quarta-feira, 31 de agosto de 2011

LEIGOS: Descobrindo a vocação na prática da fé…

Iniciemos nossa reflexão tendo a firme certeza de que na Igreja formamos uma “assembléia de vocacionados (as), Assembléia de chamados para uma determinada missão. isso porque todos os batizados são pessoas chamadas pelo Pai (Jo 6,44.65), escolhidas pelo Filho (Jo 15,16) e enviadas em missão pelo Espírito (At 13,1-3) como protagonistas do Reino de Deus.

O saudoso Papa João Paulo II, ajudou a nossa Igreja a ter, de fato, uma fisionomia vocacional; um povo convocado pela Trindade para prestar seu precioso serviço em favor da vida, de modo particular dos que são excluídos, marginalizados, oprimidos… no caso da nossa Congregação Missionária concretizamos nosso serviço com os migrantes, com os quais Cristo quis se identificar (cf. Mt 25,31-46).

A vitalidade da Igreja esta na convicção de que todos os batizados, sem exceção, são responsáveis pelo cultivo das vocações leigas, sacerdotais, religiosas, matrimoniais. Todos nós somos responsáveis pelo bom êxito de todas as diferentes vocações. Ninguém tem o direito de cruzar os braços e deixar que as iniciativas sejam sempre executadas pelos outros. Sempre podemos fazer algo.

Toda vocação realiza o ser humano quando for bem descoberta e alimentada através da valorização dos próprios talentos e na superação dos próprios limites. A vocação, na verdade, é um colocar em prática os dons recebidos e reconhecidos como Dom de Deus. Ela é fruto do reconhecimento da vida como bem recebido, que necessariamente deve tornar-se um bem doado aos demais.

Para o cristão, uma vocação se descobre somente na fé em Jesus, nosso mestre. Na verdade, ela é disponibilidade em fazer a sua vontade, segundo o projeto do Pai. É a fé que nos permite distinguir o “projeto de vida” da “vocação”, pois esta é Dom que o Espírito Santo faz a uma pessoa de fé, para o bem da Igreja e da humanidade.

A escolha vocacional poderá assim realizar-se somente dentro de um processo pessoal e maduro no caminho de fé. E isso se faz através de alguns instrumentos que a própria comunidade de fé nos oferece, como a participação ativa na comunidade, tendo como centro da vida a prática permanente dos sacramentos; a experiência da oração pessoal e da escuta da Palavra de Deus; a docilidade a um confronto e a um guia espiritual a fim de que a pessoa possa ser ajudado a ler com olhar de fé a própria existência, os sinais da obra de Deus, os traços do seu chamado.

Cada vocação é um chamado para uma missão, pois a vocação implica na doação, no serviço à comunidade. E a missão supõe a encarnação, isto é, somente na história, entre o gênero humano é possível sentir o “grito do Povo” (cf. Êxodo 37), as vozes da humanidade que pedem intervenção e testemunho.

Todos os batizados são evangelizadores. São chamados por Deus para testemunhar sua fé no seu ambiente específico: na família, gerando, educando na fé seus filhos, construindo a igreja doméstica; na comunidade, assumindo um ministério específico – animador, catequista, ministro da comunhão, acólito ou coroinha, mensageiro de Maria, animador litúrgico, dirigente de grupo de jovens, de reflexão, de vivência…; na sociedade, assumindo uma profissão e vivendo como cristão na escola, na empresa, no comércio, na economia, no mundo da política, e nas organizações sociais como associações, sindicatos, agremiações, grupos de voluntários… São muitas as maneiras de testemunhar a sua fé nas estruturas da sociedade.

É preciso que os leigos reflitam sobre sua identidade e sua missão na Igreja. Leigo é toda pessoa que pertence ao povo cristão. O leigo participa verdadeiramente do sacerdócio comum de todos os fiéis e, por isso, tanto o homem como a mulher, é apóstolo, é missionário, é protagonista. Pelo Batismo e pela Crisma, os leigos são consagrados para a Missão de construir o Reino: eles têm vez e voz na Igreja, são co-responsáveis na evangelização do mundo de hoje, devem atuar na política, nos meios de comunicação, no campo da educação, da cultura, do trabalho… como protagonistas do Reino.

