quarta-feira, 28 de setembro de 2011

17º Encontro Arquidiocesano de CEBs - Formigueiro - RS

Com muita animação e fé, aconteceu na Paróquia de Formigueiro, nos dias 24 e 25 de setembro, o 17º Encontro Arquidiocesano de CEBs (Comunidades Eclesiais de Base).

O tema do encontro foi:
CEBs SINAIS DO REINO DE DEUS.

Frei Flávio, Pároco da Paróquia da Lomba do Pinheiro, da Arquidiocese de Porto Alegre, assessorou o encontro, mostrando que, as comunidades que se reúnem, iluminadas pela Palavra de Deus, e que se colocam a serviço da vida, são sinais permanentes do Reino de Deus.

Um dos momentos mais forte do encontro, foi as apresentações das áreas, cada qual fez o máximo para poder apresentar o seu tema.

As Paróquias de Formigueiro, Restinga Seca e São Sepé, acolheram os delegados com muito carinho e amor.

No final do encontro houve a Celebração Eucarística, com a presença de mais de 15 padres. O Celebrante foi o Padre Rubens Natal Dotto, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral, representado pelo Arcebispo Dom Hélio que passou por cirurgia.

















terça-feira, 27 de setembro de 2011

A batalha político-imobiliária pelo controle de Jerusalém

Em 1947, logo após a divisão da Palestina, a ONU colocou Jerusalém sob mandato internacional. No ano seguinte, com a guerra da independência, Israel se apoderou do setor oeste da cidade, enquanto que o setor oriental passou para controle da Jordânia. Durante a Guerra dos Seis Dias (1967), Israel anexou Jerusalém Oriental. Hoje, à força de investimentos, compra de terras e restrições específicas aos palestinos, Jerusalém se move entre a modernidade de seu setor israelense e a pobreza da parte oriental. Jerusalém é o território de um combate imobiliário em cujo interior se movem as sombras da geopolítica.

Cada pedra é um conflito, cada muro uma leda, cada rocha o rastro sagrado de algum Deus diferente: Jerusalém. Suprema, mágica, polifônica, acolhedora, juvenil, discriminatória e veloz. Capital “eterna” para os judeus, capital da palestina “histórica” para os palestinos, capital fundacional do cristianismo, Jerusalém é uma viagem dentro da viagem, um labirinto de ódio e de amor que está no centro da disputa territorial entre israelenses e palestinos, onde intervém corporações secretas, milionários norteamericanos, ritos religiosos corrompidos por dólares, capitais árabes bloqueados e uma política urbana de manifesto isolamento.

Uma mesma cidade, três religiões, islamismo, cristianismo, judaísmo, três histórias, dois nomes diferentes: Yerushalayim – a paz aparecerá – para os judeus, Al Qods – a santa – para os árabes. Nesta capital poliglota, de cruzes e contrastes, convergem os relatos fundadores das três religiões monoteístas: para os árabes, Jerusalém é, depois de Meca e Medina, o terceiro lugar santo do Islã. Para os judeus, Jerusalém é a cidade conquistada pelo rei Davi no ano de 1004 antes de Cristo, logo depois de Davi se unir às tribos de Israel. Para os cristãos, Jerusalém é o epicentro dos atos fundadores do cristianismo, o lugar onde Cristo viveu a paixão e a ressureição. Jerusalém, capital de quem? A resposta é inequívoca. Como diz Khaled, um comerciante da célebre rua Salah Ad Din, de Jerusalém Oriental: “é de quem tiver mais capital e poder para se apropriar dela”.

