quinta-feira, 26 de abril de 2012

CNBB apresenta nota orientando fiéis sobre eleições municipais




A Igreja Católica no Brasil orienta para que seus fiéis estejam atentos aos valores que definem o perfil de seus candidatos
No encerramento da 50ª Assembleia Geral, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentou uma mensagem de orientação a todos seus fiéis para orientá-los no exercício da cidadania nas próximas eleições municipais.

Em sintonia com este momento importante para o país, assim os bispos são chamados a dar uma palavra que “ilumine e ajude” as comunidades eclesiais e todos os eleitores, chamados a exercer um de seus mais expressivos deveres de cidadão, que é o voto livre e consciente.

As eleições municipais têm uma característica  própria em relação às demais por colocar em disputa os projetos que discutem sobre os problemas mais próximos do povo: educação, saúde, segurança, trabalho, transporte, moradia, ecologia e lazer.

“Trata-se de um processo eleitoral com mais participação da população porque os candidatos são mais visíveis no cotidiano da vida dos eleitores”, destaca a nota.

Desde modo, a Igreja Católica no Brasil orienta para que seus fiéis estejam atentos aos valores que definem o perfil de seus candidatos.

“Estes devem ter seu histórico de coerência de vida e discurso político referendados pela honestidade, competência, transparência e vontade de servir ao bem comum. Os valores éticos devem ser o farol a orientar os eleitores, em contínuo diálogo entre o poder local e suas comunidades”, reforça a CNBB.

Dom Damasceno espera que os políticos cumpram seu cargo recebido através de um gesto de confiança de seus eleitores, com responsabilidade e a serviço da comunidade.

“A política é uma das forças mais sublimes do exercício da caridade, do amor. O político verdadeiro é aquele que se coloca 24 horas por dia a serviço do bem do país, não aquele que faz da política um meio de se enriquecer, de apenas atender o interesse de seus grupos, exercendo uma política fisiológica e corporativista, mas aquele que pensa no bem da sociedade, especialmente dos mais pobres e necessitados”, reforça Dom Damasceno.

O episcopado brasileiro recordou ainda o importante instrumento contra a corrupção que foi a aprovação da Lei da Ficha Limpa, um passo importante para “colocar fim à corrupção, que ainda envergonha o nosso país”.

“Há um desejo de toda a população de que a Ficha Limpa não seja aplicada só aos políticos, só aos candidatos a prefeito e vereador, mas todos aqueles que vão ocupar um cargo. O bom prefeito, bom vereador deve escolher também colaboradores competentes, honestos, capazes de ajudá-lo no exercício de sua função”, esclarece ainda Dom Damasceno.

Nicole Melhado

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Encontro das CEBs em Eugenópolis - MG




Nos dias 20, 21 e 22 de abril, aconteceu em Eugenópolis o encontro das CEBs Comunidades Eclesiais de Base da micro região Zona da Mata, compostas pelas dioceses de Leopoldina, Juiz de Fora e São João Del Rey.
O encontro foi assessorado pelo padre Joimar, pároco de Eugenópolis. O tema trabalhado foi acerca do profetismo, com o intuito de já nos preparar para o 13º intereclesial das CEBs q e acontecerá de 07 a 11 de janeiro de 2014, em Juazeiro do Norte no Ceará na diocese de Crato, cujo tema é: Justiça e profecia a serviço da vida e o lema: CEBs: romeiras do reino no campo e na cidade.
            Ao final do encontro foi feito uma breve explicação do que são as CEBs e também uma memória dos 12 intereclesiais realizados.
            O encontro contou com muito entusiasmo e alegria de todos os participantes, principalmente dos jovens que marcaram presença. Nossa fraternidade se fez presente com alguns leigos das nossas comunidades de Rosário da Limeira e Belisário.

