segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dilma sanciona lei que cria Comissão da Verdade e a que dá acesso a informações públicas

A presidenta Dilma Rousseff sancionou nesta sexta-feira, 18/11/2011, a lei que cria a Comissão da Verdade para apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar. Dilma sancionou também a Lei de Acesso a Informações Públicas, que acaba com o sigilo eterno de documentos.

Direitos Humanos

A lei da Comissão da Verdade, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff irá ouvir depoimentos em todo o país, requisitar e analisar documentos que ajudem a esclarecer as violações de direitos humanos

Para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a informação não deve ser de poder de quem governa, mas de toda a sociedade. “A questão dos direitos humanos é chave e, portanto, a lei [de Acesso a Informações Públicas] foi clara. Nesse segmento não há restrições de informação.”

A Comissão da Verdade será formada por sete pessoas, escolhidas pela presidenta da República a partir de critérios como conduta ética e atuação em defesa dos direitos humanos. Ao todo, 14 servidores darão suporte administrativo aos trabalhos.

O grupo terá dois anos para ouvir depoimentos em todo o país, requisitar e analisar documentos que ajudem a esclarecer as violações de direitos. De acordo com o texto sancionado, a comissão tem o objetivo de esclarecer fatos e não terá caráter punitivo.

O grupo vai aproveitar as informações produzidas há quase 16 anos pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e há dez anos pela Comissão de Anistia.

A Lei de Acesso a Informações Públicas permite que o cidadão consulte documentos produzidos pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de forma a dar mais publicidade e transparência aos atos da administração pública.

A norma acaba com o sigilo eterno de documentos. Os documentos hoje classificados como ultrassecretos, que são aqueles com informações imprescindíveis à segurança do Estado, estarão protegidos por um prazo máximo de 50 anos. Atualmente, o documento ultrassecreto fica guardado por 30 anos, mas esse prazo pode ser prorrogado sucessivamente.

A lei abrange também estados e municípios e assim, o cidadão poderá, por exemplo, pedir dados sobre como foi empregada a verba do hospital e da merenda escolar de sua cidade. As informações solicitadas pela população devem ser respondidas em, no máximo, 20 dias.

Em seis meses, cada órgão vai ter que publicar em sua página na internet informações sobre sua atuação, como contratos, licitações, gastos com obras, repasses ou transferências de recursos. As entidades que recebem recursos públicos também terão que dar transparência a seus dados.

Fonte: Correio do Brasil

6 em cada 10 brasileiros possuem alguma dívida


A classe média brasileira vem em um crescimento acelerado e continuo, o que significa que há uma quantidade maior de pessoas ganhando mais e, supostamente, interessada em poupar – e talvez investir. Mas a grande camada dessa classe denominada como média é de origem humilde e carece de educação financeira. Segundo pesquisas recentes, 6 em cada 10 brasileiros possuem alguma dívida. Compromisso esse que, em termos financeiros, varia entre R$ 500,00 e R$ 5.000,00.

Para uma pessoa bem informada, esses números não são tão representativos ou perigosos – uma dívida de R$1.000,00 parece fácil de ser quitada. Porém, para a grande maioria, quitar essa dívida pode ser razão de grandes dificuldades. No caso delas, o problema está no aspecto pessoal e nas expectativas; quanto mais se ganha, mais se gasta.

O intuito desse texto é alertar aos descuidados sobre o tema e tentar abordar a questão das finanças pessoais com alguma praticidade. Como, então, enxergar melhor o que fazemos com nosso próprio dinheiro e ter algum controle sobre ele? Planejamento financeiro, afinal, é mesmo uma possibilidade?

Você com o controle de suas contas
A regra de ouro das finanças pessoais, que deve ser respeitada sempre, diz que o que importa mesmo não é o quanto se ganha e sim o montante que se gasta. Comece refletindo sobre seu mês: se não lhe “sobrou” pelo menos 10% de suas receitas, algo está errado e deve ser revisado. O parágrafo é “batido”, com razão: somos os únicos responsáveis pelas nossas dívidas ou investimentos; trata-se de uma decisão de cada um.

Sobre o planejamento financeiro, ou orçamento familiar, sempre sugiro começar anotando todos as gastos (despesas) e as entradas de dinheiro (receitas). Anote tudo e mapeie (categorize) suas despesas; só assim você saberá “para onde” está indo seu dinheiro.

