quarta-feira, 29 de junho de 2011
“Se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc 19, 40)
As denúncias de violência policial sistematicamente apresentadas às autoridades pela sociedade civil e por agentes públicos do Estado de Goiás, endossadas posteriormente pela Operação “Sexto Mandamento” da Policia Federal deflagrada em 15 de fevereiro de 2011, resultaram na prisão de 19 policiais militares suspeitos de integrarem grupos de extermínio. Lamentamos que, dentre aqueles que devem defender a vida, figurem membros que a coloquem em risco.
Diante disso, denunciamos as ameaças de mortes sofridas por lideranças religiosas e políticas engajadas no enfrentamento a essa violência e exigimos:
a) Proteção efetiva aos defensores dos Direitos Humanos em situação de ameaça;
b) Celeridade na apuração dos crimes com a consequente punição dos culpados;
c) Efetivação de um modelo de segurança pública pautada na cidadania.
Acreditamos que a superação de toda forma de violência e a construção de uma cultura de paz, se assenta numa política de segurança pública cidadã, pois “A Paz é Fruto da Justiça” (Is 32,17).
Assinam,
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Regional Centro Oeste
Conferência dos Religiosos do Brasil, Regional Goiás
Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB
Comissão Episcopal para o Serviço à Caridade da Justiça e da Paz
terça-feira, 28 de junho de 2011
Os seis chapéus do pensamento - No Trem das CEBs estamos de...
No Trem das CEBs estamos de...
CHAPÉU BRANCO – Tranquilidade, praticidade, moderação.
O branco é neutro e objetivo. O chapéu branco está relacionado a fatos e números objetivos. Ele é como um computador. Simplesmente apresenta os fatos de maneira neutra e objetiva. Não se preocupa com a sua interpretação.
Ao colocar o chapéu branco, imagine-se um computador apresentando fatos e números de atividades realizadas. Não deve se preocupar em dar opiniões e fazer interpretações. A principal preocupação deve ser a de dar o máximo de informações e preencher todas as lacunas.
Quando falamos a partir do chapéu branco fazemos ao mesmo tempo um treinamento disciplinado de nossa ação e damos uma direção. Ele possibilita socializar as informações que são necessárias. A energia do chapéu branco é dirigida para a busca e apresentação de informações.
VAMOS CONVERSAR:
1. Qual o maior desafio constado em nosso contexto sócio - econômico - político? Qual o compromisso concreto que vamos assumir para superá-lo?
2. Como a palavra de Deus ilumina a caminhada das CEBs e nos ajuda a sermos profetas e profetizas a serviço da Vida?
3. Como está a caminhada das CEBs em sua Paróquia e Diocese?
4. De que maneira estamos socializando as informações da realidade social e eclesial onde estamos inseridos?
Agora o grupo irá procurar um texto bíblico que faça menção a tudo o que é branco para as CEBs.
Reflita este texto dentro de sua realidade eclesial e social.
Faça uma oração, poema ou música que leve a pensar na dimensão branca.
No Trem das CEBs estamos de...
CHAPEU VERMELHO – Sensibilidade, afetividade, paixão.
O chapéu vermelho indica cólera, raiva, sentimentos de fracasso, derrota e outras emoções. Mas também apresenta as paixões que nos movem. O chapéu vermelho apresenta a visão emocional.
O pensamento de chapéu vermelho refere-se exclusivamente às emoções e sentimentos e aos aspectos não racionais do pensamento. O chapéu vermelho abre um canal definido e formal para trazer esses elementos à luz, como portas legítimas do mapa geral, sendo reconhecidos e legitimados.
Usar o chapéu vermelho nos dá a liberdade de dizer: “É isso que sinto a respeito desse assunto”. O pensamento de chapéu vermelho legitima emoções e sentimentos como partes importantes de pensamento. Por meio dele os sentimentos se tornam transparentes e podem ser integrados ao mapa do pensamento e ao sistema de valores que escolhe a rota a ser tomada.
Com o pensamento de chapéu vermelho, dispomos de um método para ligar e desligar o “estado de emoção”. Temos a oportunidade de conhecer os sentimentos das pessoas e os próprios.
Ao se expressar com o chapéu vermelho não há necessidade de explicar os sentimentos nem lhes dar uma base lógica.
No chapéu vermelho expressamos os sentimentos de medo, antipatia, suspeita, mas também damos palpites, expressamos as intuições, as sensações, os gostos, a nossa percepção estética que não têm justificativas lógicas. É puro instinto procurando se encaixar.
VAMOS CONVERSAR:
1. Qual o maior desafio constado em nosso contexto sócio - econômico - político? Qual o compromisso concreto que vamos assumir para superá-lo?
2. Como a palavra de Deus ilumina a caminhada das CEBs, e nos ajuda a sermos profetas e profetiza a serviço da Vida?
3. Quais são os seus palpites, intuições e impressões e sentimentos sobre o trabalho desenvolvido pelas CEBs?
4. Como nos relacionamos com as reações e aborrecimentos que experimentamos em nossa caminhada?
Agora o grupo irá procurar um texto bíblico que faça menção a tudo o que é vermelho para as CEBs. Reflita este texto dentro de sua realidade eclesial e social.
Faça uma oração, poema ou música que leve a pensar na dimensão vermelha.
No Trem das CEBs estamos de...
CHAPEU PRETO – Cautela, contestação, pensamento crítico.
O chapéu preto é sombrio e sério. Está vinculado à cautela e ao cuidado. Aponta para os pontos fracos da situação, o pensamento critico e a precaução. Ele previne erros, excessos e atitudes erradas.