Câmara aprova alterações de relator sobre texto do Código Florestal do Senado

Por 274 votos a favor, foram aprovadas as alterações feitas pelo relator Paulo Piau (PMDB-MG) ao texto do Senado.  Votaram contra 184 deputados e dois se abstiveram. Com isto, o texto tira a proteção em torno de nascentes de rios, aumenta a consolidação de áreas desmatadas em topos de morro e manguezais e retira artigo que impedia o recebimento de crédito agrícola por produtores que não promovessem a regularização ambiental em cinco anos.
Além disso, volta trecho do texto da Câmara, que conta as APP (Área de Preservação Permanente) como Reserva Legal e permite o computo de regeneração, recomposição e compensação na área a ser preservada.
A votação foi nominal porque as bancadas do PSB, PC do B e PP racharam. O PT, PRB, PV e PSOL votaram pelo texto do Senado.
Anteriormente, os deputados já tinham aprovado os trechos do texto do Código Florestal do Senado que foram mantidos pelo relator na Câmara. Isto inclui a necessidade de recomposição de vegetação em 15 metros das margens de rios de até 10m de largura e a desobrigação para o pequeno proprietário de recompor suas áreas desmatadas até 2008. Estes artigos tinham sido retirados do parecer do peemedebista, voltaram após ser apontada irregularidade, e geraram grande polêmica.
Os proprietários de terra de até 4 módulos fiscais (que varia de tamanho de acordo com o Estado) têm a prerrogativa de manter o desmatamento até 2008. Quando este artigo foi retirado inicialmente por Piau, ambientalistas temeram que o benefício fosse subentendido para todas as propriedades.
 As faixas de recuperação ao longo de rios com largura acima de 10 metros permanecem temporariamente indefinidas. No texto do Senado este valor era definido, mas do da Câmara, aprovado em maio de 2011, não. Agora eles votam se os trechos retirados do Senado pelo relator voltam ou não.
Todos os partidos concordaram em aprovar o texto do Senado, com exceção do PSOL e do PV que entraram com obstrução.
Deputados estão reunidos em plenário desde a manhã desta quarta-feira (25) para debater e votar a reforma que altera a legislação nacional sobre florestas e vegetação nativa em propriedades privadas. A lei já tramita no Congresso há 12 anos e foi aprovada ano passado em ambas as Casas. Se aprovado agora, vai para sanção da presidente Dilma Rousseff.

Parecer de Piau
O relator leu seu parecer no plenário e explicou suas alterações. Ele defendeu a retirada das áreas de recuperação em margens de rio, por acreditar que estes limites podem ser melhor definidos de acordo com biomas e tamanho da propriedade, e ser consolidado pelos Estados.
O novo parecer retira a divisão por categorias dos produtores rurais para recebimento de incentivos, por acreditar que esta não é a função do Código; retira ainda o artigo que impedia o recebimento de crédito agrícola por produtores que não promovessem a regularização ambiental em cinco anos, ele diz que o Governo pode demorar para indicar como deve ser a regulamentação, o que diminuiria o tempo hábil do produtor rural.
O relatório dispensa a proteção de 50 metros em torno de veredas, nascentes de rios, deixando apenas as veredas como APPs. Segundo ele, esta faixa no entorno seria muito grande e só a preservação da nascente já seria um grande avanço. Ele ainda tira os apicuns e salgados de APP e coloca em área de uso restrito e elimina um dispositivos que vinculava recursos à recomposição.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Líder sindical e agente das CEBs é assassinado em Buriticupu no Maranhão



Em pleno abril vermelho, quando se sente ainda pulsar nas veias abertas o sangue derramado em Eldorado dos Carajás, no dia 17 de abril de 1996, com o assassinto de 19 trabalhadores rurais e com o assassinato de Zé Maria do Tomé na chapada, em Limoeiro do Norte, no dia 21 de abril de 2010, jorra nas faces militantes o sangue de mais um irmão. No dia 14 de abril de 2012 foi assassinado em Buriticupu, no Maranhão, o líder sindical e agente das Comunidades Eclesiais de Base, Raimundo Alves Borges, 56.
Em nota de pesar e repúdio diante do assassinato de Raimundo Alves Borges, a equipe regional das CEBs do Maranhão diz que “tudo indica que se trata mais uma vez da agressiva disputa do latifúndio porque ‘cobiçam campos e os roubam; querem uma casa, e as tomam’. ” E continua a nota “não é a primeira vítima da violência que sofreu uma agressão mortal no município de Buriticupu. Como nas outras vezes, não podemos ficar calados diante de mais esse fato de profunda injustiça”
O abril vermelho continua, porque enquanto o sangue dos Mártires continuar fecundando o chão, por conta do latifúndio, as forças militantes não podem ficar paradas. Segundo dados do MST são 186 mil famílias em todo território nacional acampadas em busca da terra.