Faça contato visual com sua realidade financeira
Se você gosta de organização, assinale com uma cor diferente as despesas fixas (suas necessidades, como alimentação, luz, moradia, água etc.) e as receitas. Então marque com uma terceira cor as despesas variáveis (farmácia, roupa, presentes etc.) e preocupe-se mais com este grupo (ao menos no começo): aqui aparecem gastos sem classificação, algo tipo "Outros" e "Diversos" e que você pode, com certeza, trabalhar e rever.

O orçamento ficará “colorido”, mas fácil de entender. E assim você passa a se controlar e, de forma rápida e visual, passa a identificar os pontos de atenção. Em alguns casos, existe ainda a necessidade de uma quarta cor a ser assinalada, que representará as despesas não consideradas como prioridades. Alguns exemplos: academia, aula de pintura, TV a cabo etc. Reflita sobre outros gastos que possam se enquadrar aqui. Cogite incluir a fatura do segundo ou terceiro celular, por exemplo, e reveja se ele é mesmo necessário.

Aproveite os dados para comparar e extrair informações relevantes
A partir daí, analise com atenção tudo que está acontecendo em sua vida financeira, compare os meses anteriores, veja onde houve aumento das despesas e onde elas caíram. Sempre existirão pontos de melhoria, portanto tente eliminar itens com o objetivo de gastar menos dinheiro do que você e sua família podem arrecadar e, ao mesmo tempo, revejam se há algo a ser feito para também aumentar as receitas.

Ao longo de poucos meses, você notará que haverá “dinheiro sobrando”, hora em que é importante colocar em prática o hábito de poupar.

E agora? Que tal prever e olhar para frente?
Eu possuo um arquivo de cinco anos de meu orçamento financeiro. Com esse histórico, obtive dados suficientes para criar uma segunda planilha, que é a minha planilha de previsão. A ideia é mexer com os números de forma a avaliar quando será possível poupar mais, que meses normalmente requerem mais atenção e quais os momentos em que será necessário aumentar os ganhos.

Entender sua situação financeira passada e usá-la como base para os meses por vir cria o fluxo de caixa projetado de sua família, o que facilita bastante o processo de tomada de decisões econômicas:

  • Troque a pergunta vaga "Qual a melhor hora para viajar?" por uma visão mais prática: quando poderemos viajar?
  • Onde se concentram as despesas mais caras? Quais são as despesas variáveis mais perigosas? A informação pode gerar um retorno claro: há algo que se possa renegociar para tentar aproveitar alguma promoção ou satisfazer algum objetivo?
  • Veja se não será possível investir mais, durante alguns meses, e então usar a reserva para saldar compromissos pontuais (época de Festas, virada de ano etc.).
  • Que impacto uma mudança de operadora de celular ou de TV a cabo teria em seu fluxo de caixa? E uma mudança no plano de saúde ou de previdência privada?
Fonte: Dinheirama

Dívidas atingem o bolso de mais de 6 em cada 10 famílias brasileiras

Dívidas atingem o bolso de mais  de 6 em cada 10 famílias brasileiras

O brasileiro está mais endividado em 2011 do que em 2010. De janeiro a maio, mais de 6 em cada 10 famílias (64% do total) tinham contas atrasadas, de acordo com uma pesquisa da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) divulgada nesta terça-feira (21). Nos primeiros cinco meses do ano passado, a inadimplência atingia 61% dos consumidores.

A entidade estima que mais de 8,86 milhões de pessoas estejam devendo alguma coisa na praça. Entre janeiro e maio de 2010, esse número estava em 8,4 milhões. Isso significa que ao menos 400 mil famílias passaram a atrasar o carnê, a fatura do cartão ou entraram no cheque especial.

O estudo analisou os gastos dos consumidores em todas as 27 capitais do país. A situação mais grave é a de Curitiba (PR), onde praticamente 9 em cada 10 famílias (88% do total) tinham dado calote em alguma conta. No começo do ano passado, essa porcentagem estava em 64%.

A porcentagem de pessoas inadimplentes é bastante parecida com a vista em Florianópolis (SC) e Aracaju (SE), com 86% cada. Má notícia para os florianopolitanos, que estavam com 66% um ano atrás; boa notícia para os aracajuenses, que tinham 92% de devedores na mesma época.

O total de caloteiros também aumentou em Maceió (AL), de 75% para 83%, e em São Luis (MA), de 68% para 82%.

Metade da população de São Paulo tem dívidas, segundo a pesquisa. A cidade é a que tem a menor porcentagem de caloteiros (50%). Em maio de 2010, esse número estava em 45%. Apesar disso, em número de pessoas, ela lidera: é quase 1,8 milhão de inadimplentes só na capital paulista.