Em 1947, logo após a divisão da Palestina, a ONU colocou Jerusalém sob mandato internacional. No ano seguinte, com a guerra da independência, Israel se apoderou do setor oeste da cidade, enquanto que o setor oriental passou para controle da Jordânia. Mas durante a Guerra dos Seis Dias (1967), Israel anexou Jerusalém Oriental. Em 1950, a cidade foi declarada capital do Estado de Israel e, em 1980, a Knesset, Parlamento israelense, a elevou à condição de “capital eterna”. Hoje, à força de investimentos, compra de terras e restrições específicas aos palestinos, Jerusalém se move entre a modernidade de seu setor israelense e a pobreza da parte oriental. Um mundo estagnado, marcado pela ausência de infraestrutura urbana e falta de investimentos, e outro mundo desenvolvido, uma cidade moderna, luminosa e cuidada.

A fronteira entre a luz e a limpeza e o caos e a miséria é invisível. Basta descer até o começo de Jaffa Street, dobrar à esquerda, caminhar trezentos metros e, pronto, você está em outro planeta. Na parte leste da cidade não há cinemas, nem teatros, nem bares atraentes. Apesar de seu declarado laicismo, o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, mantem as limitações aos investimentos palestinos em Jerusalém. Ainda que representem 59% da população de Jerusalém Oriental, os palestinos só estão autorizados a construir em 13% desse setor. As permissões de construção demoram uma década para serem outorgadas. Isso leva os palestinos a erguer construções ou ampliar suas casas sem autorização, o que implica a imediata demolição desses puxados.

As cifras sobre os investimentos municipais são eloquentes. Os palestinos representam 35% da população global, mas só entre 10 e 12% do orçamento municipal é utilizado para investimento em obras de infraestrutura no setor leste. Cerca de 80% das ruas corretamente asfaltadas e dos bueiros em bom estado estão na zona judia da cidade, onde também há 1.000 jardins públicos contra 45 em Jerusalém Oriental. Persiste uma inesgotável sensação de que tudo é feito para levar os palestinos a deixar Jerusalém.

Nada reflete melhor a complexidade da situação do que o bonde inaugurado em 2011. A linha percorre 14 quilômetros em ambos os sentidos, desde o bairro de Pisgat Zeev, em Jerusalém Leste, até Monte Herzl, na parte oeste. Em seu trajeto, a linha é uma espécie de bomba geopolítica: passa pelos bairros judeus construídos no setor de Jerusalém anexado logo depois da Guerra dos Seis Dias e onde a soberania do Estado de Israel não está plenamente reconhecida pela comunidade internacional.

Em termos do direito internacional, a ocupação e a posterior anexação de Jerusalém Leste foram condenadas pelas resoluções 241, 446, 452 e 465 das Nações Unidas, além de contraria a quarta Convenção de Genebra. A guerra pela posse da cidade tem atores econômicos de peso que jogam entre as sombras e antecipadamente a carta que pode conduzir ao reconhecimento de um Estado Palestino com Jerusalém Leste como capital. Por isso, com lances de milhões, compram o máximo de áreas possíveis.

Os negócios da Richard Marketing Corporation deram lugar a um dos controversos episódios desta confrontação pelas pedras sagradas. A Richard Marketing Corporation é, na verdade, a cobertura da organização sionista Ateret Cohanim, atrás da qual se encontra o milionário norteamericano Irving Moscowitch. Há anos, a corporação vem se dedicando a comprar casas palestinas e áreas situadas na Cidade Velha de Jerusalém, ou seja, no olho do furacão: ali estão a Mesquita de Al-Aqsa (Maomé foi de Meca até a Mesquita de Al-Aqsa), o Domo da Pedra (os muçulmanos acreditam que Maomé subiu aos céus neste local), o Muro das Lamentações (o último vestígio do Templo de Jerusalém, que é o emblema mais sagrado do judaísmo), a Esplanada das Mesquitas e um sem número de edificações ligadas à história do cristianismo, entre elas o Santo Sepulcro.