Encontro Regional da CEBs de Juazeiro

Aconteceu neste sábado ( dia 21/04) o Encontro Regional da CEBs de Juazeiro. Houve a participação de 35 pessoas das comunidades das paróquias de Juazeiro. Se caracterizou por muita animação, vida e alegria. Na oração inicial foi lida a leitura dos Atos dos Apóstolos 2,4-47, onde faz o relato do retrato das 1ªs comunidades e que são atuais também para nós . 1- Perseverantes na Palavra, 2- Na comunhão fraterna, 3- na oração, 4- Na fração do Pão, 5- No serviço da caridade.
Neste ano em que celebramos o jubileu diocesano, Ir. Elita ajudou a fazer a memória das Cebs na Diocese, como também o que o documento de Aparecida diz sobre as mesmas, enfocando o aspecto missionário. Foi retomada a cartilha do 12º Intereclesial das CEBs em Rondônia intitulado: OS PASSOS DA MISSÃO - concretizar o projeto de Jesus e animar a caminhada.
Na parte da tarde Gogó ajudou aprofundar o tema do 13º Intereclesial das Cebs - JUSTIÇA E PROFECIA A SERVIÇO DA VIDA . Foi visto como a profecia se concretiza no hoje.
Foi escohida Denise da Paróquia de N. Sra Aparecida – Comunidade Antonio Guilhermino como representante do Regional da Cidade para participar do 6º Nordestão das CEBs em Itabuna-BA de 19 a 22 de julho. Finalizando o encontro agradecemos o Deus da Vida por esta assembléia.
Ir. Maria pela Coordenação Diocesana das CEBs

domingo, 22 de abril de 2012

CEBI Centro-Oeste: Direitos sexuais e reprodutivos são tema de encontro


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Nos dias de 14 e 15 de abril, estiveram reunidas, em Campo Grande-MS, pessoas representantes das coordenações do CEBI dos estados de Rondônia, Tocantins, Brasília, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.  O objetivo foi (re)ver a caminhada desta região e efetivar a formação interna do Conselho.
Depois de ter feito memória da Assembleia (antigo Polo Centro Oeste) de agosto em Brasília e dos desafios propostos para o triênio de 2012-2014, foi dado destaque para os seguintes pontos: realização de um Encontro Celebrativo Regional em 2013; continuidade ao Encontro de Representantes Estaduais, conforme a antiga organização do Polo; elaboração de material escrito, a partir dos seminários a serem realizados em 2012 nos estados que compõe esta região, para em seguida ser publicado no PNV com as temáticas Gênero e Juventudes.
Direitos Sexuais e Reprodutivos: um tabu a ser superado 
O momento de formação foi facilitado pela psicóloga Keila de Oliveira que fez reflexões sobre Direitos Sexuais e Reprodutivos. Considerado um tabu nos espaços das igrejas, o tema se coloca cada vez mais urgente. O desconhecimento da sociedade reforça as análises moralistas, que não contribuem, por exemplo para a salvação das vidas de mulheres e crianças, vítimas de todas as formas de violência (ver a esse respeito o artigo de José Comblin, Descriminalizar o aborto para salvar mães e crianças).
Além disso, conversou-se, também, sobre a questão financeira em como direcionar o valor recebido pelo projeto. Ainda foi apresentada a nova estrutura organizacional do CEBI, depois da última Assembleia Nacional ocorrida em Guarulhos.
A avaliação da reunião, no geral, foi muito boa: por ser um grupo pequeno houve uma grande participação dos/as representantes; a presença de pessoas novatas no Conselho; a partilha de vida dos serviços neste espaço; a articulação na organização desta reunião.
A próxima reunião ocorrerá de 01-03 novembro de 2012 e os estados a serem consultados para a realização serão Rondônia ou Brasília.

