terça-feira, 29 de março de 2011

Frei Betto: “MST e a Teologia da Libertação”







Sábado 26/03/2011, os movimentos e pastorais sociais da Grande ABCD e convidados de outros locais do estado, participaram de encontro em São Bernardo do Campo, na Universidade Metodista, , teve a assessoria do Frei Betto, que compartilhou uma análise da importância da Teologia da Libertação no combate a ditadura militar, bem como da necessidade e urgência da luta pela reforma agrária, e o papel dos movimentos sociais nessa luta, em especial do Movimento dos Sem Terra.

Ao final, com muito entusiasmo, falou ainda de política e do processo de fé e vida, a mística que motivou a vida pública de Jesus, como também deve ser essa mesma mística motivadora de nossas ações.

No período da tarde, foi exibido o documentário: “Ato de Fé”, que fala da vida dos dominicanos na época da ditadura brasileira.

Argentina - Padre que abençoava voos da morte é denunciado durante missa

O padre alberto Angel Zanchetta, que em 2009 se aposentou como capitão de fragata e capelão da Marinha, é acusado de ter abençoado os voos da morte por meio dos quais presos políticos e desaparecidos eram lançados ao mar durante a última ditadura argentina. No último domingo, Zanchetta foi denunciado publicamente por jovens militantes peronistas e familiares de desaparecidos enquanto rezava missa em uma paróquia de Buenos Aires. Os moradores da região pediram sua remoção imediata da paróquia.

Um padre que abençoava militares argentinos e os voos da morte por meio dos quais a ditadura jogava presos políticos-desaparecidos vivos no mar, foi localizado por jovens militantes em uma paróquia de San Martín, na província de Buenos Aires, e denunciado publicamente enquanto rezava a missa. O padre Alberto Angel Zanchetta, que em 2009 foi aposentado como capitão de fragata e capelão da Marinha, continua exercendo o sacerdócio em paróquias da capital argentina e arredores, apoiado pelo cardeal Jorge Bergoglio.



Entre os anos 1975 e 1976, Zanchetta serviu na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), considerada o maior centro clandestino de detenção da ditadura e onde desapareceram cerca de 5 mil pessoas. Depois que o Ministério da Defesa, comandado pela advogada Nilda Garré, determinou a remoção de Zanchetta em 2009, o jornal Página/12 descobriu-o em uma igreja do antigo bairro de San Telmo.

Diante do escândalo, a cúpula da Igreja Católica enviou-o para Itália por um tempo e acreditando que tudo havia caído no esquecimento, decidiu reintegrá-lo à paróquia da localidade de 3 de fevereiro, próxima da de San Martín, onde ele foi novamente localizado por familiares dos desaparecidos e sobreviventes. No dia 6 de março, o padre foi enviado então para a paróquia de San Martín, mas ele foi mais uma vez localizado por familiares de desaparecidos que alertaram os moradores do lugar.

Quase ao terminar a missa, no último domingo, um grupo de militantes da Juventude Peronista Evita e familiares de vítimas seguiram atentamente seu sermão, carregado de intrigas políticas. Um dos jovens levantou-se, interrompeu a missa e disse a todos os assistentes que aquele padre havia estado na ESMA durante a ditadura, enquanto seus companheiros distribuíam um panfleto contendo um alerta aos moradores. “Na igreja de seu bairro um assassino está rezando a missa” – denunciava o panfleto.

No dia seguinte, integrantes da Pastoral Social pediram ao bispo da região que retirasse Zanchetta da paróquia. A comunidade espera agora uma decisão da Cúria, enquanto seguem aparecendo cartazes dizendo que, como aconteceu com os nazistas, os assassinos da ditadura serão buscados não importa onde forem.

No livro El vuelo, de Horacio Verbistky, o ex-capitão da Marinha, Adolfo Scilingo – preso atualmente na Espanha – fez sua primeira revelação sobre sua participação nos vôos da morte. Ele relatou que no regresso do primeiro vôo em que atuou jogando pessoas ao mar se sentiu muito mal e se aproximou de um capelão da Marinha, que o acalmou dizendo que era uma morte cristã porque as vítimas não sofriam.

A organização Hijos (de desaparecidos) solicitou a um juiz federal que denuncie Zanchetta, que juntamente com outro capelão, Luiz Antonio Manceñido, são apontados como confessores dos militares da Marinha, já tendo sido reconhecidos por sobreviventes.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior

Progressistas começam a semana desfalcados...

O campo progressista começa a semana lamentando uma grande perda, a do padre belga Joseph Comblin, um dos fundadores na Igreja Católica da Teologia da Libertação, por isso mesmo um dos religiosos mais perseguidos nos anos de chumbo da ditadura militar brasileira.