Segundo a assessoria técnica da Fecomercio, o endividamento tem um vilão: o aumento das taxas de juros desde o começo do ano passado. Em março, a taxa básica Selic – que determina todas as outras taxas do mercado – estava no menor patamar da história (8,75% ao ano), mas desde então não parou de subir e agora está em 12% ao ano.

- A taxa de juros do Brasil, a maior do mundo, consumiu R$ 129,3 bilhões em 2010 e, até abril de 2011, outros R$ 55,1 bilhões. Esse valor poderia ter sido utilizado para movimentar a economia, ampliando o consumo, gerando poupança ou sendo aplicado em investimentos.

A federação diz que a população consumiu mais nos últimos anos graças à melhora no mercado de trabalho, ao crescimento da grana disponível para financiamentos e empréstimos e ao aumento dos salários dos trabalhadores, “principalmente nas classes de menor poder aquisitivo”.

Dívidas mais caras

Quando o assunto é valor da dívida, os paulistanos pagam os preços mais caros. Somados, eles devem mais de R$ 2,83 bilhões. Em seguida estão as famílias do Rio de Janeiro (R$ 2,32 bilhões), de Belo Horizonte (R$ 1,02 bilhão), de Curitiba (R$ 820 mi) e de Salvador (R$ 770 mi).

As cinco capitais onde o total é inferior a isso são Porto Velho (R$ 700 mi), Macapá (R$ 700 mi), Rio Branco (R$ 50 mi), Palmas (R$ 300 mi) e Boa Vista (R$ 20 mi).

Na média mensal, quem paga mais é o consumidor de Porto Alegre (R$ 2.145), seguido pelo de Vitória (R$ 2.061), Belo Horizonte (R$ 1.927), Florianópolis (R$ 1.857) e Rio de Janeiro (R$ 1.848).


Fonte: EconomiaBaiana

Dilma diz que pobreza no Brasil tem face negra e feminina

A presidenta Dilma Rousseff disse nesta sábado, 19/11/2011, que “a pobreza no Brasil tem face negra e feminina”. Daí a necessidade de reforçar as políticas públicas de inclusão e as ações de saúde da mulher, destacou, ao encerrar, em Salvador, o Encontro Ibero-Americano de Alto Nível, em comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes.

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A presidenta Dilma disse em Salvador, que há necessidades de reforçar as políticas públicas de inclusão e as ações de saúde da mulher

Em discurso, ela explicou por que as políticas de transferência de renda têm foco nas mulheres, e não nos homens: elas “são incapazes de receber os rendimentos e gastar no bar da esquina”. Dilma destacou que, nos últimos anos, inverteu-se uma situação que perdurava no país, quando negros, índios e pobres corriam atrás do Estado em busca de assistência. Agora, o Estado é que vai em busca dessas populações, declarou.

Ao defender a necessidade de ações de combate à pobreza, a presidenta citou o Programa Brasil sem Miséria, cujo objetivo é retirar 16 milhões de pessoas da pobreza extrema. No discurso, ela destacou ainda a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em 2003, e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, no ano passado, além da obrigatoriedade do ensino da história afrobrasileira nas escolas.

Dilma apontou também o fato de a data do evento coincidir com a da morte do líder negro Zumbi dos Palmares, com o Dia Nacional da Consciência Negra, a ser comemorado no domingo, e com os 123 anos do fim institucional da escravidão no país.

Nestes 123 anos, disse a presidenta, “sofremos as consequências dramáticas da escravidão” e foi preciso combater uma delas, a sistemática desvalorização do trabalho escravo, que resultou na desvalorização de qualquer tipo de trabalho no país. A característica mais marcante da herança da escravidão foi a invisibilidade dos mais pobres, enfrentada nos últimos anos a partir da certeza de que o crescimento do país só seria possível com distribuição de renda e inclusão social, acrescentou Dilma.

Para a presidenta, existe, no entanto, uma “boa herança” da escravidão, que é o fato de milhões e milhões de negros terem construído ao longo dos anos a nacionalidade brasileira, junto com as populações indígenas, europeias e asiáticas. Segundo Dilma, essa “biodiversidade” cultural é uma das maiores riquezas do país, uma grande contribuição para o mundo, especialmente quando ressurgem em várias países preconceitos contra imigrantes.

Ela ressaltou que, embora o Brasil tenha a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria, a discriminação persiste: os afrodescendentes são os que mais sofrem com a pobreza e o desemprego.

