sábado, 16 de maio de 2009

Vigilia pela Amazonia - CEBs participando

Uma grande alegria termos o povo das CEBs participando da Vigia pela Amazonia, através de telefonemas e emaills.







Palestra do Pe. Nelito Dornelas na Vigília em defesa da Amazônia

Tema: Ameaças que pairam sobre a Amazônia – Conflitos sociais

Pe. Nelito Dornellas

Inicio minha fala com as palavras do pastor luterano Dietrich Bonhoefer:
“Não se pode cantar o canto gregoriano quem sabe que um judeu está sendo executado no campo de concentração”. Assim também afirmo que não podemos cantar o aleluia pascal sabendo que a nossa Amazônia está sendo rifada neste momento pela Câmara dos Deputados. Esta rifa é a Medida Provisória 458/2009, que dispõe sobre a regularização fundiária das terras da União na Amazônia Legal.
Esta MP apresenta diversos pontos perigosos. Se aprovado, pode fazer com que a lei, que deveria melhorar a vida dos pequenos posseiros que vivem há anos na região, vire mecanismo de estímulo à grilagem e à concentração fundiária.

O objetivo da MP é disciplinar a regularização fundiária de propriedades da União na Amazônia Legal, permitindo a transferência de terras públicas com até 1,5 mil hectares em nove estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e parte do Maranhão). A regularização fundiária é uma demanda antiga de pequenos posseiros que ocupam essas áreas há muito tempo, pois sem ela não têm como conseguir financiamentos nem linhas de crédito para investir, tendo em vista que não são proprietários das terras.

A Medida Provisória 458/2009 deveria marcar o início da solução de problemas de violência no campo, concentração fundiária e avanço do desmatamento ilegal. Entretanto, o texto original simplifica excessivamente os procedimentos de verificação da legitimidade da posse (se o indivíduo ocupou a área de forma pacífica, de boa-fé, há quanto tempo está na terra, se necessita dela para sua sobrevivência etc.), o que pode resultar na entrega gratuita de terras públicas a pessoas que não são as verdadeiras ocupantes ou que não necessitam dela para sua sobrevivência. Aliada à ausência de qualquer vinculação desse processo a uma política oficial de ordenamento fundiário, como o Zoneamento Ecológico Econômico, a MP pode induzir um verdadeiro "saldão" de terras públicas, que, ao invés de beneficiar os pequenos posseiros de boa-fé, beneficiaria os grandes grileiros e a concentração fundiária.

O projeto de lei de conversão da MP, que alterou a proposta do governo, piora ainda mais a situação. As modificações apresentadas no relatório do deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA), a ser votado nos próximos dias na Câmara, inclui áreas devolutas localizadas em faixa de fronteira e outras áreas sob domínio da União como passíveis de regularização nos termos dessa lei; retira a exigência do ocupante não ser proprietário de imóvel rural em qualquer parte do território nacional; e permite que pessoas jurídicas (empresas) possam adquirir terras públicas por meio dessa via facilitada, podendo vendê-las apenas três anos depois, por exemplo.

Para o coordenador do Programa de Política e Direito Socioambiental do ISA, Raul do Valle, se aprovado o relatório na sua atual versão o risco de se aumentar a concentração fundiária, a violência no campo e o desmatamento é muito grande. “Regularizar a posse dos caboclos e agricultores familiares é uma coisa, colocar terras públicas nas mãos de empresas e grandes fazendeiros é outra. Infelizmente, se uma série de garantias não forem introduzidas no projeto, como a necessidade de vistoria prévia e existência de um comitê orientador dos trabalhos, quem vai mesmo se beneficiar das novas regras vão ser estes últimos, em detrimento dos primeiros e do patrimônio público”, avalia o advogado.

Em síntese, eis as quatro ameaças que pairam sobre a Amazônia a partir da MP 458/2009:

* Risco à segurança nacional: a possibilidade de alienar terras devolutas em faixa de fronteira, aliada à possibilidade de legalizar áreas ocupadas por pessoas jurídicas (que poderão vender a propriedade sem restrição), pode resultar numa ampla privatização dessas terras, dificultando as ações do Exército na região, por exemplo.

* Regularização de terras griladas: ao permitir alienação de terras a ocupantes indiretos e que já sejam proprietários de outros imóveis, a medida pode beneficiar grandes fazendeiros, que não dependem daquela área para sobrevivência e que as utilizam apenas para especulação (revenda posterior).