Padre Comblin morreu de um ataque cardíaco, nesse domingo, na comunidade Recanto da Transfiguração, em Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador, onde estava hospedado já em tratamento de saúde. Ele enfrentava problemas cardíacos e usava marcapasso.

O religioso belga foi um dos criadores da Teologia da Libertação, o movimento que de meados dos anos 60 a meados dos 80 provocou uma guinada e sacudiu a Igreja Católica no Brasil e em toda a América Latina, levando-a a conferir maior prioridade às questões sociais.

Comblin chegou ao Brasil em 1958 e após trabalhar em Campinas foi para Pernambuco em 1964, com d. Helder Câmara que acabava de ser nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Perseguido pelo regime militar, ele foi detido e deportado, em 1972, ainda no aeroporto de Guararapes, Recife, quando desembarcava de uma viagem à Europa.

Ditadura o deteve e o deportou doAeroporto dos Guararapes

Exilou-se no Chile e quando retornou ao Brasil foi trabalhar com dom José Maria Pires, então bispo de JoãoPessoa. Desde o ano passado, padre Comblin morava na cidade de Barra, na Bahia, com o bispo da diocese, d. Luiz Cappio, conhecido nacionalmente por ter feito greves de fome contra a transposição daságuas do rio São Francisco.

Como disse seu amigo, o padre Eduardo Hoornaert, ao repórter José Maria Mayrink, do Estadão, Comblin foi o maior teólogo da América Latina.

“Perdemos um mestre e um guia inquieto e exigente como os velhos profetas, denunciando sempre nossas incoerências na fidelidade aos preferidos de Deus: o pobre, o órfão, a viúva, o estrangeiro”, completou padre Oscar Beozzo, historiador e teólogo, ex-porta-voz da Arquidiocese de São Paulo.


Fonte: Correio do Brasil

A primeira geração da Teologia da Libertação

O falecimento do Pe Comblin nos faz enfrentar uma realidade inevitável: a primeira geração (provavelmente a mais criativa e rigorosa) da teologia da libertação está aos poucos chegando ao limite da vida.

Uma forma de homenagear pessoas como Comblin é continuar a tarefa de uma reflexão crítica séria comprometida com a causa dos pobres e também de divulgar o seu pensamento para novas gerações de estudante de teologia ou de agentes pastorais.

Pensando nisso é que resolvi escrever este pequeno texto. Mas é uma tarefa muito difícil escrever em uma página o que significou a pessoa e a obra de Pe Comblin para as igrejas cristãs na América Latina e também para muitos não cristãos que conheceram, por exemplo, o seu livro “A ideologia de segurança nacional”. Por isso, eu quero simplesmente compartilhar algumas idéias de Comblin que me marcaram nos últimos 30 anos.

Se há uma palavra que marcou a minha leitura da vastíssima obra de Comblin é a liberdade. Ele disse: “Segundo a Bíblia, a liberdade é mais do que uma qualidade, um atributo de ser humano: é a própria razão de ser de humanidade.” E a afirmação de Paulo de Tarso, “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gal 5,1)” pode ser visto como o mote que guiou a sua obra. Esta busca de liberdade, que impulsiona a luta pela libertação, não pode ser confundida com uma visão moderna burguesa da liberdade. “Não é livre aquele que diz que faz o que quer, mas, na realidade, não sabe resistir à pressão dos desejos, tornando-se escravo dos objetos que excitam o seu desejo.” Nestes casos, a liberdade pressupõe a libertação dos desejos individuais e a sua realização no assumir o serviço e a causa em favor dos mais pobres.

A sua reflexão crítica não era direcionada somente à visão burguesa da vida e da liberdade, mas também a outras teses presentes no nosso meio. Já na década de 1960, quando muitos do cristianismo de libertação estavam descobrindo o marxismo e o utilizando nas análises sociais e nas propostas políticas, Comblin criticava filosofias da história que anunciam um caminhar necessário da história humana para a erupção do Reino da Liberdade (marxismo) ou para “cristificação do universo” (inspirado em Teilhard de Chardin), quando começaria a verdade história humana, plena de harmonia. A sua crítica constituía em duas idéias centrais: a) a liberdade não pode nascer da necessidade; isto é, se a histórica caminha necessariamente para um ponto, este não é liberdade porque processos históricos necessários não podem gerar a liberdade, pois não haveria opção de não chegar; b) esta visão de que após a “revolução final” iniciaria a verdadeira história humana é um mito que desqualifica a história humana a uma pré-história.