Utilizá-lo significa ser cauteloso e precavido. Esse chapéu aponta dificuldades, perigos e problemas potenciais presentes no trabalho desenvolvido. Graças à sua ação evitamos problemas para nós mesmos e para a comunidade.
O pensamento do chapéu preto está ligado à precaução. Em alguns momentos temos que identificar os riscos, perigos, obstáculos, problemas em potencial e pontos negativos em um processo. Esta cautela é para evitar perigos e dificuldades. Aponta para perigos que precisam ser vistos com atenção, pois podem causar falhos ou danos. Seu propósito é revelar os riscos e descrever os perigos potenciais que podem surgir no futuro e comprometer um projeto.
Ele está associado ao sentido de precaução e adaptação. Com ele focalizamos os aspectos da sobrevivência e do sucesso do nosso trabalho.
VAMOS CONVERSAR:
1. Qual o maior desafio constado em nosso contexto sócio - econômico - político? Qual o compromisso concreto que vamos assumir para superá-lo?
2. Como a palavra de Deus ilumina a caminhada das CEBs, e nos ajuda a sermos profetas e profetiza a serviço da Vida?
3. Quais são as dificuldades e os problemas mais comuns que enfrentamos na caminhada das CEBs?
4. O que precisamos mudar para atingir nossos objetivos?
Agora o grupo irá procurar um texto bíblico que faça menção a tudo o que é preto para as CEBs.
Reflita este texto dentro de sua realidade eclesial e social.
Faça uma oração, poema ou música que leve a pensar na dimensão preta.
No Trem das CEBs estamos de...
CHAPEU AMARELO – Foco no benefício, pensamento, brilho.
O amarelo é ensolarado e positivo. O chapéu amarelo é otimista e está associado à esperança e ao pensamento positivo.
Pense na luz do sol. Pense no otimismo. Com o chapéu amarelo nos lançamos deliberadamente em busca de qualquer beneficio que se possa encontrar em determinada sugestão. E procura descobrir os meios possíveis para colocar uma idéia em pratica.
Este chapéu não é muito fácil de ser usado. Nosso cérebro tem um mecanismo de proteção que filtra muito as idéias inovadoras pra evitar os riscos e os perigos existenciais.
Precisamos nos exercitar muito para uma sensibilidade dos novos valores. Nem sempre nós percebemos a qualidade de nossas próprias opiniões inovadoras. Muitas vezes temos desconfianças e medo delas.
É uma perda de tempo esforçar-se para ser criativo quando não se tem a capacidade de reconhecer uma boa idéia. É por isso que o desenvolvimento para valores é tão importante.
O pensamento de chapéu amarelo é muito importante porque nos força a dedicar tempo para buscar os novos valores. Algumas vezes nos surgem grandes surpresas. De repente, algo que não parecia importante adquire grande valor. Se procurarmos com empenho, podemos encontrar qualidades até mesmo nas idéias menos atraentes.
É imprescindível que o pensamento de chapéu amarelo tenha uma base lógica. Temos que apresentar uma razão para justificar o valor que estamos sugerindo. Este é um chapéu de julgamento. Seu fundamento não é a fantasia.
VAMOS CONVERSAR:
1. Qual o maior desafio constado em nosso contexto sócio - econômico - político? Qual o compromisso concreto que vamos assumir para superá-lo?
2. Como a palavra de Deus ilumina a caminhada das CEBs, e nos ajuda a sermos profetas e profetiza a serviço da Vida?
3. O que de amarelo encontramos nas CEBs?
4. Quais são os benefícios alcançados em nosso em nossa caminhada? Para quem? Em que circunstâncias?
Agora o grupo irá procurar um texto bíblico que faça menção a tudo o que é amarelo para as CEBs.
Reflita este texto dentro de sua realidade eclesial e social.
Faça uma oração, poema ou música que leve a pensar na dimensão amarela.
No Trem das CEBs estamos de...
CHAPEU VERDE – Criatividade, ousadia, flexibilidade
O verde é a cor da natureza e de todo crescimento fértil e abundante. O chapéu verde sugere criatividade e novas idéias.
O chapéu verde destina-se ao pensamento criativo. Quem o coloca adota a linguagem desse pensamento. Ele aponta para resultados criativos.
O verde simboliza a fertilidade, o crescimento e o valor das sementes. O verde aponta para idéias alternativas. É uma linguagem do movimento que substitui o julgamento. O objetivo é seguir em frente com uma idéia para ver se nascem outras. O chapéu verde é muito provocativo e polêmico. Ele é usado para produzir conceitos e percepções.
O chapéu verde é o da energia. Com ele apresentamos novas idéias, expomos opções e alternativas e procuramos modificar ou melhorar propostas ou projetos em andamento.
Ele cria expectativa e surpresas. Ajuda no aumento da autoconfiança e autoestima. Ajuda na escolha de ideais que se adaptam melhor ao processo. Busca de soluções praticas
VAMOS CONVERSAR:
1. Qual o maior desafio constado em nosso contexto sócio - econômico - político? Qual o compromisso concreto que vamos assumir para superá-lo?
2. Como a palavra de Deus ilumina a caminhada das CEBs, e nos ajuda a sermos profetas e profetizas a serviço da Vida?
3. De acordo com o nosso ultimo encontro regional assumimos o compromisso com meio ambiente. Estamos de fato levando a sério, como?
4. Quais são as novas idéias, novos conceitos e novas percepções presentes em nossa caminhada?
Agora o grupo irá procurar um texto bíblico que faça menção a tudo o que é verde para as CEBs.