Descriminalizar o aborto para salvar mães e crianças - José Comblin



Em carta enviada a um amigo, o teólogo católico José Comblin expõe as razões pelas quais a descrimizalização do aborto reduz a sua prática. Segundo Conmblin, " uma vez que uma mulher pode falar abertamente em aborto, as autoridades podem com a ajuda de psicólogas, de assistentes sociais, de assistentes religiosos dialogar com ela e buscar com ela outra solução, o que de fato acontece. Muitas mulheres não teriam feito o aborto se tivessem recebido ajuda moral ou material, quando estavam desamparadas." O autor apoia-se na experiência e nas estatísticas de países onde o asssunto é tratado não como crime, mas como questão de saúde pública.
Eis a íntegra do artigo:
Carta a um amigo teólogo sobre o aborto nas eleições de 2010

Caríssimo Arnaldo,

Você se lembra do golpe eleitoral que estourou na véspera do primeiro turno das eleições de 2010 quando apareceu todo um alvoroço sobre a questão do aborto. Esse alvoroço permaneceu durante todo o mês de outubro até o segundo turno. Nas igrejas e fora das igrejas foram distribuídos milhões de panfletos assinados pelos bispos da diretoria do regional Sul 1 para intimar os católicos a votar no candidato José Serra. O motivo era que os candidatos do PT, principalmente a candidata à presidência da república, queriam legalizar o aborto no Brasil e, por conseguinte, queriam implantar uma cultura de morte.

Esse incidente me levou a refletir um pouco sobre esse fato bastante estranho e o seu significado eclesial. Quero comunicar-lhe aqui alguma coisa dessas reflexões.