A sua reflexão a partir da liberdade se aplica também sobre a noção de Deus. Para ele, a tradição bíblica difere da tradição Greco-Ocidental que busca em Deus o fundamento da ordem atual ou da nova ordem a surgir necessariamente (Deus como motor criador da nova ordem). “Na Bíblia, todavia, tudo é diferente porque Deus é amor. O amor não funda ordem, mas desordem. O amor quebra toda estrutura de ordem. O amor funda a liberdade e, por conseguinte, a desordem. O pecado é conseqüência do amor de Deus.”

“Que Deus é amor e que a vocação humana é a liberdade são as duas faces da mesma realidade, as duas vertentes do mesmo movimento”. Segundo esta forma de ver Deus e o sentido da existência humana, Deus não é mais um ser todo-poderoso que impõe sobre o mundo a sua vontade conduzindo a história para um fim já pré-estabelecido. Uma visão presente não somente em setores conservadores, mas também em diversos setores considerados “progressistas” e eco-socialmente engajados. Deus vem ao mundo como alguém que se fez impotente diante do ser humano livre: “esvaziou-se a si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana” (Fl 2,7).

Para Comblin lutar pela libertação e uma vida de liberdade não é lutar por um mundo sem mal, pois não é possível vivermos a liberdade sem a possibilidade do mal e do pecado. Deus fez o mundo tal que o pecado é uma possibilidade inevitável. Por isso, ele retoma um texto bíblico muito citado por Juan Luis Segundo, “Já estou chegando e batendo à porta. Quem ouvir minha voz e abrir a porta, eu entro em sua casa e janto com ele, e ele comigo” (Ap 3,20) e diz: “se ninguém abrir, Deus aceita a derrota sabendo que sua criação fracassou. Deus criou um mundo que podia fracassar.”

Essas palavras mostram uma característica de Comblin que sempre admirei: a sua coragem profética de dizer coisas que podem contrariar nossos desejos românticos, desejos que nos levam para fora da história humana e do ser humano real. Assim, ele cumpriu com a sua obra um dos propósitos da teologia da libertação: ser uma reflexão crítica sobre o mundo idolátrico e também sobre a nossa religiosidade e experiência de fé, a serviço da liberdade-libertação dos mais pobres.

Jung Mo Sung


Fotos: na Casa de Oração do Povo da Rua – lançamento do livro A Profecia na Igreja, do Padre Comblin - março/2009.

segunda-feira, 28 de março de 2011

CEBs Regional Nordeste 3







Entre os dias 26 e 27 de março de 2011, a Paróquia Santa Rita de Cássia, Itabuna-BA, recebeu convidados pertencentes às Comunidades Eclesiais de Base, mais conhecida como CEBs, dos estados da Bahia e de Sergipe, que compõem a Regional Nordeste 3.

Os convidados foram acolhidos na Paroquia Santa Rita de Cassia e aproveitaram a oportunidade para conhecer as instalação tanto da Paróquia, quanto de locais que serão utilizados no próximo ano, na realização do 6º Nordestão das CEBs.

O encontro teve como objetivo discutir a situação urbana na sociedade, sendo que no sábado o palestrante Marcos expôs o contexto atual dentro de uma perspectiva de Pastoral Urbana.

Outros encontros acontecerão na paróquia, sendo que o próximo está previsto para o mês de julho.


Em torno de 50 pessoas, entre elas padres, freiras e leigos engajados das diversas dioceses do Regional Nordeste III participaram da 1ª Ampliada do Regional em preparação ao Nordestão, nos dias 26 e 27 de março, no salão paroquial da igreja Santa Rita de Cássia, em Itabuna.

Ao som de padre Vicente o encontro foi iniciado dando boas vindas aos participantes. A leitura do evangelho do Filho Pródigo (Lc 15, 11- 32) abriu a partilha das reflexões. O tempo da Quaresma foi destacado como um período também de esperança para animar o retorno das atividades das Comunidades Eclesiais de Base - CEBs.


Durante o encontro os participantes citaram os desafios das comunidades eclesiais de base e dos cristãos, como a comunicação, aprendizado com o povo, encontro pessoal com Cristo, fé de supermercado (isso serve pra mim, isso não serve), observação das necessidades nas comunidades, eficácia da catequese, entre outros.

No encontro os participantes encaminharam alguma tarefas práticas para a realização da sexta edição do Nordestão das CEBs que deverá acontecer em 2012, em Itabuna


"Queremos ver Jesus!" - Que Jesus queremos ver?

“Permaneçam unidos a mim”, é uma das célebres frases que o autor desconhecido do 4º Evangelho pôs na boca de Jesus (Jo 15,4).