Pe. Paulo Rogério Caovila. cs.

Animador Vocacional Scalabriniano.


As dioceses de Tianguá, Quixadá e Itapipoca celebram 40 anos!

Criadas no esteio da Teologia da Libertação, as dioceses de Tianguá, Quixadá e Itapipoca chegam aos 40 anos este mês celebrando avanços

As dioceses cearenses de Itapipoca, Quixadá e Tianguá comemoraram este mês, 40 anos de instalação. Criadas pelo Papa Paulo VI a 13 de março de 1971, pela Bula “Qui summopere”, a de Quixadá teve instalação em 20 de agosto de 1971 e a de Itapipoca no dia 21, após ter sido desmembrada da Arquidiocese de Fortaleza e da Diocese de Sobral. A de Tianguá teve seu território desmembrado da Diocese de Sobral e instalação canônica realizada a 22 de agosto de 1971.

Em Tianguá, dia 21, foi realizada celebração Eucarística de Dedicação da Igreja Catedral de Sant’Ana. O bispo dom Javier Hernandez Arnedo presidiu o ato religioso. Abrindo as comemorações, a Diocese promoveu até a última sexta-feira, 19, um Simpósio histórico-teológico-cultural sobre o tema “Identidade e Missão da Igreja Particular”.

Vigário pastoral da paróquia do município de Graça, que integra a Diocese de Tianguá, e fazendo parte da equipe de organização do simpósio, padre Rocélio Silva Alves lembra que a criação das três dioceses cearenses ocorreu na época do lançamento da Teologia da Libertação, a qual prioriza a opção preferencial pelos pobres. Seguindo essa linha, ele observa que as dioceses prosseguem se dedicando a testemunhar o Evangelho no meio do povo de Deus reunindo uma legião de leigos e leigas que tem esse mesmo propósito.

Quixadá

Em Quixadá, o aniversário motivou o lançamento de uma canção e de oração pela data. No último sábado, 20, às 18 horas, houve concelebração festiva presidida pelo bispo dom Angelo Pignoli, contando com a participação das 20 paróquias dos 10 municípios que fazem parte da Diocese e dos outros bispos que passaram pela cidade. Após a missa, teve show do grupo Anjos de Resgate na praça da catedral Jesus, Maria e José.

O POVO entrou em contato com a Diocese de Itapipoca, mas não haviam informações sobre comemorações pelos 40 anos.


ENTENDA A NOTÍCIA

A Teologia da Libertação é uma corrente eminentemente do Terceiro Mundo, voltada sobretudo à dedicação aos pobres. Tem em Frei Tito, Michel Löwy ce Leonardo Boff alguns de seus grandes nomes.

SAIBA MAIS

A Diocese de Tianguá reúne 13 cidades: Camocim, Granja, Barroquinha, Chaval, Viçosa do Ceará, Ibiapina, Tianguá, Ubajara, São Benedito, Carnaubal, Guaraciaba do Norte, Croatá e Graça.

O primeiro bispo diocesano de Tianguá foi Dom Frei Timóteo Francisco Nemésio Pereira Cordeiro, que tomou posse no dia 22 de agosto de 1971.

São 10 os municípios que integram a Diocese de Quixadá: Banabuiú, Boa Viagem, Capistrano, Choró, Ibaretama, Itapiúna, Itatira, Madalena, Quixadá, Quixeramobim.

O primeiro bispo da Diocese foi dom Joaquim Rufino do Rego, seguido por dom Adélio Tomasin e dom Angelo Pignolli.

A Diocese de Itapipoca conta com as paróquias de Amontada, Apuiarés, Itapipoca, Irauçuba, Itapajé, Itarema, Tururu, Pentecoste, Paracuru, Paraipaba, São Luís do Curu, Miraíma, Tejuçuoca, Trairi, Umirim, Uruburetama.

