoa concreta', porque a história de suas lutas 'foi comunitária', explicou Escribano, confessando que só pôde cumprir 'a metade' desse desejo. EFE
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