Assim, a princípio não estranhamos o fato de que, ao longo dos últimos anos, muitos bispos católicos – preferencialmente de mãos postas, olhar compenetrado e voz embargada – venham insistindo, em suas homilias e diretrizes pastorais, na necessidade imperiosa de que se proporcione aos fiéis em culto, catequese e pastoral uma “experiência pessoal com Jesus” que pudesse se tornar o fundamento para uma relação inabalável entre o “mestre” e o “discípulo” (e, sobretudo, entre o crente e a Igreja que lhe proporcionou tal experiência).

Não se precisa possuir nenhum dom analítico especial para adivinhar a verdadeira razão desta necessidade descoberta, digamos: um tanto tardiamente, na Igreja Católica: É a preocupação dos pastores com a perda de fiéis para as denominações “rivais” evangélicas onde o convertido, supostamente, “encontra” o Senhor Jesus.

Os bispos devem ter-se dado conta – isso dói, viu! – de que o bordão gasto da mera pertença institucional à Igreja como garantia de salvação já não funciona mais para muitos leigos.

Para eles, é inútil afirmar que “a plenitude dos meios salvíficos objetivos se encontra somente na Igreja Católica” (a graça eficaz dos 7 sacramentos, por exemplo); espera-se hoje de um ambiente religioso, antes de tudo, que proporcione uma experiência subjetiva com o próprio Cristo que toca profundamente a sentimentalidade da pessoa humana.

Daí, então, a tardia valorização da eclesiologia joanina (“Eu sou a videira, vocês são os ramos”) pelo episcopado católico, acompanhado pelo plágio desavergonhado de práticas litúrgico-homiléticas sentimentalistas e euforizantes criadas por outras igrejas. (...)

O lema “Queremos ver Jesus!” (Jo 12,21), de uma campanha evangelizadora lançada não muito tempo atrás pela CNBB, dá uma indicação do que se procura acentuar.

No entanto, devemos perguntar pela qualidade cristã deste “encontro com Cristo”, festejado nas diversas igrejas, quando falta – tanto aos promotores quanto à clientela do espetáculo – uma informação teológico-exegética segura sobre quem foi, realmente, Jesus de Nazaré e qual o sentido mais profundo das afirmações cristológicas a respeito dele que se consagraram na Tradição Eclesial mais antiga.

Corre-se o risco, em uma estratégia evangelizadora puramente orientada para resultados numéricos, de se oferecer um “Jesus” a gosto da multidão e de cada um(a), uma imaginação infiel àquilo que a pesquisa histórica sabe acerca de Jesus, hoje, caricatura esta que corresponde diretamente aos desejos (infantis e narcisistas) de indivíduos assustados e desorientados diante da “Babilônia” contemporânea.

A necessidade psíquica, premente em pessoas imaturas, de esquecer ou negar as realidades ameaçadoras da existência (morte, doenças, violência, vício, miséria, acidentes) conduz, freqüentemente, a um “Nosso Senhor” onipotente, interventor milagroso e protetor supremo diante de todo mal, sem o qual o crente se sente um “nada”.*

Motivação principal para esta procura ”religiosa” não é, em absoluto, a vontade consciente de seguir o exemplo de Jesus e transformar para melhor a realidade sofrida deste mundo; é antes um desejo inconfesso de querer ser poupado do grande mal onipresente, através de ofertas e sacrifícios devocionais ao “Todo-Poderoso”. (...)

A alimentação deliberada, por parte de sacerdotes e bispos, de uma devoção religiosa oriunda de uma expectativa psíquica infantil torna-se sobremaneira preocupante em uma sociedade como a nossa, marcada por gritantes desigualdades sociais, altíssimos índices de violência e de mortandade infanto-juvenil e espantosa indiferença da consciência ética de muitos cidadãos.

As Conferências Episcopais Latino-Americanas vem insistindo, desde Medellin (1968) que a ação evangelizadora em nosso continente precisa partir da realidade concreta de nossos povos.

Aqui se abre uma dicotomia entre o que se lê nos documentos da CNBB e do CELAM e o que se vê nos templos e nos salões paroquais. Devemos ter clareza dos vários níveis em que se deve envolver a nossa “busca por Jesus”:

(1) Quem foi Jesus de Nazaré, historicamente? – Quem informa aqui com competência é a comunidade internacional de pesquisadores e exegetas, e deve-se ter a humildade de escutar e aceitar os resultados convergentes e confirmados desta pesquisa.