O primeiro bispo de Itapipoca foi dom Paulo da Ponte. Ele ficou no cargo de 1971 a 1984. o segundo foi dom Benedito Francisco de Albuquerque, que tomou posse da Diocese no dia 5 de maio de 1985. O bispo atual é dom Frei Antônio Roberto Cavuto.

Congresso Continental de Teologia: um novo 'sinal dos tempos' do fazer teológico

No último dia 25 foi lançado oficialmente o site do Congresso Continental de Teologia a realizar-se em outubro de 2012, em São Leopoldo/RS, Brasil.

O Congresso buscará refletir e debater os desafios e as tarefas futuras da teologia na América Latina, a partir do novo contexto, globalizado e excludente. Será uma ocasião especial para celebrar dois fatos significativos para a Igreja Católica na América Latina e Caribe: os 50 anos da inauguração do Concílio Vaticano IIe os 40 anos da publicação do livro Teologia da Libertação, de Gustavo Gutierrez.

O evento ocrorrerá entre os dias 8, 9, 10 e 11 de outubro de 2012, na Unisinos.

Em versão trilíngue - português e espanhol, idiomas oficiais do evento, e inglês, será por meio deste site que os participantes poderão fazer as suas inscrições (a partir de março de 2012) e acompanhar todas as notícias e informações necessárias.

Fazem parte do comitê de organização as seguintes instituições: Fundação Ameríndia (Uruguai), Adital (Brasil), Associação de Teólogos do México (ATEM, México), Conferencia Latino-Americana de Religiosos (CLAR, Colômbia), Instituto Humanitas Unisinis (IHU), Instituto Teológico-Pastoral para América Latina (Itepal, Colômbia), Pontifícia Universidade Javeriana (PUJ, Colômbia), Rede Teológico-Pastoral (Guatemala) e Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter, Brasil).

Para saber mais sobre o Congresso acesse o site no link http://www.unisinos.br/eventos/congresso-de-teologia

Fonte: IHU - Instituto Humanitas Unisinos


Colegiada Estadual das CEBs Sul1 - 3ª Reunião 2011







Nos dias 27 e 28 de agosto de 2011, na Paróquia São Geraldo, Diocese de Santo André, na Comunidade São Geraldo foi realizada a terceira reunião de 2011 da Colegiada Estadual das CEBs.

Sexta feira, 26/08, foram chegando membros da colegiada de todos os cantos e recantos do estado de São Paulo, sendo recebidos na casa paroquial por Pe. Felix, para hospedagem também ou para serem acolhidos por famílias da comunidade, conforme opção de cada um.

Sábado pela manhã fomos para missão, que teve inicio com oração da manhã conduzida por Irmã Nara, da Irmandade Servo Sofredor, na Capela Nossa Senhora Aparecida, com participação de pessoas da comunidade local.

A seguir nos foi servido um delicioso café, fomos brindados até com o verdadeiro cuscuz nordestino!

Toda mística proporcionou refletir e conhecer melhor a espiritualidade do servo sofredor.

A seguir formamos três grupos e conduzidos por lideres das comunidades seguimos para as áreas de missão,

Comunidade Nossa Senhora da Caridade, Comunidade São José e Santa Rita e Comunidade São Judas Tadeu.

Assim conhecendo um pouco da realidade do povo desta região, assim como o trabalho social de Pe. Alfredinho, tão lembrado pelo povo que o conheceu.

Retornamos para Comunidade São Geraldo onde aconteceu a partilha das missões realizadas pelos grupos.

No prosseguimento aconteceu formação com o tema A Caminhada no Deserto, Êxodo 15-22-18-27, do Tema Bíblico 2011, assessorado por Eloisa do Centro Bíblico Verbo.

Prosseguimento da reunião com os assuntos da pauta até as vinte horas, a seguir momento cultural com participação das famílias que nos acolheram.

Contamos com a presença de Dom Mauricio Groto Camargo e Pe. Felix leu para nós a mensagem enviada por Dom Nelson, bispo local.