A Cidade Velha, localizada em Jerusalém Oriental, está dividida em quatro setores: muçulmano, judeu, cristão e armênio. Ali a corporação colocou seus dólares para comprar casas palestinas, cristãs e, sobretudo, áreas e secessões negociadas com a Igreja Ortodoxa Grega. O patriarca Irineu primeiro, hoje recluso em sua espiritualidade, cobrou vários milhões por baixo da mesa em troca de um “aluguel” de 99 anos de um dos lugares mais emblemáticos da Cidade Velha, situado na Porta de Jaffa. Por curioso que pareça, partindo desde a Porta de Jaffa, a primeira placa indicando o Santo Sepulcro está escrito em vários idiomas, incluindo o hebraico, menos em árabe.

Arieh King, um membro notório de Ateret Cohanim, levou anos comprando quantas casas aparecessem em seu caminho na Cidade Velha e em Jerusalém Oriental. Homem franco e sem rodeios, King está a frente da organização Israel Land Fund. Não tem nada a ocultar: “Jerusalém é o lugar mais importante do projeto sionista. Nós estamos comprando dos árabes para colocar judeus em seu lugar. Não aceitamos que Jerusalém seja dividida”. Arieh King é um autêntico agente imobiliário da judaização de Jerusalém e não esconde isso. Tem em seu “currículo” dezenas de casas compradas e – isso ele não confessa – acordos de compra e aluguel com várias congregações cristãs sensíveis ao dinheiro em cash. Nada o detém, nem sequer a compra de casas palestinas e, além do preço elevado que paga, consegue “a obtenção de um visto para que o vendedor vá para o exterior”.

A história de Arieh King merece um capítulo a parte. Sua atividade, financiada com fundos provenientes do mundo inteiro, tem o mérito da transparência ao mesmo tempo em que revela a luta pela posse da Cidade Santa. “Trabalho para o futuro da nação judia”, proclama sem titubear. Os cristãos palestinos denunciam essa política aplicada de judaização de Jerusalém. Árabes, muçulmanos e cristãos de Jerusalém viram a maneira pela qual, pouco a pouco, as casas situadas nas ruelas da Cidade Velha que levam ao Templo foram mudando de proprietário.

A batalha imobiliária é uma corrida contra o relógio. Para retomar as negociações de paz, além das fronteiras de 1967, do fim da colonização e do retorno dos refugiados, a Autoridade Palestina reivindica como condição que Jerusalém Oriental seja a capital de um futuro Estado Palestino. Políticas de Estado, municipais e agentes privados participam dessa corrida. Jerusalém é o território de um combate imobiliário em cujo interior se movem as sombras da geopolítica.

Eduardo Febbro


Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior

Não podemos permitir que no Estado de São Paulo, a pobreza seja criminalizada!




Eu, o padre Mahon, e os advogados Dr. Eduardo Leite e Dr. Basso tentamos ajudar os moradores despejados no Jardim Santo André, área da rua dos Missionários. Achamos errado o seguinte procedimento, por parte de nossas autoridades:

A juiza da 6a. vara cívil, Doutora Luciana, decidiu judicialmente (este documento temos em mãos) que os moradores somente poderiam ser retirados de suas casas, caso houvesse um lugar satisfatório para as famílias morarem. No dia, não haviam representantes da prefeitura de Santo André e nem do CDHU para comunicar-nos o lugar que as famílias seriam levadas, e esta medida é contrária à decisão judicial.

Por conta deste procedimento, a comissão de Direitos Humanos da OAB e nós padres condenamos a prefeitura de Santo André (prefeito Aidan Ravin e secretário municipal de Habitação, Frederico Manone) e o governo do Estado de São Paulo (governador Geraldo Alckmin e diretores do CDHU). Atualmente, 27 famílias da Rua dos Missionários estão sem lar, não sabemos onde estão vivendo e fica aqui registrado o nosso protesto.


http://www.youtube.com/watch?v=yFMYuZVlQZE&feature=youtube_gdata

Pe. Luiz Carlos Toffanelli

Noticia por email: Graça Ribeiro

Precisamos de muita e muita coragem

Em 14 de setembro último, celebrou 90 anos de idade uma das figuras religiosas brasileiras mais importantes do século XX: o Cardeal Paulo Evaristo Arns. Voltando da Sorbonne, foi meu professor quando ainda andava de calça curta em Agudos-SP e depois, em Petrópolis-RJ, já frade, como professor de Liturgia e da teologia dos Padres da Igreja antiga.