No discurso, além de lembrar o papel central do Continente Africano na política externa brasileira, Dilma enfatizou o fato de a América do Sul ser um dos continentes que mais crescem, apesar da crise financeira que começou em 2008. De acordo com a presidenta, a adoção de políticas desenvolvimento do mercado interno pelos países sul-americanos tem sido uma barreira contra os efeitos da crise.

sábado, 19 de novembro de 2011

Ditadura brasileira foi cérebro da repressão na América Latina

A verdade sem rasuras. Na medida em que se tem acesso aos papéis da ditadura brasileira, mesmo àqueles com nomes cobertos por tarjas pretas, fica exposta a falsa história oficial sobre sua participação supostamente secundária e breve na Operação Condor. Documentos mostram que Brasil serviu como cérebro logístico da repressão na América Latina. Militares brasileiros espionaram, prenderam e entregaram cidadãos de outros países para "ditaduras amigas".

Documentos secretos obtidos pelo jornal Página 12 mostram que o regime militar iniciado em 1964 e concluído em 1985 no Brasil, um dos mais longevos da região, participou e propiciou a caçada perpetrada nos anos 70 contra todo foco de resistência, na América Latina e na Europa, ao terrorismo de Estado sul americano. Nos arquivos da inteligência brasileira há relatórios sobre as atividades do escritor Juan Gelman em Roma e sobre uma viagem que supostamente realizouem Madri "junto com Bidegain, Bonasso M. e outros dirigentes…no dia 17 de junho de 1978", descreve a nota incluída num dossiê do Estado Maior do Exército do Brasil, intitulado "Movimiento Peronista Montonero en el exterior, Accionar, Contactos, Conexiones con Grupos Terroristas, Antecedentes".

"Soube que fui espionado até pela Stasi (polícia política da Alemanha Oriental), mas ignorava que meu nome estivesse nos arquivos da ditadura brasileira, como você está me informando agora" se surpreende Juan Gelman do México, no começo da conversação telefônica.

Mais adiante, depois de conhecer outras informações escondidas durante décadas nos armários de Brasília, Gelman pondera: "enfim, a verdade é que não parece ser tão assombroso que meu nome figure nos documentos brasileiros que você citou, porque houve montoneros importantes seqüestrados aí, Horacio Campliglia foi um".

Ele se refere ao guerrilheiro desaparecido após ser capturado em março de 1980 por agentes de ambos os países no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, para posteriormente ser transladado ao calabouço do Campo de Mayo.

"No Arquivo do Terror paraguaio estava guardado um telegrama enviado do Brasil falando sobre a coordenação com a Argentina e os raptos em 1980, isso foi descoberto por Stella Calloni, autora de um grande trabalho sobre a operação Condor", assinala o premio Nobel da Paz alternativo Martín Almada.

No dossiê do Exército brasileiro também existem detalhes sobre as tarefas dos exilados argentinos no México para conseguir o exílio do ex-presidente Héctor Cámpora, recluso em Buenos Aires, assim como dados sobre um encontro em Beirute, no dia 21 de junho de 1978, entre "chefes do Ejército Peronista Montoneros (com) os serviços especializados da resistência palestina".

Cruzados
Outras comunicações reservadas, estas procedentes da embaixada em Roma, falam das atividades desenvolvidas por religiosos brasileiros perante organismos internacionais de direitos humanos, operações que contavam com o aval da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no seio da qual houve cardiais como Paulo Evaristo Arns que acolheu refugiados argentinos em São Paulo.

Pode-se observar nas notas elaboradas pelos diplomatas e agentes da Operação Condor brasileira uma preocupação recorrente com os religiosos ligados à Teologia da Libertação, tanto pelas pressões que esta realizava no Vaticano quanto pelo suposto "financiamento internacional" que receberiam as comunidades eclesiásticas radicadas em zonas rurais onde atuava a guerrilha do Partido Comunista de Brasil.

A obsessão sobre os efeitos "subversivos" dos padres "terceiro-mundistas" reaparece em uma ficha onde está escrito que os "Montoneros são a única organização guerrilheira que têm em seu seio, de forma oficial, sacerdotes com hierarquia de capelão".

Mais adiante o mesmo texto, por momentos apagado, traz informações do padre argentino Jorge Adur, que ostentava "o grau de capitão do Exército Montonero… organização que em julho de 78 enviou uma notificação ao Vaticano sobre sua designação".

O relatório, com carimbo do Exército brasileiro e supostamente escrito pelos serviços argentinos, está datado em setembro de 1978, quase dois anos antes da desaparição de Adur, ocorrida em junho de 1980, pouco depois de ter sido visto no estado do Rio Grande do Sul para onde viajara para apresentar denúncias diante da comitiva do papa João Paulo II.