No domingo participamos da celebração dominical com a comunidade e fomos apresentados .

A manhã prosseguiu com o desenvolvimento das atividades, acontecendo uma pequena pausa para assistirmos um filme sobre os 50 anos da CNBB, que trouxe saudades de nosso querido irmão Dom Luciano Mendes.

Almoçamos com a Comunidade Paroquial São Geraldo, comunidade que vive como uma grande família; muito gratificante perceber que a todo momento há pessoas por lá, que é um espaço de convivência cristã.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Um homem do Velho Oeste

Alexandre Mazzo/ Gazeta do Povo /

Darci Frigo: " A fase mais interessante da minha vida no seminário foi quando conheci aTeologia da Libertação, já no início dos anos 1980".

Advogado e criador da Terra de Direitos


Ele nasceu nas terras do Contestado. Um dia, se encantou com São Francisco. Em outro, assumiu-se como camponês, formou-se em Direito e escreveu seu nome nos movimentos de luta pela reforma agrária

A cunhada do advogado Darci Frigo sempre suspeitou que um dia iria visitá-lo na cadeia. Não era maldade da parenta. O ex-seminarista capuchinho passou mais da metade de seus 49 anos militando pelos direitos de trabalhadores do campo e membros do Movimento Sem Terra, o MST. Difícil listar um capítulo recente da questão agrária no país que não traga impresso o nome de Frigo – hoje ligado à ONG Terra de Direitos, uma rede nacional de apoio jurídico às lutas sociais. Essas andanças, claro, lhe fizeram acumular processos. E pequenas temporadas nas delegacias.

A história de Darci começa numa família de pequenos camponeses do interior de Santa Catarina, passa pelo claustro de um convento e pela turbulenta Teologia da Libertação. Por fim, bate na porta do Centro de Direitos Humanos e na Comissão da Pastoral da Terra, a CPT, organizações onde o militante ganhou estatura e fama.

Em 2001, para tranquilidade da cunhada, a assessoria jurídica dada por Frigo aos pequenos trabalhadores rurais lhe rendeu o Prêmio Robert F. Kennedy, em Washington. O catarinense foi o único brasileiro até hoje a ganhar a homenagem.

Ele hoje vive com a mulher e os dois filhos em um minifúndio com um quintal de 200 m² no bairro Órleans, em Curitiba. A terra – assunto de seu expediente de segunda a sexta-feira –, diz, lhe mantém ocupado também nos fins de semana. Confira edição da entrevista feita num dos prédios antigos da Boca Maldita, onde funciona a Terra de Direitos.

Uma curiosidade: o militante Darci Frigo lida com a enxada?

A maioria dos meus vizinhos colocou cimento em tudo. Mas eu cultivo uma horta no quintal da minha casa e mantenho plantas e árvores. Estou esperando a segunda florada do ipê roxo. Tenho pés de romã, de limão e flores de que gosto muito de cuidar.

As origens rurais ainda calam...

Sim. Sou nascido em Capinzal, hoje município de Ouro, no Meio Oeste de Santa Catarina, à margem direita do Rio do Peixe. É uma região agrícola e colonial, numa área montanhosa. Ali ocorreu a Guerra do Contestado. Meus pais moram lá até hoje. O casamento deles é um dos primeiros entre italianos e alemães na região . Vivi em Capinzal até meus 12 anos.

Antes do advogado dos direitos humanos veio o seminarista Darci. Por que o convento?

Para a família era importantíssimo ter um filho religioso. Além do mais, naquela época a única autoridade que chegava à cidade era o padre. Fui para a ordem dos capuchinhos em 1975. Para fazer os estudos iniciais cursei numa classe multisseriada, daquelas com quatro turmas ao mesmo tempo e uma professora para todos os anos. No convento, além da formação, pude praticar esportes. Sou apaixonado por futebol.

Por qual time torce?

Pelo Atlético [risos], desde que vim para o Paraná, em 1983.

A vida religiosa o marcou muito?