Reflita este texto dentro de sua realidade eclesial e social.
Faça uma oração, poema ou música que leve a pensar na dimensão verde.
No Trem das CEBs estamos de...
CHAPEU AZUL - Planejamento, organização, coordenação.
O azul é sereno e também é a cor do céu, que está acima de qualquer outra coisa. O chapéu azul refere-se ao controle, à organização do processo de planejamento e à ordem de utilização dos meios que dispomos para o nosso trabalho.
O chapéu azul nos provoca a ter uma visão a partir do alto. Ele nos leva a pensar sobre a organização do processo. Sua função é controlar o processo. Ele busca posições alternativas a um problema. Ele apresenta o propósito de um pensamento e determina o que deve ser alcançado. Ele define a estratégia do pensamento.
Ele pede resultados da ação em forma de sumário, síntese ou conclusão. Ele é aquele que se detém em algum ponto particular da ação.
Ele é o chapéu do controle. Aquele que organiza o pensamento. Ele determina o enfoque, define os problemas, molda as perguntas e estabelece as tarefas a serem executadas. Ele é o vigilante que ajuda o grupo na garantia do cumprimento das tarefas. Mantém o foco.
VAMOS CONVERSAR:
1. Qual o maior desafio constado em nosso contexto sócio - econômico - político? Qual o compromisso concreto que vamos assumir para superá-lo?
2. Como a palavra de Deus ilumina a caminhada das CEBs, e nos ajuda a sermos profetas e profetiza a serviço da Vida?
3. O que fazer para fortalecer a nossa articulação e parcerias com os movimentos sociais existentes na nossa região?
4. De que maneira o planejamento, a organização e a coordenação acontece nas CEBs de sua paróquia e diocese?
Agora o grupo irá procurar um texto bíblico que faça menção a tudo o que é azul para as CEBs.
Reflita este texto dentro de sua realidade eclesial e social.
Faça uma oração, poema ou música que leve a pensar na dimensão azul.
CEBs Regional Oeste 2
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Pais maus, filhos bons
Quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes: Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado e dizer ao dono: “Nós pegamos isto ontem e queremos pagar”.
Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto de vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração. Mais do que tudo: Eu os amei o suficiente para dizer-lhes“não”, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso, e alguns momentos até me odiaram. Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.
Estamos contentes, vencemos! Porque no final vocês venceram também!
E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães; quando eles lhes perguntarem se seus pais eram maus, meus filhos vão lhes dizer: “Sim, nossos pais eram maus. Eram os pais mais malvados do mundo.”
As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer pão, frutas e vitaminas. As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne e legumes. E eles nos obrigavam a jantar à mesa, bem diferente dos outros pais que deixavam seus filhos comerem vendo televisão.
Eles insistiam em saber onde estávamos à toda hora. Era quase uma prisão. Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Papai insistia para que lhe disséssemos com quem iríamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.
Nós tínhamos vergonha de admitir, maseles “violavam as leis do trabalho infantil”. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruel. Eu acho que eles nem dormiam à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer. Eles insistiam sempre conosco para que disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, eles conseguiam até ler os nossos pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata. Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde. O papai, aquele chato, levantava para saber se a festa foi boa só para ver como estávamos ao voltar.
Por causa de nossos pais, nós perdemos imensas experiências na adolescência: Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime. Foi tudo por causa deles.
Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo de tudo para sermos “PAIS MAUS”, como os nossos foram.
Dr. Carlos HecktheuerMédico Psiquiatra
Passo Fundo - RS
Noticia por email: Paulo José Oliveira
CEBs Sorocaba e CF , celebram Dia Mundial do Meio Ambiente
CEBs e Campanha da Fraternidade Celebram Dia Mundial do Meio Ambiente
A Equipe da Campanha da Fraternidade de Votorantim e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Arquidiocese de Sorocaba celebraram o Dia Mundial do Meio Ambiente, tema trabalhado na CF 2011, com uma Celebração Eucarística e uma Tenda na Feira Ambiental, promovida pela Prefeitura Municipal de Votorantim.
Na noite do sábado, 04 de junho, foi presidida pelo Pe. Paulo Roberto Gonzáles uma Celebração Eucarística na Paróquia São João Batista e Imaculada Conceição. A Liturgia da Solenidade da Ascensão do Senhor celebrou nossa Missão e Responsabilidade para com o Planeta Terra tão ameaçado pelos poluentes, crescente consumismo e falta de cuidados com os bens da natureza. A presença do pessoal da cooperativa de reciclagem da cidade e também de outros projetos engajados na luta pela preservação do Ecossistema enriqueceu esse momento celebrativo. No final da celebração foi partilhado com toda assembléia um pequeno sabão caseiro, feito com o óleo de cozinha usado e o sebo, para recordar nosso Compromisso com o Reino de Vida Plena do Ressuscitado.
No domingo, dia 05 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, na Praça Zeca Padeiro, dentro das atividades da Semana da Consciência Ambiental promovida pelo Município de Votorantim, uma tenda expôs os trabalhos desenvolvido pela Campanha da Fraternidade e as CEBs.
Cartazes, painéis, o material de divulgação e reflexão da CF e artesanatos feitos de materiais recicláveis demonstraram um pouco do que foi refletido durante o tempo da quaresma neste ano.
O projeto sabão, o Fundo de Solidariedade para com as vítimas de catástrofes naturais Madre Teresa de Calcutá e o Pró Cisterna mostraram os projetos desenvolvidos pelas CEBs na área do Meio Ambiente. O Projeto Rocambole Solidário trouxe a reflexão da Economia Solidária que foi refletida na CF 2010.