Obrigava-nos a lê-los nas linguas originais em grego e latim, o que me infundiu um amor entranhado pelos clássicos do pensamento cristão. Depois foi eleito bispo auxiliar de São Paulo. Para protegê-lo porque defendia os direitos humanos e denunciava, sob risco de vida, as torturas a prisioneiros políticos nas masmorras dos órgãos de repressão, o Papa Paulo VI o fez Cardeal.

Embora profético mas manso como um São Francisco, sempre manteve a dimensão de esperança mesmo no meio da noite de chumbo da ditadura militar. Todos os que o encontravam podiam, infalivelmente, ouvir como eu ouvi, esta palavra forte e firme: “coragem, em frente, de esperança em esperança”.

Coragem, eis uma virtude urgente para os dias de hoje. Gosto de buscar na sabedoria dos povos originários o sentido mais profundo dos valores humanos. Assim que na reunião da Carta da Terra em Haia em 29 de junho de 2010, onde atuava ativamente sempre junto com Mercedes Sosa enquanto esta ainda vivia, perguntei à Pauline Tangiora, anciã da tribo Maori da Nova Zelândia qual era para ela a virtude mais importante. Para minha surpresa ela disse:”é a coragem”. Eu lhe perguntei: “por que, exatamente, a coragem?” Respondeu:

”Nós precisamos de coragem para nos levantar em favor do direito, onde reina a injustiça. Sem a coragem você não pode galgar nenhuma montanha; sem coragem nunca poderá chegar ao fundo de sua alma. Para enfrentar o sofrimento você precisa de coragem; só com coragem você pode estender a mão ao caído e levantá-lo. Precisamos de coragem para gerar filhos e filhas para este mundo. Para encontrar a coragem necessária precisamos nos ligar ao Criador. É Ele que suscita em nós coragem em favor da justiça”.

Pois é essa coragem que o Cardeal Arns sempre infundiu em todos os que, bravamente, se opunham aos que nos seqüestraram a democracia, prendiam, torturavam e assassinavam em nome do Estado de Segurança Nacional (na verdade, da segurança do Capital).

Eu acrescentaria: hoje precisamos de coragem para denunciar as ilusões do sistema neoliberal, cujas teses foram rigorosamente refutadas pelos fatos; coragem para reconhecer que não vamos ao encontro do aquecimento global mas que já estamos dentro dele; coragem para mostrar os nexos causais entre os inegáveis eventos extremos, conseqüências deste aquecimento; coragem para revelar que Gaia está buscando o equilíbrio perdido que pode implicar a eliminação de milhares de espécies e, se não cuidarmos, de nossa própria; coragem para acusar a irresponsabilidade dos tomadores de decisões que continuam ainda com o sonho vão e perigoso de continuar a crescer e a crescer, extraindo da Terra, bens e serviços que ela já não pode mais repor e por isso se debilita dia a dia; coragem para reconhecer que a recusa de mudar de paradigma de relação para com a Terra e de modo de produção pode nos levar, irrefreavelmente, a um caminho sem retorno e destarte comprometer perigosamente nossa civilização; coragem para fazer a opção pelos pobres contra sua pobreza e em favor da vida e da justiça, como o fazem a Igreja da libertação e Dom Paulo Evaristo Arns.