A fase mais interessante da minha vida no seminário foi quando conheci a Teologia da Libertação, já no início dos anos 1980. Essa experiência permitiu que eu me iniciasse na militância. Até então eu não tinha acesso ao debate político. A gente tinha pouco contato com o mundo externo. Eu me sentia limitado no trabalho social. Tinha de me submeter, mas me sentia tolhido e resolvi sair. No ano de 1984, em Ponta Grossa, soube do funcionamento de um Centro de Direitos Humanos na cidade. Foi minha primeira grande oportunidade pastoral.

Lembra de alguma das primeiras lutas em especial?

Em 1986, soube no Centro de Direitos Humanos que havia a possibilidade de despejo de famílias da fazenda de Cavernoso, na região de Cantagalo. Seria um dos primeiros despejos dos agricultores ligados ao MST, que ainda estava se formando. Por causa desse episódio, me envolvi na luta pela reforma agrária. Naquele momento, igualmente, redescobri minha origem camponesa, de onde vim, e me engajei na Comissão da Pastoral da Terra, a CPT...

Caminho sem volta...

Desde que reencontrei minha identidade camponesa, nem passa pela minha cabeça deixar de fazer esse trabalho. Além do mais, logo aconteceu um episódio que marcou minha vida. Algumas mães foram procurar o Centro de Direitos Humanos porque os filhos delas tinham sido levados para fazer roçada em uma fazenda entre Cerro Azul e Bocaiuva do Sul. Descobrimos trabalho escravo lá...

Esse episódio marcou uma batalha judicial...

O Centro de Assessoria, Pesquisa e Planejamento fazia o projeto de reflorestamento e contratava garotos em Ponta Grossa para o plantio de pinus. Os meninos passavam frio e não tinham cama para dormir. Os capatazes estavam sempre armados. Era uma jornada extensa combinada com a escravidão, pois a turma era obrigada a consumir tudo na fazenda, desde equipamentos até comida, naquele esquema de ficar devendo e nunca mais conseguir sair. Mas um deles conseguiu. E foi ao Centro de Direitos Humanos...

E você acabou processado...

Fizemos a denúncia. O problema foi na hora de apurar. A polícia disse não ter achado vestígio. Mas o que não encontrou foi o toco onde ficaram amarradas as correntes. O trabalho escravo moderno tem ou­­­tros contornos. Eu sofri um processo, que se estendeu por longos anos.

Você chegou a ser condenado a um ano de prisão...

Fui condenado, mas depois o Tribunal diminuiu a pena, estabelecendo o fim do processo. O grave é saber que ninguém jamais apurou a responsabilidade do que aconteceu àqueles jovens.

Como nasce o Frigo da CPT?

Comecei organizando pequenos agricultores na região metropolitana de Curitiba, para que conhecessem seus direitos. Mas a experiência mais interessante se deu em âmbito nacional, ao me envolver no combate aos latifúndios e na defesa dos camponeses. Digo que foi quando eu conheci de fato a desigualdade do Brasil.

Essa história o levou à Praça Nossa Senhora de Salete, em Curitiba. Vamos falar disso?

Foi no final do ano de 1999 para 2000 [quando da ocupação do MST na Praça Nossa Senhora da Salete]. Fui de madrugada ajudar os agricultores que estavam sendo despejados. Fui chamado como advogado porque algumas pessoas estavam sendo presas. A polícia não permitiu que a gente entrasse e acabei sendo detido. No dia em que saí da prisão, uma cunhada, que acompanhava minha militância, disse: “Eu sabia que um dia iria tirar você da cadeia”. [risos]

Qual foi a acusação?

Na delegacia disseram que eu tinha quebrado a perna de um policial. E nos jornais saiu que eu tinha batido na perna do PM com um pedaço de pau. A situação ficou muito grave. Recebi ameaças. Se eu saísse de casa: quebrariam minhas pernas, nunca mais andaria. Durante 45 dias recebi proteção da Polícia Federal. Tempos depois, localizei fotos que provavam que eu não tinha empurrado ninguém. O sujeito que se dizia agredido sequer foi depor e o caso foi arquivado.