Projetos das CEBs promovem o Meio Ambiente e a Vida no Planeta
As Comunidades Eclesiais de Base da Arquidiocese de Sorocaba estão promovendo uma série de trabalhos buscando promover o Meio Ambiente e a Vida no Planeta.
Os trabalhos presentes em Sorocaba, Piedade, Votorantim e Araçoiaba da Serra puderam colaborar com diversas campanhas promovidas pela Cáritas Nacional, a Pastoral Nipo Brasileira e a própria CNBB.
O Fundo para Construção de Cisternas no Nordeste de nossas comunidades encaminhou até o dia 17/06/2011 R$ 68,95, por meio da Articulação do Semi-árido Brasileiro do qual a CNBB é parceira. Esse trabalho é feito por meio da venda do Rocambole Solidário e a reciclagem de garrafas PET e vidro. É também um gesto concretos de nossas CEBs em preparação ao 13º Intereclesial que acontecerá na Igreja do Crato em janeiro de 2014.
A coleta e venda de Embalagens Tetra Pack dá origem ao Fundo de Solidariedade às Vítimas de Catástrofes Naturais Madre Teresa da Calcutá. Por meio desse caixa foi possível: Enviar ao Rio de Janeiro: 332,50 e ao Japão: R$133,00. Respectivamente enviados por meio da Cáritas Nacional e da Pastoral Nipo Brasileira.
Durante o período quaresmal por meio do Projeto Rocambole Solidário foi enviado para o Fundo de Solidariedade da CNBB – R$87,00, este fundo ajuda a criar e manter diversos trabalhos em todo Brasil e é administrado pela Cáritas Nacional.
Eder Massakasu Aono
domingo, 26 de junho de 2011
Migração e meio ambiente
A frase da Carta de São Paulo aos Romanos – "a criação geme em dores de parto” (Rm 8,22) – serviu de lema à Campanha da Fraternidade de 2011, que teve como tema Fraternidade e a Vida no Planeta. A Semana do Migrante do mesmo ano retoma essa temática, sob o enfoque da mobilidade humana, na esperança de que os sonhos e lutas dos migrantes, como formas de "dores de parto” nos conduzam cada vez mais à Jerusalém celeste, simbolizada na expressão "novo céu e nova terra” (Ap 21, 1).
Constatação
As catástrofes se multiplicam por todo o planeta. Algumas exibem uma carranca de tempestade avassaladora, tais como terremotos, furacões, tornados, tufões, inundações, tsunames que tudo varrem e devastam... Outras primam pela ausência de sinais borrascosos e por um silêncio que mais parece indiferenças dos céus: é o caso das secas ou estiagens prolongadas, da progressiva desertificação do solo, do desaparecimento de rios perenes, que se tornam temporários... Mas há também a agressão do ser humano, ou de seus modelos socioeconômicos e político-culturais, que avançam indiscriminadamente sobre as florestas, comprometem os biomas e causam o desequilíbrio dos ecossistemas... E ainda a contaminação crescente do ar, pela emissão de gás carbônico ou outras formas de poluentes, contribuindo para o aquecimento global, para o degelo dos pólos e das montanhas, para a elevação do nível dos oceanos e para a destruição da camada protetora de ozônio... Por fim, a poluição dos rios, lagos e mares, deixando as águas cada vez mais impróprias para o consumo e reduzindo cada vez mais a quantidade de água potável sobre a face da terra...
Resulta que nossa "morada terrestre”, de forma às vezes invisível, imperceptível, mas sempre implacável, reduz a possibilidade de gerar e preservar a vida. Enquanto, de um lado, muitos recursos naturais são irresponsavelmente utilizados e desperdiçados, de outro, a pobreza, a miséria e a fome ainda devoram cerca de um bilhão de seres humanos em todo mundo. Pior ainda se olharmos as coisas do lado da biodiversidade, isto é, da vida em suas diversas formas. Cresce a ameaça e o desaparecimento puro e simples de várias espécies da fauna e da flora. Nem precisa lembrar que cada forma de vida que desaparece, diminui a capacidade humana de sobrevivência sobre o planeta. Com frequência temos sentimentos carinhosos e ternos com o globo, chamando-o não raro de "mãe-terra”. Mas, primeiro nos países do ocidente e agora por toda parte, com o passar do tempo vamos impedindo que a Terra seja de fato a mãe da vida. A ação violenta e exploratória dos projetos humanos sobre ela e seus bens, engendra uma espiral de grave esterilidade.
Tanto que, hoje em dia, quando falamos de "catástrofes naturais” é quase obrigatório o uso das aspas. Até que ponto as convulsões do planeta, com suas tormentas, ventanias e ondas gigantes, são efetivamente fenômenos naturais? Os cientistas, os ambientalistas e uma série de organizações não governamentais e de movimentos sociais nos alertam que, em não poucos casos, tais catástrofes se originam na agressividade do "progresso técnico” sobre o sistema ecológico. O planeta reage violentamente ao ritmo e à velocidade, igualmente violentos, que sobre ele se abateu particularmente a partir dos séculos XVIII e XIX, com a consolidação da Revolução Industrial. Que o atestem a queima de combustíveis fósseis (carvão, gás e petróleo), a derrubada das matas nativas e a quantidade de dejetos que são jogados no solo e na água.