(In)Segurança Nacional
Uma nota "confidencial", gerada pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) e o Ministério do Exército, aborda a presença "de terroristas do ERP e Montoneros no Brasil", divaga sobre os motivos da "infiltração" argentina e ordena aos membros das forças armadas e da polícia que intensifiquem os esforços para capturá-los.

E em outro escrito restrito de 4 de abril de 78, o SNI, máximo organismo de espionagem subordinado diretamente à Presidência, indica que os Montoneros "voltariam a intensificar suas operações (na Argentina) durante a realização da Copa do Mundo, buscando afetar entidades governamentais …e interferir nas estações de rádio e televisão".

O balanço provisório surgido da leitura de centenas de telegramas e informes reservados é que o aparato repressivo dos ditadores, particularmente de Ernesto Geisel (que governou entre 1974 e 1979) e João Baptista Figueiredo (1979-1985), tipificava a guerrilha argentina como uma ameaça à "segurança nacional" brasileira (tal como comparece textualmente em algumas mensagens).

Daí se infere que a repressão ilegal contra os guerrilheiros dos Montoneros e do ERP e aqueles que fossem suspeitos de lhes dar apoio, respondia a uma política de Estado, com o qual fica desterrada a versão, muito divulgada até hoje aqui, de que os grupos de tarefas foram grupos desencaminhados, o que leva a crer na falsa tese de que a guerra suja ocorreu sem o aval dos altos comandos e foi o resultado da "desobediência indevida" de um punhado de oficiais.

A estratégia de espionar, informar, capturar e, eventualmente, eliminar estrangeiros no Brasil e compatriotas no exterior, foi aplicada sistematicamente pelo aparato militar-diplomático montado pouco depois do golpe contra o presidente democrático João Goulart em 1964, sustenta Martín Almada, descobridor dos Arquivos do Terror, o maior acervo de documentos da Operação Condor.

"Os brasileiros viam os demais países do cone sul como seu pátio dos fundos, e o queriam disciplinado dentro de seu plano de guerra ao comunismo, e em função dela seqüestraram e assassinaram dissidentes paraguaios, a pedido de (Alfredo) Stroessner, que lhes retribuiu fazendo a mesma coisa, colaborando na perseguição de brasileiros no Paraguai; vi vários telegramas vindos do Brasil pedindo a captura de Carlos Marighella (líder guerrilheiro)".

"O Brasil foi bem dissimulado, trabalhou com eficácia, sem deixar pistas dentro da Operação Condor, se articulou muito com as ditaduras do Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia, é lógico que deve haver bastante por descobrir sobre sua colaboração com a Argentina" declarou Almada em entrevista ao Página12, depois de oferecer uma coletiva diante de parlamentares em Brasília.

"Falta descobrir muita coisa, espero que esta Comissão da Verdade deslanche, acho que há vontade, a presidenta Dilma Rousseff mostrou coragem impulsionando-a, os brasileiros são responsáveis do que eu chamo de Pré-Condor, e disso não se sabe quase nada", sustenta Almada.

Certamente o "know how" da coordenação repressiva não surgiu em novembro de 1975, com a formalização da Operação Condor durante a cúpula secreta das forças repressivas estatais sul americanas em Santiago do Chile, encabeçada pelo coronel Manuel Contreras naquele país.

É provável que algumas das primeiras ações terroristas binacionais tenham ocorrido em Buenos Aires, em 1970 e 1971, quando, em duas operações coordenadas com o Brasil, foram seqüestrados, primeiro, o ex-coronel nacionalista Jefferson Cardim e, mais tarde, o guerrilheiro Edmur Péricles Camargo, até hoje desaparecido.

Segundo um telegrama com data de Buenos Aires em 1971, obtido pelo Página 12 no Arquivo Nacional, a captura de Péricles Camargo foi monitorada pela Embaixada brasileira, cujo titular era Antonio Francisco Azeredo da Silveira.

Houve outros brasileiros seqüestrados em 1973, sempre com o provável, para não dizer seguro, consentimento de Azeredo da Silveira, que depois de sua condescendência com o terrorismo regionalizado ascendeu a chanceler da ditadura e estabeleceu um vínculo extraordinariamente próximo com outro funcionário acusado de propiciar o genocídio sul americano: Henry Kissinger.

Alfredo Astiz

A ditadura brasileira sabia que Alfredo Astiz era procurado pela justiça francesa pelo assassinato de duas freiras, mas ainda assim realizou operações junto à Grã Bretanha para sua repatriação em 1982, revelou a Folha de São Paulo.