O que acha da atuação do MST nos últimos 30 anos?

Acho que o movimento trouxe para o primeiro plano o que sempre ficou invisível. Nestes últimos dias, tivemos o primeiro júri de um pistoleiro pelo assassinato de um trabalhador rural. Quantos trabalhadores, quantos camponeses e quantos posseiros foram assassinados no Paraná? Quem tem ideia? Ao longo dos anos acompanhei mais de três dezenas de assassinatos no estado. Só posso achar que a luta social do MST, do sindicato e da CPT foi fundamental para a democracia brasileira.

O que falta para resolver a questão agrária no Brasil?

Estamos numa encruzilhada. O fato de o Brasil ter nas commodities agrícolas a solução aparente para os seus problemas de balança comercial gera uma propaganda, o que blinda o processo de concentração de terra e de renda no campo. Esse modelo perpetua as desigualdades, mas seu discurso convence até a presidente. Bem, o horizonte da reforma agrária está nos movimentos sociais. Depende deles. É o que penso.

Um partido ou uma ONG? Você fez a segunda opção...

A possibilidade de uma candidatura bateu à minha porta várias vezes. Mas entendi que meu trabalho político devia de ser feito no âmbito da sociedade civil. Nos anos 1990, quando recrudesce a criminalização do MST, começamos a organizar uma rede nacional de advogados populares. É uma iniciativa importante. Precisávamos de uma organização de direitos humanos que desse suporte aos trabalhadores e militantes do campo.

Daí nasceu a Terra de Direitos. “A luta continua”?

Quando comecei na militância, achava que dos anos 1980 para 1990 a questão agrária se resolveria. Mas não. O problema permanece. A terra continua concentrada. Há problemas de trabalho es­­cravo no campo e extrema po­­bre­­za. A estrutura de distribuição da terra é desigual e vigora a cultura patrimonialista. Os trabalhadores rurais não são vistos como sujeitos de direito. São tratados como pessoas de segunda categoria.


Fonte: Gazeta do Povo

Dia do Catequista - A vocação da(o) leiga(o)

Os leigos e leigas das pastorais e demais serviços eclesiais vivem sua vida cristã de forma comunitária numa paróquia ou comunidade bem como assumindo assessorias e militâncias nas atividades sociais e eclesiais.

Celebrar o dia do leigo, do catequista é reconhecer esta partilha de dons importantíssimos na caminhada ministerial da Igreja.

A ação evangelizadora da Igreja sempre contou com a participação dos fiéis leigos. É por isso que ela se caracteriza, cada vez mais, como Igreja Ministerial e Participativa. Os/as Leigos/as são pessoas cristãs que têm uma vida normal de estudo, trabalho, vida familiar, social… mas sentem o chamado de Deus e buscam maior comprometimento na Igreja. Todos os batizados são co-responsáveis na evangelização da sociedade, mas a esses e essas que buscaram formação, aceitaram e cultivaram o amadurecimento cristão pelo seguimento de Jesus, possuem a tarefa desafiadora de animar a vida da comunidade e a motivá-la para fazer acontecer a transformação da sociedade.

Em nossos tempos, a vida social clama por um novo jeito de consumir e reutilizar, principalmente, a água, novas alternativas de sustentabilidade e atuar em parcerias, pois, “outro mundo é possível se a gente quiser”. O papa João Paulo II – após Sínodo de 1987 disse: “Nestes tempos mais recentes, o fenômeno da agregação dos leigos entre si assumiu formas de particular variedade, a de participar responsavelmente da missão da Igreja de levar o Evangelho de Cristo, qual fonte de esperança para as pessoas e de renovação para a sociedade”. As atividades específicas, mesmo que um tanto complexas, apontadas no sínodo, trata-se da atuação do laicato no campo da política, da promoção dos direitos humanos, da solidariedade com pobres excluídos e sofredores.