Os bispos denunciadores se diziam os defensores da vida, isto é, pessoas que lutam contra o aborto e lutam contra todos os políticos que defendem o aborto descriminalizado no Brasil. O seu linguajar foi o que usam os movimentos que se dizem defensores da vida porque condenam o aborto. Era um linguajar violento, condenatório. Somente por distração os autores esqueceram-se de comunicar que a descriminalização do aborto estava no programa do PV, e que o candidato Serra já tinha autorizado o aborto em certos casos quando era ministro da saúde, o que lhe valeu os protestos da CNBB. Com certeza foi um esquecimento por distração. Por discrição os bispos omitiram o que aconteceu um dia na vida do casal Serra, o que foi bom porque a vida privada não deve interferir com a vida pública
Sucede que a Igreja condena desde sempre o aborto, e estabeleceu uma pena de excomunhão para todos os que têm participação ativa. Conseguiu que houvesse no Brasil uma lei que criminaliza o aborto. Mas o Brasil é um dos países onde há mais abortos. Alguns dizem 70.000 por ano, outros estudos chegam a dizer que uma de cada 5 mulheres no Brasil já praticou um aborto. Sempre é um aborto clandestino e naturalmente é feito nas piores condições para os pobres. Pois para quem tem condições há clínicas particulares bem equipadas, conhecidas, porém jamais denunciadas pela Igreja. Sobre essas clínicas para os ricos o poder judicial fecha pudicamente os olhos. Afinal, trata-se de pessoas importantes As condenações da Igreja não têm nenhum efeito. A lei da república não tem nenhum efeito. Os defensores da vida não conseguem defender nada. Falam, falam, mas sem resultado. Condenam, condenam, mas o crime se comete com a maior indiferença pelas condenações verbais ou legais. Falam, condenam e nada acontece. Eles se dão boa consciência achando que defendem a vida, mas não defendem nada. Há um lugar no evangelho em que Jesus fala das pessoas que falam e não fazem nada. Impedem a descriminalização, mas defendem a situação atual, ou seja, são defensores do aborto clandestino, que é a situação atual.
O seu argumento poderia ser que a descriminalização aumentaria o número de abortos. No entanto, a experiência de outros países mostra que, pelo contrário, diminui o número de abortos. Isto se explica facilmente. Pois uma vez que uma mulher pode falar abertamente em aborto, as autoridades podem com a ajuda de psicólogas, de assistentes sociais, de assistentes religiosos dialogar com ela e buscar com ela outra solução, o que de fato acontece. Muitas mulheres não teriam feito o aborto se tivessem recebido ajuda moral ou material, quando estavam desamparadas.
Já que o documento era assinado por bispos, eu pensava que os bispos fossem explicar o que estão fazendo na pastoral da sua diocese para lutar contra o aborto clandestino, e fizessem propostas aos candidatos nas eleições na base das suas experiências pastorais. Mas não havia nada disso no panfleto. Teria sido interessante saber como fazia a pastoral diocesana para evitar que houvesse abortos. Mas não havia nada. Os bispos gritavam, assustavam, condenavam, mas não diziam o que faziam. Alguns leitores pensaram: já que não falam da sua pastoral para evitar o aborto, deve ser porque não existe essa pastoral. Falam contra o aborto, mas não fazem nada para evitá-lo. Condenam, e mais nada.
Pois, poderiam fazer muita coisa. Muitas mulheres que querem fazer o aborto, são mulheres angustiadas, perdidas, desesperadas que se sentem numa situação sem saída. Muitas querem o aborto porque os seus pais não aceitam que tenham uma criança. Outras são obrigadas a fazer o aborto pelo homem que as estuprou, e que pode ser o próprio pai, um irmão, um tio, um padrasto. Outras estão desesperadas porque a empresa em que trabalham, não permite que tenham criança. Outras são empregadas domésticas e a patroa não aceita que tenham que cuidar de uma criança. Então essas meninas ou moças ficam angustiadas e não sabem o que fazer. Não recebem atendimento, não recebem conselho, não recebem apoio nem moral nem material, porque tudo é clandestino e nem sequer se atrevem a falar com outras pessoas a não ser algumas amigas muito próximas. Não achando alternativa, a contra-gosto e com muito sofrimento recorrem ao aborto. A Igreja não as ajudou quando precisavam de ajuda.
A Igreja poderia ter uma pastoral para olhar o que acontece na rua, no bairro, quais são as meninas ou moças que podem estar em estado de perigo porque estão numa dessas categorias de risco. Poderia acolher ou dar assistência moral e material, dialogar, buscar outras soluções. A experiência mostra que às vezes um simples abraço faz com que desistam de fazer o aborto. O aborto é o resultado da indiferença da comunidade cristã. Somos todos culpados, todos cúmplices por omissão e, em primeiro lugar, teríamos que pedir perdão pelo nosso descuido em lugar de acusar essas mulheres. Era o que se esperava de um documento assinado por bispos, que, afinal, representam o evangelho e a maneira como Jesus tratava os pecadores.
Jesus não condenou os pecadores e o que se espera da Igreja é que tenha muita misericórdia, muita compreensão e que ajude efetivamente essas pessoas que estão numa situação tão difícil. Poderíamos fazer sugestões ao poder legislativo no sentido de criar instituições para responder e tantos casos em que a vida humana está em perigo, e este é um deles.
Não faz sentido dizer que sou contra o aborto e estou defendendo a vida se não faço nada. Não estou defendendo vida nenhuma e o aborto está aí e não faço nada. O governo tem uma lei que criminaliza o aborto e essa lei não se aplica. Só serve para que o aborto seja clandestino, isto é, feito nas piores condições morais e físicas, salvo para as pessoas de boa condição. Essa lei é inaplicável e a Igreja nem se atreve a pedir que ela se aplique. Seria preciso construir milhares de penitenciarias e colocar nas prisões talvez um milhão de mulheres. A Igreja não pede isso e se conforma com o aborto clandestino. Na prática nada faz contra o aborto clandestino.
Existe a alternativa da descriminalização, que é para os nossos defensores da vida a proposta de Satanás. A chantagem dos chamados defensores da vida fez com que todos condenem a descriminalização, como faz a Igreja. Quem sou eu para julgar? Os bispos do Regional Sul 1 acham melhor o aborto clandestino. Quem sou eu para discutir? Porém, teria o direito de pedir mais discrição e mais humildade, porque afinal somos todos cúmplices por omissão se não fazemos nada para prevenir os abortos tão numerosos no Brasil. A condenação é inoperante. Mas uma pastoral da família ou uma pastoral específica para esse problema poderia evitar que muitas mulheres angustiadas e desesperadas tenham quer recorrer ao aborto que nenhuma mulher pede sem chorar. Porque esperar antes de desenvolver essa pastoral?
Então, qual foi o testemunho de amor que a Igreja deu com esse panfleto eleitoral?
José Comblin, grande pecador e cúmplice por omissão.
16/11/2010