"Acho importante que se tenha publicado a informação sobre como o Brasil
intercedeu a favor de Astiz, e é fantástico que eu saiba disso no mesmo dia que aguardamos sua sentença em Buenos Aires" pela causa da ESMA, disse Juan Gelman por telefone, do México, na quarta-feira passada, quando em Brasília o Congresso, motivado pela presidenta Dilma Rousseff, aprovava a Comissão da Verdade, 26 anos depois que João Batista Figueiredo, o último ditador, deixara o poder.

O Palácio do Itamaraty foi informado por sua embaixada em Londres que Astiz era requerido pelos juízes da França e da Suécia, mas isso não freou a pressão para que fosse libertado, o que finalmente aconteceu em um avião que antes de decolar em Buenos Aires fez escala no Rio, e a bordo do qual viajou um diplomata brasileiro.

Telegramas do Serviço Exterior de 1982 tornados públicos pelo governo de Rousseff refletem o empenho com que o embaixador brasileiro em Londres, Roberto Campos, amigo do então chanceler argentino Nicanor Costa Mendes, trabalhou pela liberdade/impunidade de Astiz, prisioneiro das forças britânicas após se render na Geórgia do Sul.

Até hoje o relato oficial sobre a solidariedade brasileira com os generais e almirantes argentinos durante a guerra das Malvinas escondeu que sob o repentino antiimperialismo do ditador Figueiredo, que durante anos comandou os serviços de inteligência, se encontrava a solidariedade entre os camaradas da guerra suja transnacional.

Como explica Martín Almada, a partir dos anos 80 entrou em ação uma "nova fase da Operação Condor" que entre outras tarefas se atreviu a dar cobertura aos assassinos requeridos pela Justiça, e assim vários repressores argentinos fugiram para o Brasil e para o Paraguai nos anos 80, alguns alegando serem perseguidos políticos da democracia.

A recompilação de uma dezena de comunicados secretos gerados pela Embaixada do Brasil em Buenos Aires entre 1975 e 1978, ilustra sobre os contatos com os altos mandos militares em que se exibem coincidências na necessidade de atuar conjuntamente contra a "subversão".

Observa-se nesses documentos, até há pouco tempo secretos, uma recorrente menção à Marinha e considerações elogiosas sobre Eduardo Massera, como demonstra o "telegrama confidencial urgente" do dia 27 de julho de 1977.

Ali se fala de uma suposta viagem de Massera ao Rio de Janeiro como parte de sua agenda diplomática pessoal e da influência do marinheiro na política externa da ditadura, que esteve marcada pela aproximação com Brasília.

"Essa mulher"
O ex-prisioneiro da ESMA, Victor Basterra, declarou ao Página 12 que teve conhecimento do enlace entre esse centro de detenção clandestino da Armada e os serviços brasileiros.

Basterra,que realizou um extraordinário trabalho de contra inteligência sobre a repressão durante seus anos de cativeiro, lembra que na ESMA foi obrigado a montar cartazes com as fotos de Juan Gelman e do padre Jorge Adur, desaparecido em 1980, que foram enviados à fronteira com o Brasil.

A cooperação entre a ESMA e os organismos repressivos brasileiros se prolongou pelo menos até novembro de 1982, "isto me consta, tenho certeza de que foi assim", afirma o ex-prisioneiro político depois de citar datas e nomes com uma precisão que assombra.

O testemunho de Basterra e os telegramas enviados da Embaixada de Londres não deixam dúvidas de que Brasília esteve envolvida na Operação Condor, no plano repressivo e diplomático até 1982. O conluio começou poucos dias antes do golpe, no dia 18 de março de 1976 quando foi seqüestrado o pianista Francisco Tenório Cerqueira Santos, que havia participado em um espetáculo oferecido por Vinicius de Moraes e Toquinho no teatro Gran Rex.

A historiadora Janaína Teles conta com provas incontestáveis, datadas nos dias 20 e 25 de março de 1976 (teriam sido apresentadas perante a Justiça argentina), sobre a cumplicidade entre o regime brasileiro e a ESMA nesse crime.

Trata-se de duas notas enviadas à Embaixada do Brasil, assinadas por Jorge "Tigre" Acosta, que fazem referência à detenção e posterior morte do pianista.

Um dia depois do comunicado que a Marinha dirigiu à Embaixada em Buenos Aires, em 26 de março de 1976, a Sociedade Musical Brasileira requereu ao ditador Ernesto Geisel informações sobre Cerqueira Santos, e o Itamaraty respondeu que estava realizando "esforços" para dar com seu paradeiro, mas carecia de qualquer informação ao respeito.

Em 1979 a mítica Elis Regina dedicou seu disco "Essa Mulher" à memória do pianista assassinado.