(2) Que Jesus precisamos mostrar aos povos latino-americanos, se quisermos ajudá-los em sua caminhada rumo a uma vida em plenitude? – Aqui se juntam, na índole salvífico-libertadora da Igreja, duas fidelidades: aquela que escuta honestamente os resultados da pesquisa bíblica com aquela que escuta os clamores e os anseios daqueles que mais sofrem e menos são (lembram dos “últimos que serão os primeiros”?).

(3) Que Jesus queremos ver? – Aqui precisamos de uma introspecção mais honesta, de uma auto-análise mais aguda que nos revele o quanto de conteúdo psíquico mal reconhecido e mal resolvido está por trás de nossas “imagens” de Cristo, no sentido não de prescindir totalmente delas (não se pode viver sem imaginação), mas de não tomá-las simples e acriticamente como “a” verdade, só porque um poderoso desejo infantil as alimenta.

O Movimento em prol de uma Formação Teológico-Catequética de Qualidade para o Laicato Cristão, recém-criado em Fortaleza (moviformcrisfor@gmail.com), pretende problematizar bandeiras aparentemente insuspeitas e piedosas como “Queremos Deus!” (Que Deus?) e “Queremos ver Jesus!” (Que Jesus?), questionando o conteúdo ideológico oculto no fundo de muitas apresentações reducionistas de Jesus.

Existe determinado tipo de “formação” catequética, muito procurada hoje nas igrejas, que esconde, deliberadamente, os aspectos conflitivos e dramáticos da existência terrena de Jesus (p.ex. suas tentações, a incompreensão da família, suas contestações do poder religioso e político da época que lhe valeu ser perseguido), seu papel profético-libertador e o caráter martirial de sua morte, em benefício de um Jesus puramente milagreiro, consciente de sua própria divindade e focado unicamente em sua missão de morrer para remir os pecados da humanidade.

Tal (de)formação que não guarda a verdade integral sobre o Cristo precisa ser denunciada em público. Não basta ler a Bíblia, nas paróquias (por mais divina que a Lectio seja...): É preciso compreender o que se está lendo. Caso contrário, cada um(a) projeta o que quer para dentro do texto sagrado. Uma instrução teológica séria e comprometida se faz necessária, não um fazer-de-contas que se reduz a mini-cursos e alguns retiros! Façamos nosso o clamor do etíope em At 8,31: “Como posso entender, se ninguém me explica?!”

O cristão leigo, tantas vezes proclamado pelo clero “protagonista” da nova evangelização, carece, no entanto, de base teológica segura para interpretar os dados da fé e aplicá-los criativamente à realidade secular complexa que encontra à sua frente. Assessorá-lo nisso é, pois, a nossa nobre missão.

*A frase joanina “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5), quando não interpretada dentro do contexto da teologia peculiar do 4º Evangelho, pode levar a um pessimismo antropológico que produz a sensação de impotência no ser humano – e o faz entregar toda responsabilidade por seus problemas a Jesus.

Carlo Tursi

Teólogo e integrante do Movimento em prol de uma Formação Cristã de Qualidade (tursicarlo@gmail.com)

Adeus a Pe. José Comblin: "A esperança dos pobres vive!"

Amigos! Amigas!

Acolhido na Casa do Pai, neste 27 de março, após seus 88 anos de peregrinação, o Pe. José Comblin, que se achava em Salvador - BA, terá sua vontade atendida, de ser sepultado na companhia do Pe. Ibiapina, em Santa Fé, vizinha a Arara - PB.

Há poucos dias atrás, em visita a Santa Fé - conta-nos seu conterrâneo, Pe. José Floren - lá estava o Pe. José Comblin a plantar uma muda de pau-brasil, explicando que era para fazer sombra em seu túmulo...

Pois bem, após haver plantado centenas de árvores, desta vez será o próprio Pe. José a ser plantado ("Se o grão de trigo não morrer..." (cf. Jo 12, 24).

Por informação que acaba de nos prestar, por telefone, nossa querida irmã missionária Mônica Muggler, amanhã, segunda-feira, dia 28, estará saindo de Salvador o corpo do Pe. José, por via terrestre, devendo chegar a Santa Fé por volta da meia-noite, ficando exposto à visitação de despedida, na manhã da terça-feira, estando previsto o sepultamento, em Santa Fé, no Santuário do Pe. Ibiapina, vizinho a Arara - PB, à tarde da mesma terça-feira, 29 de março, entre as 15 e 16 horas.

Alegres na esperança, rendamos graças a Deus pelo dom do testemunho profético que nos foi o Pe. José Comblin, durante toda a sua vida entre nós!

"A esperança dos pobres vive!"

Fraternalmente,

Alder Julio