Precisamos de coragem para sustentar que a civilização ocidental está em declínio fatal, sem capacidade de oferecer uma alternativa para o processo de mundialização; coragem para reconhecer a ilusão das estratégias do Vaticano para resgatar a visibilidade perdida da Igreja e as falácias das igrejas mediáticas que rebaixam a mensagem de Jesus a um sedativo barato para alienar as consciências da realidade dos pobres, num processo vergonhoso de infantilização dos fiéis; coragem para sentar na cadeira de Galeleo Galilei para defender a libertação e a dignidade dos pobres; coragem para anunciar que uma humanidade que chegou a perceber Deus no universo, portadora de consciência e de responsabilidade, pode ainda resgatar a vitalidade da Mãe Terra e salvar o nosso ensaio civilizatório; coragem para afirmar que, tirando e somando tudo, a vida tem mais futuro que a morte e que um pequeno raio de luz é mais potente que todos as trevas de uma noite escura.

Para anunciar e denunciar tudo isso, como fazia o Cardeal Arns e a indígena maori Pauline Tangiori, precisamos de coragem e de muita coragem.

Leonardo Boff

Igrejas mídiaticas são pecadoras, diz teólogo Leonardo Boff




Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar no programa "É Notícia", exibido pela Rede TV! na madrugada desta segunda-feira, o teólogo Leonardo Boff falou sobre celibato, existência de Deus e criticou as igrejas midiáticas, católicas ou evangélicas.

"Eles continuamente pecam contra o segundo mandamento, que é usar o santo nome de Deus em vão e apresentam um cristianismo que é um pequeno Lexotan para acalmar as pessoas", diz o estudioso.

Boff foi sacerdote da Igreja Católica e ajudou a consolidar a Teologia da Libertação no país -- que em suma define a pobreza como um pecado e promove um engajamento social na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Seus questionamentos a respeito da hierarquia católica, expressos no livro "Igreja, Carisma e Poder" foi alvo de um processo na Congregação para a Doutrina da Fé, sob a direção de Joseph Ratzinger, hoje o Papa Bento XVI e que culminou em sua saída da Igreja.


Fonte: Agencia de Notícias Jornal Floripa


http://www.youtube.com/watch?v=0ydfQ8cegaY&feature=player_embedded

Papa: melhor agnósticos do que falsos fiéis

Melhor agnósticos do que falsos fiéis.
Bento XVI deixa a Alemanha com a mensagem mais forte da sua viagem e, na missa conclusiva no aeroporto de Friburgo (diante de 100 mil participantes e de todos os bispos das 27 dioceses da Alemanha), exortou os crentes a não serem apenas fiéis por simples hábito. Com um elogio inusitado e destinado a deixar marca nos "agnósticos que, por causa da questão de Deus não encontram paz, pessoas que sofrem por causa dos nossos pecados e desejam ter um coração puro". Eles estão "mais perto do Reino de Deus do que os fiéis 'de rotina', que na Igreja só veem agora o aparato, sem que o ser coração seja tocado pela fé".

A Igreja não é uma multinacional da filantropia. Não bastam estruturas eficientes, instituições sociais e de caridade capazes de desenvolver um serviço que "requer competência objetiva e profissional". É preciso mais, isto é, "um coração que se deixe tocar pelo amor de Cristo".

Embora expressando gratidão aos que "colocam à disposição tempo e forças no voluntariado", o papa exorta os católicos, em todos os níveis, "a se interrogar sobre a relação pessoal com Deus". E recomenda "oração, participação na missa dominical, meditação da Sagrada Escritura, estudo do catecismo". Não há renovação na Igreja sem conversão e fé renovada.

Aos seus compatriotas, o pontífice faz uma acurada denúncia do "relativismo combativo" e da "campanha de opinião contra a Igreja". Mas é o "fronte interno" que o preocupa mais. Joseph Ratzinger muitas vezes não encontra, por trás de estruturas eclesiásticas bem organizadas, "força espiritual e fé".

Além disso, "uma excedência das estruturas com relação ao Espírito" torna vã qualquer tentativa de reforma. Por isso, Bento XVI apela à honestidade intelectual tanto de quem se diz cristão, quanto daqueles que não professam a fé, mas deveriam respeitá-la. A dimensão religiosa, de fato, é essencial para que a sociedade seja plenamente humana.