Tradução: Libório Junior

Dario Pignotii

Fonte: Carta Maior

CEBs CNBB Nordeste 1 - 13º Intereclesial das CEBs

Programação para o 13º InterEclesial das CEBs

13º Intereclesial das CEBs

07 a 11 de janeiro de 2014

Diocese de Crato RE NE I

Tema: Justiça e Profecia a serviço da vida

Lema: CEBs, romeiras do Reino no campo e na cidade.


2011 – Ano da Sensibilização

2012 – Ano do Aprofundamento

2013 – Ano da Vivência

2014 – Ano da Celebração


1. Paróquia Rede de Comunidades

1.1 Criação das COMIPAs nas Paróquias – equipe motora para articular a rede de comunidades.

- Criação e animação de círculos bíblicos;

- Organização dos conselhos comunitários;

- Orientação sobre o dia do Senhor: Celebração da Palavra e Ofício Divino das Comunidades;

- organização das assembleias Paroquiais de CEBs.


2. Estado permanente de missão

- Encontro formativo e orientação para os COMIPAs e agentes comunitários;

- Assembleias diocesana e paroquiais das comunidades;

- Preparação e formação das equipes paroquiais nas foranias I e II para o 13º Intereclesial;

- Encontro com sobre Clero sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II;

- Nordestão de CEBs em Itabuna

- Seminário sobre diálogo inter-religioso;

- Encontro de formação litúrgica, preparando o 13º Intereclesial;

- Encontros das comissões para o 13º Intereclesial;

- Encontro de arte e cultura;

- Seminário nacional das CEBs – assessores, ampliada nacional, bispos referenciais dos regionais, articulação NE I e convidados.


3. Mobilização de massa

- Semana das comunidades;

- Romaria das comunidades regional – fazer a memória do 5º Intereclesial em Canindé;

- Dia “D” de oração e coleta para o 13º Intereclesial;

- Campanhas de finanças;

- Tenda na Romaria de N. Sra. das Dores (setembro) – troca de experiências com o romeiro sobre a vida em comunidade;

- Articular com a PJ a semana da cidadania;

- Articular com as Pastorais Sociais 5ª SSB e Grito dos Excluídos;

- Semana Ecos do Caldeirão e romaria.

4. Organização das comissões

- Ampliada Nacional de CEBs – coordenação e assessoria das plenárias de estudo;

- Missão – formação e articulação das paróquias, preparação de subsídios, acompanhamento a equipe de acolhida dos delegados;

- Comunicação – Equipe do jornal, socialização das informações, sala de imprensa, achados e perdidos durante o 13º Intereclesial;

- Memória da caminhada – Equipe de secretaria e documentação, credenciamento e monitoramento das ações diversas;

- Liturgia- Assessora as celebrações, momentos de oração, animação litúrgica e equipe de cânticos;

- Arte e cultura – ornamentação, show e feira solidária;

- Mobilização de recurso – Projetos, campanhas, regionais, coletas, contabilidade e tesouraria;

- Infra-estrutura - transporte, palcos, alimentação, saúde, limpeza e recicláveis;

- pastoral de romaria – Cuidar dos romeiros antes e durante o 13º Intereclesial;

- Articulação regional – avalia e planeja as ações regionais: Nordestão de CEBs, organização do “trezinho”, preparação dos delegados, quites do Intereclesial, equipes de animação, apoio na mobilização de finanças, assembleias diocesanas.

“Não são os grandes planos que dão certo, mas os pequenos detalhes” - Pe. Cícero

Fazendo a memória do 6º Intereclesial das CEBs - Goiânia


No dia 31 de julho deste ano de 2011 escrevi um Artigo com o título: 25 Anos do 6º Encontro intereclesial das CEBs. No Artigo fiz um histórico dos 12 Inter-eclesiais das CEBs, já acontecidos no Brasil, e uma referência ao 13º intereclesial, que está sendo preparado e acontecerá, de 07 a 11 de janeiro de 2014, em Crato (CE), com o tema: "Justiça e Profecia a Serviço da Vida. CEBs, Romeiras do Reino no Campo e na Cidade”.

No mesmo Artigo apresentei também uma síntese do conteúdo teológico-pastoral do 6º Intereclesial e dei a sugestão de realizar uma Romaria ao Santuário do Divino Pai Eterno em Trindade - GO, fazendo a memória dos 25 anos do 6º Intereclesial (Leia o Artigo em: Diário da Manhã, Opinião Pública, Goiânia, 31/07/11, p. 6, ou em: www.adital.com.br - 01/08/11).