A Igreja é comunhão e para que aumente a comunhão é necessário que tenha na Igreja, cristãos conscientes e co-responsáveis. A autonomia dos leigos na Igreja vai sendo construída num processo de luta, liberdade e responsabilidade. A caminhada se amplia e alguns leigos se tornam missionários, mas, o que diferencia o missionário leigo de um agente de pastoral, de um animador de comunidade?

A diferença está nisso: enquanto o animador atua na sua comunidade, o missionário leigo age fora de sua comunidade e é enviado por ela para testemunhar a Boa Nova aos que, geralmente, não tem quem celebre a Palavra, ofereça-lhes formação, forme comunidades e ajude a incentivar as lideranças locais ou até mesmo lugares onde há pessoas que nem professam a mesma religião.

Fruto de uma comunidade, o missionário leigo surge no cotidiano e tem como base a própria realidade, globalizada e fragilizada pela crise dos valores, aumento das pessoas excluídas, crises políticas e econômicas, concentração das riquezas, pela desvalorização da vida humana e do planeta. Consequente a referência de modernidade pela revolução tecnológica, com ela, nada mais está privado, nem endereços, nem os números, nem a religião. Tudo está conectado na grande rede que gera uma multidão de informados e solitários.

FORMAÇÃO – O sim missionário é fruto de uma opção pessoal, no entanto, sua realização depende de um processo de amadurecimento da missão, baseado na pedagogia de Jesus Cristo.

VOCAÇÃO: é Deus quem chama. É ele quem toma a iniciativa. Se não houver este chamado, dificilmente o leigo missionário resistirá numa missão desafiadora.

FORMAÇÃO: É Jesus quem forma e fortalece, ensina e caminha junto. A figura do Bom Pastor é o modelo para todo missionário. O missionário leigo é um cristão que amadurece na oração, no estudo e na vida comunitária.

MISSÃO: É Ele quem envia: “Ide”. O envio, realizado pela Igreja, lhe dá a certeza e a segurança de estar nele e com Ele.
Este caminho não é livre de dificuldades, pelo contrário, o leigo é desafiado a responder, com palavras ou ações concretas, aos questionamentos vindos de sua própria família, comunidades cristãs e da sociedade capitalista. “Vamos à outra margem” (Mc 4,35) é forte convite para ir onde não está meu mundo, minha cultura e minha família. Outro desafio diz respeito ao processo de formação e acompanhamento na pré-missão, na missão e na pós-missão.
Um caminho está sendo realizado pela Igreja para que os leigos, aqui e no além-fronteiras, possam explicitar sua vocação específica. “Ninguém ama mais do que aquele que dá a vida pelos irmãos”.

Irmã Lucelene Maria Vasconcelo

Irmã Catequista Franciscana, formada em letras-espanhol e professora nas Escolas Dom Vunibaldo e Sagrado Coração de Jesus

Fonte: A Tribuna – Mato Grosso

Dom Bruno Gamberine e o Paulistão 2008 das CEBs

Celebração de Encerramento do Paulistão das CEBs em 2008, Campinas, presidida por Dom Bruno Gamberine.
Dom Mauricio Groto Camargo apresentando Dom Bruno Gamberine que acolheu o Paulistão das CEBs em 2008

Uma multidão de aproximadamente 1400 pessoas participou do Paulistão das CEBs em julho de 2008, em Campinas (SP). Organizado pelo Regional Sul 1 da CNBB (Estado de São Paulo), o encontro reuniu lideranças das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) de todo o Estado de São Paulo para discutir práticas de preservação do meio ambiente no estado paulista, debatendo o tema CEBs na defesa dos ecossistemas do Estado de São Paulo.

Para acolher o evento, a arquidiocese de Campinas mobilizou uma grande equipe, com mais de 320 voluntários, além de 1350 famílias de sete cidades da arquidiocese, que hospedaram os delegados do Paulistão. O apoio de Dom Bruno Gamberine foi essencial para que missão de tal porte fosse realizado!

Dom Bruno Gamberine, na tarde de domingo, 28 de agosto de 2011, às 15h00, foi a óbito em decorrência de falência de múltiplos órgãos.