As regras do desenvolvimento são ditadas pelo mercado, com sua voracidade de lucro como motor dos avanços tecnológicos. A ciência trouxe evidentemente melhorias significativas nos transportes, nas comunicações, na medicina e no conforto pessoal e familiar. Mas, aliada à tecnologia de ponta, produziu gigantescas máquinas de matar. De fato, a indústria bélica constitui, em geral, a ponta de lança dos avanços de maior envergadura. Não é à toa que as tensões, os conflitos abertos e as guerras proliferam e se avolumam em capacidade destrutiva e em número de vítimas fatais. Depois de Primeira e Segunda Grandes Guerras Mundiais, um espectro ronda furiosamente nossas portas e janelas: a ameaça de destruição total. Os princípios éticos na prática política, bem como a subordinação da economia a políticas públicas, atualmente parecem uma verdadeira comédia. A fome de acumulação capitalista atropela todo tipo de moral e de prática bem intencionada.
Efeitos nocivos
Dos parágrafos anteriores, se deduz um quadro nada animador. A própria emergência do prefixo "bio” (=vida) nas últimas décadas atesta o fato. Por uma parte, esse prefixo grego se familiariza e populariza, passando das universidades e laboratórios para as ruas, as conversas diárias e para o interior das famílias. Sinal evidente de que a vida está ameaçada em toda a sua variedade. Quando o tema da vida ganha a pauta de grande parte dos encontros, seminários, reuniões, assembléias, romarias, cursos, etc. é sintoma que algo não vai bem com ela. Por outra parte, ao lado da ameaça progressiva, cresce a consciência de que é necessário fazer alguma coisa – e com urgência. O planeta está enfermo e, de acordo com a sabedoria popular, a saúde deve estar em primeiro lugar. Está em perigo o equilíbrio dos ecossistemas e a biodiversidade a eles vinculada. Uma bomba atômica silenciosa paira sobre seres humanos, animais e plantas.
A proliferação de doenças, algumas já extintas da face da terra, é outra conseqüência desse estado de coisas. Se o planeta está enfermo, tudo nele tende a se contaminar. O vírus da ganância, da produção e do consumo exacerbado desequilibrando uma convivência sadia com os recursos naturais, traz de volta epidemias já conhecidas e amplamente combatidas. Faz vítimas aos milhões, especialmente entre os países mais desprotegidos, como Somália, na África, Bangladesh, na Ásia, ou Haiti, na América. Aqui caberia um estudo técnico que pudesse nos alertar para a relação entre a deterioração do meio ambiente e o retorno de doenças mortíferas que estão atingido setores indefesos e abandonados da população global.
Não custa repetir os efeitos do derretimento das geleiras, do aquecimento global e da elevação dos oceanos – todos interligados. Neste ponto, o problema ecológico se cruza com a questão social. Com efeito, as primeiras pessoas vitimadas são aquelas que habitam os lugares mais vulneráveis a cheias, enchentes, inundações, etc. Não possuem condições econômicas para escapar à ameaça crescente. Enquanto os poderosos tomam conta dos lugares mais protegidos, sobra para os pobres os mangues, a beira dos rios e ribeirinhos... Mas não é só isso. Suas próprias moradias não resistem à fúria dos ventos e tempestades. Em casos de terremoto, tsuname, furacão, enchente... Quantos morrem sob os escombros e as ruínas de suas pobres casas ou barracos!
No cruzamento entre a devastação do meio ambiente, por um lado, e o fenômeno da mobilidade humana, por outro, novos rostos passam a desfilar pelas páginas dos jornais, pelas imagens da televisão e por todos os meios de comunicação: são os chamados migrantes climáticos. Ou também refugiados e "desplazados” climáticos. As cifras aqui são as mais desencontradas: entre o piso e o teto das estimativas, os números ultrapassam sempre as centenas de milhões. Neste caso, o círculo se completa: o sistema capitalista avança sobre a face da terra, queima combustível para gerar energia, explora desmedidamente recursos humanos e naturais; a natureza reage com estiagens ou tormentas totalmente imprevisíveis e irregulares, varrendo e devastando regiões inteiras; atingidos por tamanha fúria, os povos se põem em fuga.
Dito de outra forma: a busca de novas matérias primas e de novos mercados, isso é, o ritmo frenético e alucinado da produção/consumo, força a economia a uma globalização progressiva; esta, por sua vez, força os elementos da natureza a um ritmo antinatural, que ocasiona desequilíbrios cada vez mais acentuados nos ecossistemas e na rede entre eles; tais desequilíbrios se revelam em catástrofes anunciadas – e agora sem aspas; semelhantes catástrofes, por fim, semeiam o medo e a insegurança, levando pessoas, famílias e povos inteiros à migração forçada. As populações ameaçadas crescem em proporção direta da ação violenta do ser humano sobre a natureza, a qual se reverte sobre a própria humanidade, vitimando evidentemente os mais frágeis e vulneráveis.
Daí o vínculo cada vez mais estreito entre mudanças climáticas e migrações forçadas. Aliás, de forma geral, os deslocamentos humanos de massa, representam como que termômetro de grandes mudanças: ondas superficiais de correntes subterrâneas. Fenômeno visível de transformações sociais invisíveis. As revoluções históricas costumam ser precedidas, acompanhadas ou seguidas de grandes marchas populacionais. O mesmo critério aplica-se hoje às turbulências de ordem climática. Da mesma forma que a queda ou ascensão dos impérios, ou da mesma forma que a violência em todas as suas manifestações, costuma produzir grande quantidade de "desplazados”, os abalos sísmicos no planeta (e não somente os terremotos) também põem populações inteiras em marcha.