É necessário que "as paróquias, as comunidades e os movimentos se sustentem e se enriqueçam mutuamente", que "os batizados e crismados, em união com o bispo, mantenham alta a tocha de uma fé capaz de iluminar conhecimentos e capacidades".

Da sua pátria, o pontífice dirige um vibrante lembrete à unidade da Igreja em resposta às instâncias de reforma disseminadas sobre os divorciados em segunda união, sobre o celibato sacerdotal e sobre a ordenação das mulheres. Não é disso que se precisa, adverte o pontífice, que, justamente em sua terra natal, assim como na Áustria, encontra o maior mal-estar pelo imobilismo do Vaticano para as demandas de mudança.

A Igreja, rebate o papa, "irá superar os desafios presentes e futuros" somente se "sacerdotes, pessoas consagradas e leigos" permaneçam fiéis à "sua própria vocação específica colaborando em unidade".


A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa, 26-09-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.


Fonte: IHU

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O santo de uma multidão que anuncia um Deus de pouca gente

Prestes a celebrarmos a festa de São Francisco de Assis, me veio aqui alguns questionamentos a respeito deste santo popular, cujos admiradores mundo afora superlotam igrejas para manifestar uma devoção, que no meu pobre entendimento, não é difícil de se explicar. Eis o que penso:

“Nosso Jesus atual é um Deus de pouca gente, tendo em vista que os que o seguem atualmente, com fidelidade bajuladora e proselitista nesta conjuntura eclesial e social, fazem parte das elites. A minoria!(...) Já a grande maioria, os pobres, prefere entender Jesus na pessoa de Francisco de Assis, o santo humilde e das multidões”.

É logico e evidente que o popular Francisco de Assis irá sempre atrair multidões e multidões de pobres em torno de sua imagem, pois a história se responsabilizou de transmitir com fidelidade as características reais do Jovem “Louco de Assis” que entendeu na vida a proposta do Evangelho do Jovem Nazareno. Este, por sinal, não teve a mesma sorte histórica que teve Francisco.

Francisco de Assis foi fiel na transmissão do Evangelho. Simples, sem teorias científicas ou teologias desconexas da vida do povo. Uma transmissão de fé engajada e literalmente pé no chão. Um grande e voluntário publicitário do mestre que, questionou com atitudes o modelo eclesial da época ao apresentar ao mundo o verdadeiro Jesus dos desvalidos.

Os pobres, “preferidos de Jesus”, veem no Francisco histórico o Cristo dos pobres, mas não conseguem ver no próprio “Cristo histórico” tal intenção. O problema é que os publicitários de Cristo, teorizaram-no demasiadamente, elitizaram Jesus, afastando-o das camadas periféricas da sociedade. Construíram palácios e palacetes luxuosos, ambiente na qual os excluídos não se sentem bem. Na pífia dinâmica de transmissão de um credo, cuja linguagem é inacessível e romana, atribuíram a Jesus uma ideia majestosa de governo, dispensando a simplicidade do processo catequético de Jesus que atraía multidões para ouví-lo.

Hoje nos apresentam um Jesus rico, acadêmico e sedentário, que não consegue fazer dietas dos produtos gordurosos produzidos pelas tecnologias do sistema. O Jesus que apresentam é burguês, com aparência de “play boy”, frequentador de baladas noite a fora e sua mensagem é caduca, meramente nostálgica e abestalhada, com propósitos que o próprio não acredita. Deste jeito, o povão, ávido por palavras de vida eterna, não se estimula a seguir o play boy que foi crucificado.

Urge a necessidade de novos questionadores, de seguidores - anunciadores da boa nova, que comunguem com a vida do povo e que, acima de tudo, personifiquem a imagem de Jesus do meio popular, simples, pobre, mas engajado na luta dos pobres por justiça...

Carlos Jardel dos Santos

Articulador diocesano das CEBs - Tianguá-CE


Fonte: CONTRA UM CRISTIANISMO FAZ DE CONTA