* Concentração de terras: mediante processo licitatório com direito de preferência, a medida autoriza que pessoas jurídicas recebam o título da terra pública de até 1.500 hectares, podendo revendê-las (sem restrição) em até três anos, o que criará um mercado de terras recém-privatizadas que seguramente implicará no aumento da concentração fundiária na região, já excessiva.

* Declaração de posse sem comprovação: a dispensa de vistoria prévia para imóveis até 4 módulos pode resultar na alienação de terras desocupadas ou para particulares que não são os verdadeiros posseiros.

Encero minha fala, reportando ao antigo teólogo, São Tomás de Aquino que afirmava o seguinte:
“Se és santo, ore por nós!
Se és prudente, julgue-nos!
Se és sábio, governe-nos!”

Que estas duas casas legislativas sejam ocupadas por aqueles que a possuam estas três virtudes fundamentais para que salvemos a vida dom planeta e no planeta, salvando a Amazônia!



Fonte: ISA - Instituto Socio Ambiental

quarta-feira, 6 de maio de 2009

8º encontro latino-americano e caribenho


Desafios para as CEBs do Brasil
No final do 8º encontro latino-americano e caribenho, em Santa Cruz de La Sierra, a partir das discussões feitas no referido encontro, a delegação dos brasileiros e brasileiras apontaram alguns desafios importantes, a serem discutidos com profundidade pela equipe ampliada nacional de CEBs. São eles:

1. Comunicação: Utilização dos meios de comunicação disponíveis para divulgação das CEBs (rádios comunitárias, rádios comerciais, boletins, jornais, revistas, televisão, sites, e-mails...); ver possibilidade de um site com informações nacionais sobre as CEBs e divulgação de subsídios e cursos de formação; promover a formação de comunicadores para as CEBs.

2. Articulação: Reforçar a articulação das CEBs com as Pastorais Sociais, Semana Social Brasileira, Assembléia Popular; melhorar a articulação, principalmente para repassar informações para quem vai participar de encontros no exterior; ter uma pessoa de referência para isso.

3. Sustentabilidade econômica: Ver possibilidade de algum projeto de cooperação nacional ou internacional para garantir uma melhor articulação das CEBs em nível nacional e para apoiar quem vai participar de encontros de CEBs no exterior.

4. Material de formação: Garantir produção e distribuição de material popular para subsidiar a formação permanente das CEBs na base. (Exemplo: Documento de Aparecida)

5. Questão ecológica: Garantir discussão e aprofundamento da questão ecológica em todos os espaços possíveis na perspectiva das CEBs, com troca de experiências em andamento.



(Dirceu Benincá)

sábado, 2 de maio de 2009

12º Intereclesial das CEBs - Abertura da 47ª Assembleia Geral


A 47ª Assembleia Geral dos Bispos iniciada em 22.04.2009, com uma celebração na Capela Central da Casa de Retiros da Vila Kostka, em Itaici, Indaiatuba (SP), às 8h15, dirigida pela presidente da CNBB e arcebispo de Mariana (MG), dom Geraldo Lyrio Rocha. Junto com o presidente, o vice-presidente, dom Luiz Soares Vieira, o secretário geral, dom Dimas Lara Barbosa e os bispos presidentes dos 17 regionais da CNBB.
Na procissão de entrada foi carregada a cruz processional, o Círio Pascal, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, um Tríptico (capelinha missionária), um banner do Ano Catequético e outro do 12º Encontro Intereclesial das CEBs.

CEBs - 47ª Assembléia de Bispos do Brasil




Itaici, 28 abril 2009 - 47ª Assembleia dos Bispos do Brasil, em Itaici. O dia começou com a santa missa presidida pelo bispo de Floresta (PE), Dom Adriano Ciocca Massino, que destacou, em sua homilia, a realidade e importância das Comunidades Eclesiais de Base, CEBs, chamando a atenção para a opção que a Igreja faz pelos pobres.

"É necessário – disse Dom Adriano, que é responsável pelas CEBs no Brasil – dar maior impulso às comunidades eclesiais de base a nós confiadas, fortalecendo as existentes e fundando outras, especialmente nas periferias urbanas e rurais mais afastadas e esquecidas."

Durante a celebração eucarística Dom Adriano deu destaque ainda, aos mártires da América Latina, por terem assumido "o compromisso de ficar ao lado dos pobres e excluídos".