Tudo leva a crer que semelhante ligação entre as crescentes catástrofes (nada naturais!) e os deslocamentos humanos só tende a estreitar-se cada vez mais. Por uma parte, há milhões de seres humanos em fuga por motivos de violência, por razões socioeconômicas ou por perseguição política e até religiosa; por outra parte, o número dos que hão de migrar por causa de inundações, terremotos, furacões, tsunames, tornados, estiagens, e assim por diante, tende a engrossar o rio mundial e caudaloso da migração compulsória. Exemplos disso podem ser a Indonésia, as Filipinas, o Haiti e outras ilhas do Caribe, o Bangladesh, entre tantos outros países. Com ração, multiplicam-se os encontros nacionais, regionais e internacionais sobre o meio ambiente, ao lado da preocupação com as populações mais atingidas. Pena que alguns países, especialmente os mais responsáveis pelo quadro sombrio apresentado, como, por exemplo, os Estados Unidos, se revelem tão obstinados em prosseguir com o ritmo antiecológico de sua economia.
Um olhar bíblico
Três textos bíblicos podem jogar alguma luz sobre o tema do meio ambiente e migração. No primeiro caso, tomemos o Livro de Gênesis. Nele, o arco-íris constitui o sinal da aliança de Deus com seu povo. O surpreendente é que a aliança leva em conta não apenas os homens e mulheres, mas "todos os seres vivos” e "todas as gerações futuras”. Duas expressões que atestam, de um lado, uma espiritualidade plural, a qual respeita todas as formas de vida e, de outro, que se propõe preservar a vida para aqueles que ainda irão nascer. A biodiversidade e a preocupação com a vida sem fim encontram-se no coração dessa mística que tem como fundamento a experiência do êxodo. E o texto insiste: a aliança é estabelecida entre Deus e o povo, mas em nome de "todo ser vivo que se move na face da terra” (Gn 9, 12-17).
Está claro que a exploração desenfreada e comandada pelo lucro a qualquer preço encontra-se na contramão desses princípios bíblicos. O projeto de devastar, violar e extrair capital sobre capital da face do planeta contrasta frontal e radicalmente com a aliança que Deus estabelece com o Povo de Israel. A experiência de Deus, vivenciada por esse povo de caminhantes, leva em conta o cuidado e a preservação da vida em todas as suas formas.
Passemos ao segundo texto, da Carta de São Paulo aos Romanos. Nele, o apóstolo diz que "a criação foi submetida à vaidade”, mas insiste sobre "a esperança de que ela também será libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus”. Que significa a criação submetida à vaidade e à corrupção? Que significa sua libertação? A civilização humana sobre o planeta Terra, especialmente nos países ocidentais (mas não só), fundamentada no egoísmo, na ganância, na prepotência e no acúmulo ilimitado de poder e riqueza gerou impérios sobre impérios. Vaidade e corrupção eram seus alicerces. Uns caem e, sobre suas ruínas, outros se levantam. Nesse afã, são explorados até o limite tanto os recursos naturais, quanto a força de trabalho humana e o patrimônio cultural. Como libertar-se desse círculo de ferro?
E aí reside a angústia de Paulo. Mas também sua fé em mudanças substanciais. Por isso afirma com otimismo: "sabemos que a criação inteira geme e sofre as dores do parto até o presente; e não somente ela; mas também nós que temos as primícias do Espírito, gememos interiormente, suspirando pela redenção do nosso corpo” (Rm 8,18-25). Corpo e criação se ligam de forma indissolúvel. A criação é uma extensão do corpo: enquanto neste o sangue corre e mantém a vida, naquela o ar, o oxigênio e a água constituem a garantia da sobrevivência para todas as espécies, humana, vegetal e animal. A criação, se e quando bem preservada, é a casa do corpo, ou melhor, de todos os corpos e da vida.
Por último, passemos ao Livro do Apocalipse. No texto, o autor diz textualmente: "vi então um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra se foram. Nisto ouvi uma voz forte que dizia: ‘eis a tenda de Deus com os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo, e ele, Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele enxugará toda lágrima de seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem clamor, e nem dor haverá mais. Sim, as coisas antigas se foram’” (Ap 21,1-4). Evidente que o texto não se refere ao meio ambiente ou à relação do ser humano com a preservação da ecologia e tampouco ao fenômeno das migrações.
Mas quando o autor afirma que "o primeiro céu e a primeira terra se foram”, ou que "as antigas coisas se foram”, tem como referência a lágrima, o luto, o clamor, a dor e a morte. Dominada e explorada pelos seres humanos, ao invés de ser por eles cuidada, a terra se tornou palco de sofrimento e destruição. A convivência pacífica entre as diversas espécies de vida deu lugar ao uso indiscriminado da biodiversidade. Fauna e flora servem à cobiça das nações e dos poderosos. Na base de tudo está o centralismo do ser humano – ou antropocentrismo – que privilegia o prazer do momento, sem se preocupar com o futuro. Desenvolveu um padrão de vida que não condiz com o ritmo lento e sábio da natureza. Para garantir o luxo e o desperdício, destrói e devasta cada vez mais. Daí a necessidade de "um novo céu e uma nova terra”.
Conclusão
Como as águas de um rio correm naturalmente para o mar e a fumaça se eleva naturalmente para o alto, os parágrafos anteriores reclamam naturalmente por um novo marco civilizatório. A exploração pura e simples dos recursos naturais deve ser substituída pelo uso parcimonioso, frugal e responsável; o crescimento cego e devastador, panacéia para todos os males, deve dar lugar a um desenvolvimento sustentável; a tecnologia de ponta deve estar a serviço de uma melhor distribuição dos benefícios do progresso e dos bens que a terra contém; relações justas e fraternas podem substituir o acúmulo crescente e indiscriminado; enfim, uma economia solidária se apresenta como única alternativa às leis férreas do mercado total.