Depois de diversos encontros com pessoas e Comunidades interessadas, o Vicariato Oeste da Arquidiocese de Goiânia decidiu promover a Romaria - que já tinha sido sugerida no Artigo - no dia 27 deste mês de novembro/11. Portanto, convida para participarem desta Romaria todas as Comunidades do Vicariato e estende o convite às outras Comunidades da Arquidiocese de Goiânia, do Regional Centro-Oeste da CNBB e do Brasil todo. O 6º Intereclesial marcou a caminhada das CEBs no país inteiro.

Retomo agora algo daquilo que escrevi no Artigo acima citado, a respeito do 6º Intereclesial. Aconteceu há 25 anos, do dia 21 a 25 de julho de 1986, em Trindade - GO (depois de um ano, um mês e 20 dias da Páscoa definitiva do grande Pastor-Profeta Dom Fernando Gomes dos Santos, arcebispo de Goiânia) e teve como tema: "CEBs, Povo de Deus em Busca da Terra Prometida”.

O Encontro contou com 1.647 participantes, dentre os quais 742 representantes das bases, 203 agentes de pastoral, 30 assessores, 51 bispos, 16 representantes de Igrejas evangélicas, 10 representantes dos povos indígenas, e observadores nacionais e estrangeiros.

"O 6º Intereclesial significou uma virada decisiva na vida dos Intereclesiais. (...) Os Encontros Intereclesiais das CEBs passam, em Trindade, por uma transformação de sua natureza. (...) Em razão da proporção dos participantes, bem mais acentuada com respeito aos Encontros anteriores, não havia condições plausíveis para um estudo mais aprofundado sobre os temas propostos. Num evento de quase duas mil pessoas não se podia mais, evidentemente, privilegiar o momento reflexivo. A dimensão celebrativa passa a ocupar lugar de centralidade, o que não significa ausência da dimensão reflexiva, que permanecerá em cena. A novidade é que a partir de então os tempos fortes dos Inter-eclesiais serão ocupados por grandes e vibrantes celebrações de fé. As celebrações do intereclesial de Trindade foram extremamente criativas, com destaque para a presença de símbolos gestados na ampla e profunda experiência de enraizamento popular das Comunidades” (Os Intereclesiais das CEBs: Identidade em construção! Persp. Real. 29 (1997) 155-187).

Diversas vezes, durante o Encontro, foi proclamado, alto e bom som, que "a Santíssima Trindade é a melhor Comunidade”.

Em sintonia com o tema central, outros grandes temas - ligados à caminhada das CEBs - marcaram o 6º intereclesial: CEBs e seu estatuto eclesiológico (identidade e missão, fé e política, espiritualidade libertadora e Bíblia, hierarquia e ministérios); CEBs e política partidária; CEBs e projeto político popular; CEBs e sindicalismo; CEBs e movimentos populares; CEBs e lutas específicas (mulheres, negros e índios); CEBs e luta pela terra (terra de Deus, terra de irmãos): CEBs e reforma agrária (projetos do governo); CEBs e moradia (solo urbano); CEBs e questão latino-americana; CEBs e ecumenismo; e outros.

Com a Romaria do dia 27 deste mês de novembro/11, primeiro domingo do Advento, queremos fazer a memória, ou seja, tornar presente hoje tudo o que o 6º intereclesial significou e ainda significa para a caminhada das CEBs no Brasil.

Nos encontraremos no trevo da entrada de Trindade, a partir das 9:00h. Acolheremos as Comunidades com muito canto, alegria e festa. Partilharemos fraternalmente um lanche comunitário. Faremos uma caminhada penitencial até o Santuário, com cantos de perdão e reconciliação. Entraremos no Santuário do Divino Pai Eterno, louvando, glorificando e agradecendo a Deus pelo reencontro fraterno, pelo perdão recebido e pela vida das nossas Comunidades. Celebraremos a Palavra e a Eucaristia com muita fé. Renovaremos o nosso compromisso de discípulos/as missionários/as de Jesus. Seremos, enfim, enviados/as para continuar a missão de Jesus no mundo de hoje.

Venham! Participem! Será um tempo forte de graça de Deus. Será uma manhã de muita alegria, de muita paz, de muita espiritualidade e de muito compromisso.

Goiânia, 15 de novembro de 2011


Fr. Marcos Sassatelli

Frade Dominicano. Doutor em Filosofia e em Teologia Moral. Prof. na Pós-Graduação em DD.HH. (Comissão Dominicana Justiça e Paz do Brasil/PUC-GO). Vigário Episcopal do Vicariato Oeste da Arq. de Goiânia. Admin. Paroq. da Paróquia N. Sra. da Terra

Fonte: Adital