Jamais se furtou a se posicionar sobre a realidade, como autêntico discípulo missionário de Jesus. Através de artigos publicados em jornais, entrevistas aos Meios de Comunicação ou pelo site da Arquidiocese, tinha uma palavra refletida a partir do Evangelho.

Nunca deixou de atender aos profissionais de imprensa, pois dizia da importância dos veículos de comunicação na divulgação da Palavra de Deus, que chega onde a Igreja, muitas vezes, não tem como chegar.

Biografia de Dom Bruno Gamberini

Dom Bruno Gamberini nasceu em Matão, SP, no dia 16 de julho de 1950, festa de Nossa Senhora do Carmo e Ano Santo do Dogma da Assunção. É filho do Sr. Armando Gamberini (falecido em 1987) e da Sra. Tirsi Castellani Gamberini, terceiro filho entre um irmão e três irmãs. Foi batizado, crismado e recebeu a Primeira Eucaristia na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão.

Completou o curso primário no Grupo Escolar Estadual “José Inocêncio da Costa” e na Escola Estadual “Prof. Henrique Morato”, em Matão. Completou o segundo grau e a Filosofia no Seminário Diocesano de São Carlos (1968-1970) e Teologia no Studium Theologicum, filiado à Universidade Lateranense de Roma, em Curitiba, PR (1971-1974). Cursou, ainda, Canto Coral e regência, na Pró-Música de Curitiba.

Foi ordenado Diácono na Catedral de São Carlos em 02 de dezembro de 1973 e Presbítero na Matriz do Senhor Bom Jesus de Matão, no dia 11 de dezembro de 1974, por Dom Constantino Amstalden, Bispo da Diocese de São Carlos. Como Padre foi Coordenador de Estudos e Professor de Filosofia (1975-1977) e Reitor da Filosofia (1991-1995); Coordenador Diocesano da Pastoral da Diocese de São Carlos (1978-1979); Pároco de Ribeirão Bonito, SP (1979-1981); Primeiro Juiz Auditor da Câmara do Tribunal Eclesiástico de São Carlos (1980-1984) e depois Notário do Tribunal até 1995; Reitor do Seminário de Teologia de São Carlos em Campinas, SP (1982-1986). Foi Pároco de Itajobi e Marapoama (1987-1989), Vigário Cooperador da Catedral de São Carlos (1983-1995), ajudando nas Igrejas de São Benedito e São Judas Tadeu. Foi nomeado Cônego Honorário do Cabido da Catedral de São Carlos, em 19 de março de 1983.

O Santo Padre, o Papa João Paulo II, nomeou Dom Bruno o 4º Bispo Diocesano de Bragança Paulista em 17 de maio de 1995. Foi ordenado Bispo no dia 16 de julho de 1995, na Catedral de São Carlos Borromeu, em São Carlos, SP, sendo sagrante Dom Constantino Amstalden e Bispos Consagrantes, Dom Antônio Pedro Misiara, 3º Bispo de Bragança, e Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, Bispo Auxiliar de Salvador da Bahia. Tomou posse da Diocese em 20 de agosto de 1995. Dom Bruno escolheu como tema episcopal “Nomen Domini Benedictum” - Bendito o nome do Senhor.

Como Bispo de Bragança Paulista foi Assessor da Pastoral da Criança no Regional Sul 1; Bispo representante do Sub-Regional Campinas na representativa do Sul 1; e Membro do Conselho Pastoral do Sul 1 no ano de 1999.

No dia 02 de junho de 2004, o Papa João Paulo II nomeou Dom Bruno Gamberini como 6º Bispo e 4º Arcebispo de Arquidiocese de Campinas. No dia de sua nomeação, entre largos sorrisos, Dom Bruno dizia: “Quando passava pela região de Campinas e via essa enormidade, essa grandeza de povo e de desafios, sempre rezava a Deus pelo novo Arcebispo que o Papa nomearia. E não é que fui eu o escolhido?”