Isso traz duas implicações de curto, médio e longo prazo. A primeira delas é que uma nova civilização ou uma nova cultura humana exige relações diferentes com o planeta e com a natureza. No mundo ocidental tem predominado uma relação fortemente masculinizada: penetrar, explorar, investigar, enriquecer, acumular, devastar especular... Talvez precisemos resgatar e cultivar o elemento feminino, tanto de homens quanto de mulheres. Trata-se do elemento que prima menos pela exploração dos objetos e mais pela coexistência e a preservação das coisas e da vida. Por estar mais próxima da geração e do cuidado com a vida, a mulher tem um papel fundamental nessa nova maneira de conviver com o planeta terra e seus recursos. Cultivar e cuidar da vida em todas as suas formas (biodiversidade) é o grande desafio de uma civilização geocêntrica.
A segunda implicação nos remete novamente à questão das migrações. Uma civilização centrada no cuidado com a natureza e com as diversas formas de vida diminui consideravelmente suas reações violentas. Diz com razão o ditado popular que "Deus perdoa, mas a natureza não”. Tal como a agressão a ela, sua vingança é devastadora. Varre da face da terra e desaloja milhões de pessoas. É verdade que a destruição do meio ambiente já está em um estado bem avançado, de acordo com os estudiosos. Não é do dia para a noite que vamos reverter o quadro das catástrofes em curso.
Mas algo tem que ser feito é com a máxima urgência. Aqui cabem ações de todo tipo: desde acordos internacionais, multi ou bilaterais, até políticas públicas para a preservação do meio ambiente, passando por atitudes individuais de maior frugalidade e uso correto dos bens à disposição de todos. Convém não esquecer, a esse respeito, as várias iniciativas de reciclagem que já se desenvolvem. Por si só, elas nos mostram que as temáticas relacionadas ao meio ambiente, envolvem simultânea e necessariamente o campo e a cidade. O que se busca, no fundo, são relações justas e solidárias, sem em nível pessoal, familiar e comunitário, seja em termos nacionais, regionais e internacionais.
Fonte: Adital
Um tijolo na casa coletiva deste sonho
A fome endêmica atingindo milhões de brasileiras e brasileiros acabou no Brasil, graças ao Fome Zero, às políticas do governo Lula, à participação da sociedade civil, com ações coordenadas pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), e ao engajamento voluntário e consciente de milhões de brasileiras e brasileiros, organizados ou não.
O Brasil, agora, coloca-se outro desafio até 2014: acabar com a extrema pobreza e a miséria, que ainda estão presentes, segundo o Plano Brasil sem Miséria lançado pela presidenta Dilma, na vida de 16,2 milhões de pessoas, meia Argentina.
Há hoje ainda outro problema, quase tão sério quanto a fome: a obesidade, que ameaça tornar-se crônica e atinge amplos setores da população, de A a Z, ricos, pobres e remediados, ainda que com causas, resultados e conseqüências diferentes para cada um. As pessoas comem mal e/ou demais.
Neste contexto e realidade, os Conseas nacional, estaduais e municipais e governos, em todos os níveis, estão preparando a 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, a realizar-se em Salvador de 7 a 10 de novembro de 2011, com o lema "Alimentação Adequada e Saudável: Direito de Todos”.
O mundo está em crise geral. Crise econômica, ambiental, crise de valores. O desemprego bate à porta dos países ricos, ditos desenvolvidos. Os trabalhadores dos países centrais vêem crescer a fome, até a miséria. A fome, que atingia 850 milhões de pessoas no mundo, aumentou, atingindo hoje quase 1 bilhão. Tsunamis, terremotos, enxurradas, tempestades e chuvaradas atingem todos e tudo, com conseqüências desastrosas, perdas materiais, mortes, choro e ranger de dentes. O consumismo do "ter” invade famílias, comunidades e corações, sem olhar se leva à solidariedade, à justiça e à dignidade.
Monopólios e oligopólios destroem sementes crioulas e culturas milenares, espalham agrotóxicos, poluem rios e riachos, criam alimentos sem sal, sem sabor, artificiais, e impõem preços e hábitos alimentares.
Ao mesmo tempo, a resistência se fortalece: os jovens de Barcelona, as mulheres dos países árabes, o povo latino-americano. Os agricultores agro-ecológicos voltam às raízes. Consumidores conscientes rejeitam o plástico, os anabolizantes, as injeções químicas e transgênicas. Querem um mundo para viver e respirar. Querem paz. Querem alimentos saudáveis. Querem direitos. Querem liberdade.
Realizar uma Conferência para discutir alimentação saudável e adequada como direito de todos vai à raiz dos problemas e das soluções e ao cerne das mudanças urgentes e necessárias. A voz militante de quem quer um outro mundo possível está engajada no esforço coletivo. Não há mais o que e como esperar. Não só a fome tem pressa, como dizia Betinho. Também os direitos, também a fraternidade, também o meio ambiente, as árvores e a floresta. Não ao consumismo. Não ao lucro desenfreado. Não às guerras. Não à concentração de terra, renda, riqueza e poder. Sim à vida, sim à simplicidade, sim ao bem-viver indígena.
O Brasil e seu povo estão fazendo a sua parte. Mas há muito por andar. O caminho é longo e precisa de engajamento geral. Uma andorinha apenas não faz verão. A 4ª Conferência espera a presença, o apoio entusiasmado e sorridente daqueles que continuam sonhando, daqueles que acreditam no futuro, dos homens e mulheres de boa vontade cheios de esperança e fé em si mesmos, nos outros e nas outras.