No próximo mês de julho, de 21 a 27, Porto Velho hospedará o 12º Encontro Intereclesial de CEBs, cujo tema tratará da Amazônia

47ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil - CEBs



CEBs presente na 47ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil !!!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Cartas as Comunidades - Dozinho

CARTA ÀS COMUNIDADES

Porto Velho - setembro de 2008

“Filho da floresta, água e madeira vão na luz dos meus olhos, e explicam este jeito meu de amar as estrelas e de carregar nos ombros a esperança”
(Thiago de Melo)

Irmãos e irmãs das CEBs,

1. Em nome da Trindade, a melhor comunidade, saudamos vocês com muito carinho. Nos dias 26 a 28 de setembro de 2008 estivemos reunidos em Porto Velho para celebrar o 1º Encontro Arquidiocesano das Comunidades Eclesiais de Base, carinhosamente chamado de Dozinho, com o objetivo de fortalecer as CEBs e ao mesmo tempo aprofundar a preparação para o 12º Intereclesial, que ocorrerá aqui nesta porção da Amazônia em 2009, ocasião em que refletiremos sobre o tema “CEBs/Ecologia e missão” e o lema “Do ventre da terra, o grito que vem da Amazônia”.

2. Éramos aproximadamente 1300 participantes representantes de comunidades urbanas, rurais, ribeirinhas, migrantes, povos indígenas e demais povos da floresta, assessores e convidados das dioceses de Lábrea, Humaitá, Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Guajará-Mirim e Ji-Paraná, refletindo e celebrando à luz do tema “A caridade sustenta a comunidade” e o lema “A Palavra de Deus é viva e eficaz”. Sentimos o carinho das centenas de famílias que nos acolheram e dos irmãos e irmãs das equipes de apoio que nos cuidaram com dedicação, e o apoio de nosso Arcebispo Dom Moacyr Grechi e do Bispo de Cruzeiro do Sul Dom Mosé João Pontelo, representando o Regional Noroeste da CNBB.

3. Nas celebrações, preparadas pela Rede Celebra e equipes locais, fizemos memória da caminhada de nossas comunidades, que carregam nos ombros a esperança e o sonho de Jesus de Nazaré, nosso irmão e Senhor.

4. Nosso olhar se dirigiu para nossa realidade, onde vemos crescer a fraternidade que gera vida, mas também de onde ecoam os gritos da Amazônia na agressão à natureza, poluição do solo e dos rios, implantação de megaprojetos, tais como a construção de hidroelétricas, na destruição das florestas pelo agronegócio e latifúndio depredador, agressão à cultura dos povos indígenas, no inchaço das cidades, violência urbana e tantos outros males que perturbam a harmonia da criação de Deus.

5. Os gritos da Amazônia se fazem ouvir também na resistência dos povos e comunidades que propõem projetos alternativos em sintonia com a vocação de nossa região.

6. Nos orientamos pela confiança de que a Palavra de Deus nos abre para o novo e para a esperança. O Deus da vida, que “faz novas todas as coisas”, nos ajuda a fazer correr o rio da fraternidade em nossas comunidades, que neste momento vivem o entusiasmo da preparação do 12º Intereclesial.

7. Reforçamos a convicção de que as CEBs são portadoras de esperança, sinais da realização da utopia do Reino, onde toda forma de ameaça à vida deve dar lugar ao “novo céu e a nova terra” (AP 21,1).

8. Sugerimos a realização de encontros entre comunidades para aprofundar a reflexão aqui iniciada, a elaboração de material com linguagem simples sobre as CEBs, maior eficiência na divulgação e comunicação, dinamização dos ministérios leigos e maior descentralização das paróquias, transformando-as sempre mais em “comunidade de comunidades”.

9. Encerramos nosso Encontro com a Romaria da Bíblia e com a celebração eucarística. Voltamos para nossas comunidades acompanhados pela bênção do Deus da vida e da esperança. Confortados pelo testemunho dos mártires da caminhada e dos que confessam a fé com destemor. Com Maria, mãe de Jesus e companheira de nossa caminhada, em busca da Terra Sem Males.

Amém! Axé! Auêre! Aleluia!

12º Intereclesial das CEBs
Tema: 'CEBs Ecologia e Missão'
Lema: 'Do Ventre da Terra O Grito que vem da Amazônia' Secretaria do 12º Intereclesial
Fone: 069 3229 8192