Nem gordos, nem magros. Saudáveis. Nem famintos, nem pobres, nem miseráveis, nem ricos ou super-ricos. Iguais. Sujeitos de direitos, protagonistas de um mundo justo com alimento adequado e saudável para todos e todas: homens, mulheres, jovens, idosos, crianças, adolescentes, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, agricultores familiares e camponeses, militantes da economia solidária, acampados e assentados, vileiros e moradores de favelas, população em situação de rua, catadores de material reciclável, trabalhadores e trabalhadoras, funcionários públicos e professores.
Somos todos e todas parceiros e parceiras. Companheiros e companheiras, no sentido original da palavra, que vem de ‘cum pane’, no latim. Ou seja, ‘com pão’: o pão repartido, o pão comunitário, o pão partilhado, o pão nas bocas e mesas sem distinção de cor, de raça, de gênero, de origem, de posses. O pão da vida, o pão da esperança, o pão do futuro.
O chamamento é este, a hora é essa. A 4ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional é uma pedra, um tijolo na casa coletiva deste sonho. Basta você estender a mão e colocá-los no lugar devido, no lugar que merecem.
Em vinte e quatro de junho de dois mil e onze.
Digníssima Ministra, ausente
"Gostaríamos de entregar esse documento e falar com a Ministra. Mas como ela não pode estar entregando à senhora esse documento.” Era grande movimentação na escola indígena Tengatui, aldeia Jaguapiru, terra Indígena Dourados. Uma multidão de indígenas estava recebendo seus documentos civis, nos quais consta também o nome do povo. Conforme a imprensa local foram entregues mais de 7 mil documentos. É parte do mutirão de cidadania para ao qual a Ministra viria. Trata-se de uma atividade ampla na qual estiveram envolvidos vários órgãos públicos.
Foram entregues os documentos para a secretária da Ministra Maria do Rosário. Beatriz se comprometeu em fazer chegar os documentos até a ministra. Um dos documentos pedia uma audiência com a ministra em Brasília, e o empenho de Maria do Rosário em agendar também audiência com outros ministros. A proposta é de uma delegação dos indígenas do Mato Grosso do Sul seguirem para a capital federal em breve.
"Em nome dos Terena também gostaríamos de entregar, um documento falando do grave atentado que sofreram alunos nossos”, disse Edson. Ao mesmo tempo questionou "gostaríamos de saber qual é o pensamento da presidente Dilma a respeito dos povos indígenas, pois nesses seis meses de seu governo não ouvimos ela pronunciar a palavra índio, nenhuma vez”.
Acampamento Ta’anga Yvy
Em volta de uma acolhedora sombra de um enorme e solitário Kurupa’y (angico do campo) se espalham 27 barracos, de poucos metros quadrados cada um. É ali que a resistência acampou. Chatelin, Ambrosio e seus companheiros de luta e esperança fincaram ali os direitos sobre seu território. Voltaram a esse seu tekohá no início deste mês.
Receberam a solidariedade de uma comissão do Conselho da Aty Guasu e o representante da Comissão Nacional de Política Indigenista. Quando os indígenas chegaram há duas semanas os fazendeiros se ouriçaram, fecharam o local com seus potentes tratores e luxuosas camionetes, tentando intimida-los. Logo em seguida procuraram o caminho da cooptação. Ofereceram às lideranças significativas somas em dinheiro para que demovessem seus parentes a deixarem o lugar. Getúlio relata as três ofertas em dinheiro e diz que a todas as ofertas as lideranças disseram que não lhes interessava o dinheiro, pois estavam lutando pela sua terra, onde viveram seus antepassados e onde viverão seus filhos.
Lideranças do acampamento vieram trazer sua luta e solicitar o apoio e solidariedade de todos os parentes Kaiowá Guarani e Terena reunidos no 3º. Encontro de acadêmicos indígenas, vereadores e lideranças Kaiowá Guarani, Terena e Kadiwéu.O encontro foi promovido pelo programa Rede de Saberes, integrado por várias universidades do Mato Grosso do Sul.
No dia 19, a comissão que ficou para falar com a Ministra dos Direitos Humanos e entregar documentos, passou antes no acampamento da retomada do tekohá Ta’nga Yvy. Viram os mapas históricos que mostram que o local onde está o acampamento fazia parte da reserva indígena Dourados.
Ação genocida contra os Terena
Edson, representante do povo Terena, dirigiu-se à secretária da Ministra de forma muito direta dizendo "Estamos entregando à senhora um documento relatando a grave agressão aos nossos direitos com o atentado contra um ônibus com nossos estudantes. Queremos que os responsáveis sejam punidos. Também ficamos muito preocupados com o silencia da presidente, pois não ouvimos ela dizer a palavra índio nenhuma vez”
"Nós, representantes indígenas do povo Terena, juntamente com as lideranças, professores indígenas e vereadores Kaiowá e Guarani, presentes no III Encontro de Acadêmicos Índios e Política Partidária, nos dias 17 e 18 de junho, em Dourados, vimos pelo presente documento manifestar nosso repúdio e indignação à ação genocida ocorrida na terra indígena Cachoeirinha (03/06), do povo Terena, onde um ônibus escolar que fazia o transporte de indígenas para a rede escolar de Miranda, na volta para a aldeia, foi atacado por pessoas, ainda não identificadas, que incendiaram o ônibus ferindo gravemente vários estudantes Terena bem como o motorista”. (Nota de repudio...)
Movimento Povo Guarani Grande Povo
Dourados, 21 de junho 2011.
Fonte: Adital
